Mais uma noite infernal
Escritor: Jones Viana Gonçalves

Mais uma noite infernal. Sim nada pra fazer. O que adianta uma eternidade inteira, mas não ter nada de agradável para se fazer. Olho pro computador, merda será que vou passar mais uma noite aqui. Navegando na rede. Não, hoje não estou a fim disso. Tédio, cansaço, rotina da vida de um ser mortal. Noites e noites a fio vagando pelas ruas, solitário ou navegando pela rede de comunicação chamada Internet. Pensei que me tornando imortal iria ter mais emoção em minha vida, mas mesmo as caçadas noturnas ficaram monótonas. Não há emoção nas caçadas. Uma ou duas vezes por semana devo fazer isso e já estou de saco cheio. Os mortais. Sim essas criaturas mortais e enfadonhas tem uma vida a qual tentam dia a dia viver. Não sabem se vão morrer hoje ou amanhã, mas algum dia eles morrem. Por isso tornam seus dias menos rotineiros. Por isso o tédio não os domina sempre, mas mesmo assim. Mesmo para eles o tédio chega. Dá seu ar, mas dificilmente se estabelece por completo. Dia após dia sem nunca acabar. Acho que isso só acontece com nós imortais, não sei.
Surgiu em nossa casta uma novidade. Talvez deva eu encará-la de frente. Talvez ela tire este tédio da pós vida. Mesmo que seja apenas por algum tempo, é isso. Me preparo, pego minha 9mm, verifico o pente de munição. Certo tem o suficiente. Coloco a arma na cintura, visto meu sobretudo de couro. Afinal não preciso me preocupar com calor ou frio, eu já estou morto mesmo. Sigo na direção da garagem, busco minha moto. Até mesmo pilotá-la em alta velocidade se tornou entediante, pois mesmo que eu me esburrache no chão, nada me acontecera. Deste jeito não existe adrenalina, não importa eu ainda gosto de pilotá-la. Monto nela e saio pelas ruas.
Os seres do meu meio me disseram o lugar certo onde eu os encontraria. Dito e feito. Chego no bar, um quiosque no centro da praça próxima a prefeitura. O jipe sujo estacionado do outro lado da pista os denuncia. Olhei para as cadeiras, lá haviam cinco sentados em volta de uma mesa. Um mapa da cidade aberto bem ali, pra quem quisesse ver. Não pareciam estar preocupados. Não portavam armas, pelo menos que ficassem a vista, mas provavelmente teriam alguma coisa escondida. Parei a moto próxima da calçada, desmontei e me dirigi na direção na qual eles estavam. Talvez tenha sido aí que errei. Não olhei direito, estava tão entediado e confiante que o descuido foi natural. Puxei a pistola e disparei sobre eles. A mesa foi virada, tive a certeza de ter atingido pelo menos um deles.
As balas fizeram furos no latão da mesa. Os caçadores haviam virado caça e estava tão fácil que para recarregar minha arma nem mesmo fiz questão de me proteger, afinal eram apenas humanos pensei comigo. Apenas mais alguns caçadores. Tolo eu fui ao pensar deste jeito, devia ter me preparado melhor. Foi neste momento que vi a mesa voando em minha direção, recebi a pancada que para a força devia ter sido arremessada por uma catapulta. Rolei pelo chão e quando olhei novamente não haviam mais os cinco humanos na minha frente e sim cinco criaturas enormes e peludas. Eram lobisomens, o tédio enfim havia terminado, ali eu sabia que poderia morrer. Eles se atiraram sobre mim, mas utilizando de toda minha velocidade consegui desviar-me e ainda disparar. Não que as balas fossem ajudar muito, no máximo iriam retardá-los por um curto período.
Merda pensava eu. O que irei fazer. Do outro lado da rua estava o hospital, sim ali eu poderia esconder-me, ou até defender-me melhor. Corri como nunca havia corrido antes. Disparando contra as vidraças que formavam as portas, as fiz em pedaços antes de lá chegar, mas as criaturas estavam logo atrás de mim. Senti a garra de uma delas rasgar o sobretudo. Merda o que eu fui fazer. Lá dentro saltei sobre o balcão de informações que neste horário estava vazio. A emergência ficava em uma porta ao lado. Corri para as escadarias e ainda assim os lobos estavam perto. Filha da puta, pensei comigo. Neste momento senti meu pé ser agarrado. O mundo virou de pernas pro ar, fui puxado com tamanha força que quase tive a perna arrancada. Depois do puxão o arremesso. Merda tudo era tão rápido, tão intenso. Vi as paredes com borrões de branco e verde, mas mesmo neste estado podia enxergar o agressor. Disparei contra ele enquanto voava, escutei gritos, talvez tenha atingido mais alguém, não sei. Unf. Bati contra a parede. Ainda zonzo pela ação olhei para frente, parecia ter apenas um agora, os outros pareciam ter ficado lá fora. Só havia um meio de ter certeza, fiz o que há muito tempo eu não fazia. Puxei o ar e enchi meus velhos pulmões, não que necessita-se do ar pra alguma coisa, mas sim para farejá-lo. Sim eles haviam ficado lá fora. Provavelmente este a minha frente fosse apenas um garoto, e deveria passar este ritual. Olhei dentro dos olhos dele, não este não era um garoto, podia ver a experiência de um caçador lá em seu intimo. Nunca soube o porquê deles não terem vindo todos ao mesmo tempo. Meu algoz havia parado, esperou que me levanta-se pra só depois atacar-me.
Desviei de seu ataque e senti os pedaços de reboco caírem em minhas costas. É provável que as marcas de suas garras ainda estejam entalhadas naquela parede. Neste momento fiz uso das minhas garras, enterrei-as fundo no estomago dele. Apertei com força suas entranhas e então puxei. Ele caiu aos meus pés, sabia que não estava morto. Sim eu sabia, mas mesmo assim fugi, corri para o andar mais alto e saltei para o prédio vizinho, e assim fui até estar do outro lado da rua. Merda, eu estava apavorado, nunca tinha enfrentado um lobo antes. Minha moto eles levaram, a arma ficou no chão do hospital, mas eu sobrevivi, e desde este dia minhas noites nunca mais tem sido monótonas. Agora sei que posso morrer em uma noite destas, pois eles estão me cassando, e só irão parar quando eu tiver sido destruído.
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Sera que esse nerd ;e um jogador de RPG… talvez Vampiro? Tem um conto de Lobisomem aqui no blog, não é voltado para o rpg, mas é de lobisomem.
Vampire:The Masquerade total ai!
lendo esse texto eu só me lembro das partidas de rpg no “cú da madrugada” jogando vampiro, muito fod@!
quanto ao conto foi demais tambem, eu consegui imaginar com detalhes ele atirando lá.
espero os proximos capitulos!
Opa, bom dia pessoal.
Bom respondendo a questão, são 16 anos de RPG tendo iniciado em D&D 1ª e jogado de tudo neste tempo de jogatina he he he he.
Quanto a continuação, eu a tenho pronta mas acho que ficou fraquinha em relação a primeira parte do conto, então possivelmente eu a reescreva, sei lá.
Abraços galera.
Que nada, tá ótimo!
continue assim!
=D
Ter senso crítico é uma boa. Mas re-escreva ser for necessário. Só não deixe ele esquecido.