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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Oct
15
2009

Último olhar – Parte 1

Escritor: Carlos Geovanni Chrestani

ultimo-olhar

As pálpebras cadentes cerraram os olhos num movimento suave, condescendendo a solicitação, e uma série de imagens conhecidas, porém desconexas, substituíram as impressões do recinto semi-obscurecido.

Junto ao divã, sentado em uma elegante poltrona vitoriana, encontrava-se o psicólogo a anotar o comportamento do jovem. Toda reação era correspondida com movimentos frenéticos do lápis, sob o olhar atento do especialista.

— Diga-me Luís, o que vê?

Após breve pausa, respondeu:
— Nada. Não consigo ver coisa alguma. Somente ouço. Ouço muitas vozes.

— Consegue identificar o que estão falando? — inquiriu o psicólogo.

— Não entendo o que falam, mas sei que estão falando de mim. Sinto tocarem minhas mãos — disse o jovem alargando o sorriso.

— Você conseguiria identificar esse lugar?

— Acredito que seja a antiga casa de meus avós. Tenho quase certeza. O cheiro é inconfundível.

— Reconhece as vozes? Poderia dizer de quem é? — indagou seguidamente.

— Sim, algumas. Escutei a voz do tio Alfredo, da tia Lena, de minha mãe e também da vó Augusta. Ouço outras, mas não sei de quem se trata — falou com morosidade.

O psicólogo terminava de anotar as últimas palavras pronunciadas quando, inesperadamente, o semblante do rapaz deixou de lado a feição angelical para instantes depois, lágrimas verteram como se algo terrível estivesse acontecendo naquele momento. Logo em seguida ele agarrou a calça na altura das nádegas e, de modo abrupto tentou arrancá-la. Algo o incomodava.

Como resposta o psicólogo abriu um singelo sorriso, e anotou no bloco: fome + fralda suja.

Aproximando-se um pouco mais de Luís, ele anunciou a próxima estação que seria contemplada na já percorrida estrada da vida: o útero. Pouco a pouco o corpo do jovem rapaz foi sendo envergado. Os joelhos iniciaram deslocamento em direção ao peito, e os braços foram dobrando lateralmente, posicionando as mãos próximas a boca. Via-se pelo peito que o frenesi cedera lugar à brandura, e um sobe-e-desce ritmado foi estabelecido.

Admirando toda aquela tranquilidade e pesaroso por quebrá-la, o psicólogo iniciou novamente sua investigação.

— Como se sente?

O jovem movia os lábios de modo excêntrico, como se os tivesse explorando pela primeira vez. Então respondeu num murmúrio:
— Ótimo. É o melhor lugar em que já estive.

Rapidamente o psicólogo folheou o bloco e assim que encontrou folha em branco anotou: Útero: gestação aparentemente tranquila, sem sinais de violência e/ou trauma. “Está na hora de retroceder mais”, pensou.

Luís havia retornado ao útero de sua mãe por quinze minutos, e quando o psicólogo lhe informou que iria retroceder até o ponto em que obtivesse alguma lembrança, seu corpo retomou a forma inicial, deitado com as pernas paralelas e os braços ao lado do corpo, inertes. Deixou o semblante infantil e novamente configurou-se como o de um jovem sensato de vinte anos. Mas isso não perdurou por muito tempo. Passados alguns minutos o psicólogo notou as sobrancelhas desceram e os olhos apertaram como quando somos atingidos por luz muito forte.

— Pode descrever o lugar onde você está? — perguntou, direto ao assunto.

Como acontecia com a maioria dos pacientes, Luís demorou a responder. Algumas vezes parecia que se esforçava para pronunciar as palavras, como se uma força extra-corporal o impedisse de exprimi-las.

— Estou numa vila… — segredou instantes depois. — Vejo algumas cabanas no meio da mata. Tudo muito verde…

As últimas palavras chamaram a atenção do psicólogo, que sem demora anotou: Visão com distinção de cores. Ele em seguida formulou outra pergunta:
— E o que você está fazendo?

— Estou segurando uma arma — respondeu, sendo correspondido com o som do atrito do grafite no papel do bloco de anotações. — Estou apontando a arma para algumas pessoas… elas estão nuas.

— E quem são?

— Índios. Existem outras pessoas, como eu.

— São teus amigos?

— Não sei… mas também apontam armas para os índios — lamentou. — Não gosto do sujeito gordo.

— Quem é ele?

— Nosso mandante. Não gosto dele — respondeu, finalizando com um suspiro.

O psicólogo escrevia rapidamente.

— Por que não gosta dele?

— Não quero fazer o que ele manda.

— Ele quer que vocês atirem nos índios?

— Não — respondeu em tom ríspido. — Ele está mandando arrancar os olhos deles.

O psicólogo não terminou de escrever. Seus olhos, que naquele momento miravam o bloco de anotações, percorreram a trajetória mais curta para chegar ao rosto de Luís. Largou o lápis, perplexo. A expressão facial do jovem juntamente com a respiração ofegante transpassavam uma mistura de angústia e revolta; a camisa encharcada de suor grudava-lhe o corpo.

— Sabe me dizer o motivo de tal ordem?

— Ele não gosta das pessoas da mata. Poupa somente as meninas que são transformadas em escravas de seus desejos.

— E o que você fez?

— Ele me ameaçou… — falou, iniciando pranto desesperador. — Se eu não o obedecesse, ele mataria minha família.

Tremores violentos sacudiram o corpo do jovem, lembrando pessoas que entram em estado de choque. Ele cobriu os olhos com as mãos e começou a repetir sem cessar: Não quero ver… não quero ver… não quero ver… não quero ver…

Ao presenciar os efeitos que as recordações geraram em Luís, o psicólogo resolveu por fim a sessão.

— Escute-me Luís — solicitou Camilo — você está no ano de 2021, deitado num divã, e eu, Camilo, estou aqui do seu lado — ele segurou a mão de Luís. — Vamos voltar lentamente dessa longa viagem. Não se preocupe. Acalme-se.

Como quem desperta de uma longa noite de sono, Luís lentamente abriu os olhos e esticou os braços para trás, espreguiçando no divã. Camilo ajudou-o a sentar.

— O que houve comigo? — perguntou após sentir à camisa úmida.

— Como eu falei na primeira consulta, você saberá somente na última seção.

— Minha mandíbula dói — reclamou.

Camilo levantou da poltrona para alcançar a bolsa de Luís que estava sobre a mesa, e colocou-a sobre os joelhos do rapaz, que agradeceu.

— Isso é normal. Se deve a tensão produzida nessa região — Ele foi até a mesa e pegou a agenda. — E então, em que dia deseja a próxima sessão?

Luís não respondeu. Massageava suas bochechas.

— Está tudo bem?

— Sim, claro… é só uma dorzinha… Poderia ser para o dia 9?

— A tarde?

— Ótimo!

Camilo marcou no dia 9 de setembro, duas horas.

Luís abriu a bolsa e retirou um bastão de alumínio que se desdobrou quando ele levantou.

— Venha comigo — disse Camilo, enganchando no braço direito de Luís — esses meus tapetes são perigosos!

Em frente ao elevador, Luís esticou a mão para o aperto de despedida.

— Muito obrigado, doutor. Estou ansioso por saber tudo o que falei.

— E eu estou ansioso para lhe contar — respondeu o psicólogo que, ao voltar-se para dentro do consultório, lembrou: — Ah, estava esquecendo… boa sorte na cirurgia!

— Obrigado — respondeu Luís, entrando receoso no elevador.

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