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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Aug
13
2009

O Piano

Escritor: E.U Atmard

o-piano

Ele sentou-se na cadeira, enquanto fazia esforços frenéticos para acabar o seu poema. À luz da vela, ele tentava, vez após vez, tocar com o lápis na folha, tentava escrever o texto melancólico que tinha na sua cabeça, o poema de dor e tragédia, mas só conseguia escrever uma palavra. Sozinho. A palavra ecoava na sua cabeça como se de um vale se tratasse, um longo e profundo vale, que nunca conseguiria transpor. Sozinho. O lápis parecia tomar vida de cada vez que ele tentava escrever alguma coisa, de cada vez que tentava compor uma música, de cada vez que ele tentava dizer a alguém que se encontrava ali. Sozinho…

A sua casa era isolada de toda a cidade, numa floresta outrora encantadora que agora, com a destruição que haviam lançado sobre ela, era não mais que um pântano lamacento, onde dia após dia a sua casa se afundava. Ganhara-a num concurso, contente que faria bem à sua inspiração, que seria o mais feliz período da sua obra. Mas viu-se sozinho, preso num mundo que ele não reconhecia, preso numa casa escura e mal mobilada, com dinheiro apenas suficiente para sobreviver. Ele viu-se sem companhia de qualquer género, sem calor humano nem animal, viu-se com um estado de saúde débil, e cada vez perdendo mais a sua sanidade. Em suma, ele viu-se sozinho.

A sua única companhia era a dos fantasmas que o atormentavam, os fantasmas que ele próprio criara. Acorrentados e deformados, eles perseguiam-no, em busca de vingança pelo destino que ele lhes traçara, e ele, acabava por sucumbir aos seus pedidos, e rasgava a história, o poema ou a peça. Era um escritor e compositor de terror e música sombria, e era tudo o que sabia fazer. Tinha um talento digno de qualquer mestre, mas infelizmente não escrevia nada havia já algum tempo. Em parte pelo tormento dos espíritos enfurecidos, mas especialmente porque achava que se tratava de lixo puramente. O seu caixote de papel, estava repleto de originalidade e novidades no mundo da literatura. Algumas obras, vieram a ser publicadas, com o nome de outros autores que hoje são recordados. Amarrotadas num canto, elas ficavam à espera que ele as reconhecesse como dignas de um lugar na sua mente.

A sua música era sombria e aterrorizante, e causou pelo menos duas lendas. Uma afirmava que vivia naquele pântano um ser disforme que havia sido amaldiçoado pelo Diabo, e que só podia viver se ouvissem a sua música e a odiassem, pois se alguém a apreciasse, ele morreria. Um completo disparate, esta lenda. A outra, afirmava que um fantasma de um jovem músico esperava pela sua noiva, e que tocava a música que compôs para ela no dia em que a conheceu, para que ela viesse. A verdade, é que a casa tinha incorporada nas suas paredes tubos de órgão, tornando-a todo um gigantesco instrumento, dificilmente manejado. As suas pautas estavam espalhadas pela casa, e serviam-lhe para tudo o que precisava. Desde assoar o nariz, a retirar o frango do forno, ele usava aquelas pautas de música bela, para as suas necessidades domésticas.

“Sozinho”; “Sozinho”; “Sozinho”…momento após momento, ele só conseguia escrever aquela palavra. Dia após dia, ele não mudava nada do que conseguia escrever. E tudo, porque um dia ganhara uma casa num sorteio…ficou sozinho, isolado, um renegado da própria vida, a escumalha de entre os piores que o mundo trouxe, amaldiçoado a não poder exercer a sua arte, amaldiçoado a ter de amontoar centenas de folhas, com o único propósito de ter de as deita para o lixo.

Quando ele parava de escrever, dirigia-se sempre para a dispensa e comia uma única bolacha. Então, ele dirigia-se para o piano, sentava-se calmamente, preparava a pauta, mesmo sabendo a música de cor, e tocava “Fur Elise”, de Ludwig van Beethoven. Ele fechava os olhos, e conseguia sentir a música, penetrando o seu corpo, penetrando a sua casa, rebentando portas e janelas, explodindo por todo o universo como uma sinfonia de luz e sombra, deixando o mundo ser quem ele realmente é, deixando-o ser puro e belo como ele merece ser. E por um segundo, e um segundo apenas, ele sorria, um sorriso brilhante, como os sorrisos do antigamente, quando as jovens eram pedidas em casamento, quando os velhos descobriam por acaso um amigo de outros tempos, quando as crianças olhavam umas para as outras, e com um sentimento de orgulho diziam “Estas são as pessoas que eu queria que ficassem comigo para sempre”, como qualquer homem que tinha forças para sustentar a família, e de noite olhava para os filhos adormecidos e para a mulher cansada. Um sorriso como já não se sorri.

Mas toda essa felicidade abandonava-o. A música retrocedia, e voltava para o piano, reparava as portas e as janelas partidas, e levava o sorriso de outrora com ela. Então, ele abandonava o piano, levava a vela para o quarto e continuava a escrever.

Foi uma destas vezes, em que ele levava a vela para o quarto, que sem querer tropeçou, e a chama caiu, e foi pegar fogo à sua habitação. Naquele momento, ele pensou em fugir. Mas a vida não lhe tinha sido boa, por isso ele negou-lhe o prazer de ela o atormentar nem mais um segundo. Voltou para o piano, e em crescendo tocou a sua música com uma força viva e imponente, como se toda a vida existente nele estivesse a ser transmitida para o piano, e este a libertasse como notas beleza. Ela era encorpada de poder como a ira de um Deus há muito adormecido. Mas o mais curioso veio de seguida.

A sua casa estava construída num pântano, e por isso tinha vindo a afundar. A sala de estar, que era no “rés de chão”, estava bem funda no pântano. Por isso, foi uma surpresa, quando água, uma quantidade grandiosa de água lamacenta e suja, começou a entrar pela sala dentro. Apagou as chamas, e deu-lhe tempo apenas para fugir da casa, antes desta ser totalmente engolida pela lama.

Estava salvo, e o seguro contra incêndios e contra inundações foram obrigados a pagar-lhe bom dinheiro, o suficiente para arrendar uma casa na cidade. Lá todos os dias tentava recriar aquela música angelical que acalmara o fogo, e que a vida clamou. Todos os dias tentava, mas não conseguia recriá-la. Então, triste e em parte enlouquecido, ele escrevinhava num papel a mesma frase centenas de vezes, pois nada mais lhe ocorria. “Sozinho, porque a música me deixou.”


Categorias: Contos | Tags: , ,

11 Comments»

  • Mais um ótimo conto Atmard. =)
    – E ai, quando vai lançar seu primeiro livro. 😀
    – Esse conto, a repetição da palavra “sózinho”, a maneira que ela se repete, o clima em si, me fez lembra do conto O Corvo do Poe. O corvo falando “nunca mais.” =)

  • E.U Atmard says:

    Eu já tenho um livro publicado…edição de autor. Só há duas cópias, uma minha e outra da pessoa que pagou os custos de publicação. Agora estou a juntar contos para publicar uma antalogia.

  • E como é o nome do seu livro Atmard? Sobre o que é a história?

  • E.U Atmard says:

    Lembra-se de um conto que eu estava a desenvolver, a Calisto? Bem, o que aconteceu foi que acabei, juntei a assasina da série dos vigilantes, o detective da verdade do Golguk, o narrador de Memórias de um velho Nostálgico, arranjei uma forma de não “despejar” os contos ali, e acabei com “Calisto – Crónica de uma Vigilante”

  • Que legal!! =)
    – Fez uma mistura das suas histórias e criou o livro. Deve ter ficado muito bom. Quando relançar, guarda uma cópia para mim. Terei o prazer de adqueri-lo para a minha nerdoteca!

  • E.U Atmard says:

    Assim o farei G., esteja descansado.

  • Hummm, conto musical, o final me surpreendeu. Muito bem elaborado (como sempre). Sozinho… porque a música me deixou ^^
    Gostei!!

  • cat manhosa says:

    Cara sou sua fã!

  • E.U Atmard says:

    Muito obrigado cat, e fique connosco aqui no blog!

  • Lord Jessé says:

    Muito Atmard! Não tenho muito a dizer, mas achei muito bom. É envolvente, e a ultima frase fechou com chave de ouro.

  • It is cruel, you know, that music should be so lovely. It has the elegance of loneliness of grief: of vigor and liberty. The beauty of disappointment and never-satisfied love. The cruel beauty of nature and never-ending beauty of monotony.

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