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Jul
28
2009

Surgimento de um Vampiro

Escritor: Bruno Vox

surgimento-de-um-vampiro

Meu nome é Gaius Spurius Rufus, mas hoje sou conhecido pela alcunha de Arthur, sou um vampiro de primeira geração, isso quer dizer que meu corpo precisa se alimentar de sangue com mais frequência do que um vampiro de sétima geração. Quanto mais perto do fim da maldição menos necessidade de sangue e mais humano se torna o vampiro.

Sou Romano, fui um legionário, servir na Legio X Equestris ou Décima Legião Equestre. Esta legião foi criada por Júlio César para atentar contra os gauleses na investida de Roma contra a Gália.

Era o ano de 52 a.C, a resistência gaulesa já estava por um fio. Vercingetorix e seus comandados se concentraram em Alésia. Nós os seguimos e fizemos um cerco. Em uma noite, quando já estava fadigado pelo trabalho de circunvalação de Alésia eu não resisti às investidas de meu cansaço, fui atrás de um lugar mais sossegado no acampamento, afastei muito do centro do cerco e procurei uma região isolada, quase fora do alcance das vistas de nossas sentinelas.

Dormi sentado ao chão, descansava minhas costas em um tronco de madeira velho. Já estava tomado pelo sono, quando fui atacado, no momento eu não vi nada, estava bastante escuro, a lua se escondia nas nuvens e por estar bem longe do centro do acampamento ali as tochas do cerco não iluminavam.

Aquela coisa tinha mãos geladas, forma parecida com a humana, força descomunal e seus olhos brilhavam como fogo, tendia para o amarelo e vermelho. A criatura me levantou, fiquei a quase um metro do chão. A besta fera fitou os meus olhos antes de me arremessar em direção oposta ao cerco, caí de bruços, ainda estava meio tonto quando aquele monstro sombrio levantou minha cabeça, esticou meu pescoço e desferiu uma mordida.

Já quase sem forças e absurdamente atordoado com aquela situação, lembrei-me que em minha cintura carregava um pugio – um punhal. Já quase desfalecido saquei-o e com as poucas forças que me restaram rasguei seu pescoço, por imediato a criatura me soltou e apavorada correu em direção a floresta que ficava ali perto.

Eu já sem forças desmaiei logo em seguida. Quando acordei eu estava bem longe de Alésia e coberto de sangue. Estava totalmente confuso, o que eu queria naquele momento era apenas encontrar alguém para me ajudar, precisava de roupas para me proteger do sol, pois estava quase nu. Caminhei por horas, a luz do sol me castigava, coisa que nunca me acontecera nem mesmo quando nossa legião cavalgava o dia inteiro com sol escaldante.

Senti minha vista embaçada com a luz do dia e minha pele já ardia de uma forma indescritível, estava desfalecendo quando um homem, de grande barba e cabelo branco, me acudiu. Depois disso e voltei a desfalecer.

Quando acordei, já era noite, e foi quando percebi como era apaziguadora o frescor da Lua. Meio tonto ainda, demorei a perceber onde estava. Quando consegui me concentrar, vi que estava no meio de uma floresta em uma clareira aberta nela. Bem no centro dessa clareira havia uma construção de carvalho que arremetia a uma grande mesa retangular, porém sem cadeiras. Em cima dessa mesa havia um javali ainda vivo e preso pelos pés. Eu, surpreendentemente, conseguia ouvir os seus batimentos cardíacos, a cada batida minha fome aumentava, não aguentei e ataquei aquele javali, me alimentei de todo sangue daquela criatura.

Depois de me alimentar o homem misterioso que me acudira apareceu, fitou-me e me perguntou – Estás satisfeito? – Ignorei a pergunta que ele me fez e formulei outras duas – Quem é você? E você sabe o que está acontecendo comigo? – E com a calma e serenidade que a idade lhe trazia ele respondeu – Meu nome é Toravix e sou um druida, e acho que sei o que está acontecendo com você.

Aquele velho me disse o que eu me tornara, Toravix também não sabia muita coisa sobre vampiros, mas seu conhecimento era essencial para me manter afastado de problemas. Vivi com ele até sua morte. E um pouco antes de falecer, já nos derradeiros suspiros, ele disse-me algo que só vim há compreender um pouco depois – Gaius, o que você se tornou, não é a base do que você poderá ser, você se tornará aquilo que desejais, diferentemente do que és. Depois de sua morte, saí da Gália e rumei para a Grécia. E essa é a história de como me tornei um vampiro.

Sempre vivi me escondendo e procurando a redenção por um pecado que não cometi. Tive que abandonar minha família, meus amigos e minha legião, perdi tudo que eu mais amava na vida.

Se eu falar que nunca me alimentei de sangue humano eu vou estar mentindo, a fome é algo incontrolável. No entanto, lutei muito contra esse extinto que é muito forte em mim, por ser um vampiro de primeira geração, hoje consigo um controle maior, quando sinto sede de sangue – o que ocorre três ou quatro vezes por semana – sempre procure animais para me satisfazer.

Nunca me apaixonei, não me dei esse direito, não queria amaldiçoar ninguém com o fardo que carrego e muito menos procriar, não queria que meus filhos fossem vampiros. Porém, o destino me deu uma grande rasteira. Conheci alguém especial.

Ela era uma caçadora e estava me perseguindo. Eu consegui encurralá-la e já estava disposto a tirar-lhe a vida. Porém, olhei nos seus olhos e não sei o que me deu na hora, senti uma tremedeira, eu já tinha feito aquilo muitas vezes com outros caçadores, já era rotina.

Eu estava com a besta apontada para a cabeça da moça, era só apertar o gatilho e pronto, mas não consegui. Enquanto minha mão continuava a tremer meus olhos começaram a sair lágrimas, nem me lembrava mais como era chorar, fazia muito tempo que isso não acontecia.

Ela estava sem reação, imagino que nunca tinha visto um vampiro chorar – Atire e acabe logo com isso – disse ela. Eu cheguei perto de seu ouvido e sussurrei um local e horário a ela. Depois disso, desapareci na escuridão da noite.

A partir daí nos conhecemos e nos apaixonamos. Ela parou de caçar e eu me entreguei a ela. Juntos, decidimos procurar uma cura, qualquer coisa que tirasse esse carma de minha vida.

Há dois anos descobrimos uma conspiração em torno de uma singular lenda. Era sobre a origem dos lobisomens e dos vampiros, algo que poderia ser perigoso em mãos ambiciosas.

Achamos isso um absurdo a princípio. Porém estava havendo grande comoção entre vampiros, caçadores e os poucos lobisomens. Resolvemos acompanhar de perto o que estava acontecendo. Essa talvez fosse minha chance de redenção, quem sabe isso não me levaria à salvação de minha alma.

15 Comments»

  • E a trama ganha personagens. 🙂
    – Gostei muito da história até aqui, mas pelo jeito tem muiiiiita coisa pela frente. Tem muito trabalho ai em Bruno?! =D
    – Na espera da continuação!!

  • Bruno Vox says:

    Bah, ja vou me defendendo aqui, os cliches que estou usando sao necessarios para a trama e historia de vampiros sem seus cliches nao sao historias de vampiros.
    .
    Mas vao ver a frente que isso tudo vai fazer sentido. Decidi guardar o nome da mulher de Arthur e ainda nao revelei alguns detalhes.
    .
    p.s: Meu teclado nao esta me deixando colocar os acentos. 🙁

  • Pra que acento?!
    – Agora com essa reforma ortografica ai, varios deles sairam de uso mesmo. Na verdade nem sei quando usar e quando nao usar. 😛

  • Bruno Vox says:

    @The Gunslinger

    Putzzz, trabalho mesmo, eu nesses dias estou tentando absorver tudo que se tem VAMPIRO. Alem do mais vc viu parte de uma LOUCURA que estou criando.

  • Hehe.. vi sim. Por sinal bem legal. E aquilo la, acredito que vai dar mais trabalho ainda… se você quiser detalhar bem.. você pode. =)

  • Orra meu, to gostando mesmo. Foi tão curtinho… Quando eu tava já quase sonhando acabou…
    Mas vampiros são estéreis não são?!?! Agora temos mais um semi-vegetariano… e um romance entre vampiro e pessoas hehe. Olha… depois de tudo isso, to achando que você leu crepúsculo hahaha.
    Mas sinceramente, eu estou gostando da história ^^ vou aguardar a continuação.
    A continuação vai ser bem extensa né? Tem chance de virar livro?

  • Bruno Vox says:

    @Laize

    Nada de “verge” aqui. Hehehehehe. Vc vai ver que vampiro que é vampiro mata humanos e bebe o sangue. 🙂

  • É é quero ver então!!

  • ") says:

    Cara gostei muito mesmo, você é muito criativo…
    Jah que você escreveu sobre vampiros te dou uma dica de um livro que li que aprofundará mais seus conhecimentos sobre o mundo do vampiro.
    O nome do livro é O mundo de Sombras:o nascimento do vampiro.

    Esse livro é muito bom e eu acho que você gostaria de ler.

  • Bruno Vox says:

    @”)

    Vlw pela dica, vou procurá-lo 🙂

  • paloma says:

    gfostei bastante do texto

  • JPdwarf says:

    muito foda esse conto brool, parabéns ae^^

  • Thainá Gomes says:

    A cada capítulo me envolvo mais.

  • Bruno Vox says:

    Um dia espero terminar a história.

  • bruno admiro sua criatividade e amo vampiros gostaria de me chamar sua fã número 1 e…..quero ler a continuação , ahh indico pra vc o livro mundo de sombras é ótimo! só é um pouco(ruim pois não tem o final ainda) mas o que tem lá comcerteza vale muito a pena! amei sua história qualquer dia gostaria que vc pudesse ler “Túlipa:branco,preto,vermelho” a história de Nickolas minha autoria mas ele ja tem sua história completa e adoraria que desse sua ópinião
    ahh ainda não foi publicado e ainda está nos papéis do meu caderno

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