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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Oct
28
2009

Último olhar – Parte 2

Escritor: Carlos Geovanni Chrestani

ultimo-olhar

Ele receberia as córneas de Elisa, uma garota que vinha sofrendo de problemas renais desde o nascimento e que faleceu depois de dezesseis longos anos de tratamento por rejeição dos órgãos que recebera. Pelo menos foi isso que Luís ouviu falar.

Ele soube do falecimento da garota na sala de espera do consultório de Camilo, quando atendeu o telefonema da mãe. Sentiu-se culpado por não ficar mais triste do que alegre. Pensou se aquela reação era correta, se estava no caminho certo agindo dessa maneira. Esperava aquilo a tanto tempo, que não ficar feliz seria enganar os próprios sentimentos.

Saiu do consultório e foi direto para o hospital, onde uma equipe médica o aguardava. O estômago diminuiu no trajeto da portaria até o quarto onde trocou de roupa e deixou suas coisas. Toda sorte de pensamentos lhe passou pela cabeça. “Será que amanhã estarei aqui? Talvez eu morra, e nunca mais possa ver a face daqueles que amo. Gostaria de ver o sorriso de meus pais, de meus irmãos, de meus avós e de, finalmente, ver as orelhas caídas e o focinho achatado de Balo.” Em contrapartida, adveio-lhe pensamento otimista: “Você verá a todos, pois foi isso que desejou a vida toda!”

— Ocorreu tudo bem! — anunciou o médico a toda família, que aguardava na sala de espera.

Gustavo, o pai de Luís, declarou surpreso:
— Foi rápido. Achei que demoraria muito mais.
— Com os avanços da ciência — retorquiu o médico, orgulhoso — conseguimos diminuir consideravelmente o tempo dos transplantes.
— E quanto tempo ele ficará vendado? — indagou Jasmine, irmã mais nova de Luís.
— Por volta de duas semanas.

As duas semanas passaram com rapidez devido a quantidade de coisas que Andreas, o avô materno de Luís, havia comprado. Entretenimento não faltava: audio-books e livros em braile aos montes ocuparam o tempo do rapaz entre uma visita e outra. Vó Augusta trouxera várias folhas de papel colorido, pois Luís aprendera a fazer origamis quando pequeno.

Luís aguardava o médico na enfermaria do hospital para retirar os curativos, anelando por sentir os primeiros fachos de luz transpassarem as retinas. Não conseguia imaginar coisas como a televisão, o computador, a lâmpada. Tudo isso estava prestes a ser explorado pelo seu mais novo sentido.

Finalmente o médico chegou. Seu Andreas, que trouxera Luís para o hospital, parecia o mais ansioso da sala. Luís tinha em mente que o pior já havia passado,e agora era só colher os resultados.

O médico pediu para os enfermeiros colocarem cortinas grossas nas janelas, e alertou o rapaz para o choque inicial, tendo em vista que, passados vinte anos na escuridão, não seria muito agradável as primeiras experiências com a luz.

Ao retirar a venda e posteriormente as gases e algodões, o médico autorizou Luís a abrir os olhos lentamente, lembrando-o que seria dolorido no início. E então, ele o fez.

A primeira imagem que penetrou em sua retina não foi muito diferente do que estava acostumado a ver… negridão. A sala havia ficado escura a tal ponto que era difícil diferenciar as coisas que ali se encontravam. Após alguns segundos pode perceber dois vultos a sua frente. Um deles se aproximou, deixando Luís um pouco assustado, pois o vulto, de repente, aumentou. O avô pegou em uma das mãos de Luís, e ele logo o identificou.
— Estou te vendo, seu Andreas! — exclamou, rindo.

Os dois se abraçaram. Tudo começava a ter sentido, como se aquilo que ele via já fizesse parte de si, ou que tudo aquilo que via já havia sido construído por sua imaginação.

Luís ansiava por encontrar sua família e fitar cada rosto pela eternidade afora, admirando-os com todo amor que sentia. Sabia que demoraria para ver nitidamente, entretanto, o fato de vislumbrar imagens difusas já o animava.

De súbito a porta se abriu com um estrondo e a sala foi inundada de luz. As pupilas de Luís contraíram-se rapidamente, e ele conteve o grito de dor, levando as mãos nos olhos. O som horrendo percorreu o quarto chegando até seus ouvidos, logo reconheceu a fonte: vó Augusta.
— Andreas — gritou a senhora, correndo para os braços do marido — eles morreram, todos eles.

Um jato de adrenalina jorrou por todo corpo de Luís. A gravidade deixou de existir. Os olhos, que estavam fechados devido a abundante luz, se abriram, e dor nenhuma foi sentida. Posteriormente ele confessaria que as sensações daquele momento foram semelhantes a dos sonhos sem nexo, inexplicáveis, que nada se entende e nada se conclui.

Pulou da maca e correu em direção à avó. Desesperado, agarrou em seus braços e perguntou aos berros:
— Quem? Quem morreu, vó?
Ela, ainda atordoada pelo acontecimento, abraçou-o e disse:
— Querido, eles morreram, todos eles… seu pai, seus irmãos, sua mãe.

Um ardor indescritível e incomparável irradiou nos olhos de Luís, e as primeiras lágrimas dos novos olhos correram por todo rosto. Ele nada sentiu além da profunda tristeza que abatera seu ser.

Segundo testemunhas, o caminhão avançou o sinal vermelho e colidiu de frente com o carro da família, que estava a caminho do hospital a fim de dar boas vindas a nova vida do filho e irmão. Os pais de Luís morreram no mesmo instante, já os irmãos morreram no hospital, um na entrada da sala de emergência e outro duas horas depois, na cirurgia. Soldados do corpo de bombeiros tiveram dificuldades para retirar os corpos entre as ferragens. O motorista do caminhão nada sofreu, e segundo o laudo da polícia militar ele estava embriagado.

No velório, Luís retirou os óculos escuros e observou-os, como desejou em toda sua vida. Todos estavam intactos nos respectivos caixões. Os rostos lisos, brancos e serenos, como num sonho eterno. Naquele instante, as lembranças da última sessão de regressão emergiram do subconsciente. Ali estavam as mesmas pessoas que ele ameaçou. Recordou dos rostos, do semblante de cada um. Ele estava diante dos índios que tiveram os olhos retirados violentamente por ele.

E então tudo ficou claro. Todas as reminiscências de uma vida passada manifestaram-se, e aquilo que ele deveria compreender, por fim, compreendeu.

Sentia brasa nos olhos, mas não podia deixar de contemplar as quatro imagens que jamais esqueceu.


Categorias: Contos,Último olhar | Tags: , ,

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