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May
26
2009

O Despertar

Escritor: Pandion Haliaetus

o-despertar

Esta é a história de um ser humano que rompeu a barreira do real, a mesma que os impede de distinguir se estão vivendo ou estão sonhando. A maioria sente um leve desconforto, mas esta mesma maioria apenas espera o momento final de suas vidas, e tentam fazer deste período, o menos turbulento possível. Entretanto, uma minoria não se conforma com essa inquietação, e buscam meios para entendê-la, desta parte, cerca de 0.3% chegam à sua fonte, mas 99.9% destes não resistem ao processo de reformulação, se consumindo por completo, uma etapa que faz com que deixem de existir. Os que resistem são verdadeiros campeões, os escolhidos de sua própria vontade. Algo que podemos comparar ao milagre da fecundação.

E é justamente a este processo que nosso protagonista sobreviveu. Nascido filho de um homem de negócios e uma mulher desbalanceada, aprendeu desde cedo que o único com que ele podia contar era consigo mesmo. Nunca foi um bom aluno, aprendia apenas o que lhe interessava, e respeitava o que julgava melhor para si. Para seus pais isto era indiferente, uma vez que seu futuro seria o mesmo independente de seus feitos. Na adolescência fez sempre o queria e nunca aceitou represálias. Com a maior idade foi enviado à Europa para concluir seus estudos superiores, porém, constatou que muito mais interessante do que replicar os conhecimentos que seus professores vomitavam, era a opção de criar seus conhecimentos, passou a duvidar de tudo e de todos, e aqueles que não pudessem lhe provar o que falavam eram tratados como crianças. Com isso formou-se uma pessoa extremamente anti-social e um indivíduo em paz consigo.

Em um dado momento, ele percebeu que nada mais se apresentava como barreira, devido à sua natureza indomável saiu em busca de maiores desafios, até que viu a maior de suas barreiras, o medo. Obstinou-se a identificar do que tinha medo, do que as pessoas tinham mais medo, e foi atrás de cada uma delas, para domá-las tal qual o caçador que subjuga um monstro que provoca terror à maioria. Meteu-se a estudar e experimentar todas as ciências ocultas e proibidas. Até que um dia, enquanto olhava-se no espelho, lentamente foi se aproximando de seu reflexo, olhos trêmulos tentando se fixar em um detalhe em seu rosto, foi então que fez a descoberta mais sinistra de sua vida.

Tateando um determinado ponto de seu rosto ele percebeu que havia algo por baixo dele, uma falha que estranhamente lhe pareceu proposital. Ansioso e nervoso com o que estava descobrindo, foi tateando melhor e tentando olhar pelo espelho para identificar do que se trata, de repente seus dedos encaixam em um lugar que parece feito para que os dedos ali sem encaixassem, sua localização é entre a orelha e a nuca. Surpreso ele para, está suado e hesitante, como se estivesse prestes a violar um túmulo. O silêncio é absoluto e as batidas do coração dão o ritmo para sua coragem. Tateando novamente o lugar ele nota que existe um veio pelo qual este ponto é o término. Seguindo o caminho com as duas mãos ele vai tateando o corpo avidamente até que chega a um ponto no seu tórax, embaixo de sua décima costela direita. Um leve pressionar é o suficiente para causar-lhe uma leve dor fina e intermitente. Trêmulo e amedrontado ele afunda o dedo com mais força, a dor aumenta exponencialmente, seu coração acelera e descargas de adrenalina fazem com que a dor se torne suportável. Ele aumenta a pressão e sua pele cede, agora ele pode ver sua costela e um pouco de sangue em suas mãos.

O que era isso que ele sentia? A dor tornou-se insuportável, mas ele puxou mais para ver dentro, o sangue agora escorria por suas pernas. Ávido para ver o que ali havia ele se aproximou novamente do espelho. O que via era tão impressionante que não segurou a risada de quem resolve um enigma que tomou-lhe muito tempo e esforço. Acometido pelas dores ele cai ao chão, sentado ele ainda observa o espelho enquanto segura com uma das mãos sua pele deixando o interior à mostra. Sua risada se eleva e o silêncio é brutalmente quebrado. Suas sensações são fantásticas, ele analisa cada uma, nojo, sofrimento, repúdio, alívio, medo. Isso é maravilhoso, ele finalmente via-se como realmente é, regojizando-se por sentir e perceber parte do mundo como ele realmente é. Em uma mistura de risos e choro ele desmaia por falta de sangue.

Posteriormente ele acorda em um hospital, um belo quarto em que ele está sozinho, o silêncio do vento nas arvores ao lado de fora é reconfortante. Ele imagina que alguém ouviu seus risos e acabou por lhe ajudar. Tão logo que lembra das risadas, todos os fatos voltam a sua mente, e em um movimento brusco ele arranca sua coberta e põe-se a olhar o ferimento. Enfaixado, levemente ele desliza a mão sobre o curativo, saboreando cada sensação e sentimento, nota que houve intervenção cirúrgica devido aos pontos que ele sentiu existirem por baixo das ataduras. Sua descoberta foi tão maravilhosa e surpreendente que é impossível conter a euforia. Ele deita-se novamente e deixa seus pensamentos voarem para onde for permitido. Silenciosamente ele vangloria-se perante as outras pessoas do mundo o conhecimento, a coragem e a atitude necessária para tal feito. Agitado mentalmente, ele agora planeja como será cada passo e aonde ele irá chegar.

Vendeu todos os seus pertences, deixou todos os seus compromissos no passado. Alojou-se em um lugar discreto e adquiriu muito material para prática e estudo cirúrgico. O convencional e alternativo foram usados como iguais. Havia se tornado alguém que se mutilava e passava por várias experiências, desde corriqueiras até as mais insólitas. Mas seu objetivo era ir aos poucos se acostumando com a nova condição, sabia que não mais precisaria caminhar entre os vivos, e aproveitava cada segundo para ir livrando-se de veste carnal. Debaixo desta roupa, ele sabia que estava o seu verdadeiro eu, e ansiava cada vez mais para vê-lo completo. Tido como louco, mendigo e dejeto da sociedade, tornou-se invisível a todos, mas antes de ir embora ele queria mostrar que qualquer um poderia ver o que ele viu.

Já coberto por várias ataduras maltrapilhas e com um aspecto que relembra um morto que voltou à vida ele prosseguia no caminho contrário da multidão, todos marchando rumo ao abismo, e ele andando calmamente para a origem, nada ou ninguém poderia tirá-lo deste caminho, sua determinação e vontade alcançaram níveis inabaláveis. Eis que em meio as milhões de pessoas, ele enxerga distante uma luz, ao se aproximar dela, percebe que se trata de uma porta. Mal pode se mexer, mas ainda existem forças para estender a mão em direção à porta. Não obstante, alguém a abre por dentro. Um ser que é formado pela falta de matéria aparece. Calmamente ele sai e informa que para entrar, ele precisa antes deixar de ser quem é, e se desprender por completo de sua persona, sua veste e sua prisão. Pois atravessando a porta, tudo o que passou não terá mais significado, e cada coisa deste universo fará sentido, as responsabilidade serão em um nível incalculável, e este processo poderá levá-lo a ruína final.

No centro da cidade, um ser caminha com imensa dificuldade, seu corpo em maior parte apodrecido e coberto de feridas se arrasta por entre as ruas, consigo ele trás uma bolsa, sangue pelo chão, um cheiro hediondo e centenas de pessoas que são atraídas e chocadas por este show de horror. Pessoas choram e se amedrontam enquanto ele segue seu rumo. A quantidade de pessoas observando não tem fim, muitos gritam e fogem. Inabalável, ele entra em um prédio comercial, seu aspecto é tão repugnante e nojento que não existe pessoa capaz de impedi-lo. A trilha de sangue denuncia seu caminho, o elevador.

Do alto do prédio, ele se aproxima da borda. Falar é impossível e sua boca não serve ao menos para alimentá-lo. Enquanto ele retira da bolsa algumas cordas e ganchos, um helicóptero do jornal local sobrevoa o local, milhares de pessoas observam do chão e das janelas, ninguém ouse ir até o térreo. Unindo suas últimas energias, ele amarra as cordas em tubulações do prédio e finca os ganchos em pontos estratégicos de seu corpo. Horrorizados todos observam quando ele subitamente pula. O espanto é geral e milhares gritam enquanto outros observam catatônicas a queda de algo longe de ser um humano. Caindo ele vê a porta se abrindo no solo, estende a mão e antes que atinja o chão as cordas atingem seus limites, a carne é violentamente arrancada de seus ossos, e o que chega ao térreo é uma mistura de ossos e órgãos internos. As pessoas extremamente chocadas desmaiam e vomitam, não sendo o suficiente, aquele ser que estava ao chão começa a se mexer, o pânico toma conta geral e as pessoas fogem desesperadamente, os poucos que ficam vêm o novo ser lentamente se levantar enquanto seus órgãos vão caindo e arrebentando. A caveira faz um gesto que lembra alguém abrindo uma porta, dá um passo e cai.

Do alto, o helicóptero captura a imagem da silhueta de um anjo formada no asfalto pelo sangue.


Categorias: Contos | Tags: , ,

6 Comments»

  • Me fez lembrar um conto que o Atmard escreveu aqui para o blog. “A vida de Ernest”.

    Acho que tem algumas semelhanças, apesar de serem diferentes 🙂

  • Vitor Vitali says:

    O começo me lembrou muito Lovecraft, mas depois foi uma reviravolta completa. Gostei, só fiquei confuso em algumas partes, mas gostei. Faz pensar.

  • Pandion says:

    Vitor, o seu comentário é um elogio para mim, e não é segredo que copio o estilo do Lovecraft, o qual começa com algo próximo de nossa realidade, aos poucos os personagens se vêem em situações completamente surreais, mas com um desenrolar que nos prende e acomete medo, no final, alguns se quer terminam de ler seus contos. Este blog me dá a excelente oportunidade de treinar para que um dia talvez eu chegue ao nível do Lovecraft.
    O conto realmente tem algo nas estrelinhas, mas não é uma lição de moral.

  • A unica coisa que li de Lovecraft foi “O Chamado de Cthulhu”. Terror psicológico, muito sinistro. Lembro que fiquei bem perturbado quando li o conto.

    Bom se ele é sua inspiração, tem um bom exemplo a seguir.

  • Vitor Vitali says:

    Lovecraft é exemplar no seu estilo. Não consigo escrever como ele, sou da galera mais “direta” e menos poética, mas não escondo que já tentei copiar ele algumas vezes, sem muito sucesso.

  • J.Nóbrega says:

    Só eu notei um certo gnoticismo?
    .
    Muito bom, com um final surpreendente e um tema totalmente diferente.

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