Renascença
Escritor: Ramon Artur

O velho esparramado pelo chão era um antigo grão mestre maçônico. Pelo menos é isso que aqueles que achavam que sabiam mais acreditavam. Para a policia era apenas um contador do centro da cidade, deixará esposa e duas filhas, uma legitima e outra adotada.
A policia fizera todo o isolamento da cena do crime e também já dispensara os investigadores. Alguns homens reuniam seus materiais de analises que enviariam a um laboratório qualquer.
Na sala dois homens observavam o corpo frio estirado sem marcas aparentes de violência. Louis Voutier um renomado empresário, dono de metade das casas de show e dos bordéis da cidade, acompanhado de Bruce Assunção experiente ajudante do grão mestre.
Bruce muito alvo fitava o corpo com uma expressão fria e altiva, as mãos pousadas dentro da calça social preta combinando com seu palito também negro e gravada vinho. Já Bruce usava uma camisa esporte azul clara e calça bege, seus cabelos bagunçados aumentavam a sensação de desmazelo.
Nenhum dos homens falou uma palavra sequer até o investigador vir pedir para que se retirassem em alguns minutos.
O primeiro a quebrar o silêncio foi Louis com sua voz melodiosa que mais parecia uma canção:
- Esse velho tinha de nos dar tanto trabalho até mesmo morto.
- Ele estava estranho, havia escondendo alguma coisa da casa.
- Já se foi o tempo em que a casa dos magos havia confiança.
- Vindo de um Vampiro isso não me ofende – rebateu Bruce – Acha que não sei como ascendeu ao poder?
- A vergonha não está em como se chega, mas em não assumir os atos.
- Chega de lorota, o fato é que alguém matou o velho.
- Você não tem idéia?
- Já disse que ele vinha estranho de uns tempos pra cá.
- Com certeza foi uma criatura muito poderosa, para ter matado um grão mestre assim tão fácil.
- Porque julgas que foi fácil?
- Não há o menor sinal de luta – arfou o ar gelado – e caso não fôssemos “entendidos” também acharíamos que não foi assassinato.
- Precisamos nos vingar, ao menos a minha casa precisa.
- Cada dia que passa acho mais certa a organização política da sua casa.
- Do que está falando?
- Nunca entendi porque os assistentes do grão mestre atual, eram excluídos da escolha do próximo grão mestre.
- De fato eu também nunca entendi.
- Então eu irei lhe contar – sorriu cruelmente – Quando as pessoas ficam perto do poder, elas começam a o desejar e muitas vezes traem seus princípios e seus protegidos para assim tomar seus lugares – passou a mão nos cabelos cumpridos – Já quando se corta completamente a chances do assistente se tornar principal, o coadjuvante se agarra com todas as forças ao ator principal para conseguir poder e respeito através do mestre.
- Faz algum sentido – concordou desanimado.
- Calma, ainda não acabou – disse – O outro motivo delicioso para não se deixar assistentes ascenderem de posto é o nível intelectual – respirou fundo antes de continuar sem olhar para Bruce – Seria desperdício ter outros candidatos a grão mestre exercendo funções abaixo de suas capacidades intelectuais, você é muito melhor para essas funções medíocres – pode ver a fúria no rosto de Bruce – Você é um ótimo comandado, mas como comandante é um ignorante por completo, aceite Bruce e ocupe seu lugar como eterno subalterno.
Antes que Bruce respondesse Louis virou-se e saiu andando a passos largos, sentindo aquele prazer na crueldade, peculiar dos vampiros. Na saída do prédio uma jovenzinha de cabelos escarlates o esperava.
Passou por ela sem lhe dirigir um olhar. Ela o seguiu de perto olhando para os lados com medo e agitação:
- Não gosto daqui, não gosto – disse a jovem – Esses magos nojentos estão por toda a parte, eu posso sentir.
- Acalme-se Susana – falou Louis entrando em uma limusine preta sob a noite nublada – O líder deles está mesmo morto, por hora não há com o que se preocupar.
- Morto!? O senhor…
- Mas é claro que não fui eu, você saberia sua idiota – respondeu ríspido – Mas temos que descobrir, quem ou o que matou ele é muito poderoso.
- O senhor acha que foram “eles”?
- A terceira casa não tem motivos para matá-lo – disse pensativo – Mas de qualquer forma é bom ficarmos ligados neles.
XXX
- A casa dos magos foi a segunda casa a ser fundada – dizia um homem de sobretudo preto – Mas com o passar dos anos cresceu de tal forma que foi considerada a mais forte dentre as três casas – disse – Durante a guerra que envolveu as outras casas foi considerada o ponto decisivo para a vitória de um dos lados.
- Me fale logo dos vampiros – o jovem que suplicava tinha cabelos castanhos e feições melindrosas no seu moletom azul escuro.
- Obviamente a casa dos vampiros foi a primeira a ser fundada, não há muitos dados sobre quando os morcegos começaram a se organizar – o homem pareceu confuso antes de prosseguir – Mas sabemos que por volta de 1500 a casa já era madura.
- Mais…
- Os vampiros são seres muito orgulhosos, que acabam batendo em muitas frentes de batalha de uma vez só, com isso acabam perdendo muito da sua real força – olhou o luar antes de prosseguir – creio que os magos teriam muito mais problemas se houvesse um líder de verdade entre os chupadores de sangue.
- E os Domenicos?
- Ah! A terceira casa – um sorriso de satisfação brotou nos lábios finos do homem de sobretudo – A mais cruel e bela casa, e também a menor.
O menino não entendia muita coisa sobre os Domenicos, só sabia que eram taxados de demônios por causa de seus chifres – Como são?
- São como eu e você, normais, ao menos aparentemente – explicou – a única coisa que difere os Domenicos fisicamente dos humanos é seus pequenos chifres no meio da cabeça, geralmente usam cabelos grandes e desgrenhados para disfarçar os pequenos chifres – acendeu um cigarro e tragou fundo antes de falar – Por causa dos chifres não são poucos que juram que os Domenicos são filhos de demônios.
- O que você acha Fredy?
- Eu não acho nada.
- São mais fortes que os vampiros?
- Fisicamente?
- Sim
- De todas as casas é a que reúne integrantes mais fortes fisicamente – falou – Suas “virtudes” são a força, rapidez, e sua infusão elementar.
- O que é isso?
- Absorvem elementos como água e fogo para tirar proveito de suas características, no futuro você verá com os próprios olhos.
- Eu tenho medo Fredy, você não pode me proteger?
- Mas é claro que posso, mas não devo e nem quero.
O garoto se contorceu no canto como se tivesse tomado uma bufetada.
- Então acho melhor eu me associar a alguma casa.
- Se é o que prefere…
- Acho que os Magos são os que mais se parecem comigo!
- Você não aprendeu nada seu retardado? – esbravejou – Aquele velho ti trancafiava e fazia experiências com você para você voltar para eles?
- Mas meus poderes parecem tanto com os deles, pode ser que me aceitem…
- Seus poderes não se parecem em nada com o deles – suspirou de cansaço e falta de paciência – Eles usam magia e o que você faz não tem um pingo de magia – continuou desanimado – Preste atenção, eles se concentram para liberar o poder e você se concentra para manter sob controle o poder.
- Mas… – tentou dizer o rapazola.
- Não tem mas garoto, você é anormal, aceite – gritou – quer queira quer não.
- Fredy não diga uma coisa dessas, você é meu amigo, você me ajudou a escapar.
- Você não sabe de nada rapaz, de nada!
- Então o que você é Fredy?
- Eu sou um eterno, a lenda é verdadeira.
- Você não morre nunca? Como os vampiros?
- Vampiros podem ter suas cabeças cortadas, magos seus feitiços quebrados, mas eu? Eu sou eterno, nada pode me matar.
- Porque me ajudou Fredy?
- Diversão.
- Não pode ser.
- Tanto pode como é – levantou-se – Agora adeus rapaz, e se quer me agradecer transforme tudo isso em uma guerra interessante.
- Não vá Fredy! Preciso da sua ajuda ainda.
- Não me siga rapaz, esqueci de dizer que os “Eternos” também são metamorfos.
- Existem muitos de vocês?
- Dois – virou no beco e antes de sumir na escuridão gritou – Adeus e péssima sorte.
O garoto começou a chorar copiosamente…
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Gostei do conto, achei legal esse personagem “eterno”.
–
Mas fiquei meio perdido com o tempo do conto. Tipo o título é renascença, ai tem polícia e investigadores, por fim aparece uma limousine. Fiquei meio sem noção da época que estava acontecendo a história!
–
E este é o primeiro conto Ramon Artur aqui no ONE, seja bem vindo. =)
Curti bastante… aguardo a sequencia!
=D
Uh, adorei o conto. O estilo e o assunto me interessam muito, no entanto me perdi nos diálogos. Talvez fosse interessante deixar mais claro quem é quem neles.