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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Oct
20
2009

Os portões

Escritor: Vitor Vitali

os-portoes

Um homem empurrou apressado o portal de entrada da igreja com ambas as mãos e fez as portas colidirem com as paredes com estrondo, como que para evitar que elas se fechassem sobre ele de última hora. Olhou em frente e no corredor central da Igreja viu o padre que dirigia-se a porta que ele acabara de abrir para tranca-la, era noite, e era tempo das pessoas procurarem Deus em suas camas, não na Igreja. Mas aquele homem havia tido um sonho ruim, e seus olhos eram de alguém que parecia estar chorando, mas nenhum lágrima escorria. Correu como alguém que não tem trilha a seguir e desabou aos pés do padre, segurando seus calcanhares com uma mão e seus joelhos com a outra em um abraço forte. O Padre se assustou no primeiro momento, mas sua mãe pensativa desceu após alguns segundos sobre a cabeça do homem oferecendo conforto. Seus cabelos assim como suas roupas estavam molhados pela chuva que havia parado de cair minutos atrás

O Padre se adiantou e perguntou de forma convidativa o que havia acontecido e pelos cinco primeiro minutos, por vergonha ou por estar imerso em soluços quase chorosos o homem nada respondeu. Só ficou ali abraçado as pernas do padre como se tivesse medo de que ele o abandonasse… que o abandonasse também.

Ele então ajudou o homem se levantar e o sentou em dos bancos de madeira escura da igreja. O Homem retirou os cabelos molhados da frente do rosto, mas evitou olhar para o padre e viu que a sua volta os vitrais coloridos, por onde passava a quase inexistente luz da lua, o observavam. Olhou para o chão e se pegou relembrando o sonho. Fechou os olhos com força como que para evitar que o sonho voltasse e o Padre o interrompeu com uma mão em seu ombro e a outra para fazer com que o homem o olhasse, e perguntou novamente o que havia acontecido.

O Homem lhe contou do sonho e do que havia acontecido a sua esposa. O Padre se lembrou de quem era aquele homem por fim, pois só o havia visto de terno com os cabelos longos penteados para trás. Havia acontecido um funeral semanas atrás. Ele então contou o que sentia. Sentia as mãos tremerem e o chão faltar quando se lembrava do quão importante sua esposa havia sido para ele. Se lembrava da forma como ela o tratava e como entendia seus defeitos e o ajudava a melhorar, assim como ele fazia com ela. Haviam tido pequenas brigas vez ou outra, assim como algumas poucas grandes, mas sua relação era estável ainda sim, pois ambos se amavam muito e ansiavam permanecer juntos para sempre. Mas para sempre não existia e ele havia percebido isso.

O Padre tentou reconfortá-lo, mas ele não parecia querer se reconfortado, parecia apenas querer falar, compartilhar o que sentia. Ele não precisava de Deus, precisava falar para não explodir e então o reverendo o deixou falar.

O homem continuou dizendo que às vezes sentia ela o observando, e ele sentia-se culpado por não poder ter salvo ela. Sentia como se ela o julgasse uma má pessoa que no final havia abandonado-a. E ele gritou que não a havia abandonado e um eco ressuou nas paredes. Então disse que sentia culpado por não ter conseguido chorar nenhuma vez desde que ela havia morrido. Sentia que devia algo para ela, em fato, sentia que devia TUDO a ela como se nada do que fizesse fosse ser suficiente para abrandar o espirito que o culpava. O Padre percebeu algo no homem que havia aprendido a perceber ao longo dos anos. Aquele homem estava preso dentro de si mesmo, e seria necessário uma chave para tira-lo dali, para deixar que toda a culpa e magoa guardada em seu coração escorresse pelo chão da Igreja.

– Ela te ama, sei disso – disse o Padre.

O homem levou a mão a boca e pareceu tremer em silêncio. Imaginou sua amada dizendo aquelas palavras.

– Ela não te culpa de nada, você fez o que pode.

Ele fechou os olhos.

– Ela sabia que você a amava, e acima de tudo ela o perdoaria.

O homem apertou a uma mão contra a outra.

– Ela te amava.

Sentiu o ar fugir um pouco dos pulmões.

– Ela te amava.

Ele tragou o ar fundo e se levantou empurrando o Padre, fazendo-o cair sentado no chão.

– Você não sabe nada! – Gritou o homem e saiu pelo portal.

Caminhou meio irritado, sentindo culpo por ter feito aquilo com alguém que tentava ajuda-lo, sentia-se com medo, sentia-se triste e acima de tudo inseguro. Deu volta na igreja e viu a sua frente um cemitério rodeado por cercas baixas de metal escuro em seu estilo vitoriano. Caminhou alguns passos a frente e abriu com rangido os portões do cemitério e entrou. Dirigiu-se ao corredor terceiro e caminhou até a lápide sessenta. Olhou-a por alguns segundos e sentiu a terra o puxando para baixo e se ajoelho sobre ela, sua mente sendo invadida por sensações e emoções que ele não queria mais descrever.

Devia ter chorado por ela, dizia sua cabeça. Queria ter chorado, mostrar que sentia-se irreparavelmente mal pela perda. Será que ela sabia isso? Será que poderia saber? Será que se importava? Ele a amava, disso não tinha dúvida e esse sentimento lhe corria o peito como uma ferrugem acelerada e ácida. Sentiu-se cansado e abaixou a cabeça até que sua testa toscasse o chão.

Ela estava ali embaixo. Tão perto.

Sua mão se moveu pela grama e tocou a foto na lápide. Não era a mesma coisa. A verdadeira estava ali, abaixo de seus joelhos e ele sentiu novamente em si um buraco que parecia consumi-lo, parecia mais do que um sentimento, parecia físico.

Puxou um punhado de grama com a mão e a observou. Sua outra mão desceu do joelho para a grama e puxou um punhado também. Antes de perceber o que fazia, suas mãos arrancavam a grama com voracidade e ele se pôs a trabalhar junto com elas. Cavou a grama com as mãos e a entrecortou com socos de raiva. Puxou grama, raiz e terra. Cavou até que seus braços tremessem e o suor lhe escorresse pela nuca naquela noite fria. Cavou até suas unhas se arrancarem e as pontas de seus dedos ficarem em carne viva. Cavou por tempo que ele não saberia contar e até que a ponta sangrada de um de seus dedos tocasse algo de madeira. Espalhou a terra daquela região e cavou mais em volta até que boa parte do caixão estivesse a mostra. Arranhou a tampa com as unhas que lhe faltavam e deixou dez rastros de sangue sobre a madeira. Levantou a mão esquerda no ar e esmurrou em um golpe de força única a tampa, e ouviu a madeira rachar. Levantou a mão novamente e golpeou a tampa. E novamente. E Novamente até que seus braço se enterrasse no caixão e arrancasse a parte de cima da tampa.

Lá dentro, parcialmente iluminada pela fraca da luz da lua estava sua dama branca. Ele a tomou nos braços e uma gota caiu de seus olhos e tocou a face gelada da morta. Algo no cabelo dela chamou sua atenção e ele a trouxe para fora do caixão até que a lua iluminasse completamente seu rosto e então ele viu, aquela não era sua amada, mesmo que a lápide dissesse que era. Ele largou a morta sobre o caixão e saiu do buraco na terra. Olhou em frente e viu a igreja.

Correu até a porta da frente e viu que estava trancada. Seu pé direito explodiu na madeira e os trincos da porta se partiram e voaram até a quarta fileira. Um homem vestido em seu pijama branco desceu uma escada na lateral e ele viu o padre que parecia pronto para dormir. Rumo em sua direção e antes que a boca do padre pudesse dizer algo sua mão suja de terra, ensangüentada e sem unhas esmurrou o queixo do homem de Deus e deslocou seu maxilar.

– Onde ela está, seu filho da puta?! – Gritou o homem para o padre, cuspindo dentro de sua boca. Mas apenas gemidos saiam.

– Onde?! – E o pé do homem pisoteou de uma só vez o joelho do padre fazendo-o se partir como um graveto. O Padre gemeu como um porco sendo queimado vivo e tomando marteladas na cabeça antes de morrer, de fato.

Daquele maxilar quebrado, como um profundo e permanente grito de horror, não sairia nenhuma palavra por um bom tempo.

O Homem soltou o padre, o único homem que poderia ser responsável pelo extravio de um cadáver. Ele então agarrou-o pela gola do pijama branco agora sujo de sangue que escorria grosso da boca, e carregou escada acima vendo o joelho com a fratura exposta ter seus ossos travadas nos degraus vez ou outra fazendo o homem gritar tão alto e tão horrendamente que provavelmente preferisse morrer.

Chegaram ao quarto do Padre e ele vasculhou atrás de algo que interessasse, mas não achou nada. Voltou para o corredor arrastando o homem de deus pela gola deixando no chão um rastro de sangue, e achou outro quarto, mas fechado. Seu pé rumou forte na altura da fechadura e a a tranca se espatifou e a porta abriu com um estrondo. Lá dentro, a visão de várias mulheres nuas penduradas na parede, todas embalsamadas, e um ou duas deixadas sobre uma mesa no centro. Havia uma estante na parede contendo vidros de lubrificantes diversos, uma câmera de vídeo e camisinhas. Ele soltou o homem e caminhou em direção a mesa. Viu nela uma ruiva de cabelos encaracolados, e uma loira de cabelos lisos com um dos mais belos corpos que ele já havia visto. Era sua esposa, mas ele não consegui chorar.

Inspirado pela música Cemetery Gates – Pantera.


Categorias: Contos | Tags: , ,

11 Comments»

  • Vitor, mais uma vez mostrando seu lado dark! =)

    Gostei do conto, o personagem escavando a sepultura com as mãos.. ficou bem legal!

    E não conheço essa música do Pantera… ao menos não pelo nome! Vou procurar aqui. =)

  • Vitor Vitali says:

    Eu realmente tenho que revisar melhor meus contos. God, eu só vejo os erros quando está publicado aqui. Desculpem o incomodo : (

  • Esses escritores estão com uma mania de se desculparem!! =)

  • sola says:

    Mto massssaaaa … escutano Pantera TB..soh podia sair algo from hell…

    mto bom…

  • E.U Atmard says:

    Bem vItór, muito bom mesmo. Um conto muito triste, cheio de acção, adorei. No fim lembrou-me um pouco o Perfume do Patrick Suskind, a ideia das mulheres embalsamadas e os óleos. Mas diz, quando é que o padre levou com marteladas na cabeça???, essa parte não entendi.

  • Andrey Ximenez says:

    Curti bastante… realmente… só notamos os erros depois q tds ja leram… Maldito seja Murphy… ¬¬

    Mas mt bom o conto vitor, mt bom msm!
    Abraz!

  • Ah legal a história, só depois que vi quer foi baseada na música. Bem descrita.

  • Vitor Vitali says:

    Esse é o tipo de conto sem muita história onde eu só queria sangrar alguém. Algo sem compromisso 🙂

  • RenanMacSan says:

    Bem legal o final, gostei. De Pantera não poderia sair outra coisa

  • Sei como é essa vontade de .. só querer matar. Só para dese-stressar, sem compromissos mesmo.

  • G. J. Pinheiro says:

    Espectacular!!! Meu conto favorito aqui. Tema muito bom e muito bem escrito. 😀

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