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– que publicou 282 textos no ONE.

Oi!

Sou o ONEbot. Se esse texto esta em meu nome, provavelmente ele foi publicado no ONE nos primórdios de sua existência.

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Aug
08
2009

Nove – Capítulo Um

Escritor: Vitor Vitali

nove-capitulo-um

Brasília, Sexta-feira, 31 de Julho de 2009 pelo falso calendário, Quarto Minguante.

Acordei mais cedo naquela manhã com o telefone que tocava. Não era uma ligação que eu esperava, ou uma ligação que eu gostaria de receber, mas a voz rouca era a de um homem que um dia eu já chamei de amigo e pedia minha ajuda.

O homem que um dia já havia caminhado comigo pelas ruas de onde havíamos “crescido” tinha certo gosto por coisas que cresciam. Plantas, animais e filhos. Não me recordo em que momento a pessoa que podia ter sido um celebre agrônomo ou um grande fazendeiro havia se tornado apenas um plantador de milho no interior. Bem, talvez eu me lembre e talvez tenha haver com aquela garota enforcada, ou apenas comigo e minha escolha de carreira, se é posso dizer que foi uma escolha. Creio que tenha sido algo como falta dela, de fato. Nós nunca tivemos os mesmos gostos, mas criança é assim mesmo, ignoram a lama que cobre o espirito e é conhecida como ego apenas para se divertir, como se só o mais puro da pessoa importasse. Esse tipo de pureza hoje me parece estranha, mas que inferno, está calor de mais para pensar direito.

Deixei que o carro que vinha atrás de mim me ultrapassasse pela esquerda. Fecho e abro os vidros novamente para ter certeza de que estavam abertos, pois a temperatura ali dentro me fazia acreditar que não estavam. Meu carro rumava por um estrada de interior em direção a uma fazenda que ficava a quatro horas da cidade e eu tinha a impressão de que os pneus derreteriam naquele asfalto. A Sede me vinha e voltava sempre que meus pensamentos deixavam uma brecha, pois a voz do homem no telefone hoje mais cedo era séria, grave e talvez exagerada, talvez.

Como um tiro, uma fina e gelada linha de pressentimento atravessa minha espinha. Havia algo errado.

Desso do carro as pressas, não há tempo de abrir isso. Salto a porteira e vejo à duzentos metros o milharal. Corro com os sapatos escorregando nas pedras e adentro ele sem saber exatamente aonde estava indo, guiado por “Ud”, atravesso cortando por entre os pés de milho e vejo de relance algo no chão com o canto dos olhos e dou meia volta.

Havia dois corpos ali, a terra marrom molhada em certas partes pelo líquido que parecia ter derramado dos copos e da jarra com um líquido amarelado que pelo cheiro deveria ser suco, e nada mais. Antes de me aproximar eu senti o ambiente carregado. Meu amigo e seu filho não eram como eu, mas enquanto ainda nos conhecíamos e antes de termos nos separados, ensinei uma ou duas coisas a eles que ela aprendeu relutante e cético, mas que ao que parece, mesmo vinte anos depois ele ainda sabia como fazer. Aquele lugar estava carregado com memórias. Bom garoto.

Me aproximo e toco sua mão.

“O homem caminhava através do milharal olhando em volta o que a praga havia lhe feito. Aquela não era época de praga e aquela praga não era de milho e, por Deus, nem chegava a ser uma praga. Era algo mais.

As espigas apodreciam e fediam a animais mortos, a terra não deixava nem um outro tipo de planta nova crescer e os insetos atraídos ou não pela podridão infestavam toda a fazenda quando chegava a noite.

O homem olhava seu milharal todos os dias incrédulo. O que diabos era aquilo? Se perguntava. Não ousaria contar aos outros fazendeiros o que vinha presenciando e nem a estranha sensação de que havia algo naquele milharal, como se algo mau impregnasse o local, mas logo os insetos e a podridão chegariam ao conhecimento das fazendas vizinhas e ele não tinha idéia do que dizer.

Ouviu passos atrás de si e virou-se em tempo de ver o único filho que sua mulher permitia que ficasse com ele, lhe trazer uma jarra de suco.

– Tome pai – disse o garoto enchendo dois copos.

Eles tomaram aquele suco refrescante sobre aquele sol quente, mas o podre ao redor deles começava a afetar o gosto das coisas e ele jogou fora seu suco e falou para o garoto não trazer mais nada de comida no meio do milharal para que não se estragasse.

Aquilo só podia ser obra do Demônio, ou como diria um antigo amigo que havia conhecido, de UM demônio.

Um vento inexistente percorreu as fileiras de milho e um calafrio tão poderoso quanto um espasmo causado por um choque elétrico percorreu a espinha do homem e de seu filho que preparava-se para virar e sair dali e ambos ficaram imóveis com o terror lhes gelava alma.

Grunhidos escapavam da boca dos dois e eles sentiram-se queimar mesmo que a sensação de seu corpo fosse estar no mais absoluto frio. Sentiam os olhos arderem assim como as mucosas por todo o corpo e sentiam a pele derreter e os músculos atrofiarem. Em um último movimento ainda possível e que exigiu todo o esforço que podia gastar o homem fez o sinal da cruz de forma meio torta e antes que sentisse seu coração parar ou sua pele derreter por inteira seus pensamentos recaíram sobre seu amigo e tudo que ele gostaria de ter dito a ele e então tudo tornou-se escuridão.”

Ele larga a mão podre e respira ofegante. Leva sua própria mão ao pentagrama exotérico em um colar no seu pescoço para tentar se sentir melhor, a presença do demônio ainda forte em seu coração, mas indo embora aos poucos, pois era uma mera lembrança que nem pertencia a ele.

A sua frente dois corpos podres e inexplicáveis a policiais estavam deitado entre os milhos e ele se sentou na terra para pensar.

Levantou após alguns minutos e caminhou até a casa de seu amigo. Procurou tudo de valor que pode encontrar e enfiou nos bolsos, arranjou um bacia com água e voltou ao milharal.

Consagrou a água e benzeu os corpos apodrecidos enquanto recitava mantras sequenciais. “Não vão ficar presos em seus próprios corpos, certo?” Pensou.

Levantou-se e caminhou de volta a seu carro. Abriu outra garrafa de água e bebeu longos goles para tirar o gosto de podre da boca. Saiu do carro e abanou a calça e camisa com as mãos esperando que aquele cheiro não ficasse na roupa, e de fato parecia não ficar, talvez e provavelmente aquele cheiro não chegava a mente pelas narinas. Era mais uma sensação de fedor. Voltou e deu a partida e o carro roncou.

Precisava saber mais sobre o que tinha acontecido, precisava encontrar um certo homem que mesmo contra sua indicação havia adentrado um agência a qual ele não apoiava. Somente aquele homem poderia faze-lo compreender o que de fato havia ocorrido naquela fazenda e o mais importante de tudo, porque? O que aquele demônio ganhariam com aquilo além da angustia que podia arranjar em doses maiores em outros lugares?

Estacionei o carro em frente a um portão simples, desci e toquei a campainha. Enquanto esperava olhei para o céu, e vi que em pouco tempo seria noite, a lua mostrava-se parcialmente encoberta e em alguns dias seria lua nova.

Barulhos dentro da casa e então a porta se abriu. Aquele homem não precisaria perguntar quem era para saber quem estava o esperando, quando, aonde e porque. Me convidou a entrar e eu entrei. Dentro da casa, na sala de estar um pequeno lanche o aguardava.

– Não fiz para você porque sabia que não iria querer – disse o homem e se sentou para comer.

– E esse é o seu poder, certo? – Brinquei.

– Certo – riu ele -, ou talvez o fato de termos convivido tempo suficiente para saber que você odeia carne. Nunca vou entender o vegetarianismo, Nove.

– E eu nunca vou entender porque alguém que fala com os mortos, come coisas que morreram.

– Não tenho o hábito de conversar com a comida, sabe? No entanto, um passarinho azul me disse que você estava com problemas.

– Esse passarinho azul por acaso se chama, Salomão?

– Porque você faz perguntar que sabe a resposta?

– E porque você tem que agir como o oráculo?

– Vá para o inferno – disse ele sorrindo e eu retribui o sorriso.

Ele deu uma poderosa mordida no sanduíche a sua frente e falou com a comida ainda na boca, mas sem parecer mal-educado.

– Bem, seu amigo Salomão falou comigo e ele disse que sim.

– Disse que sim?

– Isso.

– Sim o que?

– Ele deixa que você fique com as coisas que você roubou.

Eu sorri.

–Não roubei nada – digo -, e pela graça, com um homem morto pode ser tão apegado a posses materiais?

– Ele não me disse isso, caro Nove. Mas eu imaginei que você o tenha feito, afinal, você ainda come e fode, certo?

Sorri e não respondi.

– Bem, de qualquer forma ele não me disse muito, apenas que você vinha. Ainda falta uma ligação maior entre nós, sabe Nove?

– Porque me chama por esse nome?

– Você sabe a resposta.

Sorri novamente e ele prosseguiu.

–Bem, antes de você me entregar esse belo crusifixo de prata que está em seu bolso e que você “obteve” – deu enfase -, de seu recém falecido amigo, quero deixar claro que nada disso pode chegar ao Departamento. Não agora.

– Foda-se o departamento – respondo e me sento.

– Por mais que goste de você, não entendo sua cisma. Acha que não fazemos um trabalho sério?

– Acho que fazem um trabalho sério, mas os meios que utilizam me parecem tão eficazes quanto um projétil de isopor.

– Sempre exagerado, não é Nove?

– Vá pro inferno.

– Certamente. Mas bem, a corrente, por favor? – Ele estende a mão e eu lhe entrego.

Meu velho amigo, conhecido em muitos lugares de reputação duvidosa apenas por Cinco, me põe o pingente sobre o prato agora sem o belo pedaço de filé que havia anteriormente e o prato se quebra.

Ele me olha com olhos preocupados e eu sabia o motivo.

– Desculpe – disse ele se levantando -, não vou poder ajuda-lo.

– Eu te protejo – digo rápido.

– Caro Nove, dessa vez, nem você pode.

– Não vou pedir ajuda a ele e você sabe disso.

– Caro amigo, as vezes você age como um adolescente, tenha algum respeito pelos seus séculos. Você quer ajudar seu amigo? Não há como, ele morreu. Você quer saber o motivo e partir em uma vingança sem sentido contra demônios? Vá, mas não espere que eu morra por isso.

– Demônios?

– Nove, essa é uma casa tão consagrada quanto a porra da minha bunda, você acha que apenas um demônio conseguiria entrar aqui por um pertence de um possuído e quebrar minhas coisas?

– Quantos? – Pergunto.

– Não sei, mas há alguém que posso descobrir.

– Não falarei com Um.

– Um mudou, acredite.

– Acho difícil.

– Ele está no departamento.

Meus ouvidos demoram a se acostumar com o que acabaram de ouvir.

– Isso mesmo – Cinco dá ênfase. – Entendo que ele seja o seu oposto. Organizado, justo, controlado – ele dá enfase nessa palavra e prossegue -, mas talvez se você acertassem suas diferenças, pudesse trabalhar juntos e só o diabo sabe o quanto isso seria prejudicial a ele.

Não respondo nada, apenas o observo e ele prossegue falando.

– Imagine só, os dois filhos prodígios trabalhando juntos novamente. Ah, eu quero estar vivo para ver isso – cinco sorri à mostrar os dentes.

– Ele não irá me ajudar. Sou um profano ao seu departamento.

– Então entre, Nove, entre e já não é sem tempo.

Penso por uns instantes e tomo a decisão impulsiva de sempre sabendo que iria me arrepender.

–Certo, eu entro no D.E.I.S – digo.

Cinco me olha profundamente e de sua face gorda surge um sorriso de aparência sádica à mostrar seu único dente de ouro avizinhado por outros amarelados.

Que dia de merda.


Categorias: Contos,D.E.I.S.,Nove | Tags: ,

7 Comments»

  • Galera, to com sono. Depois eu apareço aqui para comentar. 😉

  • Nossa, ficou gigante, acho que eu deveria ter cortado em dois =/
    – Qualquer coisa baixem em pdf, é mais fácil de ler 😉

  • JonesVG says:

    E o D.E.I.S. ganha a capital huahuahauhauah ainda não li, baixei o PDF pra ler mais tarde em casa e segunda eu volto pra falar o que achei!

    E o projeto começa a crescer, muito bom he he heh e he!

  • Vitor Vitali says:

    É, ficou grande mesmo. 😡 Tento me controlar na continuação e desculpem os erros agressivos de gramática e concordância, eu nem cheguei a revisar esse. Teclado novo é saco =/

  • Não achei ruim por ser grande, você tem mais é que escrever mesmo, eu que deveria ter dado uma de estripador aqui e cortado em partes. 😀
    – E sim a série esta crescendo, daqui a pouco vai ganhar área de destaque aqui no blog, pra divulgar melhor o projeto. =)

  • Vitor Vitali says:

    Cristo, que coisa mal escrita. ):

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