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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Oct
23
2009

Ariane – Capítulo XIII

Escritor: Alex Silva Dias

ariane

As paixões humanas, como as formas da natureza, são eternas.”
(Léon Bourgeois)

Ariane, agora sem asas, acordou antes das cinco da manhã. Vestiu uma calça azul, folgada, e uma blusa de mangas compridas, branca. Por baixo da blusa estava uma camisa também branca. Penteou os cabelos rapidamente; calçou suas sandálias douradas, as quais eram vindas do palácio — conforme se recordou.

Após estar totalmente pronta, acordou Alexandre. Este se assustou com o semblante sorridente da deusinha. Ela pediu para ele arrumar-se logo para o passeio. O rapaz levantou-se e arrumou-se rapidamente. Em meia hora, havia tomado café-da-manhã e saído com a deusinha.

Mesmo o fato de ter saído às seis da manhã, o rapaz não fugiu os olhos de Daniela, que estava na janela de sua casa, pronta para “recolher as noticias”. A fofoqueira viu o casal. Não conhecia a garota que acompanhava Alexandre. Correu para o quarto da filha. Acordou-a e contou sobre o que vira. Bruna reclamou, mas ouviu tudo. Iria contar tudo à Carla.

XXX

Alexandre e Ariane estavam chegando à praça da cidade. Na verdade, era uma das praças. Ficava no bairro onde o rapaz morava. Era uma área circular, com alguns espaços plantados e com um parquinho. Estava com pouquíssimas pessoas no momento.

— Vamos sentar ali! — pediu a deusinha, apontando para uma enorme árvore, que tinha uma imagem no chão, o que seria uma sombra.
Ambos sentaram-se na sombra da árvore. Havia algumas crianças passando àquela hora da manhã.
— Por que pediu para sentarmos aqui? — perguntou o rapaz.
— Olhe a sua volta! — pediu Ariane.

O rapaz olhou tudo. Viu apenas algumas crianças brincando nos balanços, nas gangorras, nos escorregadores… Havia também alguns estudantes passando, indo para as escolas.

— Só vejo pessoas — disse Alexandre.
— Não falo dos mortais — corrigiu a garota. — Veja as borboletas, os pássaros, as abelhas…

Ariane levantou-se e aproximou-se de uma pomba que estava na grama, sem que esta chegasse a voar. A ave parecia conhecê-la. Ela fechou os olhos e abriu os braços. Uma brisa iniciou-se, fazendo o cabelo longo da jovem balançar-se. Borboletas aproximaram-se lentamente. Além da pomba, outros pássaros pousaram na grama. Enquanto esses pássaros cantavam numa harmonia impressionante, as borboletas voavam em volta do corpo dela.

Alexandre viu aquilo tudo pasmo. Notou que um enxame de abelhas sobrevoou a cabeça da garota, fazendo uma belíssima dança. Podia não saber muito sobre Ariane, mas com certeza ela era muito especial.

Algumas pessoas haviam se reunido para ver aquele belíssimo e fascinante espetáculo que a jovem estava fazendo.

— Droga! — exclamou Alexandre, levantando-se.

Ele correu até perto de Ariane. Pediu para ela parar com aquilo, senão as pessoas descobririam o segredo dela. Ela obedeceu. Gesticulou com os olhos, ordenando que os animais fossem embora.

— Ela é ilusionista — disse Alexandre às pessoas.

As pessoas presentes bateram palmas; em seguida, foram tomando suas direções.

— Como fez aquilo? — perguntou Alexandre quando se viu novamente só com Ariane.
— Há uma harmonia em tudo. Eu posso harmonizar os seres e as coisas — respondeu a jovem deusa.
— Não faça mais, tá?
— Por quê? — perguntou ela, fitando os olhos negros nos olhos castanhos do rapaz.
— Há pessoas más por aqui. Elas podem querer aproveitar desse seu dom — respondeu Alexandre, olhando o rosto inocente dela. — Vamos embora?

Ariane concordou com um gesto afirmativo com o polegar direito, assim como Alexandre ensinou no dia anterior.

— Você é tão diferente, sabia? — indagou o rapaz.
— Por causa de minhas asas ou dos meus dons?
— Não. Não é isso. Você é tão simples, mas ao mesmo tempo tão encantadora.

Ambos estavam indo em direção ao início da praça. Ele percebeu que algumas borboletas seguiam Ariane. Olhou para a jovem. Ela parecia feliz, ainda mais do que antes.

— Alexandre, eu acho que estou com fome — disse a deusinha assim que estavam perto de uma lanchonete.
— Fome?! Mas você não sente fome! — estranhou o rapaz.
— Não sei se é fome… É o aroma de algo recém assado… Atiçou minha vontade de saborear…
— Entendi — disse Alexandre, indo até a lanchonete.

Ariane olhou para a lanchonete. Viu o rapaz conversando com uma das atendentes. Notou que era também uma padaria. Alexandre a chamou. A jovem deusa obedeceu ao chamado do gentil amigo. Sentou perto da entrada, juntamente com o rapaz.

— Já comeu pizza? — perguntou Alexandre.
— Não. Nem sei o que é!
— Pedi pizzas de queijo e frango com tomate para nós. Vai demorar um pouco.
— Alexandre, hoje, quando fiz aquilo, eu senti algo queimar meu peito esquerdo. Recordo-me de uma voz suave dizer para mim que isso se chama…
— Amor? — perguntou o rapaz, olhando os olhos brilhantes da jovem.
— Sim. Mas, para termos amor é preciso estar apaixonados por algo — concluiu Ariane.
— Ou por alguém, Ariane…
— Há um poema que sempre ouço outra voz recitar, porém é masculina. É algo bem assim:
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferido que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

“É um não querer mais que bem querer;
É um solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.

“É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade

“Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrario a si é o mesmo Amor?

Enquanto Ariane recitava o poema, o rapaz sentiu um leve aroma de rosas e uma harmonia que nunca sentira antes ao ler tantas vezes aquele poema tão belo.

— Luís Vaz de Camões — disse Alexandre.
— Sim. Amor… Esse nome é tão comum para mim, tão comum…
— Ariane, você é uma pessoa muito especial… Consegue despertar a pureza de tudo que a cerca.
— Talvez eu esteja aqui para isso: para trazer a paz e harmonia.

Alexandre sentiu um sentimento estranho dominar-lhe o coração. Olhou pra aquela jovem, cujo Destino o fez conhecer. Ela não era humana ou mortal, como ela vivia dizendo, era uma perfeita deusa.

O arome saboroso da pizza fez os pensamentos do rapaz dispensarem-se. Ariane mal via hora de degustar a pizza. Alexandre pediu um refrigerante. A garçonete foi buscar.

— Vamos comer? — perguntou o rapaz.
— Sim — respondeu a deusinha, sorrindo, feliz.

Alexandre comeu algumas fatias. Ariane, por sua vez, beliscou uma fatia apenas. Não estava acostumado com os alimentos dos mortais. Não se recordava de ter provado tais comidas. Lembrava-se apenas de ter saboreado um alimento de sabor ímpar e uma bebida deliciosa.

O rapaz pagou a conta. Depois, com toda a paciência, ficou vendo a deusa tentando comer a pizza. Achou graça de tudo. Ela tentava morder, mas parecia com medo do alimento.

— Deixa pra lá! — pediu ele, após alguns minutos. — Você não conseguirá comer.
A jovem deusa largou o pedaço e perguntou:
— Que gosto tem isso afinal?
— Gosto de “quero mais” — respondeu o rapaz, brincando.
— Vamos embora? — perguntou Ariane, levantando-se.
— Sim. Preciso ir mesmo para casa. Tenho que cuidar do jardim.

Ambos saíram da lanchonete. Caminharam lentamente rumo ao final do bairro. Passaram em frente a uma loja de presentes. Pedindo para Ariane esperá-lo no lado de fora, Alexandre entrou na loja. Foi recepcionado por Tatiane, sua amiga desde os tempos de escola.

— Bom dia — saudou-a, sorridente. — Em que posso ajudá-lo?
— Vim buscar aqueles presentes que reservei há duas semanas.
— O colar e os anéis?
— Sim.
— Só um momento.

Tatiane era uma mestiça de branco com índio. Era morena, cabelos lisos compridos. Tinha quase a altura de Ariane — que media em torno de 1,65m —, sendo, inclusive, alguns centímetros mais alta que a deusa. A atendente retornou com duas caixinhas vermelhas.

— Aqui estão — disse ela, abrindo-as.
— Tati, eu poderia trocar esses anéis por outra coisa?
— Sim. Pelo que gostaria de trocar?
— Você, aquele dia, me disse que tinha outros pingentes e colares folheados a ouro. Poderia ver?
— Sim. Já vou buscar.

XXX

Minutos depois, o rapaz saiu da loja. Ariane estava em pé, na porta.

— Agora vamos pra casa — disse Alexandre.

Os dois foram. Em silêncio, mas felizes. Calados, mas pensativos. Naquela manhã, no momento que a deusinha fez aquela junção, um sentimento despertou por completo no coração de ambos. E iniciou-se também mais uma parte da profecia.


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