Nove – Capítulo Três
Escritor: Vitor Vitali

Brasília, Sexta-feira, 07 de agosto de 2009 pelo falso calendário, Lua Nova.
O escritório do D.E.I.S. não era a coisa mais incrível que eu já havia visto, mas também não lhe faltava qualquer linha de “equipamentos” necessários a investigação sobrenatural: pessoas sem medo, pessoas estranhas e pessoas com contatos, além de um governo para financiar tudo.
Nem todos estavam ali, alguns viajam outros lidavam com suas próprias investigações. Eu, Cinco e Um havíamos acabado de chegar e um tal de Marcos já nos esperava com o resultado das digitais que havíamos encontrado nos objetos utilizados para fazer a “ligação” entre os demônios e meu amigo falecido, Salomão.
Na sala de Cinco, sentamos e esperamos que Marcos nos trouxesse as digitais. No entanto, nesse tempo de espera uma loira alta de olhos azuis entrou pela porta. Eu nunca havia visto ela antes, pelo menos não naquele corpo, e era sem dúvida o mais bonito que eu já havia visto.
–Olá, queridos – disse ela com sua voz suave.
–Bom-dia, chefinha – disse Cinco sorrindo.
–Olá, Dois – disse Um educado como sempre.
Fiquei calado.
–Bom-dia, Nove. Long time no see – disse ela.
–Soube que nasceu no Estados-Unidos – disse a ela. – Nunca estive lá.
–País interessante, mas é aqui que estão meus queridos irmãos, então vim para cá alguns anos atrás e me chamaram para dirigir o D.E.I.S.
–Soube que se casou – digo a ela sem olha-la, sabendo que isso deixaria transparecer muito do que eu sentia. Ela me olhou por alguns segundos e quando ia dizer algo um homem entrou pela porta.
–Olá, Viviane – disse ele para Dois. – Olá, pessoas.
–Bom-dia, Marcos – respondeu ela e lhe deu um beijo rápido.
–Aqui estão as digitais – respondeu ele e entregou para cinco que pegou e olhou o resultado. Cinco ficou em silêncio com a mão sobre a pilha de papel que Marcos havia lhe entregado por cinco segundos, e voltou a falar conosco quando Dois e Marcos saíram da sala para cuidar de seus próprios serviços.
Tentei dizer adeus, mas ela não parecia querer ouvir…
–Parece que temos um endereço a visitar – falou Cinco.
Naquele mesmo dia na zona sul da cidade paramos em frente de um prédio e utilizando as credenciais conseguimos entrar. Fomos até o Sétimo andar de escada, pois não havia elevador.
Paramos em frente do apartamento de número 3 e esperamos Cinco nos dizer o que fazer. Afinal, ele não podia prever o futuro, mas os seus talentos extra-sensoriais podiam ver através de pedra, aço e carne, além de ocasionalmente ver o que havia por trás do físico e conversar com os mortos.
–Alguém vai ter que limpar isso… – disse ele após um tempo e então fez um sinal para mim com a cabeça e eu arrombei a porta com um chute simples. Um retirou sua arma do coldre e ficou atento, mas Cinco disse a ele que abaixasse a arma.
Ao que parece, a porta era muito boa e servia como boa vedação de cheiro e som, pois o que havia acontecido ali havia sido barulhento e sem dúvida mal-cheiroso. Por toda as paredes, teto e móveis haviam pedaços de carne e sangue. Quem quer que fosse aquele, havia implodido.
–Parece que seu amigo chegou primeiro – disse Um.
Ponderei sobre o assunto.
–Não conhecia este homem, pelo que vi pelos registros – disse a ele. – No entanto, quem quer que queira me atingir está fazendo isso por conhecidos meus, como meu amigo Salomão assassinado na fazenda.
–A questão aqui importante é, quem quer que queira te atingir usará seus amigos pois sabe que não pode possuí-lo ao menos que você deixe – falou Cinco e Um concordou com a cabeça.
Fiquei em silêncio por um tempo, até que o cheiro de podre parou de me incomodar e pude ter uma idéia. Vi Cinco acenando com a cabeça positivamente, após ler meus pensamentos.
–Ud – chamei o demônio do anel do meu dedo mindinho e através de minha boca ele falou.
– Diga.
–Preciso que encontre Argaile para mim – disse a ele com minha voz.
–Que seja feita a vossa vontade – disse ele e meus olhos voltaram a sua cor habitual.
Fomos embora daquele prédio então, e entramos no carro. Cinco ficou para trás por algum tempo enquanto resolvia questões burocráticas com a polícia. Voltou então por fim, e voltamos ao escritório da D.E.I.S., e só nos restava esperar.
O homem responsável pela morte de meu amigo fazendeiro havia usado objetos amaldiçoados para levar demônios até ele, e o mandante de tal ação o havia assassinado após o serviço pronto.
Não havia mais pistas a seguir, não havia mais o que fazer além de esperar pela resposta de Ud que havia “saído” a procura de um velho “amigo” meu; tão velho que me lembro de nossa infância juntos em Roma anos antes de o exército salgar Cartago.
“Pobre Argaile”, pensei. Tinha tudo para ser um grande homem, mas acabou tornando-se um demônio.
Se não fosse ele o responsável por tudo aquilo, não me lembro mais quem poderia querer se vingar de mim.
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Esse negócio de Um, Nove, Cinco, me faz lembrar Homens de Preto, J, K =)
–
Leio novamente o texto, com mais atenção a tarde! Té depois.
Muito bom Vitor, lembra MIB, lembra HellBoy em alguns pontos, mas tem o seu toque, e depois que você se habitua com os números/nomes a coisa fico mais simples he he he he
Hummm não conheço muito Hellboy, mas deve ser pelos demonios que caçam outros demonios. =)
Senti um pouco de referências dos números com a HQ da Academia Umbrella, desenhada pelo Bá e roteiros do Gerard Way. Mas talvez tenha sido uma feliz coincidência. Parabéns Vitor!