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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Oct
09
2009

A Besta

Escritor: Jones Viana Gonçalves

a-besta

1838, não lembro muito sobre este ano, mas o que a história me conta fala sobre a guerra entre os Farrapos e os imperialistas, eu claro como bom paria na sociedade estava no meio do conflito, não como Farrapo e muito menos como imperialista, mas sim na forma de predador.

Pouco do que minhas recordações da época me trazem falam sobre uma noite em especial, a noite em que me apaixonei. Você pode perguntar o que um ser sem vida e que sem um mínimo de compaixão entende sobre amor, eu respondo que nada sei sobre o assunto e muito menos desejo saber, mas o que então teria me trazido de volta para o convívio de meus pares se não tal sentimento. Você pode não entender agora, mas deixe-me contar-lhe a história e talvez então você veja a coisa como eu.

Não lembro dia ou mês, apenas o ano e o local, por ano sei ser 1838 e a região é próxima a cidade de Rio Pardo, a qual na época recem havia sido tomada pelos farrapos. Naquela noite sai de meu túmulo subterrâneo mais parecendo uma besta infernal da noite, uma fera ávida por sangue e morte, na mente só o pensamento imposto pela fome, o pensamento que rege o predador. Não posso afirmar que pensava com clareza.

No ar de imediato senti o cheiro ferroso e adocicado do sangue, uma batalha fora travada por perto e para aquele lado logo me desloquei. Sempre correndo na direção do gado segui até chegar aos pés de uma pequena colina aonde se abria para mim o cenário da matança, uma tropa de legalistas acabara com uma patrulha farrapa e agora festejavam no alto da colina dentro de uma velha fazenda. Percorri de um lado para a outro da carnificina, mas não encontrei ferido, todos mortos há algumas horas e não estava a fim de beber aquele tipo de sangue. O grupo em festa então chamou minha atenção.

O terreno no alto da colina era quase que completamente tomado por uma construção, um casarão aonde na certa vivia o estancieiro, esposa e alguns serviçais, não reparei muito neste momento, estava mais concentrado na fome e no gado que festejava, pelo menos vinte soldados e dez meretrizes, destas que acompanhavam as tropas para furtar-lhes as poucas moedas em troca de momentos de prazer. Caminhei circundando o perímetro algumas vezes como o predador que espera por algum membro do bando se desgarrar para poder dar o bote. Minha espera fora recompensada, ainda enquanto percorria as voltas do casarão senti o cheiro de sexo, o vapor exalado pelo suor dos corpos em atrito.

Desci alguns metros até chegar a um barranco e lá mais abaixo estavam um soldado que acabava de dar cabo do serviço e se aprontava para vestir as calças e uma mulher a qual ainda sorria e ajeitava a saia de armação pronta a voltar para a festa e amealhar mais algumas moedas de outro soldado. Saltei sobre o homem do alto do barranco, minhas mãos transformadas em garras rasgaram o pescoço do soldado que caiu fazendo apenas o som do impacto contra o solo e da garganta o gorgolejar do sangue que esvaia e afogava o soldado.

A mulher ainda tentou gritar, talvez algum dos homens na fazenda houvesse ouvido, não sei, alarme algum fora dado. Meio saciado e ainda lambuzado pelo sangue da mulher subi de volta a fazenda.

Agora meus sentidos não mais estavam turvos pela sede, o raciocínio voltava a ficar afiado, mas a sede ainda gritava dentro de mim. Podia agora ver as imagens com clareza e o que via me deixava cada vez mais excitado. A morte gerada ali, o sofrimento nos olhos dos homens estaqueados vivos, provavelmente o fazendeiro e seus servos, a maioria morto por perfurações de espadas ou queimados vivos amarrados em grande estacas de madeira. E os gritos, sim os gritos vindos do casarão, os gritos das mulheres da fazenda era o mais certo, elas divertiam o oficial e seus mais destacados soldados e faziam-me inebriado e afoito, entrei ligeiro no terreno querendo provar da embriagues provocada pela matança.

Homens bêbados, sem reflexos e lerdos, posso dizer que trouxe o terror a seus corações quando nu e coberto de sangue com os olhos insanos de um maldito predador sem coração apareci caminhando tranquilo entre eles, minhas mãos ainda transfiguradas em garras e as presas aguçadas para fora dos lábios. Correria, morte e sangue, eu mesmo corria de lado a outro castigando um a um ao som das lamurias, suplicas gritos e tiros, sim houveram aqueles que com estado de espírito ousaram levantar armas contra um demônio feito eu, porém nenhum destes sobreviveu.

Uivei feito fera para a lua antes de entrar na casa, meus pés marcavam o chão com o vermelho do sangue que cobria meu corpo, os choros e suplicas femininas dentro da casa haviam cessado e o cheiro de pólvora misturada a sangue reinava no ar. Ao percorrer os corredores pude notar em cada quarto uma mulher, um cadáver que apanhara, fora subjugada e morta a tiros e essa imagem se repetia porta por porta até enfim chegar ao último cômodo.

Ao passar pela porta sequer reparei nos homens que tentavam emboscar-me, tudo o que notei foi o olhar atormentado da jovem guria que atirada sobre a cama agonizava, seu rosto marcado pelos golpes e o corpo ferido pela libido daquele que a possuíra tocaram algo dentro de mim, algo que há muito não era despertado, aquilo que fazia de mim uma coisa que por muito tempo não quiz ser, de seus lábios ouvi baixinho o sussurrar de poucas palavras que novamente fizeram o ódio brotar em meu peito.

Com um só movimento arremessei meu corpo sobre a cama, o homem que me esperava atrás da porte pouco pode fazer contra mim. Antes que qualquer tiro ou golpe fosse dado agarrai a menina em minhas garras e saltei pela janela levando-a comigo.

Não muito longe parei e voltei a olha-la, o rosto pálido dava-lhe a aparência de uma boneca de porcelana, mas os ferimentos deixavam a impressão de estar quebrada, ela também me olhava, não com medo, mas com uma certa expressão de agrecimento. Não podia deixá-la morrer assim sem tê-la conhecido melhor, pois fora ela e sua suplica que me trouxeram de volta da perdição da besta, dei-lhe então um pouco de meu sangue para que se curasse e vivesse por mais tempo.

Deixei-a só e retornei ao casarão, precisava dar cabo dos homens que deixará para trás e na noite seguinte seguiria junto a minha amada para Porto Alegre, longe da guerra, longe da solidão e para perto daqueles de minha espécie.


Categorias: Contos | Tags: , ,

10 Comments»

  • Lembro deste, você ia enviar para um concurso!!

    Qual foi o resultado do concurso?! =)

  • E.U Atmard says:

    Gostei muito da forma como mostra a insanidade de um homem, e como uma mulher conseguiu curar tudo isso. Fez lembrar bastante o X-Men, mas com um toque de humano…

  • Jones says:

    O resultado, cara saiu e não deu pro meu conto, então tirei as coisas que o colocavam no cenario de Vampire Requien e enviei pra ti he he he he o concurso era Eu, criatura da Devir editora.

    Faz lembrar X-men???? Vou ler de novo Atmard, mas se faz não era a intensão he he he he he Valeu, abraços.

    • Samila says:

      Ah… o Eu criatura? Participei também… acho que estavam decididos a não escolher nada com vampiros, Jones…
      Muito bom o conto, ótimo mesmo! melher que o conto vencedor do concurso, a Vergonha de Jonas

  • Andrey Ximenez says:

    Deuzulivre kra!

    Gosto de ler histórias q se passam no Brasil ( principalmente no sul ) e tenham qualidade…

    Mt bom, =D

  • Báthory says:

    Tri!

  • Lord Jessé says:

    É realmente, o Sul apavora!

    Mas, voltando ao conto. Cara, é incrivel, até agora nenhum conto seu me desepsionou. Muito bom.

    Parabéns.

  • Asami says:

    Gostei da forma como o conto foi bem apresentado e conduzido, descrevendo sentimentos e desejos da besta, levando-a a amar sem deixar de ser o monstro que realmente é. O contexto histórico também é muito legal, a guerra torna a estória mais “real” e estabelece um clima mais sério ao enredo. 😀

    • Jones says:

      Bah Guria, muito obrigado, sempre gostei de criaturas sádicas como esta, e quando enfim tive a idéia de colocá-la no meio da guerra dos Farrapos, bah, gostei muito de escrever esta história na época!!

  • Daniel SantosLima says:

    Mais para meu PSP…

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