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Jul
07
2009

Ecos

Escritor: E.U Atmard

ecos

I

Não há nada mais doloroso na vida, que chegar ao seu término, olhar para trás, e dizer “eu não fui quem queria ser, e agora nunca o serei”. Não pode ser conhecida pior sensação, por entre inúmeras desgraças que ela nos trás, do que pensar que não se fez tudo o que se queria, que não se foi quem se queria ser. O pior momento na vida de uma pessoa, é olhar para um espelho, e não ser capaz de identificar o ser que se encontra à sua frente, tocar a sua face e sentir o calor vindo de dentro, mas sentir um frio negro. Sentir que não se é ninguém, sentir um vazio ao descobrir que este monstro vindo da escuridão, este monstro disforme e pútrido, se apoderou de quem nós somos, e que em suma, não passamos de uma alma, vagueando os cantos da Universo, procurando um lugar onde se possa ser feliz…

Assim é a história de Helfried. Até aos vinte anos de idade, ele viveu na mais perfeita ignorância, numa patética felicidade de quem ainda não viu o fim do livro. Vivia feliz, como qualquer jovem daquela idade. Tinha várias amantes, um rol de amigos, toda uma parafernália de conhecidos e desconhecidos, que de noite se misturavam, por entre luz e sombra, barulhos insuportavelmente altos, cheiros imundos. Mas houve um dia em que tudo mudou, pois Helfried apercebeu-se que não era ninguém, em comparação com quem queria ser. Não são precisos grandes momentos, nem um suspense crescente para que de um momento para o outro uma pessoa mude totalmente a sua ideia da vida.

Foi numa tarde de Novembro, em que ele se sentou na casa de banho, após ter passado meia manhã a vomitar. Parou e viu a sua cara no espelho. “Que traste!” pensou para si próprio, enquanto arranhava o espelho polido e embaciado. “Quem será que é aquele pobre coitado, ali daquele lado?”. Não podia crer que era ele, ele não era um bêbado e fumador compulsivo, ele não era um jovem promíscuo, ele não era o rapaz “por quem todas as jovens anseiam, e que todos os rapazes querem ser”. Ele era aquele jovem que se sentava ao fundo da sala, comendo papel enquanto matuta em como se deve dirigir a um completo estranho, ou como será que é ser-se tão desbocado como outros seus colegas. Ele era o rapaz que todas as velhas senhoras elogiavam por as ajudar, era o jovem que tinha tirado uma média de 19,5 no fim do seu percurso escolar. Mas agora podia ver, que algures pelo meio do certo e do errado, ele se perdera totalmente, perdera o sentido que havia delineado para si próprio, e que um dia, faziam quase seis anos, prometera estar entre os melhores de todos os tempos, prometera que faria tudo ao seu alcance para não ser esquecido. Sim, ele sonhara longe…e esses sonhos, ao custo da sua aparente e estúpida felicidade, iriam ser concretizados.

E de um momento para o outro, Helfried mudou para alguém totalmente diferente. Estudou afincadamente. Durante quatro anos lutou para conseguir o seu diploma em Direito, e passou o ano seguinte a estagiar. Quando acabou o estágio, o advogado para o qual ele trabalhava, convidou-o a tornar-se seu sócio, tal a dedicação de Helfried em tornar-se noutra pessoa. Trabalhavam desde a mansão do advogado, e em pouco mais de um ano de sociedade, ele já quase vivia em casa do seu velho tutor.

E assim, um por um, todos desapareceram. As noites longas na discoteca, a música duvidosa e barata, os cheiros fétidos cúmplices de crimes que por vezes é melhor ignorar, as raparigas que iam e vinham de sua casa, a sua vasta gama de amigos… ele começou a sentir apoderar-se dele algo que ele não podia controlar, uma nostalgia de maneiras, uma vontade de agir como se fosse de outros tempos…certo dia, deparou-se consigo próprio a vestir um fato completo, sapatos a condizer, chapéu e relógio de bolso para sair à rua:

-Que vais fazer à rua? – Perguntou o advogado

-Eu?…eu dirigia-me para um…funeral, mas acabaram de me avisar que ia ser adiado pois a esposa do cavalheiro não está em condições de se encontrar presente – inventou rapidamente Helfried

-Hum, ultimamente tens anda… – o advogado tossiu muito violentamente, interrompendo assim a conversa – haum, estava a dizer que tens andado muito estranho nos últimos dias. Passa-se alguma coisa?

-Não, nada que me aperceba. Porquê, acha que se passa algo de estranho? E por falar em estranho, está bem Percival? – Disse Helfried, uma vez mais sem se aperceber dos seus modos peculiares.

-Hu, Hu – sorriu Percival baixinho – acabaste de me tratar por você…estás muito estranho tu. – Voltou a tossir, desta vez para o seu lenço. Olhou para o lenço, um tanto assustado, mas retomou a conversa, dizendo – eu comigo está tudo bem, não tens nada com que te preocupar.

Mas não estava tudo bem. Percival, um amigo e sócio de Helfried, morreu uma semana depois desta conversa. Tinha uma rara infecção no seu pulmão, cuja bactéria devorou as células pulmonares rapidamente. Foi encontrado morto num hotel, o seu corpo estendido no chão enquanto sangue ainda fresco escorria da sua boca. Três dias antes tinha avisado Helfried que ia sair para negócios, que tinha negócios a tratar com um cliente importante em Milão, e que não queria incomodar o seu sócio, que certamente já teria uma grande carga de trabalho. Este respondeu, à sua maneira, que realmente era-lhe mais favorável adiantar um ou dois processos que lhe tinham sido entregues à pouco tempo, para ver se não o tiravam do casos.

Foi encontrado, na mesa de cabeceira de Percival, um bilhete e um testamento. O testamento, afirmava que tudo o que ele possuía devia ser transferido para Helfried, e que ele fizesse com os seus bens o que ele bem quisesse. Após muitas batalhas em tribunal, foi conseguido ser provado que o bilhete era autêntico, e que tinha valor. Helfried tornou-se então, um herdeiro de tudo o que o seu amigo e sócio possuíra.

Já em relação ao bilhete, era uma espécie de carta de despedida, avisando Helfried. Dizia assim:

“Meu querido Helfried,
Espero que esta minha ausência não te impeça de realizares os teus sonhos, e fico esperando que consigas tudo aquilo por qual desejas. O papel que encontras ao lado deste, vale tudo aquilo que possuo e a fortuna que acumulei em 30 anos de trabalho. Fica à vontade para a gastares, bem como todos os meus bens. Para onde eu vou, não precisarei de nenhum deles. Não te iludas com a verdade do meu caso, pois eu sei já que não há volta a dar. Agora peço-te que reflictas um momento só no que te vou dizer.

A vida é curta demais para ser desperdiçada, e eu cometi esse erro, e vou-me arrepender dele até que a morte não mais mo permita. Sei que não tenho jeito para falar nem para transmitir a mensagem que quero, mas bem no fundo tu sabes qual é a lição que te quero dar. Sabemos que escondes quem realmente és, que impedes todos os que te conhecessem realmente bem de ver quem és, mas lentamente está a apoderar-se de ti. A alma que habita nestas carcaças a que chamamos corpos, é um ser delicado e belo, por vezes é grosseiro, mas em todas as vezes ele é dotado de inteligência. E este ser sabe, em ti, que se apoderou da carcaça errada. Vai atrasado, esquecido que o mundo evolui. Mas não te esqueças, que mesmo com uma alma antiga, com um símbolo de pureza de espírito, não podes deixar de ser o Helfried. Caso o faças, deixarás que a vida tome conta de ti? Porque eu aprendi que ela não toma conta de ninguém. Vive a tua vida como se cada dia, cada hora, cada minuto fosse o último, e nesse momento tu alcançarás a verdadeira imortalidade. É tudo o que tenho para te dizer. Até sempre, meu kuver.

E assim, durante muito, muito tempo, mais tempo que julgava necessário, Helfried esteve a olhar para aquele papel. Sentado na sua confortável poltrona, junto ao fogo quente, ele mirou aquele papel, cada palavra, e tentou perceber o que Percival quereria dizer com “Mas não te esqueças, que mesmo com uma alma antiga, com um símbolo de pureza de espírito, não podes deixar de ser o Helfried”. Ele não se considerava uma alma antiga! Aliás, ele nem sabia o que era tal coisa. Podia ter sido apenas uma piada, mas não achava Percival com cara de quem quereria fazer piadas naquela altura. Então, numa calma tarde, já farto de reler o papel, ele simplesmente o atirou para o fogo, e ficou durante um momento a ver o papel arder, e então levantou-se para ir trabalhar.

xxx

Laura acordou com uma tremenda dor de cabeça. Parecia que o seu mundo tinha sido virado de pernas para o ar, e que ela tinha ficado colada ao tecto, dando uma gigantesca queda. Rolou da sua cama, e caiu no chão, ainda assim com muito sono. Levou o cobertor, e ao seu lado, um rapaz qualquer encontrava-se. Aquele nem era o apartamento dela, era apenas um favor que o senhorio lhe fizera por ela não chamar a polícia quando ele deu uma festa de crack.

Ele revirou-se, e deixou cair a almofada no chão. Procurou-a em vão, murmurando entre os dentes qualquer coisa, antes de voltar a adormecer. Laura olhou e pensou que raio tinha acontecido na noite passada. Ela sentia uma tontura e uma náusea inacreditáveis, como se o mundo tivesse tirado o dia para a massacrar e, naquele momento, pareceu-lhe justo o desejo morrer. Claro que segundos depois nada disto fazia algum sentido, e levantou-se para ir trabalhar. Trabalhava num restaurante muito importante, o “Le Flalete”, um nome totalmente despropositado, mas que era conhecido como um dos melhores restaurantes da cidade. Ela não estava nas melhores condições, mas podia sempre justificar que tinha uma dor de cabeça. Aquele restaurante, poucos sabiam isto, contratava empregados drogados, e pagava-lhes ninharias, unicamente para sustentar os seus vícios. Em troca, exigia perfeição em todas as ocasiões.

Antes de partir, algo a impeliu a tirar um cartão de visita do bolso do homem que estava a dormir. Podia ser que esse tal de…Mr.Valens, pudesse ser útil algum dia. Curioso, era um advogado!

xxx

Dias depois de recuperar a sua calma e confiança, a mesma cena de antes se repetiu. Pegou no seu fato, no seu chapéu, nos seus bicudos sapatos pretos, no seu guarda-chuva e no relógio de bolso. Só que desta vez não havia ninguém que o parasse, e então ele foi para a rua, no seu fato justo ao corpo, com o seu guarda chuva com uma cabeça em madeira de mogno, os seus sapatos de pele pura, e o seu relógio de bolso de ouro, vangloriando-se pela viela fora, rumo à cidade. E com o guarda-chuva, ele guardava não só a sua roupa, não só a sua pele, mas também a sua alma. Pois dentro dele, um reboliço de emoções, um caos de pensamentos e acções debatiam-se na eterna questão. Será que ele devia ser quem queria ser, ou encarnar a personagem moderna do boémio?


Categorias: Contos,Ecos | Tags: , ,

10 Comments»

  • – Mais uma super história do grande colaborador deste blog Atmard. 🙂
    – Para quem não sabe, Atmard foi o primeiro colaborador do blog. Quando eu apenas postava meus contos, Atmard la do outro lado do oceano, vindo das terras longínquas de Portugal, resolveu me enviar suas obras. Que são sempre bem vindas.
    – Mais um conto muito bem escrito e … não sou muito bom nisso, mas é uma história que faz você se perguntar se a sua vida esta valendo a pena, se você esta fazendo realmente vivendo. E você esta utilizando uma coisa que ainda não tentei, que é fazer esses parágrafo/divisões e começar a história de outro personagem, para depois ligar as duas. Isso é legal, sempre utilizado em livros… tenho que tentar fazer isso também.
    – Bom, é isso, a continuação ja esta comigo. 😉

  • Vitor Vitali says:

    Cara, vou te dizer, tu escreve tão bem quanto um dia eu quero escrever. Parabéns.

  • E o Atmard tem… quantos anos mesmo? 14?
    Ta de parabéns. =)

  • Laka says:

    Muito bom Atmard, até fez lembrar do Dostoiévski. Vou aguardar a continuação.

  • Vitor Vitali says:

    Ok, agora é o momento onde eu me sinto mal.

  • Laka says:

    Ahm por que Vitor?

  • E.U Atmard says:

    muito obrigado, sinto-m lisonjeado. E diga lá Vitor, porque é que se sente mal?

  • Hehehe.. acho que o Vitor falou isso depois que eu disse sua idade Atmard. =)
    – Você escreve bem. =D

  • Thaina Gomes says:

    Cara, nem sei o que dizer, ficou realmente bom, acho dificil algum texto seu ficar ruim.

    • E.U Atmard says:

      Muito obrigado Thaina! :3
      De facto este texto e antigo, portanto nao lhe presto muita atençao…mas ainda gosto um pouco dele…

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