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Nov
23
2009

A Dama de Espadas – Capítulo Primeiro

Escritora: Tabata Scorpioni

a-dama-de-espadas

O mal da grandeza é quando ela separa a consciência do poder.
(William Shakespeare)

Havia muito tempo que não vinha nessa cidade. Nunca mais tivera coragem de colocar os pés nesse solo amaldiçoado. Uma terra que nunca lhe fizera bem algum. Só lhe trouxe dor, sofrimento e dificuldades.

E agora, estava de volta. Ainda se perguntava o porquê de ter voltado e simplesmente não achava resposta. Somente havia voltado, por uma vontade mais forte que a sua própria. Como se um ímã a estivesse atraindo. Ela só não saberia dizer quem era o pólo positivo, pois se tinha certeza de algo, isso era a ruindade e a mediocridade contida em cada tijolo de cada casa desse lugar, e também em si mesma.
Não era lá uma flor que se cheire, afinal. Definitivamente, não o era. E nunca fora.

Porém, ao contrário do que todos acreditavam, havia subido na vida. De maneira desonesta, utilizando-se de um talento raro que possuía, mas havia subido. E não se arrependia nenhum segundo sequer do que havia feito.

Arrependia-se sim, do que não havia feito.

Coisas como não ter conseguido impedir o assalto que levou o pai a falecer. E quando digo falecer, quero dizer assassinato frio. Ou não ter tentado mais duramente que a justiça fosse feita. Deixou-se desistir na primeira oportunidade que teve de fugir.

Ou então, ter deixado Alex para trás. Ele havia cuidado dela quando o pai havia morrido. Sempre a agradando, protegendo e amando. Sabia que ele era o homem ideal para si, contudo preferiu se envolver com outro tipo de gente.

E graças a essa gente, havia chegado aonde chegou. E ah, como amava estar no topo do salto. Com um nariz arrebitado e uma postura altiva, mantinha sempre um chapéu em sua cabeça, e os olhos sempre escondidos na sombra deste. Tratava a todos como ratos e aos ratos iam aqueles que a desafiavam.
Era a Dama de Espadas, e ir contra a sua vontade era abraçar a sua morte.

Deu mais um trago no Marlboro Red que segurava entre os dedos coberto pela luva de seda negra, e os vinte quilates de ouro branco em seu dedo anelar refletiram a meia luz sob a qual se encontrava. Os lábios rubros se entreabriram deixando que a fumaça saísse e o gosto acre da nicotina ficasse.

As pérolas e os brilhantes de suas pulseiras brilharam ao pegar a taça de Martini e bebericá-la. Tão sensual. Calculava cada movimento e todos a observavam, esperando pelo Grand Finale. Ansiosos para ver o que faria.

Ela era ardilosamente intrigante e totalmente imprevisível.

Não sabiam o que esperar. Nunca saberiam.

– Srta. Fontaine, é a sua vez. – Nada como um nome falso. Chrystal Fontaine. Apenas mais um entre outros milhares. Um em cada cidade. Adorava-os sinceramente. Pois como cada mulher diferente, ela poderia interpretar diferentemente. Ser uma pessoa diferente.

E ela o era, era todas as mulheres juntas em uma só. Da mais santa, a mais perversa. Da mais bela, a mais feia. Da mais inteligente, a mais ignorante. Da mais adorável, a mais desagradável. Era uma oposição, uma contradição.

Múltiplas facetas em uma só face.

– Paramos em quanto, Sr. Doyle?

– Três milhões e setecentos mil, Senhorita. – A Dama olha para as duas cartas em sua mão e dá mais uma tragada. Preparando-se para o golpe mestre. Infalível e extremamente discreto.

– Eu cubro. E acrescento quatro milhões. – Nisso, empurrou as fichas valorativas do cassino ao centro da mesa e enrolou um dos cachos louros em deus dedos. A dica.

– Senhores, as suas cartas. – Disse o croupier aos três homens sentados a mesa. Um de meia-idade e extremamente charmoso, com uma loira e uma ruiva penduradas em seu pescoço. Um chinês com uma carranca assustadora. E um italiano. Conhecia esse, era Lucca Vitoi, 33 anos, mafioso e o homem mais lindo que já vira na vida. E não viu poucos.

Os olhos escondidos pela sombra do chapéu observavam-no a todo instante. Estudando, apreciando, desejando. E também ele o fazia. Seu olhar pesado sobre ela a devorava, fixos em seus lábios escarlates e suculentos, que escondiam o mais perigoso sorriso.

Tinha que tê-lo.

– Senhorita, o seu jogo. – Fechou os olhos e se concentrou. Era a hora de fazer a sua mágica. Hora de ganhar o jogo.

As cartas da mesa eram um valete, um dez, um oito e um sete de espadas. Queria uma dama e um nove. Queria deixar uma vitória inesquecível. Pensou na dama e no nove dentro da cabeça de cada um presente. Incentivou as pessoas a creditarem. Fez com que acreditassem.

Abriu os olhos.

Acreditavam.

Jogou as cartas na mesa e todos foram ao delírio. Uma dama e um nove de espadas. Secretamente, o ás e o seis de ouro haviam se transformado em uma dama e um nove de espadas. Havia conseguido, de novo.

– Straight Flush ganha. Srta. Fontaine, é tudo seu.

– O quê? Não é possível! Ela trapaceou! – Era praticamente um dragão chinês que acordaram de modo equivocado. A face vermelha, as veias pulsantes na testa e as mãos espalmadas na mesa. Não aceitaria perder, não mesmo. Muito menos perder milhões de dólares para uma mulher.

– Caro Sr. Nagiki, por um acaso me viu trapacear? Tem provas? – Na verdade, ela tinha plena consciência de que aconteceria isso. Sabia que o chinês Yan Nagiki, comandante de uma rede de tráficos de armas, não iria aceitar perder. E foi por isso que levou o cigarro a boca e depois lhe abriu o sorriso mais belo e convidativo que poderia.

– Não, mas… É quase impossível um Straight… Ela há de ter feito algo…

– É improvável, não impossível, Sr. Nagiki. Nesse mundo, nada é impossível. E já que o senhor não possui prova alguma que me incrimina, retirar-me-ei. Mais sorte da próxima vez. – Apagou o cigarro no pequeno cinzeiro de pedra e levantou-se, assim como os outros três homens da mesa.

– Não, você não pode…

– Jeffrey, recolha as fichas e depois as troque, por gentileza. – Disse ao fiel e apaixonado escudeiro de um metro e noventa, olhos verdes e cabelos escuros. – Uma boa noite, cavalheiros. Espero poder ter o prazer arrancar-lhes um pouco mais de dinheiro em breve.

– Isso não irá acontecer de novo, Srta. Fontaine, estaremos preparados. – Disse Daniel Novik, o magnata de meia-idade com as mulheres penduradas em seu pescoço, com um sorriso sacana no rosto.

– Veremos, Sr. Novik.

Seus olhos encontraram os de Lucca por uma fração de segundos e sentiu seu interior transformar-se em brasa. Virou-se e deixou o recinto como um verdadeiro Imperador Romano, ou como a própria Cleópatra.
Circulou pelas máquinas de caça-níquel, observando as pessoas. Recolhendo cada sentimento e expressão como se fossem uma jóia rara e lapidada pela mão do mais exímio joalheiro. Expressões, em sua maioria, de tristeza, raiva e desapontamento por terem perdido. E outras felizes e orgulhosas, raras, por terem ganhado.

Dirigiu-se para o elevador. Precisava ir para o seu quarto urgentemente. Sentia as têmporas pulsando de dor, queria apenas um banho e relaxar. Talvez assistir alguma banalidade na televisão e só acordar quando os primeiros raios solares do dia lhe batessem no rosto.

Bem, com certeza não veria banalidades, ou sequer assistiria televisão. Não era uma mulher de fazer tais coisas. Tinhas coisas muito mais importantes e interessantes para fazer. Seu trabalho. Não possuía outra paixão na vida. Amava enganar e sempre vencer.

Havia sim, outro prazer, outro hobbie: aquelas pequenas e brilhantes pedras feitas de carbono ou grafite. Deus, era o seu mais adorado passatempo e seu maior defeito. Gastar tanto dinheiro em coisas tão banais e que não levaria consigo, uma vez morta.

Foi pensando em diamantes que parou em frente à joalheria do cassino e viu o mais lindo colar. Perfeitos hexágonos de diamante envoltos em fios de ouro e prata, com um pequenino rubi ao centro, numa fina corrente incrustada de brilhantes, feita de ouro branco maciço.

Maravilhoso.

Simplesmente… Maravilhoso.

A primeira coisa que lhe passou pela cabeça foi entrar na loja, comprar o colar dos sonhos e só sair dali com ele em seu pescoço. Porém, não o fez.

Continuou seu caminho normalmente ao elevador, entretanto em sua cabeça ficou a imagem da esplêndida jóia. Queria-a tanto. Mas não se deixaria levar por um vício. Venceu tantas coisas na vida, venceria mais essa. Havia acabado de se decidir por livrar-se desse consumo abusivo.

Entrou no elevador vazio e indicou ao acessorista o décimo andar, o último, o melhor. Podia-se dar ao luxo de ficar numa suíte presidencial e apenas ser a mulher mais mesquinha já vista.

No segundo andar, o elevador parou e a Dama, curiosa, levantou a cabeça. E sua curiosidade foi saciada da melhor forma possível. Era aquele que despertara seu desejo: Lucca. Ele não precisava ver seus olhos para saber que ela o estudava e almejava.

O italiano entrou no elevador e postou-se ao seu lado, enquanto a própria acomodava-se no canto e abaixava a cabeça, arrumando o chapéu.

– Foi uma bela vitória, Srta. Fontaine. Eu gostei.

– Acho difícil que o senhor tenha gostado de perder alguns milhões de dólares, Sr. Vitoi. – Ele riu. E que música divina. Era uma risada masculina, calma e marcante. Sem exageros. Poderia ficar a ouvi-la o dia todo.

– Com certeza não. Gostei do jeito que ganhou.

– O jeito?

– Sim. – Carregava um maravilhoso sorriso sarcástico rasgado na face.

– E o que há de diferente no meu jeito de vencer do seu? – Começara a não gostar do rumo dessa conversa. Não estava gostando nada.

– Eu não uso hipnose. – A Dama abriu os olhos de repente e sentiu as pernas amolecerem. Provavelmente cairia se não estivesse encostada na parede do móvel.

– O que disse? – Disse ao virar-se para ele, visivelmente irritada.

– Disse que usa hipnose para ganhar.

– Você só pode estar bêbado, ou é de verdade louco. Que absurdo. – Nem mesmo ela sentiu firmeza e verdade nas suas palavras. “Isso não está acontecendo”, era o que pensava e realmente desejava, procurava. No entanto, não conseguia encontrar.

– Não se faça de desentendida, Srta. Fontaine. A mim, você não engana. – O sorriso maroto continuava lá, e parecia que não iria sair tão cedo. Estava se divertindo absurdamente com a irritação dela. Conseguira, finalmente, tirá-la do sério. – Você, pelo que me parece, é daquele tipo de pessoa com uma origem humilde, com alguma tragédia ou trauma durante a adolescência. E que ao invés de lutar contra, apenas fugiu com o tipo de gente errada, e se utiliza de talentos e facilidades especiais para se sobressair e mostrar aos outros como é bela e rica. A senhorita gosta de pisar nas pessoas, mostrar-lhes que é superior. Por que realmente o é. Estou certo, não estou?

A Dama simplesmente não sabia o que dizer. Ele resumiu a sua vida em três segundos como se fosse a coisa mais banal e estúpida do mundo. Sentia-se um nada. Somente mais uma. Ele fez com ela se considerasse comum e ordinária.

Ele pagaria pelo insulto. Ah, pagaria muito caro.

– Tenha uma boa noite, Srta. Fontaine. – E deixou-lhe.

Quando percebeu, quando acordou do seu transe, o funcionário lhe tocava o ombro com uma expressão de pena.

Ora, não necessitava desse sentimento tão pobre e ridículo. Muito menos vindo de um pobre acessorista de hotel. Um coitado, que provavelmente pega uns três ônibus ou linhas de metrô para chegar à sua casa alugada no subúrbio. Um coitado que não haveria de ter onde cair morto.

Ela se desvencilhou do toque com nojo, o que não passou despercebido ao homem.

Tirou do bolso do casaco, longo e preto, uma nota de cinco dólares, entregou-lhe e saiu do elevador sem mais nenhuma palavra, deixando o acessorista embasbacado com a soberania e a superioridade daquela mulher.

E também imaginando qual seria a cor de seus olhos.


Categorias: Contos | Tags: ,

13 Comments»

  • Vitor Vitali says:

    Hmm, certo, outro dos melhores contos que já li aqui. Acredito que a Tabata seja minha autora preferida aqui do blog. Parabéns, muito bem escrito.

  • Uow.. belo elogia! =)

    Coisa que vai ter nessa próxima versão do blog.. cada autor poderá escolher seus autores preferidos… e contos preferidos. Para assim termos um hall of fame dos autores mais populares e contos mais populares! =D

    Vou ter de investir mais do que tempo para esse novo ONE sair. =)
    Se ficar como esta na minha cabeça.. vai ficar supimpa! =D

  • Thabata Scorpioni says:

    Guns, abençoado seja, você acertou em cheio na imagem! Eu me inspirei nela. Hahahaha
    E Vitor, tu não faz idéia de como a minha auto-estima cresce depois dos seus comentários. Obrigada. xD

  • Hahaha… então a cor dos olhos dela é verde! =)

  • Thabata Scorpioni says:

    Não necessariamente. Hahahaha
    São cenas dos próximos capítulos… 😡

  • Thabata Scorpioni says:

    Acabei de encontrar um erro: “Você, pelo que me parece, é daquele tipo de pessoa com uma origem humilde, com alguma tragédia ou TRAMA durante a adolescência.”
    O certo é TRAUMA.
    Desculpem. :/

  • cat manhosa says:

    MUITO BOM!
    Eu simplesmente adorei!!!

  • Vitor Vitali says:

    Agora estou confuso. É Thabata ou Tabata?

  • Thabata Scorpioni says:

    É Thabata. Mas eu aceito de ambos os jeitos. =)

  • Primeiro conto que li da Thabata, realmente muito bom, vou até ver os anteriores ^^

  • Nossa, agora que percebi… Eu já li os anteriores hehehe… São tantos os escritores que confunde O.o

  • Vitor Vitali says:

    Queria muito o resto desse conto 🙁

  • :) says:

    Oh, esses Ravnos.

    Muito bem feito, parabéns.

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