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– que publicou 282 textos no ONE.

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Jun
23
2009

Sombras no corredor

Escritor: Vitor Vitali

sombras-no-corredor

Abril, Sábado, 23 horas. Vitor estava sentado ao computador escrevendo um pequeno conto. Lá fora, parecia estar tudo em silêncio, os sons que os carros faziam na rua já não lhe faziam mais companhia. A televisão que antes estivera em seu quarto, agora estava guardada e em seu local estava um pequeno sofá. Ele não gostava de assistir televisão em parte porque pouco da programação lhe agradava, em parte porque sua preferencia era por filmes e as legendas já não eram vistas muito bem pelos seus olhos que sofriam de uma doença genética que aos poucos iam deixando ele cego. Vestia meias, uma calça e estava sem camisa, fazia calor naquele quarto, diferentemente do resto da casa que era mais fria por conter um forro diferente no teto que permitia que o calor entrasse e saísse rapidamente. A casa havia sido construída sobre a fundação de uma antiga casa que ali estivera no passado, e a obra com o tempo mostrou-se ruim pois a fundação da antiga casa estava velha, o que favorecia a umidade pelas paredes, que agora descascavam a tinta aos poucos. Mofo escalava o lado frio da casa e aos poucos deixava as paredes, em sua região mais baixa, com um leve tom preto. Aquele cheiro de mofo não o incomodava mais, havia se acostumado, mas visitantes que hora vinham a sua casa sentiam e isso era um pouco desconcertante, mas vinha se acostumando com isso também, ou pelo menos estava quando ainda recebia quantidades consideráveis de visitas. Hoje em dia dedicava-se ao seu trabalho, não porque dessa forma desejava, mas porque seu trabalho acabara por afastar os amigos enquanto ele tinha que se concentrar em suas histórias.

A ultima tecla do teclado foi batida com seu som usual. Alice era o nome do conto que ele acabara de escrever. Não sabia se lhe agradava ou não, mas sua tendencia ao realismo mesmo nas histórias mais irrealistas não lhe dava espaço para abstrair-se da realidade incomum. Vez ou outra ele se pegava querendo escrever histórias sobre coisas comuns, lugares comuns, quase clichês. Era como se sua mente ansiasse por uma folga. Muitas vezes ele quis escrever sobre príncipes que resgatavam princesas, sobre chefes da mafia controlando suas família, sobre homens comuns vivendo situações corriqueiras. Ali estava, um conto comum, sem pormenores, sem reviravoltas inesperadas, sem personagens impressionantes e únicos. Simples e limpo.

Sentiu um pequeno vazio em sua barriga, como se seu estomago diminuísse em uma contração. Estava com fome. Levantou-se e abriu a porta do quarto que estava sempre fechada enquanto ele estava na casa. Enquanto abria, desejou não ver nada assustador no final do corredor. E lá estava ele, vazio, mas escuro. Queria ter se lembrado mais cedo de acender as luzes antes de escurecer, mas agora era tarde. A casa estava em completo escuro com exceção da luz que se derramava pela porta de seu quarto. Atravessou o corredor com a mão sempre tocando a parede e ao final dele achou o interruptor e o ligou. Nada no corredor. Caminhou mais alguns passos passando ao lado da porta de seu irmão e dobrou a esquina para adentrar outro corredor da casa, que levava do quarto que anos antes havia pertencido a seu pai e mãe, ao banheiro no lado contrário ao da sala, e a cozinha no final. Caminhou até ela, ascendeu a luz. Algo roçou em seu pé e seu sangue congelou. Olhou para baixo sem gritar, mas arrepiado. Seu gato havia o acompanhado até ali. Bruce era seu nome. Viviam apenas ele e Bruce na casa, mais ninguém. Seus pais haviam morridos anos antes e Vitor havia se encarregado, com apenas vinte anos, de cuidar de seu irmão mais novo. Não fizera aquilo bem. Nada bem.

Abriu a geladeira da cozinha. Olhou e procurou algo para comer. Queria algo leve, então retirou dali queijo e peito de peru em fatias. Caminhou até a mesa e lá abriu uma cesteira que guardava pão em seu interior. Não sabia ao certo porque aquele pão chamava pão-de-batata, já que não tinha gosto de batata, mas ele adorava o sabor. Cortou três deles ao meio e os recheou com queijo e peito de peru. Nada de manteiga, odiava manteiga e seu gosto enjoativo. Andou novamente até a geladeira que estava aberta, mesmo ele tendo a fechado. Pensou que realmente deveria trocar aquele borracha magnética, ou a porta nunca fecharia bem. Olhou lá dentro novamente evitando observar o corredor atrás de si que ficava no lado contrário ao da geladeira e procurou algo para beber e escolheu suco de soja sabor uva. Adorava aquilo. Levou o suco até a mesa, pegou um copo em um dos armários e despejou o liquido roxo esbranquiçado lá dentro. Lembrou-se que seu irmão também gostava daquilo. Em fato, seu irmão costumava o copiar em tudo que fazia, mas fingia não gostar dele. Engraçado aquilo. Afinal, pensou, acho que é isso que irmãos mais novos costumam fazer mesmo.

Seu irmão começara a tocar violão por sua causa, pois Vitor tocava vários instrumentos, sendo um deles uma guitarra preta modelo Warlock que ele possuía e que o menino adorava. O garoto também havia decidido deixar o cabelo crescer pois ele havia ensinado o irmão desde pequeno a gostar de Rock. Era engraçado ver uma criança gostar daquilo. Vitor se pegou rino parado em frente a mesa da cozinha e retirou o sorriso da cara. “Não era culpa minha”, repetia para si mesmo todo o tempo. “Não foi minha culpa.”

Seu irmão mais novo havia morrido em um acidente de transito enquanto Vitor o levava à escola. Ao descer do carro e dirigir-se, o irmão fora atropelado por um carro que o atirara no meio da pista, fazendo com que outro carro que passava esmagasse seu crânio contra o asfalto. Vitor ainda se recordava do som de osso se quebrando e de todo o sangue que voara pelo asfalto enquanto seu irmão nunca mais iria sorrir para ele. Nunca mais iria vê-lo andar. Nunca mais iria forçar um abraço enquanto o garoto tentava se desvencilhar de seu braços e eles iniciavam uma pequena lutinha. Nunca mais ouviria sua voz. Nunca mais poderia ter a chance de dizer “eu te amo.”

Vitor pegou seu prato e seu copo e dirigiu-se para o corredor. Não apagaria a luz da cozinha pois não queria ficar no escuro. Caminhou pelo corredor andando apressado e virou a esquina para o corredor de seu quarto e caminhou por ele. De relance olhou para o escuro quarto de seu irmão e sob as sombras pensou ter visto alguém de branco. Arrepiou-se. Apressou o passo quase derrubando a comida e fechou a porta atrás de si. Respirou novamente. Tentou-se acalmar. Sentou-se ao computador para escrever mais, mas não conseguia. Cobriu a face com as mãos e começou a chorar entre soluços e gemidos. Seu irmão nunca voltaria. Nunca. Ele deitou a cara sobre os braços na escrivaninha e ali continuou chorando até que resolveu ir para a cama, onde se deitou e cobriu-se completamente com seu cobertor, como se aquele cobertor fosse o proteger das lembranças, das tristezas e tudo mais que pudesse lhe ferir e chorou.


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