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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Oct
28
2009

O Coveiro

Escritor: Vitor Vitali

o-coveiro

Os olhos do homem deitado sobre o chão abriram-se lentamente e depararam-se com a escuridão. No entanto, quando melhor se acostumaram com a luminosidade, viram que havia tochas encravadas na terra por todos os lados. Apoiando-se em um braço, depois em outro e finalmente nos quadris o homem pôs-se de pé, e em vão abanou o terno sem gravata para remover a poeira.

A alguns passos de distância, estava um homem de cabelos desconfigurados para todos os lados, vestindo o que um dia talvez tenha sido um blazer azul marinho e calças jeans, mas que a luz lúgubre daquele ambiente e o tempo haviam transformado em um blazer preto e mofado, e jeans desfiado em certas partes; em sua mão, uma pá.
–Olá? – chamou o homem de terno.
–Ah, sim, bem, olá – disse o de blazer e jeans enquanto de costas cavava o chão.
–Quem é você? – perguntou o de terno.
–Bem, sou o Coveiro. Nem aquele coveiro, nem um coveiro, somente O Coveiro. E você é Victor, certo? – indagou o Coveiro e sem esperar resposta emendou. – Pode me ajudar aqui? Ficaria muito agradecido.

Victor pareceu desnorteado e, no entanto, seja por curiosidade ou por medo, resolveu ajudar.

Quando se aproximou, viu que ao lado do Coveiro havia um corpo de um mulher com seus trinta ou quarenta anos vestida em um feio avental amarelado. Assustado, Victor olhou em volta e viu que havia muitos e muitos corpos ao seu redor, até onde a vista podia alcançar no horizonte escuro daquele lugar que de uma forma ou de outra lembrava uma caverna.
–Não seja uma moça – disse o Coveiro infincando a pá ao lado da cova. – Venha, me ajude a bota-la ali dentro.

Então Victor relutante segurou a mulher pelos ombros e o Coveiro pelos pés, e a colocaram na cova; então ele tomou sua pá novamente e a cobriu com terra até que o buraco fosse fechado.
–Bem, muito obrigado – disse o Coveiro sorrindo enquanto fingia limpar o suor do rosto; rosto esse que Victor percebeu ser demasiadamente pálido.
–Que lugar é esse? – indagou Victor olhando para a completa e profunda escuridão, onde talvez devesse haver um teto.
–Bem, essa é minha casa. Lar doce lar.
–Você… você enterra corpos? – indagou Victor, e nesse momento um corpo despencou ao seu lado levantando poeira ao tocar no chão.
–Bem, chegou mais um – riu o coveiro. – Sorte a sua você não estar morto.

O Homem de terno pareceu confuso e pensativo, então se aproximou mais.
–Certeza de que não estou morto? Todos aqui parecem bem mortos…
–Olha rapaz, eu trabalho aqui a mais tempo do que o próprio tempo poderia se lembrar.

Acredite quando eu digo que de morte eu entendo.
–Se não estou morto, o que faço aqui? O que VOCÊ, faz aqui?
–Você eu não sei, eu trabalho aqui enterrado memórias.
–Memórias?
–É o que sobre quando você morre. Afinal, do que mais é formado um ser humano do que de memórias? – Indagou o Coveiro.
–Bem… não sei… sonhos, talvez?

O Coveiro sorriu com tom de aprovação.
–Muito bom, garoto, muito bom – disse ele. – Mas bem tem algo que quero lhe mostrar, siga- me.

E Victor e o Coveiro começaram a andar entre covas e corpos espalhados por todos os lados, vez ou outra fazendo pequenos desvios pois um novo cadáver estava despencando da escuridão, até que chegaram em um ponto interessante; parada a frente deles, havia uma mesa e duas cadeiras.

Sobre a mesa, um jogo de chá com um bule e duas xícaras sobre pires.
–Sente-se – convidou o Coveiro sentando-se e pondo chá verde em ambas as xícaras; e Victor se sentou, mas não tocou em seu chá.
–Que delícia, adoro chá verde – comentou o Coveiro e o homem de terno nada respondeu.
–Bem, o que fazemos aqui agora? – Perguntou Victor.
–Esperamos.
–Pelo que?
–Você já já irá ver.

Não se passaram mais de cinco minutos, e vários corpos haviam caído da escuridão durante esse tempo, no entanto, um em especial caiu exatamente atrás da mesa e Victor virou-se para olhar o cadáver do homem.
–Veja esse caso, que interessante – começou o Coveiro. – Namorado amoroso, noivo preocupado, ótimo esposo. Acreditava que seria um grande pai e um dia sua mulher ficou grávida e sua felicidade e expectativa foram astronômicas. Então a criança nasceu. No entanto, por doenças cardíacas variadas era fraca e os médicos não lhe deram muito tempo de vida. Ele ficou acabado ao saber quer sua filha não era tão bonita quanto a de seus amigos, nem tão forte e inteligente. Era mirrada, fraca. E mesmo no berçário, ele evitava olha-la. O tempo foi passando, e ele sentindo vergonha de sua cria. A garota, feliz como podia, era uma grande menina. Não era a melhor aluna, mas era esforçada. Também não era muito boa em esportes pois sua condição cardíaca não permitia, mas ainda sim sonhava em ser uma atleta. E pedido para que o pai lhe matriculasse em um clube de natação, ele apenas riu de sua patética filha, como ele mesmo a chamava. E no entanto, naquela mesma noite foi ao quarto da criança, meio que para pedir desculpas disfarçadas, meio que para ver como ela estava, e no entanto a criança estava morta.
–Meu Deus… – comentou Victor.
–Bem, não preciso dizer – e nesse ponto o coveiro empurrou a cabeça do cadáver para o lado relevando um grande buraco na parte de trás -, que ele achou conforto para sua tristeza em um cano de .38 enfiado boca adentro.
–Porque está me contanto tudo isso? – Perguntou Victor.
–Sabe, o que fez ele se matar não foi a tristeza por sua filha ser doente, foi o fato de ele nunca em todo o tempo que passou com ela viva, ter dito um simples “Eu te amo”.

Victor tentou segurar mais lágrimas encheram seus olhos e ele evitou derrama-las limpando os olhos com a manga de seu terno.
–No entanto, Victor, meu caro, não foi para isso que te trouxe aqui.

Nesse momento, à frente da mesa um corpo despencou e bateu surdo no chão. Victor se levantou com o sangue congelado em seus pulmões. Olhou bem para a mulher caída; era sua esposa, Linda.
–Meu Deus! O que aconteceu? Linda, Linda! Você está bem? – gritou ele abraçando o corpo agora gelado de sua mulher.
–Não há o que fazer quando a vida dela Victor, posso te garantir – disse o coveiro levantando-se também e ao lado dela, começou a cavar uma cova.
–O que houve? – perguntou o homem de terno com a voz tremula.
–Me diga você… do que se lembra?

Por alguns segundos ele ficou calado, e depois retornou a falar com lágrimas nos olhos.
–Estávamos voltando de uma festa… Havíamos brigado.
–Brigado por que motivo? – perguntou o Coveiro.
–Nada importante, nada importante… Insignificante na verdade… Eu a amo tanto…
–O que aconteceu, Victor?
–Estávamos no carro… e a briga seguia em frente… Ela gritou ofensas e disse que me odiava.

Desconcentrado eu olhei para ela e disse que não importava o que ela fizesse eu ainda a amava e ela desdenhou de mim. Então, um gato preto surgiu em frente ao carro e eu tentei desviar. Entramos no acostamento e deslizando sobre o cascalho o carro rumou para uma árvore… depois tudo tornou-se escuridão… e eu aqui estava…

O Coveiro continuou escavando a cova, mas então parou e enfincou a pá no chão.
–O que você sentiu pelo desdem dela. Pelo ódio que ela lhe afirmou ter? – Perguntou o Coveiro.
–Eu senti como se uma parte de mim estivesse morrendo… ela disse que não me amava… e agora ela se foi…

O Coveiro se aproximou do cadáver.
–Victor, meu caro, antes de enterra-la, gostaria de lhe dar um presente em retribuição por ter me ajudado agora pouco. Há uma memória, mais um pensamento, de fato, que eu gostaria de te dar antes de enterrar todo o resto.
–O que está dizendo? – indagou Victor.
–Olhe em sua bolsa – disse o Coveiro apontando para a cadáver.

E Victor procurou e não achou nada além de um pedaço de papel. Então levou-lhe aos olhos e ao ler, chorou por muito tempo, tanto tempo que não saberia dizer; então o Coveiro voltou a falar.
–É hora de ir, caro amigo.

Victor se levantou após se despedir de sua esposa com um beijo e virou-se para o Coveiro.
–Obrigado… Muito obrigado – disse ele.
–Por nada – respondeu o Coveiro.
–Sabe… foi você que me trouxesse aqui, certo? – indagou Victor.

O Coveiro olhou para ele, e deu uma piscada com o olho esquerdo.
–Não diga nada a minha chefe. Adeus Victor.

E com força tremenda, o Coveiro acertou a cabeça de Victor com a pá, e para ele tudo tornou-se escuridão.

E então tudo tornou-se luz.

Victor olhou em volta, estava em uma cama de hospital. Um médico adentrou a sala.

–Victor Emilliano? Bem… Você sofreu um acidente de carro e bateu sua cabeça no vidro.

Nada grave, apenas desmaiou e ficou assim por dois dias. No entanto, sinto lhe informar que sua esposa, Linda, faleceu presa as ferragens.

Victor nada respondeu apenas ficou em silêncio tentando saber se o que havia acontecido com o Coveiro havia sido somente um sonho, ou mais que isso. Então quando o médico saiu de seu quarto ele sentiu algo em sua mão, apertado com tanta força que não havia percebido.

Abriu a mão, e dentro dela estava um pedaço de papel que ele levou aos olhos, e lá estava escrito pela letra de sua esposa.

“Victor, quem me dera, como uma pessoa comum poder me arrepender de meus atos e remedia-los. Não posso no entanto. Mas você sabe que quando aceite casar com você, foi porque eu sabia que eu não aguentar passar o resto de minha vida sem sua companhia constante. Meu amor por você foi é a coisa mais grandiosa que eu já pude sentir. Quem me dera em muitas vidas futuras, se tais forem possíveis, lhe acompanhar para sempre na caminhada ao infinito; e espero sinceramente que isso ocorra. No entanto, agora eu devo ir. Sinto muito por ter dito o que disse, foi apenas coisa de momento, diferente de meu amor por você, que sempre foi e sempre será eterno.”

E as lágrimas rolaram novamente de seu rosto e ele soluçou baixinho enrolado em seus lençóis enquanto lá fora chovia uma chuva comum de agosto.

15 Comments»

  • Adorei o conto Victor! E achei o coveiro um cara tão gente boa, que não podia colocar outra imagem la em cima! =)

  • A imagem serviu para quebrar um pouco o clima do conto! 🙂

    Realmente uma boa história!

  • Vitor Vitali says:

    Incrível como esse blog tem o poder de me mostrar os erros que eu não vejo enquanto escrevo nem depois quando reviso. Preciso contratar uma revisora 🙂

    Anyways, Pistoleiro, tem alguns parágrafos que ficaram separados errados:
    “–Estávamos no carro… e a briga seguia em frente… Ela gritou ofensas e disse que me odiava.

    Desconcentrado eu olhei para ela e…” e “–Victor Emilliano? Bem… Você sofreu um acidente de carro e bateu sua cabeça no vidro.

    Nada grave, apenas desmaiou e…”

  • Esse negócio de parágrafo errado é por causa dos arquivos PDF. Quando eu retiro o texto a quebra de linha vem tudo errada!

    Vê ai o que tem de bug, comenta… que a noite eu volto aqui e arrumo. =)

    Uma das melhorias da próxima versão do ONE é liberar a edição para os autores! o/ comming soon =)

  • E.U Atmard says:

    Muito bom Vitór, o conto é muito sentido. Gostei especialmente da última frase, pois mostra o sofrimento do personagem. Mas não entendi, como é que ele estava no acidente, e de repente foi parar à cama?
    G., a imagem está engraçada, foi o que me chamou à atenção. Uma das coisas interessantes no ONE, é a imagem, que é sempre uma das coisas importantes. Mas diga, voltamos à publicação individual? Isso é capaz de ser complicado, não acha. Vai ser preciso pôr limites de publicação diários, quotas de publicação semanais…

  • Não entendi o “voltamos a publicação individual”! =o

  • E.U Atmard says:

    Eu quis dizer, voltamos À publicação por cada autor. No blog antigo estava para ser assim…mas como não havia muita gente(éramos só nós e a Laize), também não deu para testar de facto…

  • Aaaa sim. Mas calma… as coisas serão coordenadas. =)

  • Carlos Geovanni says:

    Muito bom Vítor. Existencialismo, filosofia profunda, algo que realmente nos faz pensar em nossos atos transatos. O ONE foi uma das melhores descobertas que fiz nos últimos anos. É uma fonte límpida e infinita de criatividade. Posso afirmar, com toda certeza, que desta água eu beberei.

  • Valeu Carlos! o/

  • Vinicius Machado says:

    Nossa isso sim é um elogio de respeito!

  • Ahh me deliciei a cada momento em cada detalhe, muitíssimo bem escrito Vitor. Parabéns!

  • Andrey Ximenez says:

    Mt bonnn… Bem-bolado, bem-bolado!

    =D

    Mt bom msm Vitor, o/

  • Vinicius Machado says:

    Muito bom! Cada detalhe, a descrição, o jeito do coveiro.
    Nossa eu tava tão perdido quando o Victor ali do texto. Muito bom, parabéns! muito bom mesmo!

  • Patrick says:

    perspicaz, bem bolado, bastante rico em detalhes .

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