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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Mar
13
2009

Dando a vida ao rei

Escritor: J. G. Valério

a-fantastica-vida-de-albert

É amigos, o dia de hoje não foi dos melhores, acabei de voltar de um enterro. Era um colega de trabalho. Conhecia ele a um bom tempo, mas ele veio a falecer em um acidente de avião.

Morreu pela empresa, já que estava viajando a negócios, visitar um cliente ou algo assim. Durante todo o enterro eu pensei, “que emocionante”, morrer no trabalho.

Meu filho, Lalbert estava na escola, por isso fui sozinho. Todos do escritório estavam lá, todos ganharam um dia de folga em respeito ao falecido. O velório foi feito em uma capela pequena. Estávamos apertados la dentro, sentindo aquele cheiro insuportável de flor de cemitério, velas queimando, mulheres chorando e pessoas dando  condolências à família do falecido.

Foi feita uma pequena cerimonia e começou o cortejo do caixão até a o lugar que ele ia ser enterrado. A saída da capela foi meio tumultuada, pois o lugar estava realmente apinhado de gente e la fora o céu estava caindo. Eu fechei meu casado, peguei meu guarda-chuva e quando cruzei a porta para acompanhar o cortejo…

Chovia muito naquela manhã.

A névoa pairava etérea acima do descampado, o chão estava enlameado e o vento não soprava. Os exércitos se agrupavam nos dois lados do campo.

– Eles estão em maior número. – Disse o jovem guerreiro.

– Esta com medo garoto? Esta será sua primeira parede de escudos certo?

O jovem guerreiro afirmou com a cabeça, para as duas perguntas. Ele estava com medo e esta seria sua primeira parede de escudos, o lugar onde os garotos morrem, onde os homens nascem e onde as lendas eternizam.

– É normal sentir medo. Eu tenho medo até hoje, isso que ja passei por dezenas de paredes de escudos nessa vida. Quem não sente medo são aqueles. – Aponta o experiente guerreiro para um grupo de pessoas. – Aqueles não estão com medo, pois beberam tanto hidromel que suas cabeças não conseguem mais distinguir a realidade do irreal.

O jovem olhou para o grupo de guerreiros que estavam bebendo. Era normal guerreiros beberem antes das batalhas. O hidromel era o elixir da coragem. O experiente guerreiro percebe a vontade de procurar um caneco de hidromel se formando nos olhos do jovem guerreiro.

– Não se preocupe, o medo não estara com você durante toda a batalha, ele ficará até você matar o primeiro homem. E quando isso acontecer, você irá sentir sua lâmina perfurando, rasgando, cortando a carne e o sangue quente escorrendo em suas mãos, tudo irá mudar. – Os olhos do guerreiro fitavam fixamente o garoto. – O frenesi, a sede por sangue, a insuportável vontade de trazer a morte para todos os seus inimigos irá chegar de uma forma tão arrasadora, que não sobrara espaço para mais nada em seu corpo, a não ser matar. O medo irá embora e você nem lembrará que ele estava por ali.

O jovem guerreiro olhava um pouco assustado para aquele senhor da guerra que estava a sua frente. Um matador de homens, um ceifeiro de almas. O experiente guerreiro percebeu o impacto que suas palavras tiveram no jovem e para descontrair, falou algo em um tom mais leve.

– E também, todos aqueles que se agarram nos canecos de hidromel antes das batalhas são uns covardes. Não conseguiriam entrar em uma parede de escudos sem estarem embriagados.

– Mas, meu senhor. Aquele que esta entre os “covardes, bêbados”, não é Molran? Dizem que Molran é um grande guerreiro, mas então, quer dizer que ele não passa de um covarde? É isso mesmo?

O experiente guerreiro olha para o grupo de guerreiros a procura de Molran e com um desanimo repentino, ele o acha. Desconcertado em descobrir que seu melhor homem esta enfornado em bebida antes de uma batalha, de novo, fica sem resposta mas por fim fala.

– Molran é diferente meu jovem. Ele não bebe para espantar o medo, ele bebe para dar chance aos adversários. Se tiver a oportunidade, observe ele lutar hoje. Mas… vamos nos agrupar. Esta na hora.

Todos os guerreiros, duzentos homens selvagens. Bárbaros com escudos e espadas, lanças e machados, se enfileiraram. Sobrepondo um o escudo do outro, formando uma parede mortífera.

A tensão entre os homens aumentava. Do outro lado do descampado, trezentos e cinquenta homens se aproximavam em linha. Eram ingleses, um povo bravo, mas desordenado. Não tinham a guerra no sangue. Seu exército era composto na maioria por camponeses, que largavam suas plantações para lutar em nome do rei.

Os duzentos bárbaros, dinamarqueses invasores, também lutavam pelo seu rei, mas ao contrário do exército defensor, eles não eram agricultores, eram todos guerreiros amantes da guerra.

O senhor dinamarquês estava bem no centro de sua parede, que era formada por cem homens enfileirados na linha de frente e mais cem na fila de trás. Uma parede de duas filas é muito fácil de quebrar, mas estando em número menor e apostando na experiência de combate dos seus homens, esta foi a estratégia que ele resolveu utilizar naquele momento.

A sua esquerda estava Molran, um guerreiro alto e musculoso, amedrontador. Carregava um enorme escudo de carvalho e ferro, na sua mão tinha uma espada curta e nas costas um imenso machado de guerra. Seus braços carregados de braceletes, um número apenas igualado ao do senhor daquele exército, mostrava a experiência em carnificina que ele tinha.

A direita do senhor, estava o jovem guerreiro, sufocado pela tensão, ele tremia e segurava seu escudo desajeitado. O exército inimigo se aproximava.

– Calma rapaz. – Disse o senhor, um pouco preocupado com o jovem.

Houve uma pausa na movimentação dos dois exércitos. Eles já estavam muito próximos um do outro, mas a chuva que caia inibia o arremesso de qualquer lança ou o disparo de qualquer flecha. O senhor dinamarquês grita para seus guerreiros.

– Homens, abracem esta vida como se estivessem agarrando uma mulher, mais não se apeguem muito a ela, pois estamos indo a guerra! Lutem com bravura e morram bem!

Os guerreiros rugiram em resposta e começaram a bater suas armas em seus escudos. Um ribombar ritmado, um barulho de trovão que se misturava ao dia chuvoso. O senhor olhou para Molran.

– Não saia das nossas fileiras. Não quero você pulando no meio deles feito um louco.

Molran não respondeu. Ele nunca responde, nunca fala nada durante uma batalha. Ele apenas mata. Seu olhar cerrado fitava a fileira inimiga, que se encolhia a cada batida de armas em escudo dinamarquês.

A fileira dinamarquesa avança. Não queriam esperar mais tempo, não queriam deixar os ingleses tomarem coragem. O espaço entre os dois exércitos diminui e apesar da estarem em maior quantidade a coragem dos ingleses diminui a cada passo que dão. Por fim em uma ultima corrida selvagem, os dois grupos se encontram.

Escudos se chocam, o barulho de madeira e bossa de metal batendo é tão alto, que o barulho da chuva desaparece por um instante. Ambos os lados se empurram, é uma demonstração de força. O barulho da chuva retorna com força e estocadas entre os escudos são dadas, o primeiro sangue é derramado. A loucura selvagem toma conta das duas fileiras. Não existe mais lugar para o medo.

O senhor dinamarquês, tomado por sua fúria de guerra, estoca com sua espada o inglês que esta a sua frente. Disfere golpes abaixo do escudo inimigo, tenta rasgar o seu braço que segura a espada, até que consegue acertar uma boa estocada entre as costelas. Perfura, vira e puxa. O sangue jorra entre a malha do inglês.

Ao seu lado, Molran já havia matado dois ingleses e mantinha a formação enquanto procurava a próxima vítima na fileira inimiga. Seu frenesi era tanto, que não demoraria muito para ele guardar sua espada curta e empunhar seu enorme machado de guerra. Ele iria despedaçar a parede inimiga. Mas ainda não era a hora.

No lado direito do senhor dinamarquês, o jovem guerreiro aguentava golpes de espada em seu escudo. Golpes deferidos com extrema violência. O rapaz se encolhia mais e mais a cada porrada que recebia. Ele tentava estocar, mas era em vão, o guerreiro inglês a sua frente era muito maior e mais forte. O jovem ainda não havia deslumbrado o frenesi da batalha. O medo corria por seu corpo.

Mais um golpe em seu escudo, e ele rachou. Pedaços de madeira voaram naquele dia chuvoso. O experiente guerreiro dinamarquês, vendo aquilo tentou impedir, mas ele mesmo estava sendo pressionado, ele estocou com sua espada o inglês que estava atacando o jovem a sua direita, mas seu golpe foi parado pelo guerreiro que estava a sua frente.

O jovem se encolheu, e o golpe de espada que ele recebeu na cabeça, fez seu tosco elmo rachar ao meio. Seu crânio se partiu e a parede de escudo mais uma vez comprovou ser o lugar onde os homens nascem.

Aquele não era um lugar para uma criança.

Molran percebeu o jovem guerreiro caindo. Sua fúria não teve mais controle, ele guardou sua espada e com um movimento de braço e escudo empurrou o guerreiro que estava a sua frente, com apenas um mão puxou o imenso machado de suas costas, que veio de cima para baixo em um golpe mortal, acertando o inglês a sua frente ao lado do pescoço, perto do ombro. A força do golpe somado ao peso do machado partiu o guerreiro inglês até ao abdomen, cortando malha, músculo e ossos. Molran puxou seu machado novamente, e entrou no meio da parede de escudos inimiga…

Nisso eu já estava golpeando o caixão loucamente com meu guarda-chuva, meus colegas de trabalho tentando me segurar, mas não adiantava.

Até que eu me dei conta do que estava fazendo e parei. Tentei me desculpar com os familiares do falecido, mas não deu muito certo. Sai de la no meio do enterro e vim para casa. Estou encharcado e mais uma vez me passei de maluco na frente do pessoal do trabalho. Parece que aquelas consultas com a psicanalista não estão surtindo efeito.

Estou desconcertado, desta vez a visão não teve a veia cômica que sempre estivera tendo. Mas não posso deixar de comentar, que morrer a serviço antigamente… era muito mais valoroso que hoje em dia.

Ao menos Lalbert não estava la.

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