Vitor – Parte Três
Escritor: Vitor Vitali

Eram três da manhã e Daniel estava sentado em sua poltrona lendo O Errante, que ele considerava um bom livro da cultura árabe. Naquela madrugada em especial seus olhos corriam pelas letras escritas nas páginas amareladas do livro, mas as palavras não lhe chegavam a atenção, então por fim ele desistiu de sua leitura e dirigiu-se a varanda de sua biblioteca e lá viu seu belo jardim. Não sabia ao certo quantas pessoas haviam ali, enterradas, mas eram algumas dezenas, disso sabia.
Desde a volta de Vitor, quatro anos antes, muito havia ocorrido e eles haviam feito um “bom serviço” e ninguém poderia negar. Crianças, Bebês, Mulheres, Homens e alguns poucos animais que irritavam Vitor, como gatos, estavam ali, de olhos para o céu sob a terra, como que esperando que a ultima gota de salvação pingasse dos céus e se transformasse em uma pura escadaria de conforto e descanso eterno que os levaria para o paraíso.
– Não há paraíso nessa terra – disse Daniel para o nada e percebeu que sua voz se assemelhava a de Vitor.
– O que lhe incomoda nessa bela noite, querido amigo? – Perguntou Vitor surgindo do fundo de seus pensamentos.
– Nada – disse Daniel.
– Você realmente acha que isso vai me convencer? – Pergunta Vitor.
– Não – riu Daniel e entrou de volta para a biblioteca e fechou as portas de vidro da varanda atrás de si.
Caminhou pela casa inquieto por alguns instantes, então como que deixando os pensamentos lhe invadirem, lembrou-se de seu passado; de sua esposa; de sua vida sem “ele”.
Então dirigiu-se ao quarto que um dia havia sido uma sala de jogos, mas que ele havia transformado em um pequeno museu. Lá haviam coisas de sua infância, de seus pais, de sua esposa e coisas que ele havia abandonado há muito tempo. Recortes de jornal mostrando seus grandes lances empreendedores no mercado de ações podiam ser vistos rodeando todas as paredes e dividindo espaço com algumas esculturas e quadros que seu pai havia feito, pois era um artista; digo, havia sido um, afinal o cemitério de brasília e sua corrupção o tinham agora.
Daniel observou com atenção um armário contendo muitos dos presentes que sua mãe havia lhe dado após voltar de suas viagens pelo mundo. Um deles, e o preferido de Daniel era um pequeno amuleto africano feito em madeira que mostrava, talhada, um imagem que agora estava apagada pelo tempo e também da memória de Daniel.
Ao longe, o barulho de vidro se estilhaçando. Não havia outras portas naquela quarto e Daniel então correu para sua única saída, mas então ouviu passos no corredores e se manteve ali dentro.
Pela abertura da porta entrou um homem. Vestia-se como um advogado de folga e sua aparência era desleixada, no entanto, para sua surpresa, em suas mãos não haviam armas.
– Quem é você? – gritou Daniel.
– Nove – pronunciaram várias vozes vindas da boca do homem e antes que Daniel pudesse esboçar qualquer reação, a mão do estranho invasor lhe perfurou o peito e dentro de sua mente gritou, assim como a dor em eu peito, uma voz de desespero.
– Ele é meu! – Gritou Vitor e babou sangue. – Meu!
– Você precisa voltar para casa – disse Nove.
– Estou em casa – berrou Daniel chorando.
– Não estou falando com você – respondeu o invasor com suas muitas vozes.
Então ele retira a mão de dentro do peito de Daniel, como um cavaleiro medieval tira sua espada presa entre os ossos de um inimigo. O copo de Daniel cai ao chão, e a voz em sua cabeça que se chamava de Vitor se debate em fúria.
Nove se aproxima e põe a mão sobre a cabeça morta de Daniel e pronuncia agora, com apenas uma voz, palavras que Vitor entendia e que já havia ouvido antes e sente o demônio queimar dentro daquele corpo até sumir.
– Ud, aonde está? – Pergunta Nove e um facho de intuição percorre sua mente. Ele então caminha alguns passos e vê caído no chão, uma pequena escultura africana de madeira. Ele se abaixa e a toca com dois dedos de sua mão direita.
– Victus Discedo. Vado domus – diz ele e então a pequena escultura se quebra em vários pedaços.
Aquele não voltaria mais.
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Bem legal esse conto. O ídolo africano me fez lembrar de um livro do Stephen King.
–
E eu não sabia o que colocar de imagem!!!! Demorei um ano para achar uma, não achei nenhuma que se encaixasse no conto.. ai escolhi esse olho que achei legal.
O olho parece a vagina gigante de Sauron. ^^
Minha nossa hehehe… que é isso Vitor!! =)
Ué, mas parece aquela vagina flamejante que fica no alto da torre xD
Nossa! Que bacana!! Gostei bastante!
Viu.. tem meninas que lêem os contos… e o Vitor falando de vag$#@s flamejantes!! =P
Ei Vitor pega leve huahauhauhauhauha Mas que o olho de Sauron parece, ah isso parece!
Quanto ao conto, ainda não li, logo retorno e leio ele. Voltando para aula de Mat II.
legal o conto, apesar de eu n ter entendido picas.
@Vitor
só uma coisa:
tem razão!
kkk
Outro conto que está de parabéns. ^^
Muito bom o conto, gostei do ritmo que ele tem.