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Mar
09
2009
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Conto em Série

Patrulheiro

Escritor: J. G. Valério

Patrulheiro

Ser policial nos dias de hoje não é algo fácil, os bandidos possuem melhores armamentos, o dinheiro que recebemos mal da para sustentar nós mesmos, criar uma família é improvável, não que eu queira ter uma família, mas aqueles que querem reclamam. Correr risco para ganhar micharia, não tem porque. É por isso que sempre optamos por utilizar outras fontes de renda.

Acabo de sair da casa de uma das minhas fontes de renda, o nome dela é Rita. Uma jovem moça de família pobre que tem como sonho se formar na faculdade de direito. Maldito seja essas faculdades, maldito mundo que força as pessoas a obterem uma folha de papel para comprovar que conseguem pensar. Essa jovem não sabia muito bem as dificuldades que ia encontrar quando resolveu deixar sua cidadezinha para vir para cá. Mal sabia ela que os sonhos tem um preço alto. Ela precisava pagar este preço para alcançar seu sonho e eu precisava de uma renda extra. Pensar nisso me alegra, é incrível como as oportunidades aparecem.

Caminho em direção ao meu carro patrulha, não trabalho com parceiro, o carro é apenas meu. Rita parecia meio triste hoje, mas que o normal, a noite de ontem pelo jeito não foi muito boa. Deve ter conseguido péssimos clientes, talvez alguém que a maltrate, que bata nela. Ligo o carro, pelo espelho não vem ninguém, acelero e vou embora.

Não me importa se ela é maltratada, quero apenas meu pagamento. Ela precisa pagar para se prostituir, precisa pagar para poder ficar na rua e não ser presa, precisa pagar pelo seu ponto. Eu posso dar a proteção que ela merece, posso garantir que ela tenha seu trabalho. Eu aceito que ela me pague por isso.

Outros policiais também fazem isso, fazem coisa pior. Prostituição não é nada demais, na verdade estou ajudando aquela garota a realizar seu sonho. Solto uma risada, é engraçado como a vida de algumas pessoas podem ser arruinadas da noite para o dia. Um dia ela era uma jovem garota do interior com o sonho de se formar em uma faculdade, no outro virou uma vagabunda que faz tudo que você mandar em troca de uns trocados.

Acelero a viatura, tenho que me encontrar com outra fonte de renda.

XXX

Ser patrulheiro, andar pelas ruas vigiando vagabundos, fazer batidas, perseguir bandidos. Uma vida de ação, a vida de uma pessoa digna que luta pela proteção do povo. Dou um sorriso, olho pela janela da viatura. As pessoas que estão ali fora, levando suas vidas medíocres, não que a minha seja boa, mas por que deveria proteger a deles?

Estou aqui patrulhando as ruas para que muitos vagabundos levem suas vidas mais seguras. Não, eu não. Chutar a bunda de um marginal é divertido, é apenas este o motivo de fazer esse trabalho de bom mocinho, para poder espancar algumas pessoas sem ter de me preocupar com a lei, afinal eu sou a lei.

A risada agora sai alta, paro o carro no sinal. Sinal vermelho.

Olho para o lado do semáforo, uma velha senhora vestida com trapos esta tentando vender algumas flores. Flores vermelhas, são rosas. É melhor que ela não se aproxime da minha viatura, eles vem se esfregando no vidro, vem batendo na janela, pedem esmolas. Quando chegam realmente perto seu fedor é nauseante.

Ela se aproxima do carro, olha para mim, para meus olhos, seu olhar sofrido não consegue encarar o meu por muito tempo. Ela leva a mão até uma rosa, eu levo a mão ao meu porrete. Se ela se aproximar irei botar ordem nessa desgraçada, abaixo o vidro.

Odeio pedintes no semáforo.

Um estouro, me assusto. Meu coração dispara em meu peito e levo a mão até meu coldre. A cabeça da mulher desapareceu, seus miolos se misturam com as rosas, ele cai sobre o capo do meu carro. Saco minha arma, abro a porta e fico agachado fora do carro.

As pessoas da rua gritam assustadas. Os carros saem em disparada, batidas acontecem. O pânico toma conta.

De onde veio esse tiro? Outro estouro. A alguns metros para frente um homem de chapéu desaba sobre o gramado da praça, uma poça de sangue já esta se formando. Eu olho para todos os lados, não vejo ninguém armado. Ele deve estar em algum prédio.

Outro estouro. E o peito de uma criança se abre. Ela explode em um jorro de sangue. Olho para trás o tiro veio de algum lugar de lá. Aonde esta você seu maldito. Seguro minha arma com força, tento não tremer. O medo é incontrolável. Lá esta ele.

Em cima da torre da igreja, o reflexo do sol na lente da arma foi um ótimo sinal. Corro para trás de uma árvore. É uma boa distância até a porta da igreja, e poucas árvores para me proteger até chegar lá. Que droga, eu não ganho o suficiente para isso. Mais um estouro. Desta vez é uma mulher no outro lado da praça que desaba. Ele esta mirando naquele lado, ótima chance para eu correr.

Corro feito louco, como se o demônio estivesse farejando meus calcanhares. Um estouro. Meu coração salta em meu peito, meus músculos relaxam, por um breve período achei que ia desabar no chão, achei que havia levado um tiro. Mas não fui eu, algum desafortunado que recebeu a visita da morte. Eu chego as portas da igreja.

XXX

Olho ao redor, nenhum sinal de movimento suspeito. Apenas uma pessoa de cabeça baixa sentado próximo ao altar. Aponto minha arma para ele. Estou nervoso. Ando em direção ao altar e a pessoa, parece ser um padre rezando. Um estouro, desta vez o som vem abafado pelas grossas paredes da igreja, e o som ecoa por aquele local vazio e silencioso.

O padre não se mexe, talvez esteja morto. Chego perto dele e escuto alguns murmúrios. Ele esta rezando. Chamo a atenção dele. Digo para ele sair se esconder. Aonde esta indo meu filho, é o que o velho padre pergunta. Deve ser senil. Ando em direção a escada.

Olho para cima, não vejo ninguém, apenas o sino la no alto. E como é alto. Começo a subir. E escuto mais um estouro. Já são sete mortos, acelero o passo.

Chegando próximo dos últimos degraus, me abaixo e ando sorrateiramente. Um estouro, oito, o barulho é muito alto desta vez. Veio da esquerda, é ali que o maldito esta. Me ergo na escada, observo o atirador. Para meu espanto parece ser apenas um garoto. Ele esta mirando em algo, esta distraído, saio da escada ando até atrás dele e acerto o cabo da arma em sua nuca. O rapaz desaba. Algemo o desgraçado e viro para ver seu rosto. Meu espanto aumenta, eu conheço ele.


Written by The Gunslinger in: Conto Beta,Contos,J. G. Valério | Tags: , ,

7 Comments»

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    É isso ai, a semana começa com o Conto Beta. Meu primeiro conto, que estou continuando agora. Espero que gostem. :D

  • E.U Atmard says:

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    boa, o conto beta a continuar…agora não tenho tempo de o ler, mas mais tarde eu digo qualquer coisa sobre ele

  • E.U Atmard says:

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    muito bom o texto. O enredo é bem complicado…e pergunto-me se aquele não será o pai do atirador…

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Eu me pergunto a mesma coisa…
    :D

    Brincadeira… O enredo é um pouco complicado sim… mas eu acho que ao final se ler tudo de uma vez a coisa fica mais simples.

    Eu não tenho os textos prontos ainda. Mas toda a história ja esta completa na minha cabeça.

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    Opa… deveria ter postado um conto desta série hoje, mas não consegui escrever ele inteiro. Não vou forçar para não publica porcaria. Mas vou tentar postar amanhã.

  • Danilo Luiz says:

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    Esta estória está demais. Eu nunca assisti, porém me lembra a série 24 horas ou alguma outra que várias coisa acontecem simultaneamente.

    Parabéns mesmo. Demais! A gente podia tentar fazer uns Live Actions de algumas estórias hein! :)

  • Thainá Gomes says:

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    Muito bom ,realmente intrigante.

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