Aura e Conhecimento
Escritor: E.U Atmard

Era um dia como outro qualquer da minha vida. Naquela manhã de Junho ao acordar não pude pensar que aquele pudesse vir a ser o marco mais importante da minha vida. Eu, Erik von Sveinrik nascido na Ucrânia mas vivendo na Alemanha, estava nesse dia de 21 de Junho, a correr com a minha vida autómata de sempre. Ia para o meu emprego enfadonho, pelo mesmo caminho enfadonho, com a mesma melancólica cara de quem já sabe tudo o que acontecerá. E, por isso, andava indiferentemente, esquecido de tudo e todos à minha volta, por um mundo que eu conhecia bem demais.
E foi enquanto passava perto de uma estreita viela, que algo desconcertou a melodia. Para meu espanto, era uma livraria, toda feita em madeira de cerejeira muito polida e brilhante. Eu sabia que ainda no dia anterior, naquele mesmo beco estava uma drogaria, o que fazia da existência daquela livraria, impossível. Esfreguei os olhos, e abri-os de novo, belisquei-me e sustive a respiração. Mas nem com tudo isto a livraria desapareceria. E por alguma razão que até hoje não percebo, fui impelido a ir junto àquela loja.
Estava agora a dois passos da entrada da livraria. A fachada parecia muito maior e mais chamativa. A sua madeira estava envernizada, e talhada à mão, em pilares, colunatas, bustos e máscaras. Senão tivesse visto um livro esculpido à mão na própria madeira em cima do arco de entrada, diria que era antes uma ópera, escondida num beco escuro de Zurique. Abri a porta. Por um momento senti um arrepio, ao tocar a gelada maçaneta, mas num instante, o frio desapareceu, dano lugar ao caloroso toque de uma mão. Era o gerente. Por um instante, um instante apenas, vi uma livraria a cair aos bocados, repleta de teias de aranha, e à minha frente, um decrépito esqueleto. Mas no momento seguinte, tudo se desvaneceu, e voltei a ver uma gloriosa sala brilhante, com um gigantesco candelabro no centro. Para além disso, nas paredes, erguiam-se majestosamente de um mar de soalhos, as prateleiras.
Mas talvez o mais impressionante, era o próprio gerente Edgar. Aparentava uns 50 anos, e tinha o cabelo muito curto, todo posto para o lado direito. Era muito mais baixo que eu, e era bastante gordo. Tinha postos uns óculos doirados, muito pequenos, que usava com um fio por entre as orelhas. O seu fato era feito inteiramente de seda, e no seu bolso tinha um relógio de ouro, donde pendia um fio. Enfim, o típico livreiro dos dias de ontem. Mas o que mais me surpreendeu, foi o assustador factor de ele saber o meu nome e de estar à minha espera. Então, tão rápido como chegou ao pé de mim, dirigiu-se para o balcão, em curtos passos. Só aí me apercebi que a livraria estava deserta. Enfim, estava ali, ao menos via que livros haviam para vender. Peguei num. Tinha uma capa brilhantemente decorada, numa capa dura em tons de vermelho e verde. Tinha uma insígnia que eu desconheço, e um título estranho. E foi quando abri o livro que vi que estava escrito em Frísio do Norte, uma difícil língua na Alemanha. Falei com o gerente, e este disse-me que todos os livros estavam escritos nesta língua, excepto um. Este era um raro livro que se encontrava na secção de “Antiguidades”. Edgar levou-me a esta secção, e lá, bem no centro, estava um pequeno livro de bolso, que Edgar me deu para a mão. Eu falei com ele, disse que não podia aceitar aquele livro tão precioso, mas este disse umas palavras que nunca me esqueci ‘Não há nada que o senhor (ele tratava-me sempre por senhor) não possa ter. Isto aqui é a cura para o mal que atormenta a raça humana. Leve-o, pois pertence-lhe’.
E foi tanto quanto me posso lembrar da livraria. Sei que depois fui para casa, com aquele pequeno livro de bolso. E quando lá cheguei, fui lê-lo. O título era ‘Aura e Conhecimento’. Achei que era um bom título, e decidi começar a lê-lo. Mas assim que abri o livro senti uma vibração, uma energia súbita, como se naquele momento o universo e eu tivéssemos uma perfeita harmonia. A história era a de um povo que vivia no centro de um estranho planeta, onde o centro era o coração do planeta, e o seu povo era um grupo de curiosos seres antropomórficos, que guardavam as portas do centro, impedindo assim a saída do sangue que neste se encontrava, para nós, água fresca. O povo vivia feliz e contente neste mundo, só com as suas casas flutuando na água, feitas de tecido vivo do próprio planeta. Toda a sua existência, baseava-se no bater do coração do planeta, e a cada batida, eles viviam mais e mais fortes. Pois naquele mundo estranho, o planeta era um ser vivo. E quando certo dia, um guardião dos portões, Eli, deixou o sangue sair. E numa forte corrente impiedosa, todo o sangue foi drenado. E enquanto lia isto, uma e outra vez, vibrações de puro prazer e força, uma clarividência que me fazia ver mais além. E como um vício, não queria parar de ler.
Mas então, a história ficou mais macabra. Todo aquele povo morreu, pois o coração parou de bater. E todo o tecido vivo começou a ficar encarquilhado, e rapidamente ficou tornado num planeta de pedra e rocha, pó e metal. E o sangue do seu centro ficou espalhado pelo topo daquele planeta por um tempo sem fim. E neste último momento, vi em mim um sentimento que há muito não reconhecia: a pura e incondicional felicidade. E a partir desse adorado dia, eu, Erik von Sveinrik , fui feliz.
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este site tá meio morto, não tá?
Ops!
você achou esse novo site.
Na verdade.. eu vou migrar o nerd escritor para ca.
Mas esse ainda não esta pronto.
ok. Fico à espera que este blog cresça como o outro!
Muito legal o blog novo
Já mudei o link para cá.
Por curiosidade, vocês pegaram o dominio do site onde?
Estão hospedando a página ou só fazendo redirecionamento?
abraços
Na verdade O Nerd Escritor é apenas meu.
Inicialmente eu registrei o dominio pela Locaweb, mas não sabia onde hospedar.
Ai conheci o Vilago do grande Cris Dias (o cara que criou a internet
) e to hospedando o blog com ele.
Tem um link do Vilago ali no menu direito.
Esse host é ótimo para blogs, da uma conversada com o Cris Dias e não esquece de dizer que fui eu quem indicou o host
E.U Atmard quanto tempo.
Olha esse blog aqui vai crescer sim, pois agora que hospedei ele, estou pagando para manter O Nerd Escritor no ar.
Fiz isso pois quero investir neste blog e fazer ele crescer muito.
Nestas ultimas semanas eu estava sumido, mas agora voltei e quero colocar a casa em ordem.
Ei.. você ja recebeu o livro que te enviei??
Ja deve estar por ai.
já, já o recebi. Muito obrigado, é mesmo o meu tipo de leitura. Eu mais tarde mando uma foto dele.
Valeu pela visita e pelo post sobre o Draconiano.
Abraço.