Conto Pirata de Isadora Rocha – Parte 2
Escritora: Fernanda Rodrigues

Não sei por quanto tempo fiquei desacordada, mas ao recobrar a consciência tive uma das experiências mais atordoantes da minha vida. Quando tentei levantar-me, todos os sentidos pareciam mais aguçados; as cores eram extremamente vibrantes e percebia odores e sons de forma terrivelmente intensa. Tudo de uma só vez, atingindo-me como um soco.
Atordoada, caí de joelhos e imediatamente coloquei para fora um volume surpreendente de fluidos estomacais. Aos poucos, fui me restabelecendo e então pude perceber melhor o ambiente a minha volta. Encontrava-me em meio a uma paisagem magnífica, com uma larga faixa de areia fina e brilhante, que ficava entre um cristalino mar verde-esmeralda e o início de diversa vegetação nativa; ao meu lado podia ver o Ourives, tombado a boreste.
Fui ao encontro de meus companheiros, que visivelmente passavam pelas mesmas perturbações que eu. Entretanto, contávamos apenas cinco de nós e iniciamos uma busca pelo restante da tripulação. Nossa procura pareceu durar horas e revelou-se inútil, tendo fim com uma onda que nos trouxe a confirmação do que havíamos evitado falar até então, apesar de não ser necessário. Eles perderam suas vidas na batalha contra a tempestade, e tiveram o mar como sua derradeira morada. Sem dúvida, uma honrosa morte para qualquer pirata.
O próximo passo foi verificar o estado em que o Ourives se encontrava, mas constatamos que, apesar da violência de tudo o que passamos, estranhamente não havia grandes avarias, nada que fosse significativo e de difícil reparo. E foi então que ouvimos. Era um som suave, oscilante e melodioso, de uma forma que causava arrepios. Tratava-se de algo absolutamente único, indescritível; contudo, para efeitos de comparação, aproximava-se a uma mistura do uivo dos ventos com chiados ocasionais.
Inicialmente era quase imperceptível, confundindo-se com os outros sons do ambiente, mas não demorou para nos envolver por completo, tornando impossível dar atenção a qualquer outra coisa. Sem perceber, comecei a andar em direção a ele, como numa espécie de transe. Via os outros agindo da mesma forma e tentava dizer a eles e a mim mesma para parar, mas as palavras não saíam da minha boca e eu continuava andando no mesmo ritmo. Era como se meu pensamento estivesse descolado do meu corpo, com o primeiro sem entender o que estava acontecendo e o segundo sabendo exatamente o que fazer e para onde ir.
Após uma breve caminhada, chegamos a uma cachoeira. Era um lugar tão sinistro quanto a melodia que nos levou até ele. Ficamos lá, imóveis, e vi quando as árvores por trás de grandes pedras começaram a sacudir. O chão estremeceu e a cada momento aumentava a sensação de perigo iminente. Poucas situações abalam meus nervos, e aquela com certeza foi uma delas, já que eu não sabia o que esperar e, para piorar, estava totalmente imobilizada e impotente.
Não há palavras para descrever o que senti quando aquela monstruosidade surgiu. Era um ser gigantesco, azulado, com o corpo de cobra da largura de um tronco de carvalho-português; a cabeça tinha duas cristas nas laterais e uma no topo, que terminavam em chifres. Percebi, aterrorizada, que aquele som era produzido por ela, evidentemente para atrair suas vítimas até seu refúgio. Eu estava ali, absolutamente indefesa diante da morte certa, tomada por uma profunda frustração por, depois de tantas batalhas, encontrar meu fim nos dentes afiados de uma besta que parecia ter saído dos meus piores pesadelos.
Então, a criatura emitiu um som absurdamente estridente e imediatamente nós saímos do estado de imobilidade no qual nos encontrávamos. Sem entender o que acontecia, atirei-me para o lado, ao mesmo tempo em que alcançava minha espada. Foi quando percebi que quatro pessoas, protegidas por armaduras com estranhos elmos, atacavam o monstro, desferindo golpes ferozes com seus grandes machados. O ataque foi realizado com perfeição e o monstro sucumbiu, sem chance de defesa.
Ainda surpresa e empunhando a espada, aguardei para ver o que aconteceria em seguida, pois àquela altura dos acontecimentos estava bem claro que poderia esperar por qualquer coisa naquele lugar insano. Eles se aproximaram e, para a nossa sorte, fizeram um tipo de reverência, deixando evidente que não representavam uma ameaça. Quando retiraram seus elmos, pude ver que não eram exatamente como nós.
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Fernanda, seu conto foi publicado hoje, mas a outra mat;eria que iria publicar sobre você vou ter de deixar para amanhã, … sorry!! =/
Que outra matéria?
Como assim que outra matéria… suas fotos com o Cornwell!!!!! O Sonho de qualquer nerd. =D
–
Bom , sigam a Fernanda no twitter e vcs saberão do que estou falando. =)
=)
genial seu conto.
aguardo por mais.
Obrigada, Pedro!
O que eu mais gostei foi do primeiro parágrafo e do último. Adoro esse final “Caraca! O que vai acontecer agora?!”
Uh, adorei as descrições. Me lembrou aquele poemas épicos gregos. Espero o próximo^^
Muito bom, gostei do texto, bem descritivo e prende bastante a atenção do leitor, pelo menos eu fiquei preso e com o gostinho de quero mais!