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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Jan
28
2009

Pessoas

Escritor: J. G. Valério

pessoas

Como ele pode desconfiar de mim. Eu nunca faria aquilo com ela. Eu nunca a teria matado. Mas aquele velho bastardo, querendo bancar o investigador certinho desconfiou de mim, seu próprio filho. Eu não a matei. Não fui eu. Vá atrás da pessoa certa.

Eu só a acompanhei aquela noite. Deixei-a na entrada da viela e fui embora. Repeti estas frases várias vezes. Ele não acreditava.

Eu a amava.

Ele insistiu, ele me pressionou, ele queria que eu confessasse. Ele sempre me tratou como um marginal, sempre. Queria que eu fosse como ele, mas quando percebeu que eu não seria um cachorrinho adestrado resolveu me tratar como o lixo da sociedade. Seu próprio filho. Ele não acreditou em mim.

Esta maleta já esta ficando pesada em minha mão. Essas pessoas esbarrando em mim. Me tocando, me empurrando. Cada passo que dou, cada pessoa que esbarro, mais aumenta minha vontade de vingança, meu ódio.

Essas pessoas com seus ternos, suas gravatas, seus celulares. Senhoras fazendo compras, a futilidade em sua forma primária. O centro da cidade. O coração econômico de uma Babilônia fadada à destruição.

Todos me enojam. A podridão desta raça miserável, consome, sufoca, mata tudo que pode ser belo e maravilhoso. Nada de bom sobrevive aqui, nada. Alguém tem que limpar este lodo. Não acredito que eu consiga fazer isso sozinho.

Mas vou tentar. Por ela eu vou tentar.

XXX

Eu a amava. Por anos, sem ela saber, eu a desejava. Queria ter ela em meus braços, beijar, abraçar. Enquanto tinha outras garotas, era ela que eu imaginava. Sempre foi ela.

Mas agora, tudo acabou, acabou. Foi tão rápido. Finalmente consegui me aproximar dela, sentir o seu perfume. Consegui beijá-la, mas acabou.

Foi estranho, não consigo entender. Ela pensou que eu estava lhe deixando flores. Veio correndo pelo corredor da faculdade, com uma rosa na mão, ela me abraçou. Fiquei sem saber o que fazer, escutei ela dizer várias palavras, me agradecendo, e dizendo que tinha descoberto, que só poderia ser eu. Ela achou que eu estava lhe dando rosas, que eu era um admirador secreto.

Que eu a admirava secretamente, há anos, isso é verdade. Mas rosas, não era eu. Só não tive coragem para dizer, afinal ela estava ali em meus braços, sentia ela, seu cabelo liso feito seda. Seu perfume.

Naquela noite, ao final da aula, acompanhei ela boa parte do caminho. Conversamos muito, sobre tudo. Eu estava feliz, ela estava feliz. Ela falou que sempre gostou de mim, desde o colegial, mas como eu era muito tímido, ela não sabia como falar comigo. Senti-me um lixo, se não tivesse tido tanto medo, poderia ter sentido o perfume dela há muito tempo antes. Resolvi esquecer isso. O que importava era aquele momento.

Acompanhei ela até a entrada de uma viela, uma pequena rua que servia de atalho para quem queria chegar à avenida do outro lado. La ela iria pegar seu ônibus. Mas isso nunca chegou a acontecer.

Maldita rua escura, rua onde ela disse que encontrava suas rosas, me agradeceu novamente por isso. Me despedi, lhe dei um beijo, disse até amanhã. Disse que sempre a amei, desde mais novo, sempre a amei. Pelo menos lhe disse isso, sempre a desejei, sonhei com aquele momento.

Foi naquela viela, no dia seguinte, que acharam o seu corpo. Estava sem roupa, amordaçada, os pulsos e tornozelos amarrados com sua própria camisa.

Disseram que ela foi estuprada, e depois morta. Quebraram seu pescoço, mas que antes disso bateram muito nela, havia muitos hematomas por tordo o corpo. Um braço foi quebrado, ela deve ter tentado resistir. Não teve chance.

Meu pai me contou isso, descreveu cada detalhe, achou que eu ia deixar algo escapar, que eu ia me entregar. Mal sabia ele, que cada detalhe que ele me contava, aumentava minha raiva, minha raiva por ele, minha raiva pelas pessoas.

Apenas uma rosa, por fim disse meu pai. Apenas uma rosa em cima do seu corpo nu. A rosa que supostamente eu teria lhe entregado.

Eu sempre quis ter uma vida feliz, por algumas horas naquela noite, eu tive essa vida. Mas agora não resta mais nada.

Eu não a matei, mas alguém a matou. Quem? Não sei, na verdade não importa, é apenas mais um motivo. Todos irão pagar.

XXX

Já estou chegando, já vejo a praça.

Pessoas, pessoas para todos os lados. Vendedores com suas barracas, tentando sobreviver com suas bugigangas. Nada disso me interessa. O que me interessa é a torre. A torre da igreja. La de cima será um ótimo lugar, com certeza um ótimo lugar. Que Deus me perdoe, mas vou usar sua casa, para punir seus filhos.

Punir seus filhos. Chega a ser engraçado. Filhos de quem? Como podem acreditar? Um Ser bondoso que nos deu a vida, que preza por nós. Não consigo mais acreditar nisso, não depois do que aconteceu.

Entro pela porta da frente. Esta apenas encostada. Empurro com um pouco de força. Entro, e fecho a porta atrás de mim. A igreja estaria completamente vazia, se não fosse por um velho sentado em frente ao altar. Um velho padre é o que aparenta ser. Vou em direção ao altar. Passo pelo velho, que esta com os olhos fechados, rezando.

Me dirijo à porta que fica a esquerda. O velho, com sua voz rouca, me chama, pergunta onde estou indo. Dirige a palavra a mim, me chamando de filho. Não sou seu filho padre, e estou indo para o alto da torre. Dou uma risada irônica. Talvez la de cima Ele consiga escutar o que tenho para dizer.

Deixo o velho para trás. Ele não faz questão de me deter. Senta, e volta a rezar. Ando em direção as escadas. Olho para cima, la esta o sino, e são alguns lances de escada para chegar até la. Começo a subir. A maleta pesada é desgastante. Mas agora falta pouco.

Chego ao alto da torre, daqui posso ver tudo. Os morros ao longe, os prédios em volta. Telhados e construções. As árvores da praça, e claro, as pessoas. Pessoas em todo lugar, como um câncer. Um vírus que se espalha e destrói tudo. Destrói os vestígios do passado, e destrói a possibilidade de um futuro.

Chegou minha vez, é hora de acabar com o presente.

Abro a maleta, dentro dela, a arma favorita do meu pai. Um rifle com mira telescópica, calibre 7.62. Nada a 800 metros de distância escapa disso aqui, é o que meu pai não cansava de me dizer. Começo a montar a arma.

Apóio o rifle na beirada da torre, e encaixo a coronha do meu ombro. A mira é perfeita.

La embaixo, na esquina da praça, tem uma mendiga vendendo flores junto ao semáforo. Ela tem um buque de rosas nas mãos. Rosas. Engatilho a arma.

Odeio pedintes no semáforo.


Categorias: Conto Beta,Contos | Tags: , ,

9 Comments»

  • Pessoas conta a história através do pensamento do garoto que apareceu na entrada da viela junto da garota, no conto Rosas. Eu tentei deixar isso bem claro, mas a narração ficou muito parecida com Rosas, por isso aparenta ser o mesmo personagem.

    Ou… talvez seja o mesmo personagem.

  • E.U Atmard says:

    Mal posso esperar pela continuação.
    Realmente ainda estou a tentar perceber se é ou não o mesmo personagem…

  • Vou continuar o Conto Beta.

    Em breve…

  • E.U Atmard says:

    Realmente a história adensa-se… espero que publique num futuro muito próximo a continuação de “Pessoas”

  • E.U Atmard says:

    eu não queria parecer chato, mas quando em concreto é que faz tenções de continuar a história?

  • Na verdade.. não tenho idéia.

    Esta história eu havia escrito a um tempo antes de fazer o blog. E coloquei ela aqui no início para deixar meus contos em um só lugar.

    Mas eu havia parado de escreve-la, pretendo voltar. Mas ainda não sei quando.

  • Dédalo Smaug (antigo Mike Smaug) says:

    Fui ver agora que tinha a continuação de Rosas e ainda tem a continuação desse.

    Homem, isso é show, rapaz é tocante, já havia dito que leio ouvindo músicas, então estão aí a trilha sonora da vez:

    Dois primeiros parágrafos:
    Philip Glass – Violin Concerto 2nd Movement

    Último parágrafo:
    Albinoni – Adagio In G Minor

  • Danilo Luiz says:

    Mais um texto excelente. Anseio pela continuação. Contudo, não vou ler imediatamente agora. Parabéns!

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