Paraíso corrompido – Adão
Escritor: Jones Viana Gonçalves

O vento fazia seus cabelos balançarem, a lua projetava a sombra de suas asas negras distante na noite adentro. Fazia muito tempo que ele não voava nos céus daquele mundo. Anos, décadas, séculos, não milênios enclausurado em seu velho mundo junto a seus quase irmãos, mas agora era livre no mundo das crias de Deus e realmente não deixaria de aproveitar aquilo. Porém ainda não era completo, apenas parte de seu poder fora trazido pelo ritual que o invocara. Precisava fazer a sua parte, não deixaria as coisas como sempre foram, não ele almejava alguma mudança. Espalhar o caos e o medo antes de ter de retornar ao inferno.
Parou seu vôo quando chegou ao local de destino de muitos dos mortos daquela cidadezinha escolhida para abrigar o seu retorno. A cidade era Gravataí e o local o cemitério municipal do rincão da Madalena.
Por algum tempo caminhou entre as lapides, agora sem suas asas vestia roupas quentes propicias para as temperaturas do sul, não que precisasse se proteger do frio. Não haviam mausoléus, apenas cruzes e lápides frias e em alguns casos ainda apenas as placas no chão. O que a entidade procurava era um nome, algo que deveria ser comum naquelas terras, mas que agora custava a encontrar.
Sentiu os pelos de seu novo corpo se eriçarem pela excitação de encontrar o nome.
- Adão dos Santos Silva. – falou em voz baixa o nome completo, só que apenas o primeiro era importante. – Ouça criança, você será o primeiro como sempre deve haver, venha, saia deste seu abrigo imundo! Deixe-me ver a sua carne podre e a carcaça que um dia foi o seu corpo sair do fundo desta cova e juntar-se a mim.
Por algum tempo ele ficou em silêncio, apenas observando o chão e nada acontecia. Continuou focado naquele pedaço de terreno sagrado sem entender o que poderia ter havido de errado até que a terra começou a ceder. Estes eram os primeiros sinais de seu sucesso.
A primeira parte do corpo do homem que apareceu foram as mãos que lutavam contra toda a areia e barro, os quais enchiam sua cova. Depois veio a cabeça semi-descarnada de um individuo que já teria sido enterrado há muito.
- Por que demorou Adão? – Perguntou a entidade enquanto olhava o cadáver agora vivo lutar para sair da própria cova.
- Aonde estou? – Perguntou o homem de volta. – Quem sou? Quem é você?
- Não Adão. Minha pergunta deve ser respondida primeiro e depois poderei responder as suas.
- Tijolos e concreto, isso me atrasou!
- Entendo Adão, agora responderei as suas questões. Primeiro aonde esta. Isto é o que os mortais chama de cemitério e você morreu a algum tempo. Você é Adão, o primeiro de meus “filhos” descarnados, aquele que junto a Eva acordara aos outros por mim. Não que não possa acorda-los sozinho, o que eu aconselho a fazer, mas estes seus “filhos” irão andar por pouco tempo, já aqueles acordados por você e Eva terão grande longevidade.
- Quem é você? – Adão agora parecia calmo, aquilo tudo lhe parecia mais natural do que qualquer outra coisa.
- Venha meu filho, meu nome é Lúcifer, venha pegue minha mão e eu lhe ajudo a sair deste buraco para que juntos possamos encontrar Eva.Escritor
21 Comments»
RSS feed for comments on this post.TrackBack URL








Espírito do Século. Novo RPG Pulp da RetroPunk já entrou em pré-venda!
Editora UNZA RPG estreia com suplemento GOBLINS em campanha para OLD DRAGON!
Alan Moore pede que leitores de Before Watchmen nunca mais leiam obras de Alan Moore
Papo na Estante 34 – Prêmios Literários
Papo na Estante 33 – Literatura de Entretenimento
Show, Don’t Tell ou Mostre, Não Diga.
Occupy Comics: Alan Moore e David Lloyd colaboram
Resenha do livro "O estranho mundo de Tim Burton"
Filhos do Éden - Herdeiros de Atlântida 


Eu acho legal, que começa uma descrição de conto, um acontecimento noturno… ai emenda o nome de uma cidade que eu conheço. Gravataí.
–
O Rio Grande do Sul é um bom lugar para construir histórias. Os nomes me lembram tradição.
–
Bom… na espera da continuação.. que ja esta agendada por sinal. =)
Interessante. Curto, mas instigante, realmente provoca a ansiedade para o próximo.
Ihhhhh… sinto cheiro de uma guerra épica xD
muito bom o conto!!!!! curto e conciso
Hum, interessante.
Irônico. Legal isso, essa idéia de fazer o caminho inverso. Os primeiros de Deus nascidos e os primeiros do diabo mortos. Vamos à Eva então.
Vamos à Eva então³.
perfeito sola
manda a continuação!
Muito bom jOnes, gostei muito. Mas pensei que não gostasse de temas religiosos, o que aconteceu? De resto espero pela Eva…
Bom, de religioso tem só o nome mesmo. =)
Eva me lembra robôs gigantes, mas também espero a continuação.
He he he he, Ta certo, de religioso só o nome, até porque nem sei se algo do genero serias considerado religioso.
@Alexandre Antolini você pegou bem o estilo mesmo, quiz fazer algo parecido com a criação, por isso o noe paraíso corrompido, e ainda pegando o primeiro homem e a “primeira” mulher. Mas nada diz que os dois tenham de ser m….. deixa assim, não vamos estragar as surpresas.
@Vinicios Machado não quero te desapontar he he he he
De resto agradeço a todos e fiquem do aguardo do resto da parte paraíso corrompido e o fim desta saga do D.E.I.S.
Aaaa e também, de religioso tem a imagem hehehe… Tinha que colocar uma pintura de Adão e Eva! =D
Caraleo, agora que eu vi! Tem uma Pizza ali do lado!!!! He he he he he muito bem bolado.
Eu sugeri algo que indicasse uma fração e apareceu uma pizza xD
Hehehe… pizza é o melhor simbolo para fração que conheço. =)
po claro, melhor ainda para nerds que são a base de pizza, salgados e coca-cola! xD
E muiito café!!!
Kkkkkkkkkkk
mt bom o conto Jones… gostei mais ainda por ser ambientado em Gravatai, embora conheça pouco essa cidade
-
=D
-
Aguardo a continuação!
Muito bom Jones, adoro contos com esse tema!!!!
Estou criando um universo e adoro usar esses temas!!!!
Tá de parabens!
@ Andrey, todos os meus contos do D.E.I.S. são ambientados em Gravataí, é onde eu moro he he he he.
Jones, gostei muito da ambientação em um cemitério brasileiro (ricos em detalhes e lendas, até mais do que os cemitérios estrangeiros). A idéia de contrapor o casal bíblico com seus pares revividos é uma ótima sacada. Vou buscar a continuação “Eva”.
Quanto ao conteúdo ortográfico, faz-se necessária uma pequena revisão, mas creio que isso não afete a boa narrativa do conto.
Abraços…