Escritor: E.U Atmard

Caminhava de um lado para o outro, num bizarro discurso para consigo próprio. Seria de esperar que um chefe da polícia se preocupasse com o mais recente crime. Mas não. O que preocupava a Rovan, era a inacção perante os constantes crimes com os quais dia após dia se deparava.
À alguns dias atrás, enquanto encurtava o seu caminho para casa, por uma ruela perto da esquadra, foi interpelado por um sujeito alto, de capuz. Pensando que o sujeito o queria assaltar, Rovan sacou rapidamente da arma que guardava a todo o instante no bolso das calças, e apontou ao suposto assaltante. Mas este falou, num tom pesado e grave, que apenas queria negociar. Rovan deu uma gargalhada, e num instante apontou a arma agora carregada ao homem, à sua cara. Mas o sujeito insistiu, e disse ainda que tinha a ver com os crimes que decorriam, em relação aos dois homicídios que ninguém conseguia resolver. Rovan parou de apontar a arma, como que a testar a lealdade do seu alvo. Este provou estar a falar verdade, e continuou a explicação. Ele vinha por este meio, “oferecer” algum dinheiro ao polícia, caso ele dificultasse ainda mais estes crimes. Rovan riu de novo, mas todo o riso parou, quando se deparou com centenas de milhares em notas de 100. Pensou apenas por um momento. Viu à sua frente uma pilha de corpos, que se amontoavam por culpa dele. Mas no outro lado viu-se a descansar numa praia, vivendo o resto dos seus anos num hotel em algum destino tropical. Então, apertou a mão enluvada, pegou no dinheiro, e foi andando.
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