A Fantástica Vida de Albert – Apresentando-se
Escritor: J. G. Valério

Meu nome é Albert e tenho uma vida normal.
Ter uma vida normal significa que ela é chata, muito chata. Tenho que acordar cedo todos os dias, fazer o café da manhã para o meu filho Lalbert, tirar ele da cama, fazer ele tomar o café da manhã, me arrumar para o trabalho, levar Lalbert para a escola, pegar um engarrafamento fazendo isso, deixar Lalbert na escola, pegar outro engarrafamento, ir trabalhar.
Antes que vocês perguntem, eu não escrevi errado, o nome do meu filho é Lalbert. Quando Lalbert veio ao mundo, minha esposa Sophia e eu decidimos dar o meu nome para ele e colocar algum complemento, mas Albert Júnior não soava muito original e dei a sugestão de Little Albert, tirando o Little e deixando apenas o L, ficava Lalbert. Minha esposa odiou, e como ela tinha mais juízo que eu, claro que não aprovou. Porém, por infortúnio ela morreu dando a luz a Lalbert e como ela não estava mais ali para vetar, dei o nome que queria a nosso filho. E foi assim que ele veio a se chamar Lalbert.
Vocês devem estar pensando, “Nossa, como esse homem é ruim. Deveria ter acatado o último desejo da mulher, e não dado este nome a criança”, na verdade muitas pessoas ja me falaram isso quando conto o motivo do nome do meu filho. Mas não tenho resposta para isso, minha vida com Sophia sempre foi de provocações e um querendo disputar algo com o outro, éramos muito felizes e nos amávamos, e posso dizer que o último round foi meu, ganhei por knock out, sendo o Lalbert quem derrubou a fera. Meu prêmio foi escolher o nome da criança. Esteja Sophia onde ela estiver, no cemitério da cidade presumo, ela entende isso e aceita minha vitória.
Sinto falta de Sophia, não a um dia que passe que eu não pense nela. As vezes também penso em arrumar uma outra esposa, não por mim, depois que inventaram a banda larga as mulheres podem ser dispensáveis, na verdade penso em arranjar uma nova esposa para poder dar uma mãe a Lalbert. Ele deve sentir falta de uma mãe.
Só que até hoje estamos nos virando bem, e Sophie ainda vive em minhas lembranças.
Lalbert tem apenas 7 anos, não é muito esperto, mas eu o amo por ser assim. A cada pequena coisa que lhe mostro, ele reage com uma fascinação incrível, sei que toda criança é assim, mas Lalbert é mais, ele é diferente. Sei que as outras crianças na escola são melhores que ele nas tarefas, sei disso porque a sua professora vive me chamando para conversar, eu sempre desconverso. Para mim Lalbert pode ficar assim para sempre, não existe melhor visão do mundo do que a vista pelos olhos de uma criança, e sei que Lalbert consegue ver nosso mundo como ninguém.
Mas eu tenho que parar de falar sobre Lalbert, afinal esta história se chama “A Fantástica Vida de Albert” e não de Lalbert. Deixe-me falar de mim então. Falar de nós mesmos é complicado, ainda mais tendo uma vida chata como a minha. Acredito que muitos tem uma vida chata, muitos acordam pela manhã, pegam seus carros e no caminho para o trabalho ficam repetindo incessantemente, SSDD… SSDD. Eu faço isso todos os dias, minha vida é uma rotina tão bem planejada que nem utilizo mais calendário ou qualquer tipo de agenda, os dias passam tão rápido que não vejo motivo para conta-los. Contar os dias para que? Todo o dia é a mesma coisa.
10 Comments»
RSS feed for comments on this post.TrackBack URL








Delicie-se com uma versão sensacional e completa da canção dos anões em O Hobbit!
Apple libera iBooks 2 e app para criar livros
The Robins | Ajudantes do Batman podem estrelar HQ juntos
Papo na Estante 34 – Prêmios Literários
Papo na Estante 33 – Literatura de Entretenimento
Show, Don’t Tell ou Mostre, Não Diga.
Occupy Comics: Alan Moore e David Lloyd colaboram
Resenha do livro "O estranho mundo de Tim Burton"
Filhos do Éden - Herdeiros de Atlântida 


Todo conto deve ter uma imagem, porém a imagem do conto “A Fantástica Vida de Albert” não é para ser essa.
Vou tentar fazer outra, mas caso eu não consiga, vai ficar essa mesma.
estou com a cabeça meio cheia para ler agora, devido as atualizações no meu blog.
Mas lerei em breve.
Para não ter perigo de esquecer, adicionei o banner do blog.
Desejo sucesso para esse blog também
Valeu Lame Duck!
Este é um blog de literatura, mas adicionei seu link aqui pois você tem seu Yuri.
Se você quiser, assim que você publicar a próxima parte da história de Yuri, eu possa fazer um post aqui no blog falando do conto e levando um link para sua página.
Não que este post vai lhe dar muitos leitores, mas como esse blog é para divulgar contos, não publicarei apenas os meus, farei citação de outros contos e espero incentivar a leitura nos frequentadores do blog.
A sim. Eu não coloquei o banner do seu blog no link, pois não vou utilizar nenhum banner de imagem na lateral.
Como esse blog é para leitura, quanto menos imagens, quanto menos distrações da tela principal, melhor para o leitor.
Por isso vou deixar ali apenas links de texto.
“ganhei por knock out” kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk’ raxei…
O que foi que você rachou Lucas?
hehehe…
hahaha, muito bom o conto, ri muito. a parte do Lalbert foi muito boa.
Curti o estilo levemente sarcástico do texto, me pareceu um pouco o começo de um filme narrado pelo protagonista. Bem carismático. Vou continuar lendo para saber o destino de Albert e Lalbert. \o/
Termina ai???
-
Não sei ao certo mas, acho que eu queria saber mais sobre a vida de Albert.
-
Teves umas partes que foram otimas ” Esteja Sophia onde ela estiver, no cemitério da cidade presumo, ela entende isso e aceita minha vitória”, e coisas do tipo.
Ele tem mais capítulos. Clica na pizza (ou torta?) à esquerda do cabeçalho do texto que aparece.
(Realmente essa da Sophia foi muito boa)