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Apr
16
2009

A Casa e o Medo

poesiaAutor: Bruno Vox

Estava escuro, som não havia naquele lugar,
teias e poeira dominavam o ambiente.
A casa era preenchida pelo medo,
aquilo não era um lar.

Uma casa a muito abandonada.
Insondáveis mortes acorreram ali.
Fechada pela vida,
a morte ali se acomodava.

Forasteiros sem abrigo,
Resolveram pernoitar,
bem ali, no fatídico recinto.
Mal sabiam que a morte estava a espreitar.

Nos antigos quartos,
esperavam o fim da noite.
Não conseguiam se comunicar,
o reboque para o carro só no clarear.

Segunda hora de um novo dia,
noite ainda no princípio.
Gemidos ali se ouvia,
os forasteiros sentiram o arrepio.

Pegaram a única lanterna que possuíam
e juntos prosseguiram.
Passa a passo, iam atrás dos gritos,
queriam saber no que estavam envolvidos.

Teria sido melhor nem ter entrado
na velha casa abandonada.
Um velho lustre tombado,
e um esbarrão, promoveram uma corrida alucinada.

Cada um com o susto,
foi para um lado.
Dispersados estavam todos,
a lanterna haviam quebrado.

Um chamava o outro,
mas abafado estava os seus brados,
não conseguiam se encontrar,
viam apenas vultos.

Os gemidos se intensificaram,
As vozes os perturbaram.
Era uma noite densa,
em que a Lua se negou a brilhar.

Estava um breu, de tão escuro
parecia sólido o ar.
Tateando o lugar,
acharam madeira para a defesa.

Depois de algum tempo rondando pela casa,
Eles começaram a ouvir alguém se aproximar,
Os três sentiram um esbarrão e não correram,
decidiram sentar a pua.

Não estavam enxergando nada,
mesmo que quisessem enxergar,
o medo os haviam cegado,
paulada comeu para todo lado.

Uma gritaria, um Deus nos acuda.
Depois de muita briga a noite estava terminando,
a claridade estava chegando.
Estavam justamente ali na sala da casa.

Dois no chão é um de pé,
dois mortos a paulada,
e um vivo, apenas com sua fé,
fé de pensar que havia vencido o inimigo.

Porém, o único inimigo que ali existia,
Já havia vencido.
O medo, os consumia,
o medo era espia da morte.

Os primeiros raios de sol rasgaram o céu,
o forasteiro sobrevivente pode observar,
que não havia inimigo,
chorando de joelhos caiu.

E gritando a dor,
disse a desabafar:
“Nós nos matamos,
nós nos matamos”.

Que triste realidade,
Aquela casa havia feito mais três vítimas,
Duas de corpo e uma de alma.
A casa continuava seu ritual singular.


Written by The Gunslinger in: Bruno Vox,Poesias | Tags: , ,

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