Como se fosse uma rosa
Escritora: Laize Kasmirski

I
O amor pode ser visto como uma rosa desabrochando,
A cada dia se torna mais bonito,
Mas ao mesmo tempo,
Está sujeito a ser interrompido por alguém.
Digo-lhe isso companheiro, pois há muito tempo atrás sofri uma imensa perda, isso mesmo, uma perda de um grande amor. Não irei lhe esconder, foi esse amor que me tornou do jeito que sou hoje, forte e maduro. Não lhe digo que antes eu não era, mas sou capaz de viver a vida minuciosamente, aprendi a viver intensamente cada milésimo de segundo da minha graciosa vida. Desta forma, sou grato por todos os sentimentos e momentos vividos que somente tive com aquele ser magnífico.
Chamo-me James, vivo desde os três anos em Leeds, Leeds é uma importante cidade que está localizada no norte da Inglaterra. Possuo uma empresa exportadora de tecido (JBG), nossa cidade é responsável pela metade das exportações de lã e tecido do país. Moro com um gato gordo, peludo e vadio chamado Grandy, ele é muito companheiro por sinal. Sempre está ao meu lado, talvez seja porque estou sempre parado e assim então ele me acompanha, formamos uma dupla de “paradões”.
Conheci Beatriz em uma noite de sábado, sim, em uma bela noite de sábado. Eu tinha exatamente 22 anos na época. Lembro-me como se fosse hoje. Estávamos em Birmingham, uma cidade situada no centro da Inglaterra, sendo a segunda maior cidade do país. É um centro industrial e de transportes, a partir da Revolução Industrial se desenvolveu ainda mais. Ela tem sido muito danificada pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Então, como dizia, estávamos na cidade para prestigiar o esplêndido show do The Beatles, que estava muito animado. O salão estava lotado, mas isso já não era nenhuma novidade. Havia milhares de pessoas, mas apenas uma me chamou atenção. No momento em que avistei Beatriz, a banda tocava Here Comes the Sun. Era como se a música estivesse sendo tocada realmente para expressar meus sentimentos:
Little darling, it’s been a long cold lonely winter
Little darling, it feels like years since it’s been here
Here comes the sun, here comes the sun
And I say it’s all right
Little darling, the smiles returning to the faces
Little darling, it seems like years since it’s been here
Here comes the sun, here comes the sun
And I say it’s all right
Queridinha, tem sido um inverno muito frio e solitário
Queridinha, parece que foram anos desde que esteve aqui
Aqui vem o sol, aqui vem o sol
E eu digo que isto é certo
Queridinha, os sorrisos voltaram aos rostos,
Queridinha, parece que foram anos desde que esteve aqui
Aqui vem o sol, aqui vem o sol
E eu digo que isto é certo
Beatriz estava atravessando a multidão e vindo ao meu encontro, lógico que não era a intenção dela, pois nem se quer me conhecia. Ela possuía um longo cabelo castanho claro, seus olhos eram castanhos escuros, como se fossem duas brilhantes jabuticabas, sendo de uma forma que demonstrava um mistério, um mistério que eu desejava desvendar. Seu sorriso era doce e meigo. Eu conseguia imaginar o toque suave ao qual sua mão tocava as pessoas, pedindo permissão para conseguir atravessar o salão.
Era uma noite gélida, com um negro céu possuindo uma gigantesca lua e muitas pequeninas estrelas, as quais enfeitavam o espaço como se estivéssemos em uma agradável noite de natal. Como estávamos dentro do salão, não sentíamos o tenebroso frio que permanecia lá fora.
Beatriz desapareceu entre a multidão, fiquei apavorado, olhando para todos os lados tentando encontrá-la, como se isso fizesse muita diferença no meio de milhares de pessoas. Fiquei desorientado, como é que pude perdê-la de minha vista? Lógico, eu sabia a resposta, como sempre acontecia, eu mergulhava em meus pensamentos e acabava esquecendo do mundo ao meu redor. No momento a única coisa a se fazer era… entrar em profundo desespero em somente alguns instantes, pois era realmente algo impossível revê-la naquela situação em qual nos encontrávamos. Neste momento tão desnorteante Beatles começava a tocar Let it be.
When I find myself in times of trouble
Mother Mary comes to me
Speaking words of wisdom, let it be.
And in my hour of darkness
She is standing right in front of me
Speaking words of wisdom, let it be.
Let it be, let it be.
Let it be, let it be.
Whisper words of wisdom, let it be.
And when the broken hearted people
Living in the world agree,
There will be an answer, let it be.
For though they may be parted there is
Still a chance that they will see
There will be an answer, let it be.
Quando eu me encontro em tempos difíceis
Mãe Mary vem pra mim
Falando palavras de sabedoria, deixa estar
e nas minhas horas de escuridão
Ela está em pé bem na minha frente
Falando palavras de sabedoria, deixa estar.
Deixa estar, deixa estar.
Sussurrando palavras de sabedoria, deixa estar.
E quando as pessoas de coração partido
Morando no mundo concordarem,
Haverá uma resposta, deixa estar.
Pois embora possam estar separados há
Ainda uma chance que eles verão
Haverá uma resposta, deixa estar.
Ouvindo a canção, percebi que a letra se identificava muito comigo, sendo que eu estava em um momento de muita escuridão, com o coração partido, mas mesmo assim, ainda restava esperança, bem pequeníssima, mas que estava contida no fundo de minha inconsciência.
Após mais algumas canções, John Lennon anunciou que tocariam a música Yesterday para finalizar o maravilhoso show. Infelizmente, estávamos na última música e senti realmente que não veria mais Beatriz nesta noite. Logo em seguida, Paul McCartney agradeceu a presença de todos presentes. Disse que havia sido gratificante estar aquela noite na cidade de Birmingham, com um gracioso público.
Iniciou-se então, uma aglomeração na saída do salão. Apesar da quantidade enorme de pessoas ali existentes, não houve o empurra-empurra. As pessoas saíam tranqüilamente e de uma forma bastante pacífica, foi mesmo muito impressionante.
Quando cheguei ao estacionamento, olhei para todos os lados, notificando-me que Beatriz não se encontrava certamente em minhas redondezas. De certa forma triste, entrei no carro, desengatei o freio de mão, liguei o carro, engatei a primeira marcha e segui rumo a minha moradia em Leeds.
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Volto a dizer como o fiz antes, este conto é um dos mais elaborados e sentidos da Laize. =)
=D
Preciso tirar um tempo para continuar…
Mas agora estou no último semestre da facul (sem condições).
E eu preciso tomar vergonha na cara e passar os comentários do blog antigo para ca… =)
Nossa, muito bom. E antigo por sinal. *Desenterrando*/
-
Me lembrou muito o Werther de Goethe, não sei ao certo porque, acho que a textura do conto.
Estava numa fase de inspiração para romances =)
Verdade, lembra mt ao Werther… acho q uma comparação com Goethe é uma bela maneira de elogio pra vc laize
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=D
Uhhh com certeza, adorei os sofrimentos do jovem Werther. \o/
A que lindo.muito bom adorei as letras das músicas, parabéns.
kkkkk… Adorou a letra da musica, mas o conto…
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Muito bom Laize, a melancolia e suavidade ficaram maravilhosas neste texto. Muito bom mesmo.
Eu gostei do conto também!
Lindo
Nossa, tiraram esse do fundo do baú!
Então…
Foi de quando comecei a ler o blog. Quase não havia escritores. Somente alguns poucos.
–
Agenda então, não era nem sonho nessa época…
Opaaa, legal.
Ainda tenho intenção de acabar… um dia.
Laize, não me entenda mal… mas continue na fotografia. Vc é um fotógrafa foda. O texto é legal, mas as fotos.
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Por curiosidade e falta de vontade, cliquei no @laizek e lá vi um link pra o “fotos em perspectiva”… e… sem palavra.
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fotos lindas!
escrevi errado até dar uma dor, mas dá pra entender.