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2009
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Não era Politico

Escritora: Pradolyne

nao-era-politico

Política era uma palavra comum dentro de minha casa, no bairro mais nobre da capital. Por quê? Ah, papai era deputado, e enchia a boca para vangloriar-se, diante dos amigos, sobre a sua superioridade.

Porém, essa sua prepotência fazia com que tivesse muitos inimigos. A mãe de minha melhor amiga odiava-o. A mãe do meu tio também. A minha mãe a mesma coisa achava.

Era um tanto agressivo com mamãe, e comigo era indiferente. Sempre estudei em escolas particulares e tive do bom e do melhor. Não sabia de nada, mas eu tinha uma certeza: Papai não era político!

Político corrupto, charlatã. Não, papai não era político! Ele batia sim em mamãe quando lia alguma denuncia no jornal. Bebia e magoava-a. Mas não, papai não era político.

Já com quatorze anos, entrei em uma escola no centro da cidade. Lá, descobri que a visão de político de meus amigos eram as mesmas que eu ouvia muito tempo: charlatã, corrupto, malvado. Não, meu pai não era daquele jeito, ele não era político!

Já maior, vim a tomar conta das papeladas de papai. Eram cheias de contas, transferências, clandestinas, saques. Eu lhe dizia que era errado, e ele respondia: Não, é apenas um empréstimo, sou político e político faz isso às vezes.

Não, papai não era político!

Até que um dia, chegando da escola, vi a casa rodeada de repórteres. Correram até mim e perguntaram: como é ter um pai como o seu? Mas como assim, meu pai era meu pai!

Seu pai é corrupto, um político corrupto! – gritaram para mim, mas eu berrei, com raiva: Meu pai não é político.

Ele nos deixou e foi para a Suíça, onde foi acusado de inúmeros crimes… muitos que perdi as contas… e justo eu, sempre tão boa em matemática…

Com os olhos abaixados, a jovem olhava para a figura acabada atrás da cela. Um homem de cabelos e barba grisalha e um sorriso sarcástico no rosto. Dizia, com alegria, que sua conta bancária não havia sido descoberta… ele, depois que subornasse o juiz e talvez os jurados, sairia da prisão ainda mais rico do que quando entrou. Realmente com ele, a justiça não seria feita.

Foi daí que percebi…
Meu pai não era um político…
Meu pai era um corrupto.


Written by The Gunslinger in: Contos,Pradolyne | Tags: ,

13 Comments»

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    Este faz parte de um novo estilo de contos que estão surgindo aqui no ONE, que são contos que falam do cotidiano, que servem de gritos desesperados do povo brasileiro!

    Primeiro conto da Pradolyne aqui no ONE, seja bem vinda! =)

  • Vitor Vitali says:

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    Não gosto desse tipo de conto, mas eu gostei desse, principalmente pelo final, adorei.

  • Fernanda Lima says:

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    Achei bem interessante… seja bem vinda!

  • Eric says:

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    Legal ver literatura do cotidiano marcando presença por aqui também. Abss! E.

  • E.U Atmard says:

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    muito bom, este tipo de contos são a voz da libertação do homem do dia a dia. Adorei o conto, especialmente no fim. Curto, explícito, como (uma comparação um pouco descabida), um tiro bem entre os olhos. Faz o seu trabalho rapidamente.

  • Thumb up 0 Thumb down 0

    Política é assunto de guerra. Conto foi muito bom, espero que não seja sobre seu pai mesmo =P

  • Andrey Ximenez says:

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    Mt bom… curti bastante!

    Me lembra a outros tantos contistas clássicos, q baseiam-se no mero dia-a-dia pra fazer arte.

    =D

    sensasional!

  • J.Prado says:

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    Cara, *–* que bom que gostaram, own *-* Nem é do meu pai não, graças ao bom Deus, ele é trabalhador e vive as custas do que colhe e não do que rouba. Mas enfim, me inspirei na nossa realidade politica, e como quero ser jornalista [ e aumejo um dia ferrar com um corrupto legal ] eu sou meia pegajosa nesses assuntos. Mas muito obrigada povo.

  • J.Prado says:

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    correção: ALMEJO. Caracolas, de onde tirei o U G.G’

  • E.U Atmard says:

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    Ainda bem que apareceu. Bem vinda Pradolyne (ou como preferir ser tratada). Como já disse aqui, gostei muito do seu conto, e achei que o tema foi bastante diferente do que estamos habituados. Sinta-se à vontade para enviar quantos contos quiser, pois este foi de facto muito bom.

  • J.Prado says:

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    ^^ Eu gosto de escrever sobre tudo, mas o que mais gosto mesmo é escrever livros *-* de tudo que é assunto \o/ eu irei escrever mais um e mandar, vamos ver o que dá ^^

  • Asami says:

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    Boa! Adoro contos críticos, ainda mais falando acerca dos corruptos… criaturinhas maravilhosas. O tema foi bem abordado, falou demais em poucas linhas e passou a mensagem de uma forma bastante… impactuante. Gostei.

  • HIOTO says:

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    Poema.
    .
    Não é um só um conto. É um poema político e a maneira como diferencia político de corrupto é bem viva. Todo mundo acha que político e corrupto são sinônimos, quando na verdade deveriam ser antônimos. Gostei do todo e é uma pena que é muito curto e talvez por isso a idéia geral não tenha sido totalmente explorada.

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