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Jun
02
2009

Alice – Parte 1

Escritor: Vitor Vitali

alice

Onze horas, dizia o relógio redondo pregado na parede. O barulho das máquinas subia do andar de baixo atravessando o concreto do chão e chegando à aquela sala com som abafado. Um rato caminhava pela lateral da sala enquanto o homem de sotaque francês o observava inquieto de sua cadeira ao lado da porta de metal que estava fechada à chave. Uma corrente de ar fraca adentrava a sala pelos buracos nas janelas recobertas com madeira pelo lado de dentro. O cheiro de mofo contrastava fortemente com o cheiro de queimado que emanava das paredes que exibiam grandes marcas pretas aonde o fogo as havia lambido.

Incêndio na fábrica de tecidos, disse o jornal de um ano atrás. A causa nunca foi descoberta e após alguns meses de restauração o andar das máquinas voltara a funcionar sobre a tutela de um novo dono que comprara o prédio e a nova maquinaria, mas que deixara o andar de cima, que anteriormente funcionara como administração, vazio e abandonado.

O homem sentado na cadeira no meio da sala tinha certa dificuldade em entender com precisão a cara do francês próximo à porta. Era ao mesmo tempo desgostosa e satisfeita. A face de um louco, pensou ele. O sujeito que estava atrás dele, vestia roupas baratas que podiam ter sido compradas em qualquer camelô do centro, assim como o homem ao seu lado que no entanto parecia ser mais cuidadoso com sua aparência, ostentando uma jaqueta de couro, provavelmente roubado, com um simbolo na altura do peito que ele não sabia a origem, mas sabia não ser importante. Já o homem a sua frente tinha um porte fino, mas moderado. Vestia um terno limpo de risca de giz com uma camisa bege por dentro e sapatos de marca mediana. Seus cabelos, decaindo ao clichê, eram curtos e penteados à óleo para trás.

Nenhum deles parecia desconfortável com a situação. Em fato, pareciam até animados como se acontecimentos de minutos atrás os houvesse tirado da rotina de todo um dia.

Um pássaro passou voando pelo lado de fora, próximo a janela. O Homem do centro já estavam ali à alguns minutos e ele, que sabia fazer da paciência uma fortaleza, permanecia sem se incomodar com o longo silêncio, cultivando um sorriso tranqüilo e simples na face.

– É a porra de um maluco – disse o homem de jaqueta de couro quebrando o silêncio e virando-se para o de terno.

– Duvido muito – respondeu o homem de terno -, no entanto gostaria de saber o que faz aqui, meu jovem.

O tom de tranqüilidade e nobreza que aquele homem falsificava, fazia o sujeito sentado no centro da sala querer rir, mas se conteve. Não queria ofende-lo daquela forma.

– É possível nos sanar essa questão, bom homem? – Continuou ele.

– Sua mãe é uma prostituta sebosa – respondeu o homem do centro mantendo o mesmo sorriso.

O homem de terno pareceu se surpreender com a resposta.

– Não é interessante, nos ofender, rapazinho – respondeu ele.

– Nós sabemos o que vocês fazem e para quem vocês trabalham – disse o homem do centro.

Um riso ecoou da gargante do homem de terno.

– Nós? – Perguntou ele zombando. – Policias? Você não é da policia, garoto.

– A policia é o menor de seus problemas. Nós sabemos sobre o roubo de sexta-feira.

O sorrio sumiu da boca do homem e ele deixou cair sua mascara de educação, revelando uma nova, coerciva:

– Olha aqui, vagabundo, você está indo muito mais longe do que deveria.

Sabia que sim e também sabia qual seria o protocolo que eles seguiriam agora.

– Amarrem ele – disse o homem de terno para os outros.

O francês se levantou e dirigiu-se a um dos armários de metal que havia na sala e que não fora consumido pelo fogo, mas ainda demonstrava seus efeitos. De lá ele tirou algumas cordas e as levou para os outros dois sujeitos que amarraram o homem do centro da sala na cadeira em que ele estivera sentado até agora.

– Hora da festa – disse ele com seu estranho sotaque francês e voltou ao armário, de onde retirou uma caixa de agulhas ou espetos que deveriam ser usados nas máquinas lá em baixo, mas que por algum motivo não serviam ou deixaram de servir. Percebia agora a cara de contentamento daquele homem. Ele gostava daquilo. Um francês sádico, pensou.

– Que tal nos dizer quem é o “nós”? – Perguntou o homem de terno, agora sentado na cadeira que anteriormente o francês usara e que arrastara para perto do amarrado.

Segundos após ele não responder a pergunta, o francês pegara o dedo indicador da mão esquerda do homem do centro da sala e enfiara a agulha debaixo da unha até a profundidade em que rubras gotas sangue começaram a pingar no chão. O homem fizera cara de dor e gritara uma vez para encoraja-los a continuar, fazendo-os perceber que a tortura estava fazendo efeito.

Outra agulha, no dedo médio agora. Mais sangue, outro grito e nada de respostas.

– Podemos continuar por toda a porra da tarde e da noite! – Gritou o homem de terno.

Mais uma agulha. Sangue, gritos, nenhuma resposta.

– Imbecil! – Gritou o homem de jaqueta de couro e deu um soco tão pesado na cara do homem amarrado que fez seu crânio percorrer toda a extensão possível de seu pescoço sem quebrar. Eles continuaram.

Quase meia hora havia se passado e todos os dedos do sujeito encontravam-se perfurados por agulhas por de baixo das unhas e seu rosto apresentava escoriações profundas, mas nenhuma resposta.

O homem de terno saiu da sala retirando o telefone do bolso e lá de dentro ele pode ouvir o homem chamando Victor Manati. Finalmente encontraria alguém do alto escalão. Durante a tortura, o homem amarrado revelara mais informações sobre as ações daqueles criminosos, coisas que poderiam leva-los a cadeia por um punhado de anos. Ele tornara a coisa séria. Não tratava-se mais somente de um sujeito suspeito rondando o estabelecimento onde o que menos dava lucro era a produção de certos tecidos sintéticos. Tratava-se de um sujeito que sabia de mais e saber de mais era um problema.

Cerca de um hora se passara enquanto os subordinados do homem de terno brincavam de socar sua cara e ouviu-se uma batida na porta. O homem de terno fora checar quem era. Ouviu uma voz conhecida pronunciando “abra” e no mesmo momento a porta estava se abrindo.

Um sujeito alto e de terno preto adentrara aquela sala que de forma alguma combinava com seu porte, seguido por um homem atarracado empurrando o que parecia ser um desfibrilador sobre rodinhas. Imaginava que aquilo lhe daria belos choques.

– Sabe – inciou o homem de terno preto sem que qualquer outro presente da sala pudesse dizer algo -, conheço seu tipo. Deu sorte com algum homem meu, bêbado provavelmente e ele falou mais do que devia e por isso você acha que pode me chantagear. Reconheço sua persistência por não ter falado nada, mas reconheço também sua estupidez de achar que isso teria algum efeito positivo para você.

Ele parou de falar, rodeando o homem amarrado e observando suas unhas pingando sangue e as feridas em seu rosto, e continuou:

– Vou lhe dar uma chance de responder as perguntas que Marco – e olhou para o homem de terno de risca de giz – lhe fez e nada mais. Não gostei de você.

O sorriso voltou ao rosto do homem amarrado. Nenhum deles ali provavelmente sabia onde Manati morava e provavelmente de nada adiantaria tortura-los além de uma pequena diversão. No entanto aquele homem das Drogas com o qual se encontrara em seu tradicional ponto de venda, dias atrás, sucumbira a tortura e tudo que ele revelara levava o homem que estava amarrado apenas para aquela fábrica de roupas e talvez a prevenir alguns crimes futuros se assim deseja-se, mas ela não desejava. No entanto, Manati estava ali, chamado pelo seus próprios homens.

Todos o observaram esperando uma resposta e o homem amarrado apenas cuspiu sangue na face de Manati.

– É a porra de um maluco! – Berrou o homem da jaqueta de couro.

– Tudo bem – disse Manati se limpando com um lenço -, você não parecesse sensato de qualquer forma. Não sei como obteve a informação que obteve ou para quem contou. Não importa.

Victor Manati pede a arma à um de seus homens e recebe um revolver de cano longo. O enfia na boca do homem amarrado, rompendo seu sorriso e puxa o gatilho. Pedaços de osso, cérebro e e sangue voam na parede atrás e a cabeça pende para a frente quando ele retira o revolver de dentro da boca do morto. Alguns resmungam coisas sobre maluquice e outros lamentam o tempo desperdiçado.

Ele espera alguns segundos para se divertir com a situação e levanta a cabeça com um enorme buraco atrás, observando os homens saírem daquela sala. Os primeiros a vê-los nada falam, apenas abrem a boca. Segundos depois, um deles grita:

– Que porra é essa?!

Todos se viram e vêem o homem que antes estivera amarrado e morto de pé e desamarrado observando a todos completamente sujo de seu próprio sangue.

– É a vez de vocês – diz ele.

Alguns dos trabalhadores lá de baixo ouvem certa confusão no andar de cima após ouvirem o barulho de um tiro. Estavam acostumados com aquilo e todos ali eram homens de bom senso e jamais se atreveriam a dizer qualquer das coisas que viam ali para pessoas de fora, familiares ou mesmo, e principalmente, para a policia. Gostavam de suas vidas e além do mais, precisavam daqueles empregos.

Ninguém reparou no sumiço de Victor Manati pelos seguintes trinta minutos até que seu celular tocou e ninguém atendeu. Homens seus de confiança chegaram dali a vinte minutos e encontraram uma das estranhas salas do andar incendiado de cima, coberta de sangue das paredes ao teto, passando por algumas manchas pequenas no corredor em frente a porta da sala e uma maior próxima a saída. Toda isso muito bem acompanhada de partes de órgãos dilacerados somados a ossos e ao que parecia ser fezes. Tudo fedia muito e o sangue de um grande criminoso estava misturado ao de outros menores por todo o lugar.

A certa distância dali, um homem sujo de sangue roubava a roupa de outro que passava pela rua. Ele dirigisse à um bar e lá pede uma cerveja. A lua chega dali à algumas horas e ele sai para olha-la. Bonita. Sempre bonita.

– Alice – repete ele para si mesmo e uma forte intuição lhe diz para seguir para o norte.


Categorias: Alice,Contos | Tags: ,

5 Comments»

  • Cara, desculpa mas depois de uma hora procurando, peguei uma imagem que simplesmente achei legal, não tem a ver com o conto…

    Tirando a lua que você cita ao final.

    Olha, gostei da história, você detalha bem. Esta contando uma cena ai desvia atenção para o passaro voando pela janela.

    Não consegui identificar qual o poder do cara que estava sendo torturado. Sera ele um ciborgue ou algo assim. =)

  • Vitor Vitali says:

    Eita, pensei que tivesse ficado menor. D:
    Bem, o próximo é um pouco menor eu acho.
    E vai demorar um tempo ainda para saber qual o ‘poder’ do sujeito. 😀

    Abraços

  • No aguardo.. no aguardo!!

  • Nossa, adoro contos dessa forma 😀
    com mistérios a serem desenvolvidos, personagens intrigantes, sempre com algo meio místico, estranho, sinistro,..! simplesmente amei =D
    kero muito ver a continuação!
    um abraço Vitor!! \o/

  • Thainá Gomes says:

    Muito bom esse clima de mistério que vc cria.Parabéns.

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