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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Oct
21
2009

O Olhar do Anoitecer – Parte 2

Escritor: Alexandre Antolini

o-olhar-do-anoitecer

Quão mais estranhas as coisas poderiam ficar?

Lá estava eu, no escuro, frente à porta de entrada da casa dos meus barulhentos vizinhos que não existiam.
Meus pais não podiam me ver ali, não depois de toda aquela conversa – na verdade depois de quanto eu implorei para que não me obrigassem a procurar um psiquiatra. Isso sem falar da luta para convencê-los de que eu não estava drogado ou fazia uso de qualquer coisa do gênero.

Há pouco tempo eles haviam participado de um encontro de pais e mestres no meu colégio, onde o tema central havia sido qual? Adivinhe só. Drogas. Um grande sermão da diretora do colégio, tentando incentivar os pais a vigiarem seus filhos, despejando casos horríveis que aconteceram a alguns alunos do nosso colégio. Acho que a idéia dela era assustá-los a ponto em que zelassem com cuidado extra, para que o mesmo não acontecesse com seus próprios filhos. Não ajudou em nada a minha já problemática situação. Eu não tinha problemas com drogas… Para falar a verdade eu não fazia idéia de qual era realmente o problema.

Mas o pior de tudo, a parte realmente cruel da história, para mim, era o fato de que ela poderia não existir…

Minha mãe saiu correndo comigo da casa aquela noite. Nós suspeitávamos de que pudessem estar usando o lugar como cativeiro, afinal, estava vazio há muitos anos. Quando chegamos perto da casa ela estava como sempre, aquele branco encardido, janelas emolduradas em alumínio fosco e telhas coloniais velhas e escuras. Completamente apagada.

Eu nunca tinha reparado na ausência de luzes… O que me deixou realmente preocupado.

Os policiais chegaram bem rápido. Minha mãe nunca se arriscaria, ou deixaria que eu me arriscasse, indo a um local onde poderia haver pessoas armadas. Nós ficamos alguns minutos esperando e observando a ação dos policiais. As luzes vermelhas e azuis das viaturas passavam como raios pelas janelas da casa inerte, enquanto eles a cercavam e a invadiam.
O que se seguiu foi um dos piores momentos da minha vida. Vários vizinhos observando do outro lado da calçada, quando um dos policiais declarou em alto e bom tom:
“Não tem ninguém na casa.”

Quando minha mãe o indagou, dizendo que eu jurava ter visto pessoas ali, o que era verdade, o homem apenas disparou a frase que encerraria a conversa:
“Não entra ninguém naquela casa há bastante tempo, minha senhora. Era claro, quando saímos, que as únicas marcas de botas naquele chão imundo, cheio de poeira, eram as nossas.” Nesse momento começou o meu inferno pessoal.

Havia cinco dias que meu pai me levava insistentemente para a loja, assim que eu saía do colégio. Não dava para saber o que é que ele estava pensando enquanto fazia isso, mas eu podia imaginar.

“Vamos manter essa sua cabeça ocupada” Ele dizia.

Eu ficava lá, trabalhando monotonamente na loja, enquanto pensava no que realmente havia sido aquilo. Já havia chegado a duas conclusões bastante conflitantes.

A primeira, que era a mais óbvia, era que eu não era louco. O problema é que nenhum louco admite a própria loucura, o que significava que eu cumpria esse pré-requisito.

A segunda era a perturbadora: Realmente não havia ninguém naquela casa e, sendo assim, que diabos foi tudo aquilo?

Outra coisa bastante chata era a expressão que as pessoas andavam fazendo para mim quando me viam depois do “incidente”. Eu era o mais novo estranho da rua. Certo, eu nunca fui notado por nada mais, nada que não fosse o fato de ser o filhinho educado e nerd dos Evans, mas agora eu era uma espécie de atração para a rua inteira. Nenhuma das opções era boa. Ou eu era maluco, ou drogado, ou tive a impressão de ter visto coisas dentro de uma casa vazia – o que me deixaria, no mínimo, com o status de garoto mais medroso do bairro, talvez até mesmo da cidade inteira. De qualquer forma, nenhuma das opções era boa.

Então na noite do quinto dia eu cheguei em casa exausto. Meu pai havia recebido um enorme carregamento de produtos, incluindo uns trezentos pacotes contendo materiais para baseball, uma outra entrega repleta de bicicletas de corrida e, para completar, um grandioso acervo de bolas de boliche… O certo seria os carregadores da transportadora fazerem praticamente todo o serviço, mas meu pai estava tão empolgado com essa expansão que resolveu por a mão na massa e ajudar a descarregar e transportar ele mesmo. O que automaticamente me incluiu. O trabalho foi tanto que em menos de quinze minutos após termos chegado em casa, o que aconteceu muito mais tarde do que o normal, ambos já estávamos deitados em nossas camas.

Minha persiana andava realmente fechada estes dias. Eu nem me atrevia a lançar um olhar sequer para a casa ao lado. Chegava em casa, me preparava para dormir e me deitava. Não enrolava na frente da TV ou jogando videogame, exausto como estava hoje isso era fácil de fazer, ou deveria ser. Era como se eu soubesse que tinha que evitar os pensamentos que me levaram a erguer a persiana pela primeira vez. O problema é que eu não contava que estes pensamentos viessem até mim enquanto eu dormia.

Em um momento estava deitado de lado em minha cama, repassando o meu dia mentalmente, fazendo uma tremenda força para não tentar provar, de alguma maneira, que eu não era louco.

Em outro estava em pé no corredor de uma casa branca, enquanto o sol emitia uma estranha luz esbranquiçada pelas janelas, removendo a cor das coisas e deixando um ar completamente espectral no ambiente. Eu podia ouvir uma tremenda discussão acontecendo em um dos cômodos. Pessoas berravam alucinadamente.

“Como você é estúpida! Eu mandei que a deixasse amarrada!” Disse uma voz gutural e masculina.

“Eu a desamarrei porque ela parecia estar sufocando!” Respondeu uma voz fina e desengonçada, como uma mulher que tivesse algo entalado em sua garganta.

“Pois que a deixasse sufocar! Diabos! Da última vez que você a deixou solta ela estava pedindo ajuda para alguém!” O homem berrou novamente.

“Não! Ela não estava! Não tem ninguém aqui! Não tem uma alma viva sequer a pelo menos cinco quilômetros daqui! Eu não aguento mais esse lugar! Eu quero ir embora! Já fazem dois meses que eu não saio desse inferno!” A mulher disse de maneira agonizante, com sua voz estridente. E depois de alguns poucos segundos o homem continuou.
“Se ela estiver longe eu te mato!” Desferiu em tom decisivo.

Enquanto discutiam, ambos corriam pelo corredor em direção à porta dos fundos, mas toda aquela claridade não me permitia ver seus rostos. As únicas coisas visíveis eram suas silhuetas, uma baixinha e magra de cabelos encaracolados, que parecia correr com a mão esquerda na garganta, e um homem gigantesco e careca, trajando algo que me parecia familiar, uma jaqueta de pano preta.

Fui os seguindo inconscientemente pelo corredor, eu não sabia como estava ali, nem como eles não haviam me percebido. Era uma dessas coisas que acontecem em sonhos, ou em pesadelos, e que você simplesmente não consegue entender, muito menos explicar.

Quando eles atingiram a porta a luz se tornou insuportável, eu não enxergava mais nada, mas os sons que produziam continuavam bem vivos, eu os ouvia arfar e correr e disparar passos contra a grama. Mas não demorou quase nada até os dois pararem, logo do lado de fora da casa. Quando minha visão voltou eu entendi o porquê, a garota da janela estava ali imóvel, olhando para cima, enquanto eles se aproximavam vagarosamente, provavelmente tão confusos quanto eu.

A linda garota de cabelos negros estava parada no quintal da casa vizinha, de onde eu parecia haver acabado de sair, próxima à grande e alta cerca de madeira branca que dividia sua casa da minha, a diferença é que, de alguma maneira, minha casa não estava lá. Olhava estática para cima como se aguardasse algo, com expressão sofrida, derrotada e lágrimas nos olhos. Virou-se para trás e os viu, porém não se moveu, voltando a olhar para cima. Tentei ver se havia algo no céu, algo na direção onde ela olhava, para o lado onde minha casa deveria estar… Na direção onde a janela do meu quarto poderia estar…

Mas antes que eu conseguisse me sentir completamente mal por algo que eu desconhecia, antes que eu pudesse ser totalmente engolido pela terrível sensação que se abatia sobre mim, algo muito pior aconteceu. Ela reuniu fôlego quando eles já estavam muito próximos e, de súbito, gritou:
“SOCORRO!” Ela implorava alto em direção ao local onde eu deveria estar, ao mesmo tempo em que o enorme homem a agarrava.

11 Comments»

  • Sensacional! Muito bem escrito, empolgante e tem um mistério misturado com coisas palpáveis e reais junto do irreal…. quero a continuação.

    … bom na verdade, eu puxei o cutelo aqui e cortei um pedaço (metade) da continuação e deixei para uma terceira parte! =D

    Mas esta realmente muito bom e quero mais! =)

  • Felipe Lopez says:

    Obaaa !! Finalmente a parte II !! Esperei anciosamente por elaa !! xDD

  • *-*, muito bom, adorando ler este conto.

  • Alexandre Antolini says:

    Valeu pelos elogios pessoal.
    Guns, foi mal. Eu realmente não consigo ter noção do tamanho que vai ficar aqui quando separo o texto para por no doc. Você parou o texto mais ou menos pela metade e ainda assim ficou grande, imagina se você deixa como estava… Mas você cortou em um ponto legal, eu mesmo não teria dividido melhor, e isso vai me dar mais um tempinho para terminar a parte 3 (agora 4 xD).

  • É.. eu tentei pegar a parte né que ele ali.. bem… vocês saberão o que acontece na parte 3 =)

  • Andrey Ximenez says:

    Mt bom Alexandre… ta mt empolgante a história!

    *.*

    Aguardo a continuação!
    o/

  • Alexandre Antolini says:

    O Guns já postou na agenda a parte 3. É no início de novembro. Valeu!

  • Diego says:

    Muito bom! Vão ser quantas partes ?

  • Adoreeei ^^
    Está ficando cada vez melhor!!
    Fez lembrar casa do lago, que tipo viviam em anos diferentes.

  • ErykCruz says:

    muito bom
    estou contando os dias para meu primeiro conto sair, e para a terceira parte de o olhar do anoitecer tambem!

  • Alexandre Antolini says:

    Muito bom saber que vcs estão gostando.
    Pelo que eu estava percebendo, enquanto escrevia, o conto se dividiria em quatro partes. Mas como cada parte parece poder ser dividida em duas para postar aqui, o conto deve ter entre 6 ou 7 partes. Mas eu vou fazer todo o possível para que elas sejam postadas quase simultaneamente, ok?
    Abraços.

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