O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Prompt de Escritor

Prompt de Escritor

Textos e idéias para sua criatividade.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Fórum

Fórum

Ta bom, isso não é bem um fórum. :P

Projeto Conto em Conjunto

Projeto Conto em Conjunto

Contos em Conjunto em desenvolvimento!

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

(2) Moby [agenda]
(3) Prova [agenda]
(13) Burqa [poesia]
(11) Ursos [poesia]
(14) 100 [conto]

Publicado por ONEbot

– que publicou 282 textos no ONE.

Oi!

Sou o ONEbot. Se esse texto esta em meu nome, provavelmente ele foi publicado no ONE nos primórdios de sua existência.

O autor real do texto deve aparecer junto ao corpo dele, logo no incio.

>> Confira outros textos de ONEbot

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
>> Fale com ONE <<

Jul
20
2009

Sociômetro – Parte 1

Escritora: Wanessa Maciel

sociometro

Essa é uma história um tanto delicada. Num primeiro momento, você não irá entendê-la. Talvez daqui a alguns anos. Talvez nunca. Mas o importante dessa história é que, acima de qualquer estranheza, ela com certeza fará você entender sobre o meu mundo. Não é um mundo tão diferente. Ele é bem parecido com o seu ou com o de alguém que você conheça. Por isso você até chegue a entendê-la, mas como eu disse, isso demorará um bom tempo de sua parte. Digo isso porque a história já se inicia quando eu era bem pequeno. Um bebê, por assim dizer, um bebê numa cesta de panos brancos e limpos. Quando a porta a qual fui deixado se abriu, fui logo segurado no colo. Seria até, de fato, uma cena comum de abandono e adoção, já que a moça que me segurou pela primeira vez pareceu gostar do que viu.

Mas tudo isso seria bem mais perfeito se não fosse pela minha calda. Era curta ainda naquele tempo, claro, mas iria crescer, ela sabia. Por isso tentou não amostrá-la para o resto da família até ter a aprovação de meus cuidados. É lógico que muitas discussões foram geradas a cerca de mim e de minha peculiaridade, mas só fui mesmo entender cada palavra que era dita aos onze anos de idade. Antes disso, eu nada ouvia. As palavras passavam pelos meus ouvidos apenas fazendo cócegas.

– Você que quis criar essa shinory, não foi? Você que quis essa responsabilidade, foi ou não foi? Agora terá que arcar com as consequências! E não vou falar que eu tinha avisado! – Essas eram as palavras do chefe Lázaros; praticamente eram sempre as mesmas quando a discussão me tinha como assunto principal.

– Queria que eu o deixasse na rua? Onde ficou o seu coração afinal? Seja humano! – e isso era o que Najma, minha mãe de criação, respondia quando Lázaros vinha com aqueles argumentos.

Najma era jovem, uma cigana solteira e muito bem dotada. Antigamente, ciganos viviam uma vida difícil porque eram muito rejeitados. Hoje em dia, qualquer um pode se intitular cigano. Claro que o que define isso de verdade é o coração. A verdade é que Najma e Lázaros eram bem chegados. E quando eu digo bem chegados, não quero dizer que eram parentes. Eram, na verdade, chegados pela crença cigana. E para eles, quem era cigano era como um irmão. Foi assim que me consideraram, mas isso demorou muito. Nem vou falar disso agora. O mais importante é que você entenda os costumes de minha mãe de criação e de seu clã.

Um clã cigano é mais que uma família, é uma forte união que faz todos serem um só. Vivem por todos, morrem por todos, lutam por todos do mesmo clã. E naquele clã em especial, onde fui criado, existiam mais duas figuras, que arrisco dizer, nem eram tão importantes. Jorsca e Alya. Jorsca era mais velho que Alya, mas esta era mais nova que Najma e de todos. Jorsca se metia em muitos problemas que, naquela minha idade, era algo complexo demais para que eu entendesse. Já Alya não tinha problema algum. Na verdade, um apenas. O de não causar problemas. Nem problemas, nem nada. Simplesmente, a rapariga não fazia nada, todos os dias. E isso nunca foi bem visto pelos olhos de Lázaros, é claro. Como líder, ele tinha que pôr ordem na casa. E isso eu consegui entender naquela idade. Foi por isso que não quis ficar sem fazer nada, e tomei uma decisão importante demais para um menino de onze anos.

– Quero ir à escola. – foi o que eu disse à Najma em plena tarde de domingo.

Eu gostava das aulas de português e matemática que Najma, às vezes, me ensinava. Mas eu não era bobo. Quando olhava pela janela e via tantas crianças irem juntas a um prédio enorme estudar aqueles grossos livros e cadernos, fiquei imaginando em como seria divertido. Afinal, queria fazer amigos de minha idade. E Najma, mais uma vez contra a vontade de Lázaros, me matriculou e me levou no meu primeiro dia. Eu ainda não tinha mochila, nem lancheira, nem mesmo os livros importados que a diretora mandava comprar. Mas com um caderno e um lápis na mão, junto a minha esperteza, fiz bom uso daquela oportunidade.

– Bons estudos, Mio Jan. E se comporte. Faça tudo o que a professora mandar. – era o que Najma dizia quando me deixava nos portões, mais nervosa do que eu mesmo, posso dizer.

Você deve estar se perguntando o que fiz com a minha calda, não é mesmo? As outras crianças não iriam gostar de ver um deles com algo que um gato deveria ter, e não uma pessoa. A explicação mais lógica é que eu e Najma fizemos um acordo.

– Se ninguém reparar isso, serão todos seus amigos.

Já estava longa demais naquela altura de minha vida, por isso, amarrada ao redor da cintura acompanhando o suporte da calça, ninguém veria mais do que um cinto felpudo. A partir desse momento, fui me tornando alguém dentro de casa. Sabe o que Najma dizia pelo corredor quando alguém insistia em fazer barulho ao passar?

– Mio Jan está estudando! Silêncio, ele está estudando!

E do outro lado da porta do quarto eu me orgulhava. “Viu só como agora me respeitam e sabem quem eu sou? Sou um menino estudioso!” Era o que eu pensava. Só o que eu ainda não gostava era da forma que me chamavam. “Mio Jan”. Najma me batizou de Jan como um nome cigano respeitável. Seria realmente o nome de seu futuro filho caso ela se casasse, foi o que me disse certa vez. E por isso fico orgulhoso de tê-lo. Mas “Mio”, esse veio de Jorsca, que se aproveitou do fato de eu possuir calda para me comparar todo o tempo a gatos de rua que ele dizia ver por aí, que soltavam esse som irritante de miado quando cruzavam o caminho das pessoas. E para ele, era o que eu fazia quando cruzava seu caminho pela casa. Era mentira, claro. Eu não miava. Não era como um gato de rua. E Najma até me confirmou que eu também não miava ao dormir. Viu? Pronto. Mentira comprovada. Jorsca era um mentiroso.

Outra palavra que era bem comum ser ouvida naquela casa quando Lázaros me chamava ou se referia a mim era “shinory”. O mesmo que criança. Eu não era uma criança. Era? Aos quatorze anos não me considerava mais uma. Nem Najma, única que acompanhava meu crescimento.

E foi a poucas semanas do meu décimo quinto aniversário que eu conheci Shuri na escola. Era um menino tímido, moreno e muito, muito quieto. Vivia usando um chapéu verde. Tinha alguma marca escrita, mas nunca quis prestar atenção no chapéu, e sim no rosto do menino. Tão triste que ele parecia. Mas um dia, Carlos e Henrique, os grandalhões da turma, o encurralaram no corredor dos armários. Fizeram uma baderna e chamaram muita atenção. Criaram um círculo de curiosos só para que a escola toda os vissem obrigando Shuri a tirar seu chapéu.

– Não vou tirar. Não vou. Não vou tirar!

Era só isso que ele repetia. Não parecia se preocupar em apanhar. Seus olhos diziam que aquilo já era algo bem comum para um menino como ele. Acho que posso afirmar com toda a minha certeza que foi a partir desse dia que eu aprendi a não ter medo. Por que, você me pergunta? Porque me meti no meio da confusão e puxei Shuri dali. Corremos demais, corremos ao extremo. Era como se o mundo fosse acabar se fossemos pegos. Não apanhamos naquele dia. Acabamos sentados no muro de algum terreno baldio trocando palavras que às vezes pareciam sem sentido algum.

Quando percebemos, já éramos grandes amigos. E já era mais que comum corrermos até o muro do terreno baldio para jogarmos conversa fora e deixar o tempo passar. As palavras que trocávamos agora se encaixavam em frases mais longas, e as respostas eram tão verdadeiras quanto os olhares que trocávamos. Foi ali, também, sobre aquele mesmo muro, que contamos nossos maiores segredos e desabafos. E era lá e somente lá que Shuri, nos dias de grande calor, podia tirar seu chapéu, espalhar a cabeleira suada e chacoalhar suas orelhinhas pontudas e sempre de pé para que não sentisse câimbra mais tarde. Estavam crescendo, e pareciam não caber mais naquele chapéu de golfe Puma.


Categorias: Contos,Sociômetro | Tags: , ,

14 Comments»

  • – Primeiro conto da Wanessa aqui no blog!
    – Bem vinda Wanessa, segunda garota a escrever aqui para O Nerd Escritor =) … neste caso, Nerd Escritora! =D
    – Demorei para achar uma imagem para o conto… procurei garotos sentados num muro, garotos correndo… fiquei com ciganos mesmo.
    – Dividi o conto em dois, estava grande, a segunda parte eu publico em breve. =D

  • Nossa amei o conto
    quero a segunda parte logo. Parabéns pelo texto Wanessa.

  • E.U Atmard says:

    -Muitos parabéns pelo texto Wanessa, simplesmente adorei. Vou ficar à espera da segunda parte.
    -Apenas a segunda? Bem, que eu tivesse contado tivemos a Laize, e a Raynara, e agora a Wanessa…:)
    -Estou a ver que este blog cada vez tem mais colaboradores! E ainda nem fez seis meses desde que abriu!

  • Hehehe é verdade… tinha esquecido. É a terceira.
    – Hummm, mas nenhuma das duas ainda foi para a página Nerds Escritores… a Laize esta la sózinha, por enquanto. 🙂
    – O blog esta crescendo, bem rápido. E isso é ótimo. 😀

  • Felipe Ferraz says:

    Bem legal o conto. Quando li a palavra “cauda” me veio Dragon Ball na cabeça, hehehe. Parabens!!

  • Sabe la no começo onde esta escrito… “Num primeiro momento, você não irá entendê-la.” .. pois é achei bem complicada mesmo no começo.. mais pro final desta primeira parte começa a ganhar forma. =)
    – Vamos esperar pela continuação … que na verdade esta comigo. =)

  • laka says:

    Legal, gostei também. De início fez lembrar de Harry Potter… deixado na frente da porta de uma casa ainda bebe e aos onze somente foi saber da verdade…

  • Olá pessoal!
    Nossa, me surpreendi com os coments! Eu não pensei que leriam, mas ok xD
    A verdade é que fico meio sem jeito quando as pessoas lêem o que escrevo, mas .. nossa! só em saber que gostaram tanto assim, fico feliz demais! É bom saber que estamos agradando ^^ Agradeço ao Sr.Gun pelo espacinho do meu conto aqui =)

    Então sou a terceira nerd escritora aqui no ONE? xD orgulho nerd feminino, uhu! o/ hehehe…
    Bom, não pensei que teria de ser dividido, mas td bem, Mr.Gun, e o banner ficou muito legal tb =D obrigada!

    Só espero que curtam a 2a parte tb ^^ vlw mesmo pessoal! um abração!!

  • Felipe Ferraz says:

    Como eu não li Harry Potter, nem pensei nisso. Eu lembrei do Stardust, do Neil Gaiman. Aguardo a segunda parte.
    abs

  • Vitor Vitali says:

    “Quando li a palavra “cauda” me veio Dragon Ball na cabeça, hehehe. ” [2]

    Haha, gostei do conto, bem fantasioso. Adorei. Quero continuação.

  • Vinicius Machado says:

    Muito bom, gostei bastante e estou esperando ansioso para que saia a 2 parte deste conto, Wanessa parabéns, amei a sua escrita, bem dinâmica, um texto fácil de ler, muito bom mesmo.

  • Na verdade ja saiu o 2. =)

    http://www.onerdescritor.com.br/2009/07/sociometro-parte-2/

    Eu sei eu sei.. tenho que fazer logo aquele negócio para ligar as continuações. =P

  • Vinicius Machado says:

    obrigado, eu sou novo aqui no blog na verdade é meu primeiro dia aqui, e estou completamente alucinado por ele que já esta nos meu favoritos, ou como a minha mãe diria:
    — Já esta na discagem rápida.

    e desculpe por comentar isso aqui, sei que não é lugar.

  • Asami says:

    Lembrei-me de um clipe, acho que do Fall Out Boys, sei lá… só o vi uma vez, mas mesmo assim lembrei-me ao ler o conto. Gostei da amizade construída pelos personagens, baseada nas diferenças, é bonita de se ver. O enredo ficou interessante… Legal…

RSS feed for comments on this post.TrackBack URL


Leave a Reply

Powered by WordPress. © 2009-2014 J. G. Valério