O desfeche de Rovan
Escritor: E.U Atmard

Caminhava de um lado para o outro, num bizarro discurso para consigo próprio. Seria de esperar que um chefe da polícia se preocupasse com o mais recente crime. Mas não. O que preocupava a Rovan, era a inacção perante os constantes crimes com os quais dia após dia se deparava.
À alguns dias atrás, enquanto encurtava o seu caminho para casa, por uma ruela perto da esquadra, foi interpelado por um sujeito alto, de capuz. Pensando que o sujeito o queria assaltar, Rovan sacou rapidamente da arma que guardava a todo o instante no bolso das calças, e apontou ao suposto assaltante. Mas este falou, num tom pesado e grave, que apenas queria negociar. Rovan deu uma gargalhada, e num instante apontou a arma agora carregada ao homem, à sua cara. Mas o sujeito insistiu, e disse ainda que tinha a ver com os crimes que decorriam, em relação aos dois homicídios que ninguém conseguia resolver. Rovan parou de apontar a arma, como que a testar a lealdade do seu alvo. Este provou estar a falar verdade, e continuou a explicação. Ele vinha por este meio, “oferecer” algum dinheiro ao polícia, caso ele dificultasse ainda mais estes crimes. Rovan riu de novo, mas todo o riso parou, quando se deparou com centenas de milhares em notas de 100. Pensou apenas por um momento. Viu à sua frente uma pilha de corpos, que se amontoavam por culpa dele. Mas no outro lado viu-se a descansar numa praia, vivendo o resto dos seus anos num hotel em algum destino tropical. Então, apertou a mão enluvada, pegou no dinheiro, e foi andando.
As instruções tinham sido simples. Tinha de deixar parecer que os crimes eram na verdade acidentes, ou eram por outro lado da autoria de outro. No caso do afogado, afirmou que era lá trabalhador, e que se tinha afogado num tanque de limpeza. No do vagabundo soterrado, disse que era obra de um louco que havia levado o vagabundo ao suicídio. Nos 7 macabros casos dos homens cujo sangue havia sido drenado por completo, disse ser culpa do pseudo-vampiro daquela cidade. Isto sem contar com o famoso cantor que havia sido morto por hemorragia, devido à explosão dos seus tímpanos, e órgãos do ouvido interior, por insistir em ensinar maus princípios nas suas músicas. E como a palavra do chefe naquela cidade é lei, todos acreditavam nele. E assim, um por um, encobriu os 14 homicídios que um psicótico qualquer fazia. Por diversão.
Mas agora duvidava se aquilo estava bem. Será que 14 homicídios não era demais? E pior, duvidava se na esquadra não suspeitavam dele! Tinha de fazer algo. Mas o quê? Ainda faltava um homicídio para se poder demitir, para poder gozar das suas férias eternas. E não podia certamente admitir errar, nem tão pouco admitir a sua corrupção! Em breve teria de fazer algo para não ir preso, e não sabia o quê!
Saiu de casa para o trabalho. Percorreu um mar de luz e som, repleto de branco e ecos de vozes estranhas. Mudo e cego, entrou no carro que o esperava, e seguiu para a esquadra. Pelo caminho, via as árvores, pensativo em algo.
Entrou na esquadra, com uma calorosa saudação a todos os seus colegas. Todos os inspectores e agentes se levantaram e fizeram-lhe continência. E enquanto ele não passou, não baixaram os seus braços. Destes, só dois ou três é que sabiam o seu nome, e o tratavam por Rovan. E foi por isso que lhe espantou que o sujeito que lhe oferecera p dinheiro o conhecesse por Rovan.
Foi para o seu gabinete. Continuou pensativo de um lado para o outro. Olhou para a rua. Lá ia o famoso Richardson, a passear pelas ruas. Pensou se não queria também aquela vida. E foi no meio destes pensamentos que se apercebeu que iria adorar ser rico. Então recostou-se na sua cadeira, e decidiu esperar pelo último homicídio ali mesmo. Que se preocupasse a vítima com ela própria, pois ele agora só queria saber de si mesmo! Riu-se bem alto, uma gargalhada sonora mas não exagerada. Mas tudo isto só durou um momento, pois no auge do seu riso, um som cortou o ar sibilante.
O som de uma bala, perfurou a pequena brecha da janela, e foi acertar na cabeça de Rovan. De seguida, uma outra bala foi disparada, e destrui a câmara de vigilância, impossibilitando ver quem era o autor da morte…
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A eu até disconfiei q ele ia ser o número 15! Adorei mesmo o texto muito bom .