Amor(to)
Escritor: Andrei Valentim

Eu já tive um amor, um grande amor, mas hoje ele está morto. Hoje em dia caminho pela casa procurando algo que me console, em vão. Meu peito ainda dói. Olho nossas fotos, lembro-me dos momentos felizes que tivemos, tão breves, porém tão intensos. Assim, como um amor de verão, ele veio tempestuoso, fugaz , destrutivo e deixando marcas profundas dentro de mim.
Lembro-me de um dia antes de ele partir, quando eu segurei suas mãos e perguntei olhando no fundo dos seus olhos se ele nunca me deixaria e ele prometeu que não. Ele mentiu, morreu assassinado alguns dias depois.
Sua morte não foi tão dolorosa para mim quanto no dia em que Davi voltou do médico desanimado com exames nas mãos, mostrando que tinha uma doença grave e que era previsto poucos meses de vida. Oh, antes ele morresse disso… Então, poderíamos ter mais algum tempo juntos…
Eu sei, pode parecer loucura, ou algo mal-intencionado, mas tudo o que eu queria era apenas poder ainda estar ao seu lado. Nós tínhamos tantos planos, iríamos casar. Iríamos ter uma vida juntos, com tudo o que teríamos direito.
Não! Está tocando no rádio agora a música que ele mais gostava… Asleep, do The smiths… Ele cantava estes versos para mim: “Cante para eu dormir, cante para eu dormir, e depois me deixe sozinho. De manhã eu já terei ido embora…” Creio que ele já previa o que viria a acontecer, estava me avisando, mas eu não escutei. A melodia agora me arrefece.
Mesmo com isso tudo, eu sei que, quando ele chorou, eu dei meu ombro e quando ele precisou de mim, eu estava lá. Fiz o que pude para vê-lo feliz. Troquei meus dias por ele, planejei meu futuro para ficar junto dele…E agora, ele não está mais aqui…
Depois de ficarmos três dias juntos , andando pela cidade e comemorando também a passagem de ano ( na qual eu pedi para que aquele beijo que ele me dera, fosse eterno ), fui para casa. No entanto, eu não conseguia mais ficar longe, meu corpo chamava o dele.
Assim que cheguei em meu quarto, corri para o telefone para ouvir sua voz, mas o telefone não dava sinal algum. Assim, passou-se uma semana sem contato. Eu já estava entrando em desespero, alguma coisa tinha acontecido!
Uma semana depois, resolvi tentar uma última vez a ligação e ele atendeu. Ele estava com uma voz ruborizada e falava baixo. Disse que tinha duas coisas para me contar que tinham acontecido: uma delas tinha sido um erro no exame médico, avisado no primeiro dia de janeiro, em uma ligação do seu médico; e a segunda, que ele havia reencontrado uma pessoa do seu passado e que eles tinham voltado a ficar juntos.
Foi então que eu o matei. Matei-o tão cruelmente que nenhum pedaço dele sobrou vivo. E é por isso que hoje ele é o meu amor morto: invariavelmente continuo o amando mesmo sabendo que nunca mais o terei.
Pena que só fiz isso aqui dentro do meu peito.
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Bom… um conto para provar que independente da opção sexual, essa parada de coração partido esta sempre ai.
- Vai aqui um momento recadinho amoroso – LAIZE, eu te amo S2 !!
Vou dizer que eu acho contos de amor um saco mesmo estando apaixonado, mas esse final foi muito legal, adorei, escreva mais.
Que figura emo=/
Aaa.. mas não tem nem franjinha para ser emo!!
- E cara, coração partido, amor despedaçado é tudo emotivo mesmo. Pode até achar que não seja. Que na verdade é a raiva que domina, mas não é…
- E fala sério.. o bonequinho ali é legal pra caramba. To bonitinho, bem desenhado. =)
Hehehe gostei, só fica uma intriga… Como é feito em primeira pessoa e não cita nenhuma vez se o personagem é mulher… eu encarei a história como um amor gay.. hahahaha
Laize, eu acho que é para ser mesmo isso ai… hehehe. Canelada!
cara, achei legal para caramba
Laize, eu não coloquei em terceira pessoa justamente para ficar essa neutralidade. Mas, a maioria de vocês está ligando o conto ao meu nome. hahahahaa. Não é?
Ah imagina… até parece que estaríamos imaginando que fosse você na história rsrs… nada contra tbm =P
Aaa mas foi na hora Andrei. Não te conheço mas te vi ali no conto.
hahahahaah. tá bom, tá bom. rss
Ah! Que conto legal… um enredo tão bonito e simples e que no fim nos surpreende não uma, mas duas vezes. Duplamente legal
Muito bom conto. O final me pegou de surpresa, mas não consegui ver este lado “gay” do texto.
De qualquer forma, parabéns pelo ótimo conto. As palavras ficaram muito bem arranjadas.
Gostei muito. Também fui surpreendido duas vezes.
Entretanto não vi nada de homossexual. Não me coloquei no lugar do personagem em momento algum! (_8(|)
A eu fiqei surpresa por duas vezes!Nossa muito bom!Eu não sei se rio ou se choro.E tbm aproveitando o momento love eu queria dar um recadinho “humanidade eu e amo mesmo vc me decepcionando por muitas vezes”.tá eu não resisti.bj