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Jul
31
2009

Sociômetro – Parte 2

Escritora: Wanessa Maciel

sociometro

Como eu disse anteriormente, demorou um bocado para que Lázaros me considerasse um irmão cigano como os outros. Até porque eu era diferente e não seguia ao pé da letra os costumes ditos “ciganos”. Por exemplo, Alya e Najma tinham uma habilidade sem igual para o tarô. Lázaros e Jorsca sabiam também, claro, mas as mulheres sempre tinham mais aptidão para isso. Elas vivam lendo o que as cartas diziam sobre nossos comportamentos e o nosso dia-a-dia. Lázaros e Jorsca já gostavam mais do jogo com dados. Eu nunca entendi muito bem como eram as regras daquele jogo, mas também não fiz questão. Lázaros dominava esse tipo de jogo, e eu não queria que ele pensasse que eu estaria tentando desafiá-lo ao me interessar por tal coisa. Ele era o líder e se manteria como tal.

Mas foi uns dias depois que uma velha amiga, Emma, saiu da escola, que Lázaros me chamou em particular pela primeira vez para uma conversa séria.

– Um rato com uma rosa na cabeça sempre será um rato. – era o que dizia – Eu estou sabendo que você estava correndo atrás de uma menina aí. Mas você não tem que deixar de ser o que é para isso, ouviu? Você é o que nasceu para ser e será assim até o fim de sua vida. Portanto, orgulhe-se de ser um cigano, ouviu bem?

E a partir desse dia, então, Lázaros nunca mais me chamou de shinory. É fato de que ele não sabia de todas as verdades a respeito dessa menina de quem falei, Emma. Não estava correndo atrás dela, como o chefe disse antes. Era somente uma amiga que eu e Shuri fizemos na escola. Ela era diferente das outras meninas. Não era chata e metida como todas daquela nossa turma. Mas também não tinha um rabo e nem orelhas de gato. Era só uma menina mal compreendida pelos adultos. Só que, para nossa surpresa, Carlos e Henrique não tinham desistido de nós. E acabaram pregando uma peça para nós onde acabamos levando a culpa por algo que não fizemos. A punição foi totalmente desagradável, é claro, sem contar que os pais de Shuri se aproveitaram para fazer o que mais gostavam. Marcar o menino. E dessa vez tinham desculpas. No meu caso foi diferente. Nem me deram tanta atenção. Não que tenha sido algo bom, mas o fato foi que Lázaros acabou descobrindo um segredo de Jorsca, um segredo nada bom.

Jorsca, como citei antes, era um mentiroso descarado e, agora, um mentiroso ladrão. O chefe já estava tendo problemas demais com a polícia local e teve que agir para não prejudicar o clã. Levou Jorsca embora depois de uma agressiva discussão. Após isso, poucas vezes Lázaro se encontrava em casa, e Jorsca nunca mais voltou. Eu poderia até ficar com medo desse evento, que passou a ser um exemplo para aqueles que desonrassem a casa com mentiras. Nunca tinha visto Lázaros tão irritado. Mas a minha cabeça estava longe dali, mesmo com o meu corpo presente, pois Emma havia avisado para mim e para Shuri que, depois do que aconteceu na escola, seus pais decidiram matriculá-la em outro lugar, para que ficasse longe o bastante de nós. Foi uma tristeza enorme, gostávamos muito dela. Mas eu mal sabia que a minha maior tristeza mesmo viria logo a seguir. Najma foi demitida de seu emprego.

Minha mãe sempre se mostrou uma moça honrosa e exemplar, principalmente depois que me adotou. Fazia isso pelo clã e por mim, ela admitia. Sendo assim, fazia tanta questão de trabalhar que não aguentou ficar nem dois dias em casa. Passava agora o dia inteiro fora procurando um emprego digno e que ajudasse no nosso sustento. E por isso, ao voltar da escola, eu passava a ficar sozinho. Você pode até lembrar da cigana mais nova, Alya, que sempre estava presente não fazendo nada. Mas como isso era tudo o que fazia, me convenci então que com ela era o mesmo que estar só. Passei a correr pela rua e ao terreno baldio mais vezes com Shuri, meu único amigo de verdade. E fizemos o tempo passar assim até que um circo chegou à cidade. Era pequeno, mas tinha muitas novidades. Inclusive uma das acrobatas, que parecia ter a nossa idade. Seu nome era Katina, e era tão agradável conversar com ela quanto era com Emma. A diferença eram suas habilidades no circo e as grossas luvas de couro que nunca deixava de usar. Nunca mesmo. Fizemos amizade rápido quando ela nos pegou em flagrante assistindo aos números acrobáticos de uma fenda da lona, porque não tínhamos dinheiro. Ela nos levou em segredo até o camarim, lá atrás, onde tinha uma passagem para a platéia com uma vista bem de perto dos palhaços que apresentavam seu número. Adoramos, e até voltamos outras vezes. Muitas vezes, para dizer a verdade. Até porque era muito melhor do que ficar na minha casa, onde nunca havia ninguém, nem atenção alguma, ou mesmo na casa de Shuri, onde tudo o que existia era um casal em intrigas e que descontavam a raiva, muitas vezes, no pobre rapaz. Até que um dia, nos cansamos de nossas vidas e decidimos recomeçar do nosso jeito.

Se não fosse por Katina, nunca teríamos conseguido subir no caminhão escondidos a tempo. Até cheguei a achar que estava traindo minha família com esse feito, mas depois repensei. Najma iria desejar o melhor para mim, e no momento o melhor estava a bordo daquele caminhão colorido. Tivemos que repartir segredos de vida e de existência, já que Katina não teve medo de repartir o seu, quando tirou uma das luvas e usou um de seus dedos pontudos como verdadeiras garras para destrancar e trancar a porta de carga do caminhão quando entramos.

– Essa é a vida do circo. Cheio de segredos, mas também de amigos. – era o que Katina disse ao mostrar suas garras e sorrir, como se fosse a melhor coisa do mundo; foi educada desse jeito, diferente do nosso, só por isso achamos estranho no início.

Infelizmente – ou não tão infeliz assim – o pai de Katina, dono do circo, chamado Sr. Dimitri, no encontrou trancafiados num baú. Se ele não nos tivesse visto, passaríamos fome, pois nem sempre Katina conseguia sair do meio de uma longa apresentação para nos dar do que comer às escondidas. Também estávamos muito sujos, e Dimitri cuidou de nós como um pai. Ou como um avô, pois já não era tão jovem assim. Acabou aceitando nossa presença ouvindo nossas histórias. Mas avisou logo.

– Vida de circo não é fácil. Tem que estar preparado para tudo. Tem que ser especial.

E depois de bons meses ajudando na limpeza e alimentação dos pequenos animais, fomos treinados por alguns dos palhaços a fazer truques simples, mas que conseguiam tirar sorrisos de crianças. Como nos sentimos melhor! Éramos diferentes, mas nem por isso fazíamos os outros sofrerem, e sim, rirem. E esse foi nosso objetivo de aperfeiçoamento, até a hora em que o outono chegou e atacou Dimitri no coração. Não me lembro o nome da doença, mas o fazia tossir sangue e ter dores internas o tempo todo, já que apertava com força a roupa na altura do peito. E num dos diversos dias que teve que ficar de cama, me chamou para conversar, junto de Shuri e Katina.

– Você já não é um rapaz qualquer que entrou na carga do meu caminhão como um perdido. Agora é um homem, e homens devem arcar com grandes responsabilidades. Meu filho, cuida desse circo e dessas pessoas, porque ninguém sabe como é ser especial como você é.

Nunca tinha visto ninguém morrer de verdade, e por estar prevendo tais coisas naquelas palavras cansadas, consegui apenas segurar-lhe forte a mão e dizer algo como “Sim, meu pai.” Porque foi bom ser chamado de filho, e foi bom chamar alguém de pai.

– Katina,… – ele começou, depois de algumas tosses, olhando para a moça ao meu lado – …não é justo eu partir e deixar em terra uma mentira. Você não é minha filha de sangue. Os céus me deram você quando a encontrei entre panos brancos numa cesta, bem na minha porta. Mas esta é a mentira mais verdadeira que já mantive em meu coração. Para mim, Katina será sempre a filha de Dimitri.

Você deve estar reconhecendo alguma coisa, não está? Eu também me senti assim quando ouvi aquelas palavras, e enquanto Dimitri abraçava a filha, seu último ato antes de fechar os olhos para sempre, fiquei a recordar de Najma me contando o jeito como me encontrou na porta de sua casa. Demorou um tempo para que Katina não chorasse tanto quando falasse do pai, mas esperei mesmo assim, para poder contar-lhe que nascemos, por assim considerado, de formas idênticas. Numa cesta em panos brancos. Nos abraçamos com fervor, e depois disso, vi que ganhei uma irmã. Bons anos se passaram e essa irmandade nunca foi desfeita.

– E então? O que aconteceu, Sr.Mio Jan? O que aconteceu?

– Ora, pequeno, o tempo se manteve personagem principal dessa história toda, e nos ajudou a manter o circo e a fazê-lo crescer. Por isso estamos aqui ainda, nesta vida.

– Também quero fazer parte disso, Sr.Mio Jan! Quero muito ser como o senhor!

– Então vou logo lhe avisando, meu pequeno. Vida de circo não é fácil. Tem que estar preparado para tudo. Tem que ser especial.

– Eu estou. Estou sim.

E Mio Jan, aos seus quarenta e quatro anos de vida, ainda provando de saúde excepcional, levantou do banco e estendeu a mão aberta, deixando o menino segurá-la e acompanhá-lo até a entrada da lona cirquense, balançando sua curta calda felpuda por tamanha felicidade.


Categorias: Contos,Sociômetro | Tags: , ,

9 Comments»

  • Segue a continuação do conto da Wanessa 🙂
    – Estou apenas dando uma passada rápida aqui. Depois volto para comentar o conto!!

  • Vitor Vitali says:

    Uh, tava esperando por essa continuação. Daqui a pouco volto e leio, estou ansioso, mas agora não posso.

  • Vitor Vitali says:

    wow, adorei 🙂
    Mas espero que não tenha acabado e_e

  • Eric Novello says:

    Bem bacana! Dá para aparar uma aresta ou duas ainda, mas está indo bem, com um bom encadeamento de idéias. Vou passar o link para uma amiga cigana q tenho. Abss!

  • – Bem legal! 🙂
    – E a calda felpuda, me fez lembrar Dragon Ball também. =D

  • Que bom que gostaram, pessoal 😀
    Olhem, eu juro que DB mal passava pela minha cabeça qd eu escrevi isso, mas ok, pior que lembrou mesmo xD
    Bom, o fato é q, nao era a semelhança d DB q eu queria ressaltar, mas sim o fato do conceito que uma sociedade joga numa pessoa pelas suas diferenças em relação à maioria, sem analisar primeiro o interior. Esse foi meu objetivo ao escrever esse conto, só incrementei uma fantasia a parte, que eu adoro e q existe na maioria dos meus contos.
    Ah, os ciganos entraram na historia pq, alem de eu achar muito legal e interessante o estilo d vida, cultura, pensamento e costumes que levam, tb pq sao um dos vrios grupos sociais que sao discriminados.

    É isso gente, vlw ^^~

  • Essa continuação me suprenedeu. Para o bem é claro. Eu esperava que o Mio Jan virasse lider dos ciganos ou algo assim. O fato dele ir para o circo foi interessante, pq circo é lugar de coisas diferentes mesmo.

    Gostei do conto e espero mais
    parabéns Wanessa

  • Vinicius Machado says:

    Excelente, muito bom mesmo. Wanessa parabéns pelo conto e adorei o final, ele levando os ensinamentos em diante, sem esconder o que realmente é, muito bom mesmo continue escrevendo!

  • Andrey Ximenez says:

    Eu li esse conto a muito tempo. Esqueci de dar os parabéns, e comentar a aura de “Changelling: o Sonhar” que isso me passou.
    Parabéns!

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