Delírios Oníricos VII
Escritor: Hugo Santos

- Vamos. Experimente.
- E o que vai acontecer?
- Um sonho. Tudo é parecido com um sonho. Você perde a noção do real.
- E como eu vou saber voltar? Quando isso acaba?
- Não demora muito. O tempo de um sonho é uma noite. Numa noite você sempre foge do real. Sua mente abre espaço para um mundo imaginário, no qual você sai da sua atual vida e abre espaço para um mundo de possibilidades inimágináveis, que muitas vezes fogem ao seu controle.
- Mas isso não é algo induzido. É natural. É apenas deitar, fechar os olhos e dormir.
- Clara… Muitas coisas acontecem durante um sonho que perdemos o controle. Você perde o controle das suas atividades fisiológicas, como em uma enurese noturna, e no caso dos homens, pode até mesmo ejacular, como em uma polução noturna. São estímulos comuns, alguns induzíveis, outros não.
- Eu sei, eu sei.
- O que você busca Clara? A sensação, ou sair da sua realidade?
- Não tenho certeza. Acho que busco as duas coisas…
- São 4 gotas. Nenhum furo, nada prejudicial ao corpo, apenas um estímulo ao cérebro. 4 gotas e uma cama.
- Meu medo é não conseguir acordar. Já ouvi casos assim. Não gostaria de viver num eterno coma.
- E se caso isso acontecesse? Não seria bom? Não seria melhor?
- Talvez. Mas eu gosto de ter o controle. Gosto de saber o que fazer…
- Clara, a melhor coisa é não precisar saber, nem precisar fazer. Não ter que ir. Isso sim é bom. O nome disso é “férias”.
- Muito engraçado. Não ter que tomar nenhuma decisão…
- Se você se deparar com uma situação ou com um caminho, e não souber o que fazer, você pode simplesmente fazer qualquer coisa…
- Muito bom. Lembrou Lewis Carrol. Me sinto muito mais confortável…
- Minha querida, você precisa acreditar em si mesma. Acreditar que você vai saber o que fazer, que vai saber quando estará dormindo ou acordada, que vai precisar ou não ter controle, enfim.
- O que me assusta mesmo é a insegurança…
- Eu sei. Mas qualquer coisa que fazemos na vida pela primeira vez traz a mesma sensação. Andar de bicicleta, cozinhar, conhecer alguém, bater o carro, enfim, qualquer situação inusitada ou comum exige criatividade quando vivemos pela primeira vez.
- Não sei…
- Que segurança você tem quando dorme e sonha? Quem te garante que poderá acordar?
- Ninguém.
- Mesmo assim todas as noites você dorme tranquila. Alguns acham até que aquele é o momento mais seguro de suas vidas…
- Você tem razão.
- Imagine se pudermos controlar isso de fora? Já pensou em tudo o que poderíamos fazer?
- Ok. Eu participo. Só me responde uma última questão?
- Claro.
- Ciência ou lucro?
- Depende. Depende do ponto de vista. Principalmente de quem está olhando…
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O conto lembrou um filme do Arnold “Conan” Schwatznegger … que ele entra em um sonho para conhecer marte.. mas parece qeu é tudo realidade. Não lembro bem do filme, faz muito tempo que vi.
Mas esta ai o terceiro conto do Hugo. Assim que ele me enviar seus dados será anexado aos Nerds Escritores aqui do blog. =)
eu gostei do conto!
me lembrou Sandman.
=D
Ooohhhh, eu lembro desse filme! Se chama “O Vingador do Futuro”. Inclusive vai ter um remake!!!
Esse conto ai saiu diretamente das histórias de Lewis Carroll.
Um abraço.
Vai sair um remake do filme???
A… mas sem o Arnold Schwatznegger, nao vai ser a mesma coisa.. ele é brucutu profissional. =)
E caramba Lewis Carroll. Eu ainda não li Alice no pais das Maravilhas. Mas este livro esta no topo dos proximos que vou adquirir pra nerdoteca.
Aháá muito bom os contos do Hugo, acabei de ler os três. Vou ver se consigo acompanhar o blog novamente (se não for assunto muuito nerd até vai hahahaha)
é.. toma vergonha na cara.. agora que não esta trabalhando… e entra aqui no blog de vez em quando. =P
pff
hahaha
Ooooo Laka!
Valeu pelo post! Obrigado pela leitura!
Um abraço.
Legal. Seu diálogo, mesmo sendo conciso consegue passar toda a insegurança da personagem tão bem que elimina a necessidade de um narrador e o final fica a cargo do leitor. Adorei!