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Sep
21
2009

Essa não é uma história feliz

Escritor: Renan MacSan

essa-nao-e-uma-historia-feliz

Bill conheceu Madison no 2º grau. Ela era bonita, na verdade, linda, uma das mais bonitas da escola. Ele não era tanto.

Numa festa, na casa de um amigo da turma, após algumas bebidas, transaram. E o impressionante é que repetiram isso por mais 5 vezes, às escondidas, até o final do curso. Ela não queria ser vista pelas amigas saindo com um cara que não era popular no colégio.

Eles pararam de se encontrar. Bill passou para o curso de Administração numa faculdade federal. Ela, como esperado, nunca foi boa aluna e com medo, nunca tentou o vestibular. Arranjou um trabalho de vendedora, mas então descobriu que estava grávida.

Após alguns dias de reflexão sobre a situação conseguiu o telefone de Bill na capital, onde estava por causa da faculdade. Ligou para ele às vésperas do início das aulas.

Ele mandou tirar, ela não tinha certeza, ele não queria estragar seu brilhante futuro, ambos não tinham dinheiro, criar um filho agora significaria sair da faculdade para ele. Ela disse que ia ficar com a criança, nessas horas toda a moralidade e religiosidade aparecem onde nunca estiveram. Ele a convenceu de que estragaria a vida dele se o metesse nesse assunto, já que ela queria ter que tivesse, mas não o incluísse nisso por enquanto, falou que quando começasse a estagiar mandaria dinheiro para ela.

Ela era linda, poucas na pequena cidade se destacavam mais que ela, já havia ficado com mais de dez caras antes dele. Ele era mediano, mas inteligente, e ela fora sua primeira transa, embora ela não soubesse. Ele gostava dela, sabia que a poderia amar, mas o mundo não é perfeito,não havia hora pior para que uma coisa assim acontecesse, sua vontade de crescer falava mais alto.

Os anos se passaram. No começo, a lembrança de que tinha um filho o atormentava todos os dias, depois virou uma memória a cada semana, até que não passasse de uma leve brisa toda vez que passava em frente a uma igreja em particular, o que acontecia muito pouco. Bill fora um aluno exemplar e já saíra da faculdade muito bem empregado. Em dois anos já ganhara mais do que um carreirista normal de 10 anos. Era fenomenal, comprou carro, apartamento, se divertiu. Mas então lembrou do filho, que já deveria ter 9 anos… mandou um detetive particular tirar fotos do garoto, gostou do que viu, de tempos em tempos pedia novas fotos. Em uma reunião de executivos um dos chefes o questionou sobre quando iria formar sua família, decidiu que era hora de ter uma. Seria bom para ele e para o trabalho, e afinal Madison daria uma ótima esposa de empresário, era linda e elegante, e tinha um filho dele.

Como o empresário que era estabeleceu metas que deveria cumprir antes de se comprometer em um casamento, depois dele haveria imensos gastos e ele já queria estar estabelecido. Potencializou seus investimentos, fez jogadas perigosas, não ligou para fidelidade empresarial e foi para uma empresa que pagava o dobro, se estabeleceu, mas isso durou cerca dois anos. Então ele tomou coragem e resolveu voltar à sua região natal, botou a melhor roupa, pegou o melhor carro. De alguma forma ele sonhava aparecer para Madison e que ela o fosse aceitar como o salvador, que esquecesse todos os anos de abandono, e que tivesse envelhecido tão bem quanto ele, que viveu rodeado de clínicas e produtos. Mas não aconteceu assim. Ela estava morta.

Bill não conseguiu nem ir ver os pais, depois do cemitério saiu às ruas desesperado falando com qualquer um que desse informações sobre a vida dela e de seu filho, estava como um louco oferecendo dinheiro por cada informação, o que no final acabou resultando em coisas demais, boa parte verdade e boa parte mentira, mas ele entendeu o que deveria entender.

A mãe a expulsara de casa pois ela não queria revelar quem era o pai do menino. Na rua teve que sobreviver de qualquer jeito, quando o menino tinha dois anos se casou com um religioso da região que a espancava constantemente. Se separou dele. Teve que apelar para a prostituição, conseguiu sustentar o filho assim, a ele nunca faltou nada. Mas a clientela da pequena cidade era pouca, não havia dinheiro suficiente.

Algum tempo depois foi chamada para fazer filmes pornô, o dinheiro era bom, aceitou. Fez quase uma dúzia deles, morreu há cinco meses atrás com dois tiros nas costas. Dizem que devia dinheiro a um traficante. O menino estava morando com uma ex-colega dela, prostituta, servia de faz-tudo da mulher, limpava sua casa depois do serviço noturno, cozinhava, mandava mensagens.

Bill estava deitado, de volta ao cemitério, a blusa caríssima de seda para fora da calça, toda suja pela terra recém-removida. Seus membros faziam um X na terra, chovia, e ele não mais soluçava, água saia do seu olho imóvel, atrás dele um túmulo com o nome da mulher que agora ele soube que amou, alguém havia pichado em azul ?PUTA? na lápide.

Algumas horas depois levantou, estava exausto, foi se arrastando até a locadora mais próxima, não alugou, mas exigiu comprar todos os filmes da Madison, eles estavam em lugar de destaque, não é toda cidade que tem uma estrela de filmes pornô. Pegou os DVDs e levou para o carro onde tinha um isqueiro e poderia queimá-los. Mas ao chegar lá… por que não ver o sofrimento que causara? Era o mínimo que deveria fazer. Colocou o primeiro filme no DVD player do carro, viu ela, muito mal, abatida e assustada, se prestando àquela porcaria.

Colocou o último, e não agüentou 5 minutos. Ela já não era mais aquela que ele conhecera, e agora já atuava como um robô, um misto de naturalidade e indiferença, fazendo coisas que com certeza havia rejeitado primeiro, fazia um olhar vidrado que ele bem conhecia, estava drogada.

Bill pensou no filho, no seu apartamento de sete cifras, na sua vida, na morte, no dinheiro, na felicidade, na vergonha, na vergonha, na vergonha de seus pais, na impotência, na dor, na água salgada que escorria, na marca na face, em mim, em você.


Categorias: Contos | Tags: , ,

25 Comments»

  • Olha, o título ja diz tudo. Com certeza esta não é uma história feliz. =/

    Mas gostei do conto Renan. Seja bem vindo ao blog… agora como escritor.

    Este é o primeiro conto do Renan aqui no blog pessoal. =)

  • Pedro Torres says:

    eu gostei do estilo da escrita, eu bnão gostode contos tristes.mas eu gostei do seu.
    =)

  • RenanMacSan says:

    Valeu pessoal

    Fiquei meio reticente por mandar esse conto já que não é fantasia, como é o forte do blog. Mas eu gosto dele, cumpre o que promete.

  • Vinicius Machado says:

    Nossa! Realmente não é uma história nenhum pouco feliz. Muito bom o teu texto Renan parabéns, continue escrevendo assim.

  • Clei says:

    Boa rapaz, esse é meu garoto!
    Eu não costumo gostar de contos tristes tbm, mas gostei da forma que esse foi contado, principalmente alí na metade pro final texto.

    Abraço cara.

  • Não se preocupem quanto a ser fantasia. Sendo um conto, ta valendo!! =)

  • André HP says:

    Que trash!

    Curti o blog.

    Abraço!

  • Ahhh adorei o conto… mas.. e o filho? Ele não buscou? =(
    final mais triste ainda…

  • Andrey Ximenez says:

    Realmente não é uma história feliz…

    mas a qualidade e força q passa é inegavel :]

    very good /o/

  • Jones says:

    Realmente triste, muito boa a história, o desenvolvimento. Deu vontade de sentar a mão na cara do desgraçado. Muito bom!!

  • Bruno Vox says:

    Triste mesmo, muito bom o conto. Agora vou ver Bob Esponja para me animar.

  • E.U Atmard says:

    Uma história negra, triste, dá um sentimento de perdição. Aquilo que ele não fez ditou o seu fim…

  • História Muito boa!

  • lobaempeledeovelha says:

    Já disse antes e volto a me declarar chorona, você contou algo que ocorre de verdade.(Eu choro facilmente ao ler coisas assim só que to na faculdade e n fico nada bonita quando choro)
    Quando se é jovem tanta coisa acontece, que pode mudar ou não a vida de alguém.
    Se ela tivesse abortado, se ele tivesse ao menos repensando mais sobre a paternidade, mas ai ele não teria alcançado um futuro brilhante?
    O que teria acontecido a esse casal se eles tivessem ficado juntos, eu odiei o Bill, ele foi covarde e tolo.
    Pobre menina, uma transa, uma vida breve, com dor, drogas, indiferença, magoa e no final a recompensa uma lapide com um nome pintado de azul, que revelava apenas o que ela era por fora.

  • Thaina Gomes says:

    Eu chorei também, aliás é uma coisa bem comum de acontecer, no meu bairro pelo menos grande parte das adolescentes já têm filhos ou está grávida. E o texto está muito bom, o Bill q cretino.

  • Everton Campos says:

    uma historia adulta
    e um estilo cru, gostaria bastante de
    ter lido algo assim em um livro
    com mais tempo para desenvolver os personagens
    imaginei até ela ainda viva entrando em conflito com ele.

    sinceramente quando se termina de ler um texto e o mantem
    na cabeça especulando sobre o mesmo, é porque sem
    duvidas se trata de algo excepcional.

    parabens.

  • Triste demais. Mas incrível. Continue assim, adorei o desenvolvimento do conto.

  • Bragdale says:

    Gostei bastante. É meio abrupta, as coisas acontecem de uma vez só, como uma avalanche. Mas acho que até ajuda. Serve para aumentar a sensação de angústia.

  • Travis says:

    ótimo texto mas tenho que comentar algo sobre os personagens:

    O pessoas está comentando que ficou com raiva do Bill.
    Porque raios???
    Veja bem, ela era a vagabunda da cidade. Uma das mais bonitas e tal. O texto diz que no colegial ela já tinha dado pra “mais de 10”. Ou seja era vagaba sim, dava pra varios cafas semanalmente.
    Mas daí teve uns encontros com esse cara, que era madiano e nerd e ela tinha até vergonha de saberem que ela transou com ele.
    Um tempo depois (imagina pra quantos a mais gostosa da cidade não deu durante esse tempo?) ela descobre que está grávida.
    PRA QUEM ELA LIGA? Pro nerd que passou no vestibular e tem um bom futuro pela frente.
    Exame de paternidade? Nao precisa, imagina…
    Aborto? Nem pensar! E perder essa chance de garantir o futuro dela? [o texto deixa claro que ela nao tinha futuro nenhum antes mesmo do filho]

    Pronto. Agora é só ela entrar na justiça e exigir a pensão dele, caso ele não pague por livre e espontanea vontade.

    Essa é a verdadeira história, que acontece diariamente hoje em dia. No conto, a personagem nao exige pensao, se casa com outro homem que a espanca, vira puta “pra sustentar o filho” (já era há tempos), etc
    Coisas que fogem da realidade. Só comentei porque tem comentários aí dizendo que essa historia aconttece “toda hora” na vida real. Nao é verdade. Quando ocorre algo do tipo na vida real, envolve um CAFAJESTE VAGABUNDO e não um NERD TRABALHADOR.

    Sem mais, Travis

  • Tatiane Segalin says:

    Parabéens… o Conto é muito bom, ótima criatividade

  • Lucas M. de Freitas says:

    Realmente os acontecimentos não condizem com a realidade: por que se casar com um religioso da cidadezinha, se o pai era um cara milionário? Era só exigir DNA e garantir sombra e água fresca pro resto da vida. Porém, isso pode ser explicado de outra forma: como diz no próprio texto, ela era burra, logo, não sabia que existia DNA.
    Fora a história, gostei do estilo direto da narração, sem muito lenga-lenga e sem descrições. Espero outras histórias no mesmo estilo, mas com mais enredo.
    Abração.

  • Peregrina says:

    Nossa,bem que você avisou lá em cima que não ia ser uma história feliz. O_O
    Ainda assim,amei,final trágico,desilusão amorosa e muito bem escrita,tem de tudo para agradas muitos leitores. =)
    Beijos sabor Chocolate. n_n

  • milo hoffman says:

    Parabéns , ótimo texto.
    Um final não totalmente amarrado que caiu muito bem.

  • Stanley says:

    Hello just wanted to give you a quick heads
    up and let you know a few of the pictures aren’t loading properly. I’m not sure why but
    I think its a linking issue. I’ve tried it in two different browsers and both show the same results.

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