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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Feb
09
2009

O milagre da multiplicação

Escritor: J. G. Valério

– Preste atenção meu filho, pois vou lhe falar um pouco sobre Molran.

O sol brilhava forte naquele dia, e o calor era um oponente avassalador. O exército marchava através de uma planície, e a ausência de um bosque nas proximidades tirava qualquer esperança de poder sair do sol escaldante e marchar sob a sombra.

Os soldados formavam uma fila tripla, no total eram cento e cinqüenta bons guerreiros, de escudo e espada, de lança e machado. Todos marchando para a batalha, andando em direção da morte, ou do júbilo. Eles tinham que obedecer ordens, tinham seus senhores, e estavam ali para proteger suas terras dos exércitos invasores. Tribos que vinham de além do mar do leste, onde os povos bárbaros dominavam em sua maioria. Não que estes guerreiros não fossem bárbaros, neste caso bárbaros são sempre os invasores ou inimigos, pois bárbaros todos eram. Só que estes bravos e dignos homens, não arriscam a vida apenas pelo zelo do seu país, eles estão ali para enriquecer, estão ali para combater e ficar com os espólios da guerra. Combater, matar, queimar, roubar, beber e estuprar. Seis motivos que explicam qualquer ação dos homens.

O homem quer glória, quer seu nome entoado pelos tempos que virão e nunca ser esquecido, e ele consegue isso sendo um bom guerreiro, consegue isso matando pessoas e conseguindo grandes feitos. Entre estes cento e cinquenta guerreiros que marchavam no sol escaldante, muitos com certeza lutavam bravamente, alguns conquistaram as riquezas que tanto desejavam, poucos ganharam suas canções, porém entre todos estes guerreiros e entre milhares de outros espalhados por terras e terras longínquas, entre todos esses homens, apenas um conseguiu ser uma lenda. E seu nome era Molran.

– O sol esta nos castigando hoje. – disse o velho e experiente guerreiro que ia a frente do grupo. – Se encontrarmos inimigos descansados no caminho, seremos massacrados, os homens estão exaustos. Consigo ver uma aldeia ao norte, porém temos que desviar, nossas ordens foram claras, não saquear os povos da fronteira, eles não são nossos inimigos. Se levarmos os homens até la, eles irão destruir o vilarejo, e roubar o que conseguirem, as palavras de ordem não irão funcionar. Tem um rio aqui perto, acho que devemos parar um pouco e descansar. O que você acha? – perguntou o senhor ao jovem guerreiro que estava ao seu lado.

– O hidromel acabou. – disse o jovem pesarosamente.

– Você só pensa nisso. Não sei como consegue lutar tão bem após ter bebido tanto durante o dia. Nunca ouviu falar que não é o melhor exército que ganha a batalha, e sim aquele que esta menos bêbado?

– Os homens bebem antes das batalhas para ganhar coragem e conseguir enfrentar uma parede de escudos.

– Então é isso Molran? Você tem medo, por isso fica grudado em um caneco de hidromel como se este fosse a teta de uma taberneira? – disse o homem com escárnio e iniciando uma risada espalhafatosa.

– Na verdade eu bebo para dar chance aos meus inimigos. Tenho que estar bêbado, desorientado e com o reflexo fraquejando para poder ter uma boa luta ultimamente. – o guerreiro olhou para o jovem, tentando descobrir se ele estava brincando ou falando a verdade, era difícil saber – Até suas mulheres brigam melhor enquanto tentam manter suas pernas fechadas, quando saqueamos suas vilas, do que estes malditos bastardos que vem nos enfretar. Como conseguiram entrar tanto em nossas terras?

– Não subestime nosso inimigo, e dentre estes homens que nos seguem, você deve ser o único a pensar desta forma. Ali! – apontou o guerreiro para o brilho de água corrente que se via a oeste – Vamos andar até a margem e parar um pouco. Precisamos descansar e também vou tentar resolver o problema da nossa ração. Pois se você não percebeu, não é apenas o hidromel que acabou, nossa comida esta quase esgotada.

Os homens andaram em direção da água. Ao chegarem na beira do rio a grande maioria dos guerreiros se livraram das pesadas armas de guerra e se jogaram na água para refrescar a malha e o gibão de couro que usavam. Molran ficou perto do guerreiro com quem estava conversando. Este guerreiro experiente e mais velho que os demais, era o único que vestia uma cota de malha, seus braços cobertos por braceletes de ouro e prata e a longa espada que levava na cintura, mostrava que aquele com certeza era um matador de homens, um senhor da guerra. Era ele quem liderava aqueles cento e cinqüenta homens, seu nome era Sigurd. E Molran, preocupado, estava a seu lado.

– O que faremos? Precisamos de mais bebida.

– Beberemos água do rio. Nossa prioridade agora é a comida. Temos que fazer um levantamento de quanta comida ainda temos. O sol esta bem ao alto, ainda teremos um bom tempo até a noite cair. Tirem os homens da água, chame todos aqui e vamos ver o que temos para comer.

Todos os guerreiros se reuniram, e o que descobriram não foi muito animador. Duas dezenas de pão velho e duro, porções de queijo, e pouca carne seca. Não daria para alimentar nem metade do exército.

– Sem hidromel. – falou Molran pesaroso.

– Vamos caçar! – falou alto Sigurd – Primeiro comeremos o que temos, em seguida quero que formem dois grupos,um grupo pesca e o outro caça.

A refeição foi pouca, todos receberam uma porção mínima de comida. Os homens reclamaram, e saíram para caçar.

Não havia muita caça naquela região, a planície escondia poucos animais, algumas poucas lebres e algumas aves silvestres, a melhor esperança de alimento vinha dos peixes do rio. Ao final da tarde, com a noite chegando o fogo foi aceso, o calor do fogo era aconchegante, apesar do sol sufocante que brilhava durante o dia, a noite a temperatura caia, e precisavam do fogo para se aquecer. E novamente os homens se reuniram para fazer a contagem do que tinham conseguido para comer.

– Dez lebres, doze aves grandes, algumas pequenas, e quatorze peixes. Isso é tudo? – perguntou Sirgud.

Não era tudo, e ele sabia disso, alguns homens esconderam sua própria caça para poder ter uma refeição um pouco melhor. Ao lado de Sirgurd, olhando para o céu, com a feição fechada e soltando palavrões em voz baixa, que só ele mesmo conseguia escutar, estava Molran. Ele resmungava.

– Sem hidromel. Maldita ordem de marchar para longe sem poder atacar e saquear. É claro que as provisões não iam aguentar… mas alguém aqui pensa? Claro que não. Agora estamos aqui, sem ter o que comer e sem hidromel… – suas lamentações foram interrompidas pela voz de Sigurd.

– Se eu descobrir que um de vocês esta escondendo comida, eu coloco vocês no fogo e faço da sua carne minha refeição! Vamos comer o que conseguimos, ai descansaremos, amanhã vamos marchar e encontrar alimento em outro lugar. Não longe daqui, a um dia de marcha, para leste fica Calleva, la poderemos descansar de verdade e ter uma boa refeição.

– Um dia de marcha… – Molran pensou um pouco e falou para Sigurd – Espere, eu tenho uma idéia melhor, para conseguirmos mais comida. Vou pegar alguns desses peixes que pegamos e essas aves, dizem que esses pássaros são grandes especiarias por essa região.- disse Molran tentando parecer o mais confiante possível, Sigurd achou estranho aquela disponibilidade do jovem guerreiro – Vou leva-los até aquele vilarejo que vimos ao longe no inicio da tarde. Acredito que se eu sair agora, consigo voltar logo após o sol ter desaparecido por completo. Também levarei vinte homens comigo, preciso garantir que aquele vilarejo não esconde inimigos.

Sigurd olhou desconfiado para Molran.

– E você acha que vai conseguir trocar estes pássaros raros, como você diz, por uma quantidade de comida suficiente que valha o esforço de ir até aquele vilarejo?

– Eu também trocarei um dos meus braceletes de guerreiro por comida.- disse Molran tentando demonstrar uma simplicidade que não combinava com a arrogância do guerreiro – Eles devem ter um bom valor de troca.

Sigurd ficou espantado pela grande idéia que o jovem guerreiro teve. Gostou tanto que até deu quatro dos seus braceletes para Molran, assegurando assim que ele iria trazer mantimentos suficiente para toda a tropa.

– Pegue vinte homens, leve o peixe e as aves, e volte o mais rápido possível. Você teve uma ótima idéia Molran, achava que esta sua cabeça só estava cheia de hidromel e prostitutas.

– O senhor pensa mal de mim. Voltarei em breve.

– E assim foi Molran e seus vinte guerreiros, negociar comida em um vilarejo. – disse Albert para seu filho que, com apenas os olhos para fora da coberta, escutava atentamente a história do pai.

– Mas você disse que esta história falava do milagre da multiplicação. – questionou Lalbert confuso. – Molran não multiplicou nada, ele apenas foi trocar umas aves e uns anéis por comida.

– Ai que esta o milagre meu filho, pois naquela noite, muito mais tarde do que Molran havia combinado, ele retornou para o acampamento do seu exército. Ele realmente foi até o vilarejo com apenas alguns peixes e algumas aves, e de lá ele retornou com a mesma quantidade de peixes e por incrivel que pareça com as mesmas aves. Porém trouxe seis cavalos que carregavam sete barris de hidromel, e puxavam duas carroças carregadas de carne seca, pão e queijo. Comida suficiente para uma semana. E os vinte homens que foram com ele carregavam junto de sí mais nove pessoas, oito eram mulheres, que vinham amarradas como escravas e a nona pessoa era o próprio Molran, que vinha carregado pois não conseguia mais ficar de pé de tanto hidromel que bebeu naquela noite.

Lalbert olhava para o pai fascinado, seus olhos brilhavam diante da descrição do milagre que Molran fez.

– E como ele fez isso pai? Sigurd deve ter ficado muito feliz.

– Sigurd, não diria que ficou feliz com o que viu, ficou foi espantado com aquilo, e ainda mais espantado ficou ao receber de volta todos os braceletes que Molran havia levado. Como ele conseguira fazer aquele milagre de multiplicação? Existem muitas histórias, alguns dizem quem é magia, outros dizem que foi apenas carisma e uma boa conversa. É como o mago Jesus, ninguém sabe direito como foi que o milagre aconteceu. A verdade que esta é apenas uma das várias histórias que faz de Molran o que ele é, uma lenda.

– Mas ele não é apenas uma lenda pai? Você diz que vê ele.

– Sim meu filho eu o vejo. Vejo seus feitos, mas até hoje não consegui provar que ele realmente existiu. Mas um dia quem sabe, saberemos a verdade. Agora.. é hora do valente guerreiro Lalbert ir dormir.

– Valente Lalbert! – falou o menino erguendo o braço como se estivesse segurando uma espada. Albert sorriu.

– Isso mesmo filho, agora boa noite e durma bem.

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