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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Oct
27
2009

O Suéter Azul

Escritor: Caio César Pompeu

o-sueter-azul

Era uma tarde de quinta-feira. No auge dos seus sessenta e oito anos e mais alguns trocados de vida, a idosa tateava com os dedos a tralha – uma salada de botões e trapos, na verdade – que estava dentro de sua ilustre caixa de costuras, procurando um alfinete danado que insistirá em se esconder, até então. Todo este ritual lento sob a luz pálida que atravessava a única, larga e distinta janela de sua sala, graças a um céu cinza de tão corpulento, raiando lá fora com o seu frio lastimável.

Ela sondava devagar, bem devagar, cada centímetro do suéter azul que tricotou numa disciplina férrea, durante dias após dias, lutando contra os tentadores cochilos depois do almoço, as novelas repetidas da tarde, o momento religioso de dar de comer aos pombos desamparados nos fundos de seu modesto quintal, onde as sombras das bananeiras e salgueiros-chorões se movimentavam com o vento inquieto, levando e trazendo os mesmos pássaros. Agora, com o silêncio das árvores, porém, ao longe, ouvia-se o chorar de um acordeom, a velhinha buscava total concentração para não perder a linha que segurara entre o dedo indicador e o polegar, ambos trêmulos, e assim passá-la pela cabeça minúscula do alfinete ordinário. Então, molhou a sua ponta no cantinho esquerdo da boca, e até nisso a dona levava jeito para fazer, provando ser milenar a vaidade feminina – a única vaidade.

– Fortes pancadas de chuva irão atingir Istambul no próximo sábado – disse o repórter, relatando a previsão do tempo de cada província, na telinha duma televisão.

– E o que é que eu tenho haver com isso? – sozinha, resmungou a mulher. A falta constante de companhia lhe dará este hábito.

Costurar as últimas partes daquela peça de roupa era o passo primordial no qual concluiria aquele fruto gerado por um ócio comum, e ela foi capaz de fazê-lo. O suéter, perfeito, repousava sobre as pernas da senhora cujos joelhos estavam gelados. A lã usada para fazer o suéter era de ótima qualidade, sem contar a sua cor tão semelhante aos mares que banhavam a região de Zonguldak. De uma forma ou de outra, culpada por tal feito, e, é claro, dotada por habilidades especiais.

Por fim, não houve linhas ou pinceladas a mais.

Levada por um tédio? Quem sabe, afinal, por um motivo desconhecido a mulher espetou o seu dedo. Um dedo enrugado – indiferente dos outros – que aos golinhos derramava gotas de sangue sobre o corpo do suéter. E esta gota penetrava entre os vários fios do tecido, deixando um rastro negro e amargo. O alfinete teve ousadia para sangrá-la, escorrendo um sangue turco e levemente metálico.

Foi embora a primeira gota, a segunda também, a terceira, a quarta, a quinta…

Nisso, os minutos passaram. O que realmente levou aquela mulher a se ferir? A tristeza? A curiosidade? Nunca seria possível saber, pois a satisfação de um artista é inexplicável.

Estática, a mulher idosa se via pelo reflexo do vidro pálido da janela meio quebrada. Os seus cabelos lisos e curtos, quase cacheados, eram presos por uma presilha – réplica magnífica dum botão de rosa solitário –, viúva, um olhar cansado, um nariz fino e bem desenhado: elegante; quanto à roupa: vestia um casaco e a sua saia longa tinha girassóis estampados e murchos. Assim que ela voltasse os seus olhos para baixo, logo, mais uma vez, veria o seu trabalho, sem saber mais, qual era a cor do suéter azul e desalinhado.


Categorias: Contos | Tags: , ,

8 Comments»

  • O site sofreu um problema com o servidor pela manhã… bem na hora que eu estava colocando o conto. Ainda não sei o motivo, na espera dos técnicos do host darem uma explicação.

    No mais, breve conto, simples mas é um bom início do César aqui no ONE. Seja bem vindo!

    Gostaram da imagem.. eu adorei, foi dica da Laize hehehe…

  • Caio César says:

    Bom, eis aqui o meu primeiro conto no ONE. Espero estar começando com o pé direito, afinal, esta simplicidade usada no “O suéter azul” é apenas uma forma de experimentar um diferente estilo literário. Logo, espero que gostem. Até a próxima – espero que compreendam a minha simplicidade,aliás.

    xxx

    Gostei da imagem, Guns. Fique bem.

  • E.U Atmard says:

    Muito bom Caio, tinha estado à espera, e acho que já previa algo deste género. Não sei bem ao certo o que tinha o fim, mas presumo que tenha algo a ver com a cegueira…enfim, não sei. Mas está muito bom, seja bem vindo Caio, espero que envies mais contos para o ONE

  • Hehe… a imagem foi mais cômica, esta meio fora do conto, mas gostei dela. =)

    Não importa a simplicidade, que para falar a verdade eu gosto em textos, o que importa é estar escrevendo. =)

  • É uma história bem calma, faltou um gatinho para fazer companhia hehe.

  • Rose Petite says:

    Caio que vc tenha toda sorte do mundo e que venham mais contos…!! Sabia que nao iria me decepcionar..rsrs estou muito orgulhosa de vc !!! Adorei.

  • Caio César says:

    Caio, coloque + conto pois sei q vc tem uns bem legais.
    Parabéns, continue assim!!!!!!!!!!!!!

  • Wania Christina says:

    Adorei, vc continua cada dia amadurecendo mais.

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