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Jul
24
2009

O Baralho do Gato

Escritor: Vitor Vitali

o-baralho-do-gato

Tsaritsyn, 18 de Julho de 1940.

Havia um garoto de sete anos de idade chamado Liev que não tinha muitos amigos e divertia-se fazendo construções de madeira com as sobras que restavam da fábrica de seu pai. Era um garoto sorridente e que estava sempre de bom humor, gostava de imaginar mundos fantásticos e construía à sua maneira cavaleiros e princesas de madeira, castelos e dragões sempre que lhe sobravam lascas suficientes.

Vivia com sua mãe e seu pai em uma pequena casa que ele amava sem saber e seus pais trabalhavam em uma pequena fábrica nos fundos da casa, onde fabricavam os mais diversos caixões, até que um dia seu pai morreu de um ataque fulminante do coração. Três anos se passaram e a mãe de Liev se casou com um sujeito soldado do qual o garoto não gostava muito e foram viver em outra casa mais próxima do centro.

Eram tempos difíceis e sempre que o garoto perguntava a mãe o que estava acontecendo ela dizia que não havia motivos para se preocupar e afagava sua cabeça, no entanto as pessoas na rua pareciam sempre agitadas e preocupadas e seu padrasto ficava cada dia mais rabugento. Então ele preferia passar suas tardes na antiga casa aonde moravam, em especial na fabrica de caixões onde podia abrir um deles, se sentar e inventar as mais fabulosas histórias.

Certo dia ao entrar na fábrica o garoto viu um pequeno gato preto caminhando através das enormes caixas de madeira e lhe batizou de Arman, em homenagem ao avô que não havia conhecido, mas que segundo sua mãe criava gatos naquela casa muito antes de seu pai nascer. Os dias foram se passando e o gato e o garoto se tornaram inseparáveis, grandes amigos. Arman o recepcionava parecendo feliz sempre que o garoto chegava à fábrica, pois não podia leva-lo para casa aonde seu padrasto o odiaria, e sempre tentava puxa-lo pelas pernas para que ficasse mais um pouco quando o garoto ia embora.

Sua mãe começou a estranhar que o garoto ficasse tanto tempo na casa antiga e lhe perguntava o motivo daquilo, no entanto o garoto mentia dizendo que ficava andando por aí e retornava para lá assim que sua mãe lhe virava as costas.

Mas um dia o garoto mexendo em um dos caixões achou uma chave e aquilo fez ele ficar excitado de alegria, pegou a chave e o gato e correu para a porta que estivera sempre trancada, desde a época em que seu pai era vivo, nos fundos da fábrica, e encaixou a chave na fechadura e para sua surpresa a porta se abriu ao gira-la. Dentro havia apenas um único caixão encostado na parede. Era mais bonito que todos os outros com um verniz reluzente e uma madeira de cor belíssima. Possuía arabescos talhados e de metal por todos os lados além de belas alças de metal polido. Bem em sua frente havia uma frase talhada fundo na madeira na letra que ele reconheceu ser de seu pai: “Aqui morreram muitos poetas.”

O garoto não entendeu o que a frase queria dizer e de repente o gato pulou de seus braços e correu para a frente do caixão e ficou o arranhando como que para que o garoto o abrisse, e o garoto o abriu. Para sua surpresa não havia estofados acolchoados dentro do caixão como era de se esperar, era pura madeira.

O gato correu para o interior do caixão e se sentou observando o garoto que fez sinal para que ele saísse, mas o gato não saiu e o garoto ameaçou fechar a porta e trancar o gato lá dentro, mas ainda sim ele não se moveu, então o garoto fechou a porta e esperou que o gato miasse ou aranhasse a porta para que ele a abrisse, mas alguns segundos se passaram e o gato não miou então ele abriu a porta e o gato não estava mais lá.

No mesmo lugar que antes estivera o gato havia um amontoado de cartas. O garoto as pegou e olhou no verso, havia o desenho de um gato preto em um fundo branco em todas elas. Olhou então a frente das cartas uma por uma e não reconheceu nenhuma delas. Não havia um ás de espadas ou um 4 de paus, nem um sete de ouros ou um dois de copas, havia apenas cartas cada uma com seus desenhos diferentes e com um nome embaixo.

O garoto enfiou as cartas no bolso, fechou a porta do caixão e correu para casa pois já estava anoitecendo. Passou o resto da semana se divertindo com seu novo baralho do qual ele não deixava ninguém ver, brincava tentando adivinhar o que as cartas significavam e certa vez puxou uma carta onde se lia “O Tolo” ao mesmo tempo em que seu padrasto chegou em casa. O garoto se desatou a rir e nem ele nem sua mãe entenderam o motivo daquilo e deixaram para lá. Naquele mesmo dia o padrasto dera a noticia de que ele estava sendo requisitado na frente de batalha e partiu na manhã seguinte para felicidade do garoto, mesmo que sua mãe tenha ficado apreensiva.

No dia seguinte o garoto estava a brincar no meio de seus caixões com sua cartas e puxou uma que nunca havia saído, na carta lia-se “O Julgamento” e segundos depois um avião passou sobrevoando baixo a fábrica e o garoto ouviu na direção que o avião havia seguido um forte barulho de explosão. Assustou-se e sentiu iminência em voltar para casa e saiu correndo.

Chegando próximo viu sua mãe parada a porta extremamente preocupada, outros aviões passavam de tempos em tempos e ouviam-se explosões por toda a cidade, além de grandes nuvens de fumaça subindo para o céu. A mãe abraçou o filho e tratou de coloca-lo para dentro.

Lá dentro os dois ficaram apreensivos olhando para o teto com medo de que ele explodisse ou desabasse a qualquer momento, então o garoto tentou-se acalmar e começou a embaralhar seu baralho e puxou uma carta onde se lia “A Sacerdotisa” e observou sua mãe olha-lo tentando entender o que ele fazia com um baralho naquele momento. Ouviram uma explosão bem forte perto da casa e sua mãe pareceu duvidar se ali era ou não era um lugar seguro, então após alguns minutos ainda com explosões vindo de todos os lados ela pegou o garoto pela mão e saiu correndo para a rua onde muitas outras pessoas também corriam. Eles rumaram em direção a antiga casa e chegaram após alguns minutos, correndo entre prédio e casas e explosões que aconteciam nas ruas e todo lugar a todo tempo.

Chegando lá o garoto instintivamente dirigiu-se para a fábrica no fundo e sua mãe o puxou para dentro da casa. Ele lhe disse que era mais seguro na fábrica e sua mãe pareceu compreende-lo, lhe entregou uma vela acesa e lhe levou até lá, então o Liev correu para dentro do quarto que ele havia aberto com a chave, puxando sua mãe pela mão e adentrou o caixão solitário daquele quarto. Sua mãe não cabia lá com ele e ela lhe disse para ter calma e que ficaria em algum outro, o garoto concordou e sua mãe lhe deu um beijo na testa fechou a tampa e ele a ouviu se afastar e o barulho de outros caixões sendo abertos como se ela procurasse um onde pudesse ficar. Ele então embaralhou as cartas novamente como que para relaxar e esperar que sua mãe se fechasse em um caixão, e retirou uma carta que fez sua espinha congelar, na carta lia-se “A morte” e então um alto barulho que fez seu tímpano ensurdecerem por uns segundos sacudiu o quarto e o caixão e o garoto ouviu o barulho de tudo desmoronando. Algo bateu sobre o caixão e ele tombou para o lado, apagando a vela. Alguns segundos se passaram e havia agora apenas o silêncio e talvez alguns barulho vindo lá de fora.

O garoto não sabia quanto tempo havia ficado lá dentro e também não conseguia sair pois a tampa estava bloqueada então ele permaneceu ali, batendo desesperado na tampa para que se abrisse até que talvez um dia depois, ou dois, a tampa se abriu e ele viu um homem vestido em seu uniforme camuflado e esse o homem o ajudou a sair dali.

Ele olhou em volta a procura da sua mãe, olhou pela cidade meses depois. Olhou por onde conseguiu anos mais tarde, mas nunca a encontrou. Acabou por ser mudar para outro país, sempre com seu baralho desbotado no bolso, e viu o que antes chamava de sua cidade, Tsaritsyn, começar a ser chamada de Stalingrado.


Categorias: Contos | Tags: , ,

9 Comments»

  • Caramba. Muito bom!!
    – Primeiro pela fantasia, do gato, do baralho, a fábrica de caixões, achei demais.
    – Ai pelo desfeche na guerra e tudo explodindo e com o final em Stalingrado. =)
    – Muito bom!

  • Vitor Vitali says:

    Brigado ^^ O Tarô da imagem é o mesmo que eu tenho *-* Um dos mais comuns xD

  • Adorei a idéia do gato e do baralho! Muito bom! É inspirador. ^^ A pitada de mágica esta muito boa nesse conto. (o/

  • Muito criativo, adorei ^^

  • O final com a cidade mudando de nome pra Stalingrado foi muito interessante. A mágia, o baralho, o gato muito criativo . Parabéns

  • JonesVG says:

    Vitor muito bom cara, achei muito bom mesmo, só posso dar um piteco he he he, olha sei que meu português é péssimo e tudo mais, mas uma coisa que me incomoda assim são as repetições que você faz do “e”, isso as vezes quebra muito a leitura, sei lá apenas uma dica que fica no mais ta muito bom mesmo! Abraços.

  • Luiz Gustavo says:

    A criatividade deste conto é inspiradora. Aparenta ser um conto infanto-juvenil de mistério e suspense, mas no final mostra ser algo muito maior que não saberia definir corretamente com palavras. A utilização das cartas (de tarô, se não me engano) foi muito criativa. A utilização da fábrica de caixões e do gato preto tornaram o conto em algo apaixonante. Boa escrita e ótima estória. Só pecou na passagem do tempo. Os fatos passaram muito rapidamente… No entanto, a criatividade supera todos os defeitos. Esqueci de comentar, mas o final também tornou o conto, pelo menos para mim, em algo único. Excelente trabalho!

  • Esse aqui esta entre um dos meus preferidos aqui do ONE… se bem que ja tenho muitos preferidos.. mas esse é um deles. =)

  • Thainá Gomes says:

    Muito criativo,nunca vi algo parecido.Muito bom parabéns.

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