Do Inferno
Escritor: J. G. Valério

As ruas de Londres estavam cobertas por uma névoa naquela noite. A lua emitia um brilho turvo no céu, o ambiente úmido e poças d’água eram obstáculos para as pessoas que andavam nas mais diversas direções. Carruagens trafegavam pelas ruas escuras e o barulho de cascos de cavalo batendo nas pedras do pavimento ecoava através de becos escuros e fétidos naquela antiga cidade.
Em um bairro conhecido por seu entretenimento promíscuo, jovens procuram por diversão e senhores de castas mais altas da sociedade buscavam a companhia de damas da noite. Mulheres que poderiam saciar sua fome libertina, sua sede por aquilo que as esposas não poderiam lhes oferecer em suas casas.
De uma casa, muito movimentada, a música saia alta de um piano. O músico dedilhava as teclas com maestria, era aquele um local alegre com muitas pessoas bebendo, contando histórias notórias e rindo alto, todos ali acompanhados de belas damas. Olhando melhor e prestando um pouco de atenção, era possível perceber que nem todas eram tão belas assim e com certeza nenhuma das mulheres era realmente uma dama, mas o teor alcoólico das bebidas ajuda a disfarçar esses detalhes.
No andar de cima da casa, vários quartos estavam com suas portas fechadas, pelo corredor as vezes passava correndo um casal com a mulher assustada, coberta apenas pelo lençol da cama e o homem vindo logo atrás, perseguindo completamente nu a mulher, lançando desafios e soltando palavrões para sua acompanhante. Em meio a esta caos lascivo, dentro de um dos quartos um jovem nobre desmontava exausto de sua acompanhante.
- Nossa Mary Ann! A cada noite que nos encontramos você parece estar mais depravada. – diz o jovem deitado na cama olhando para o teto do quarto.
- É a sua juventude que o deixa insaciável, meu jovem senhor. – responde Mary Ann, com um ar brincalhão no rosto.
- Mas ja esta tarde e devo ir embora. Preciso esquentar a cama de minha esposa, antes que outro o faça. – o jovem senta na cama enquanto começa a vestir as calças e procurar suas botas.
Mary Ann se aproxima dele pelas costas e abraça o jovem rapaz, cravando suas unhas no seu abdômen.
- Espero você na próxima sexta-feira. – diz a mulher.
Com certeza aquele jovem voltaria na próxima sexta, já Mary Ann talvez não voltaria a atender seu cliente. Pois aquela noite ainda não acabara para aquela promíscua mulher.
Após o jovem ter saído do quarto foi a vez de Mary Ann se vestir. Pegou seu pagamento, saiu do quarto e desceu as escadas indo para o salão de festas. La a música ainda tocava alta e o ambiente animado fervilhava em bebidas e mulheres com os seios de fora. Mary Ann deixou tudo isso de lado, atravessou o salão e saiu pela porta que dava à rua.
Aquela noite de agosto estava fria, Mary Ann se encolhe um pouco por causa do frio e começa a andar para sua casa. Ela morava a alguns quarteirões dali, era um quarto alugado, pequeno e pobre. Dois homens fizeram algumas brincadeiras quando ela passou, tentaram lhe agarrar.
- Vem aqui minha princesa, você parece estar com frio, tem algo aqui que vai te esquentar.
Ela ja esta acostumada com isso, apenas empurrou um deles e deferiu um chingamento para o outro. Dois bêbados, não eram problemas. Mal ela sabia que o problema real estava lhe esperando a menos de cem metros, virando a esquina.
Mary Ann estava caminhando para casa, como fazia todas as noites após dar duro em seu trabalho. Eis que nesta noite, ao passar por um beco, da escuridão ataca um vulto. Mãos utilizando luvas de couro, agarram a cintura dela e cobrem sua boca, ela tenta gritar mas o som sai abafado.
Mary Ann é puxada para dentro da escuridão do beco. Ela é arrastada para dentro daquele buraco fétido até ser jogada em um canto onde assustada ela recebe uma mordaça na boca.
Ela não consegue gritar e jogada ao chão, aterrorizada ela olha para a pessoa que a atacou. Ele esta parado a sua frente, é alto, aparenta ser forte, esta vestindo uma máscara de pano escuro, um sobretudo de couro preto, luvas pretas e curioso, ela olha para suas pernas e parece que ele esta sem calças. Mary Ann olha para seus pés e aquele ser esta apenas de meia e um chinelo de pano rosa.
Ela fica atordoada com aquela visão, tenta falar algo mas a mordaça em sua boca não permite que palavras sejam formadas, Apenas sussurros. E foi neste instante que o terror, quase, lhe tomou conta. Aquele ser estranho retira seu grande casaco e se mostra praticamente nu em frente a Mary Ann. Ela se assusta, pois realmente era um homem alto e muito forte que estava a sua frente. Ela olha para o meio das pernas daquele ser amedrontador e se espanta ao ver que ele esta usando uma cobertura em suas partes íntimas. É uma cueca de elefantinho, com uma tromba do tamanho de um polegar de uma criança de 5 anos.
Mary Ann olha aquele minúsculo badalo e começa a rir, é uma risada descontrolada. A mordaça abafa seu descontrole, ela continua olhando para aquele homem bizarro a sua frente, que começa a fazer uma dança, rebolar e se mexer de forma muito estranha. Mary Ann se contorce no chão, ela nunca havia visto algo tão cômico em sua vida. Suas risadas começam a lhe causar soluços, ela se debate tanto no chão que a mordaça acaba caindo de usa boca, tornando seu riso audível.
O som psicótico de suas risadas ecoou pelo beco chegando até a rua. La um jovem que passava escutou aqueles risos e se assustou com tamanho estardalhaço, resolveu entrar no beco e investigar o que estava acontecendo. Ele andou pela escuridão, até chegar próximo do local onde as risadas estavam vindo. Eis então que a risada se tornou um barulho afogamento, o som se tornou uma tosse rouca, um barulho de engasgo e por fim veio o silencio. A alguns metros a frente, iluminado pela lua, o jovem conseguiu ver Mary Ann que estava jogada ao chão e também viu algo mais, ele viu o homem que em seu último movimento bizarro de dança percebeu que não estava sozinho.
Pouco depois o jovem contava tudo isso a polícia.
- E foi isso que eu vi. Ele se assustou quando eu cheguei e rapidamente pegou seu sobretudo, o vestiu e veio correndo em minha direção, me empurrou para o lado e correu para a entrada do beco.
- E como mesmo ele estava vestido quando você o viu? – pergunta o policial segurando um riso.
- Ele estava vestindo apenas uma máscara negra, luvas, uma pantufa rosa e meias até a canela… e também usava… uma cueca de elefantinho. Foi uma visão do inferno!
O policial não segurou a risada, mas logo se conteve. Pois aquele era um caso sério de homicídio. Mary Ann estava morta, morreu sufocada pelas suas risadas.
Aquele foi o primeiro de vários homicídios causados pelo temível e hilário, Jack “the Stripper”.
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Os contos mais acessados ali do lado não mudam! O.o
Voltei a escrever… estava ai a quase duas semanas sem fazer um conto.
hehe.
belo jogo de palavras: “Jack the Stripper”.
Vai ter continuação este?
Não… esse não tem continuação.. foi só um conto mesmo. Com uma linha comica no final.
Ri alto aqui na empresa quando li esse conto hehehe
E por causa disso, uns curiosos vieram me perguntar o motivo da gargalhada e comecei a divulgar o ONE aqui.
Quero participação nos lucros
=)
hehehe, também achei o conto legal.
Preciso voltar a escrever… e de preferencia coisas engraçadas.
Também acho.
¬¬
Esses leitores que ficam cobrando…
hehehehe
Legal o conto, me lembrou muito um filme sobre Jack como Johnny Depp no papel de agente da polícia, legal!
Esse filme do Johnny Depp também se chama Do Inferno
- É baseado nesse filme… só mudei a veia cômica. =)
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
que onda,ela morreu sufocada por risada! *_*
aquela fantasia foi mesmo ‘do inferno’!
EHHEIUHEIUHIUEHIUEHUIEHIUHEIUHEIUHEIUHE
ri demais ao imaginar a dança do elefantinho
Hehe, legal que tenha gostado!
Cara, só essa última frase ganharia meu coração de leitora, mas o conto todo está ótimo! De matar!
e olha que eu não sou chegada em comédia XD
Eu escrevi isso uma vez, durante horário de trabalho… eu estava inspirado.
Re lendo agora, vejo que ele precisa de uma revisão… mas deixa assim