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Jul
16
2009

Ecos – Parte 2

Escritor: E.U Atmard

ecos

II

Helfried ouviu alguém bater à porta.

-Entre, a porta está aberta

Pela porta, viu entrar uma rapariga jovem, não teria mais de vinte cinco anos, com cabelos ruivos e olhos castanhos, uns lábios pintados de cor de rosa, e um delicado pescoço. Num momento apenas, uma invasão de sentimentos invadiu-o, inebriando-o, baixando a sua defesa constante que mantinha para não deixar ver aos outros quem era, e conseguiu ver a figura que se encontrava à sua frente. Da rapariga, com uma pele morena muito bonita, e algumas sardas na cara, emanava-se uma essência fresca, como os perfumes de Verão baratos, mas que nela tomavam um ênfase especial, como se de repente ela tivesse tomado um odor único e pessoal, impossível de repetir. Pareceu a Helfried que à volta dela havia uma aura, uma aura de pureza e limpidez, intocável como era, improvável como sempre é. Fitou-a apenas um instante, e reparou desde logo em cada detalhe do seu corpo. Das suas orelhas muito bem feitas, aos pequenos e delicados pés. Conseguia desde logo imaginar como ela devia ser. Jovem, educada, com uma força de espírito grande como a sua alma.

-É você que é o advogado Valens? É que eu já me enganei umas três ou quatro vezes, não me espantava que o tivesse feito outra vez – disse a rapariga, num tom popular e rude, ignorando quase a posição de Helfried, e falando como faria a um seu servo

A verdade, é que o Dt.Valens devia ter ignorado aquela rude rapariga. Mas algo nela o encantou, e deixou-a tratá-lo como lixo, respondendo:

-Sim, vinha para me consultar? E por favor, trate-me por Helfried.

-Helfried? Que raio de nome…mas eu vinha para ver se me safavas de uma pena, é que fui apanhada com uns bons quilos de erva em casa, enfim, já sabes como é.

-Peço desculpa, mas já nos conhecemos? – disse Helfried, começando a desconfiar. Se tivesse ido para a frente com esta inquisição, talvez se tivesse safado de cair na armadilha que a rapariga lhe teceu.

-Oh sim, eu sou a Laura, conheci-te…olha já nem sei, acho que foi no “Noler’s Pub”. Depois disso acho que dormimos juntos.

O desembaraço com que ela falava de assuntos assim tão delicados, começava a irritá-lo. Para além do mais, ela conhecia o seu antigo ele, e não o equilibrado e justo Helfried da actualidade. Então, ripostou:

-Acho que deve estar enganada, eu não frequento esses bares, e não é da minha apologia defender pessoas apanhadas na posse de marijuana. Agora, se não se importa, acho que não preciso de lhe indicar a porta. – e levantou-se, com o intuito de ir para o seu escritório.

-Não vás – disse Laura, enquanto lhe segurava o braço. Virou-o, e pôs a sua testa a tocar na dele. – Fica a saber que foste o melhor amante que tive em muitos anos. Não gostavas de relembrar esses velhos tempos? Eu não esqueço uma cara, e tu consegues sem dúvida lembrar-te de mim. E que tal eu te provar que ainda és aquele rapaz…

Helfried estremeceu, com a beleza e charme de Laura tornando-se insuportáveis. Ela tentava suborná-lo, e ele…ele cedia…

O homem é fraco de natureza. O homem é capaz de ceder com mais facilidade do que qualquer outro ser, pois não existe na sua natureza, um instinto tão apurado como o dos outros animais. Enquanto as criaturas diversas e até as plantas não cedem por nada, o homem, dotado de uma pressuposta “inteligência”, está disposto a ceder por muito pouco. Mesmo Helfried, uma alma antiga, não era excepção. A simples presença de Laura, uma rapariga simples e estúpida, com vícios repugnantes, era capaz para o incapacitar de executar a sua profissão com dignidade, respeito, e auto-estima suficiente. Ele defendeu-a, e até ganhou o caso, mas dentro dele, perdeu a batalha entre o verdadeiro ele, e o escravo da sociedade que se escondia na sombra do seu ser.

xxx

Pelos tempos que se seguiram, ele viveu apegado à imagem de Laura, e começou um namoro sério com ela. Laura gostava dele pois o achava curioso, mas também porque ele tinha muito dinheiro. Os presentes que ele lhe dava eram o ponto alto do dia dela, e nada nem ninguém lhos podiam negar. Achava-se merecedora do que recebia, e menosprezava quem não tinha posses como ela. Um ano depois, casaram e mudaram-se para uma casa no campo, com piscina e court de ténis. Os seus dois filhos cresceram lá, apesar de Helfried ser pouco presente. Laura amava-o, e ele amava a imagem que conservava na sua memória.

xxx

Eram felizes, casados por um amor já cessado, sendo agora apenas mais como companheiros de quarto. Ainda se amavam, mas não como noutros tempos, não como nos dias em que se haviam casado, faziam dez anos. O amor é algo duradouro, a paixão é fulminante, a vida é saber equilibrar os dois.

E durante este tempo todo, o escravo da sociedade dentro dele vivia como rei e senhor, apossado de um corpo que lhe pertencia por direito. A alma antiga que ele era, tinha-se escondido na existência de Laura. A imagem já tinha há muito desaparecido, e Helfried ainda a amava, tal como ele ela mudara, ela tornara-se algo muito melhor do que realmente era. Era amável e respeitada, e como os outros tinha um passado.

No meio de toda esta estabilidade, Helfried só não percebia de onde vinham todas aquelas vozes, vozes que ele dissera em tempos, vozes da sua alma antiga, na verdade…ecos de uma vida outrora gloriosa.


Categorias: Contos,Ecos | Tags: , ,

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