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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Nov
09
2009

Caminhos para a Verdade

Escritor: Renan Barcellos

caminhos-para-a-verdade

Estava eu lá, em meados de 1974, início da primavera. Não sentia a brisa nem o frescor, normais em tal época, mas sim um atípico e até irritante calor que inquietava a todos na região de Little Aphorn (embora fosse uma felicidade para os criadores de abacaxis). Por sorte a cidade era pequena, afastada dos grandes centros e pouco desenvolvida no quesito de construção civil e não ficava nem no norte nem no sul, mas exatamente no meio dos Estados Unidos. Por causa destes fatores o abafamento não se agravava (o que não diminuía o calor, apenas a sensação de sufocamento), mas mesmo assim: Era a primavera mais quente dos últimos cem anos.

Eu saía do meu colégio, o Instituto Howard, quem já assistiu “A sociedade dos poetas mortos” sabe exatamente como era o lugar. Rígido (embora um pouco menos do que no filme), pragmático e com um ditadorismo quase nazista. A clássica escola tradicional de cidades interioranas. E, como de praxe, os ditos filhos de boas famílias (Ricos, melhor dizendo) e os desafortunados que são forçados a parecer possuir estes status são obrigados a estudar (afinal, aparência é “tudo!”). Eu estava neste segundo grupo, minha familia queria por que queria que lá eu estudasse (manter a aparência, era o que diziam) mesmo sem ao menos perguntar o que eu realmente queria e a cada ano me matriculavam (é, sei que já viu esse filme). Sendo eu o filho bom não chegava nem mesmo a fazer objeção, não iria adiantar mesmo. Mas, doía (e como doía!) ver meu pai se matando de trabalhar pagar algo caro e desnecessário (por deus, existiam outras escolas!), porém, ai de mim se tocasse naquele assunto.

Estou dizendo tudo isso apenas para fazer volume. Minha vida estudantil não importa para o que vou contar, menos ainda a escola que eu estudava. O calor porém, teve certa importância, chego a pensar que foi o motivo de tudo. O que importa, afinal, era que eu saía do tradicional Instituto Howard, vestindo o mais ainda tradicional (E calorento) terno. Não o terno leve, usado em festas de gala, mas sim o terno idiota que alunos imbecis de escolas mais idiotas ainda tinham que usar não importando o calor.

Esperei até ter me afastado umas 3 quadras da academia para então tirar a vestimenta, não queria ser pego por algum professor ou pior, o reitor… Como era odioso aquele estúpido paletó em dias como aquele. Desabotoei dois botões da branca camisa social que me cobria o corpo e puxei-a de dentro da calça e então com a mão esquerda fui carregando displicentemente minha maleta e o paletó atrás das costas. Se algum monitor tivesse me visto daquele jeito, provavelmente essa história não estaria sendo contada… Alías… Tenho certeza que tudo o que se passou comigo aconteceria de um jeito ou de outro, exatamente do mesmo jeito (Acredita em algo como destino?).

Já estava pelas bandas da Rua Everest, que diferentemente do monte de mesmo nome não era imponente e nem um pouco fria, pena. Era uma ruazinha pacata, carros quase nunca ali passavam e ocasionalmente crianças faziam seus jogos nos pavimentos mal feitos. Calmamente eu andava, não havia pressa, prestava atenção apenas ao sacolejar do estojo que dentro da maleta estava. Passava em frente a um terreno baldio (que à noite já fora palco de muitos encontros secretos entre jovens casais apaixonados da região, mas isso era segredo) quando vi um estranho rapaz. Ele estava sentado em cima do muro e olhava perdidamente para o céu, com um ar de absoluta desatenção para qualquer coisa que não fosse azul e estivesse a quilômetros acima de sua cabeça. Não o teria notado não fosse a camisa preta de manga longa que ele usava, mesmo naquele calor infernal. Eu, curioso, olhei bem para ele, em uma cidade pequena como a que eu morava todos já haviam se visto muitas vezes e no entanto eu não tinha nem idéia de quem poderia ser o desconhecido. Enquanto eu o olhava, uma única e heróica brisa refrescante bateu sobre a rua, trazendo um frescor repentino e momentâneo. Ainda de olho no estranho percebi que algo voava ao sabor do vento, era uma única pluma ( e COMO era linda) que por mais incrível que possa parecer tinha vindo do rapaz, voltei-me para ele e então tomei, até aquele momento, o maior susto da minha vida.

Ele estava coberto de penas.
Não apenas com penas em cima dele. As penas ERAM dele. Cobriam seus braços e seu tronco, e seus cabelos, antes negros, lisos, que caiam até os ombros também faziam parte dessa louca plumagem composta de muitas penas. Não plumas brancas como a dos tolos anjos, (como Você, leitor poderia estar pensando) mas sim Penas Negras. Penas de corvo. Elas se agitavam com a súbita ventania, que tão deslocada parecia naquele caloroso dia. Eu consegui ouvir até mesmo o farfalhar que diabolicamente me hipnotizava e me impedia de sair daquele “feitiço”. Preso, eu fui capturado.

Do mesmo modo súbito que tudo começou, terminou e o encanto… Se desfez. O que eram penas voltaram a seu outro estado, pele, cabelos negros e tecido da camisa preta de manga longa. Libertado da paralisia que havia me acometido, soltei um “hã?!” de susto e então ele percebeu a minha presença. Pobre de mim, mais surpresas viriam naquele dia. Ele virou-se para trás e naquele instante tive a certeza de ouvir um pequeno sino (plin-plin-plin), como nos guizos e então imediatamente ele estava vestido como um bufão, um bobo da corte, um Joker. Roupas coloridas e berrantes, sapato pontudo e curvado (com um pon-pon na ponta) e para completar, o clássico chapéu de três pontas onde guizos chacoalhavam e se agitavam com o vento. Ele sorriu de orelha a orelha (Como se tivesse a certeza de saber mais do que eu. E sim, ele sabia. Do mesmo jeito que todo joker sabe mais que seu rei.), mas seus olhos tinham o olhar de um louco. Sorriso de um coringa. Olhos de “O Coringa”. Parecia um psicopata a olhar para sua vitima.

De lá de cima do muro ele continuava a me encarar. As vestes de coringa haviam desaparecido, sendo trocadas por sua jeans e a camisa preta. Só restaram o sorriso e o olhar, que em sua aterrorizante combinação permaneciam inalterados. Pareceu-me que horas se passaram com ele a me encarar (Tempo é relativo, ou como eu veria muitos anos depois, O tempo é uma face na água. Tudo naquele dia pareceu durar no mínimo horas, me pergunto quantos dias estavam dentro daquele dia) e então pulou do muro graciosamente e pousou no chão (sim, pousou, não houve barulho na queda e seus joelhos nem mesmo se mexerem ao contato com o solo) e tenho certeza que pude ouvir um farfalhar de asas. Mas, o salto foi muito rápido. Nunca saberei o que realmente ocorreu (embora eu possa ter uma idéia). No chão pude observar melhor seu rosto, o estranho sorriso havia mudado, sorria como se tivesse encontrado um amigo de longa data e, felizmente, seu olhar de louco já não encontrava lugar em seus olhos negros. Suas feições eram surpreendentemente comuns, mas eu não conseguia precisar sua faixa etária, poderia ter desde 13 à 31 anos (às vezes parecia apresentar duas idade diferentes). Tive a certeza de que seria a pessoa mais peculiar que eu veria em toda a minha vida… Isso se fosse realmente uma pessoa (nunca consegui chegar a uma conclusão).

– Finalmente! Já estava desistindo. Ahh… Tantas foram as vezes que passou por aqui e não me percebeu… apenas me via.

Aquela voz que parecia não ter timbre, embora eu tivesse certeza que grossa não era, talvez um pouco aguda e cheia de escárnio (como a de um bufão), atingia meus tímpanos como trovões invocados por algum deus maligno. Eu, tímido e imponente, diante de tal figura assombrosa demorei alguns segundos para esboçar uma resposta. Ao menos consegui não gaguejar.

– Sim, sempre passo por aqui, mas é a primeira vez que lhe vejo. Não entendo o que você diz.

Eu estava confuso, ele havia dito que eu já havia visto-o, mas isso nunca acontecera. Ele era um completo estranho para mim.

– AH! Agora essa! “Primeira vez que te vejo”. Perceba, todos já me viram, e viram muitas vezes, é fácil ver. O difícil é perceber, ENXERGAR, e isso, meu amigo, poucos conseguem.

A resposta dele me atingiu como uma pedrada na nuca e então me dei conta que há muito já havia visto o estranho ser à minha frente. Claro que o havia visto, agora parecia ridículo pensar no contrário. Em minhas memórias eu conseguia finalmente perceber sua sombra, como um vulto discreto na borda de uma foto antiga. Agora sabia que em muitos lugares ele estivera… Realmente… Muitos lugares… Talvez todos.

– He He. – Deu uma risadinha abafada – Lembrou agora né? Todos se lembram a partir deste ponto.

Novamente o sorriso sinistro se formara em seus lábios. Eu queria fugir do local, mas ao mesmo tempo que era assustador era fascinante. A curiosidade e algo mais me impediram de simplesmente sair correndo naquele instante.

– Como se chama?

Ele riu sonoramente, como se aquela fosse a pergunta mais tola a se fazer… E realmente era.

– AHHH… que besteira… Nomes não são importantes. Já fui chamado por vários nomes, muitos não mais me recordo, tenho muitas alcunhas e sou conhecido em muitos lugares. Porém nada disso é importante. Mas, se realmente precisa me chamar de algo, chame de Hugim – disse ele parecendo um pouco desapontado.

Não conseguindo uma resposta satisfatória, tornei a lhe questionar:

-Afinal…

– Eu sou apenas Eu. Não existe resposta melhor.

Até hoje me pergunto se teria ele lido a minha mente ou simplesmente deduzido a pergunta. E minha opinião pende muito para a primeira opção. Mas, como não estava satisfeito, ia fazer-lhe outra pergunta, entretanto antes que eu abrisse a boca, lá estava ele a falar, embora não fosse o que eu iria perguntar.

– Mas, sobretudo, sou alguém que busca algo. Algo que jamais poderei alcançar. – desta vez sorria agradavelmente.

Percebi naquele momento que eu mão tinha direito ou opções naquela conversação. Ele conduzia o diálogo com tal maestria que eu não podia fazer outra coisa qual senão o que ele queria, ele me levaria ao rumo que quisesse. Falava e já sabia o que eu tinha para perguntar. Estaria eu preso a um feitiço? Nunca irei descobrir.

– E o que é Hugim? O que você tenta alcançar?

– AH! Essa È uma boa pergunta, Louis – Sorriu ele cinicamente. Tudo estava conforme seu planejado – Eu busco A Verdade – Nesta hora seus olhos se esbugalharam de um modo a parecer que breve soltaram de suas órbitas. Olhar de um louco.

Mas, independente de sua expressão, o pior foi ouvir meu própio nome saindo de seus lábios. Louis. Ele SABIA meu nome! E eu tinha absoluta certeza de que não perguntara a ninguém. Simplesmente sabia. Mas, eu não entendia o que ele queria dizer com “A Verdade”. O que queria ele realmente dizer? Naquele momento eu ainda não sabia, então comecei a pensar nas mais loucas possibilidades. Mas, eu, em minha cabeça de rapaz da década de 70, nunca chegaria nem mesmo perto do que ele quis dizer. Então, perguntei e , pela força que aquilo representava, gaguejei.

– Como assim A V-V-V-Ver-verdade?

Ele Manteve seu sorrisinho de superioridade. Esticou suas costas como alguém que desperta de um longo sono e encostou-se no muro, como um malandro que teve uma vida cheia de bandidagem. Hugim fechou os olhos por algum tempo, como se tentasse lembrar de algo. Cheguei a pensar que ele adormecera. quando cogitei em chacoalha-lo, o estranho rapaz abriu os olhos. Assustado, dei dois passos para trás. O estranho me encarou então com um riso de superioridade. Eu odiava seus olhos, pareciam entrar no fundo da minha alma, mas, naquele instante, percebi que havia também um semblante sonhador.

– Eu não falo sobre uma verdade qualquer, dessas que todos falam estar dizendo, principalmente quando mentem, mas sim “DA VERDADE”. A Verdade que rege esse mundo… E todos os outros. Encontrá-la é difícil, algo beirando ao impossível eu diria. Afinal, se fácil todos saberiam… Bem, os caminhos para atingi-la são muitos. Se alguém souber exatamente o caminho certo, algo como uma linha reta, um atalho, bem… Em 15 minutos, ele estará aqui, me procurando, por que se existe algum corte-de-caminho, sou eu.

Ele fez uma pausa, uma pequena e ínfima pausa, quase inexistente.

– Ninguém acha sozinho o verdadeiro inicio, é impossível, afinal, tudo pode ser um caminho Ódio, Vingança, Laços de Amizade, Compaixão, Solidão, Sonhos… Principalmente estes, existem outros… E mais dispares que o inicio, são elas, as chegadas. Para uns A Verdade pode tomar a forma de uma Torre, mas, pode ser também uma Rosa, ou um Anel, uma Ilha, quem sabe um Portão, ou até mesmo os Salões do Crepúsculo. O que importa é: Devemos enfrentar o dragão.

Ele fez mais uma parada, como que para respirar (Eu não sabia, entretanto, se ele realmente precisava de oxigênio… chego a imaginar que não…) e então voltou com o insano discurso, pouco compreendi desta outra parte, que falava de nomes conhecidos, mas, de pessoas inexistentes… Menos ainda que na primeira.

– Muitos tentaram e acredito que nenhum conseguiu… Eu saberia. Houve um homem que disse ter ido além da verdade e que ela era somente outra mentira… Coitado, nem chegou perto, afinal… E o engraçado é que eu estava SIM ao lado dele, mas aquele velho, Merlin, não dava nem atenção. Pobre Mordred, ficou louco em sua busca. Bem, mas,P.P, Peter Pan esteve em Mordor sim, bem como o Mágico era realmente um charlatão, Dorothy Gale uma má pessoa, a bruxa a dona da razão, o espantalho um manipulador e o Homem de Lata um… pistoleiro. É tudo estranho, diferente do que dizem, prefira confiar em Anakin do que no baxinho verde, o Goblim que fala errado. Antes confiar no mago branco do que no mentiroso cinzento, que sozinho poderia destruir o Senhor de Todo o Mal, no entanto não fez.

Eu não havia entendido absolutamente nada. Eu conhecia alguns dos nomes, (Mordred eu só viria a conhecer algum tempo depois) mas postos em situações bizarras. Que teria Peter Pan haver com a Mordor de Tolkien, o que Dorothy tinha de má, ou o tolo e descerebrado espantalho de manipulador… E todos os outros com seus papeis deturpados? Eu não sabia… Mas perguntei outra coisa.

– Porque simplesmente não fala o que é A Verdade?

– Não é algo que possa ser ouvido ou dito. Apenas visto. Você deve ver para então compreender. E, mesmo que do contrário fosse, nunca mencionei que conheço a verdade.

– Você NÃO conhece?!

Fiquei extremamente espantado com tal declaração. desde o inicio da conversa tive certeza que se A Verdade fosse algo tão MISTERIOSO, ABSTRATO e principalmente PODEROSO quanto parecia, aquele estranho ser com certeza conheceria. No entanto lá estava ele, à dizer que nada sabia. E, após ouvir minha exaltada pergunta, voltou a sorrir de orelha à orelha e por um segundo tive a impressão que seus dentes eram serrilhados como os de um tubarão, mas que estranhamente me lembraram um corvo.

– Não, eu nunca vi. Uma vez, há muito, muito tempo, eu apenas tive um breve vislumbre, coisa de não mais que poucos milésimos. Pena… Gostaria muito de possuir todo aquele conhecimento. Assim como eu, outros também chegaram onde cheguei. Talvez até mesmo mais perto ou por mais tempo, se isto existir. Lembro-me de um que chegou um pouco mais perto do que eu, Aslam era seu nome e ele gostava muito de leões, embora eu nunca tenha descoberto o motivo. Havia outro também… um baixinho, depois de ver sua parcela começou a chamar a si mesmo de mestre dos magos, ora… Patético… Se era tão poderoso assim por que não fazia-lhe crescer o tamanho e crescer cabelos? Baixinho também, e verde ainda por cima, era aquele ser que falava ao contrario e dizia que tinha algo chamado A Força, como falei anteriormente, eu não confiaria nele e sim no tal de Vader. Tenho muito mais admiração pelo outro, espalhou parte dos seus conhecimentos para o povo. Infelizmente foi morto por isso… Hoje é conhecido como Cristo, sua história foi mudada, seus ideais desfigurados e sua ética estrupada, mas vocês o louvam, sem nem mesmo saber ao que oram… Será que existe alguém para ouvir preces? Será que esse alguém liga para elas? Sim, existe, em algum lugar existe, talvez não aqui, na terra onde as sombras se deitam, mas em algum lugar realmente existe, já em outros, não.

Eu estava estarrecido, primeiro Tolkien, depois C.S Lewis e agora o próprio Jesus Cristo, junto com uma discussão talvez pagã (nessa época, minha mente ainda não era aberta. Paganismo era coisa do diabo, tolices de alguém que não preza alma) ou atéia!
Eu não tinha idéia de porque aquelas figuras foram citadas ou Deus ridicularizado, mas, naquele instante nem me importei. Minha curiosidade fervia e eu tinha que perguntar mais coisas. Tudo conforme ele planejara.

– E por que fala tudo isso para mim? Parece que você almeja que eu mesmo busque a verdade. Mas, porque?

Instantaneamente o riso predatório voltou. Seu olhar era o olhar de um falcão para com um rato. Eu caça, ele caçador. Acima de mim na cadeia alimentar. olhava-me com seu rosto ferino e sem idade precisa. Quando pensei em desviar o olhar ele falou:

– Há muito tempo eu tive minha própria busca, mas, em certo ponto, falhei. No final não consegui passar pelos portões da verdade, apenas entreabri-los em mínima fresta. Muitas novas tentativas vieram, mas, por motivos extraordinários, e que não fazem parte de nossa conversa, fui banido. Impedido de fazer meu próprio trajeto…. Ahhhh, mas posso guiar, acompanhar aqueles novos viajantes que buscam suas jornadas.

Eu tinha uma pergunta na ponta da língua, mas poderia ser um pouco ofensiva. Claro que seria ofensiva! afinal, ele próprio não havia dito que aquilo não era parte da conversa? Mas no final, busquei força e ousadia para perguntar. Abria a boca quando ele interveio.

– Não Louis, não pergunte. Falei que não era parte da conversa. Talvez um dia saiba você mais sobre minha história, minha lenda. Mas agora, não é muito… Educado… Perguntar.

Eu gelei. Ele estava totalmente sério, como nunca estivera em outro momento. Mas, para minha sorte, nada aconteceu. Apenas a volta daquele sorrisinho sarcástico no seu rosto antes de continuar a falar. Muita sorte a minha… Pensei que iria morrer naquele momento…

– O que importa é que você sabe o que quero. Você conseguiu me enxergar. Isso mostra que a mais em você do que nem você mesmo imagina. É diferente dos outros, Louis. Então, tem plena capacidade de fazer sua busca e quando o fizer, irei junto de sua pessoa. Nem adianta tentar seguir sem mim, não sairia do zero… Mas, sei que ainda há duvida em você. Não está certo do que quer… – pareceu pensar por alguns segundos, como que estivesse tomando uma importante decisão – Pegue.

Ele havia me estendido uma única pena negra. Fiquei apreensivo em aceitar… Quem não ficaria? Parecia um presente do próprio Satanás (E quem sabe não fosse?). Vendo minha exitação ele moveu o braço para frente, insistindo para eu pegar. Minha mão então moveu-se sozinha, automaticamente pegou a pena, brilhante e negra, e colocou dentro de meu próprio bolso. Fiquei estático, paralisado, e, quando finalmente consegui me mover, cambaleei como um bêbado, me apoiando no muro do, até então esquecido, terreno baldio. Eu olhava para baixo, ofegando como se me recuperasse de um grande susto. E era isto mesmo que eu fazia.

– Quando e se decidir encarar essa missão segure a pena e chame por meu nome. Se seu desejo pela Verdade for real, se o desejo pela jornada for verdadeiro, aparecerei novamente. Caso nunca decida fazer isso passe-a para alguém que acredita na história que contará para todos os interessados.

Virei-me novamente para Hugim, mas ele não mais estava lá. Pude ouvir apenas o farfalhar de asas. E o crocitar de um corvo.

Esse é o relato de tudo que aconteceu naquele inesperado encontro. Não é nescessário dizer que nunca chamei por aquele estranho ser. Não por deixar de acreditar. Mas sim por acreditar naquelas palavras, embora a frase “ELE MENTIU EM CADA SENTENÇA” não saia de minha cabeça. O que acontece é: Tive medo.

Talvez tenha você a alma de um intrépido aventureiro. Neste caso, aceitará esta tarefa que lhe foi deixada. Mas aviso-te: Não confie de todo no estranho ser. Agora, você sabe o que fazer.

Um dia te encontro na clareira no fim do caminho, após a segunda das suas grandes jornadas. E então, você tudo me contará sobre a lenda que você mesmo escreverá.

Vai enfrentar o Dragão?


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9 Comments»

  • Tentei colocar a imagem do cara ali em cima como uma alusão ao cara das penas pretas… mas acho que foi #fail total =P

  • sola says:

    Continua ?!?!?!!!

  • Bem ao estilo de “Sympathy for the Devil”… parecendo estar além do bem e do mal… um verdadeiro “teaser”! Muito legal!

  • Vinicius Machado says:

    Legal! não faz muito o meu estilo.

  • Renan says:

    Pensei que já tinha respondido 😡

    Obrigado por comentarem pessoal, fico mt feliz xDD
    Sola, essa história não tem continuação direta, no entanto o personagem hugim aparece na maioria das coisas que eu escrevo. Ele é o meu Randall Flagg.

    E pensando bem, ficou bem parecido com um teaser, como Elcio comentou xDD

  • Randall Flagg?! Gostei da refencia 😉

  • Muito bom o conto! As referências aos vários personagens me surpreendeu!!! =D

  • Sara says:

    Nossa… =D Me lembrava que essa história era boa quando li no Nyah, mas agora todas as histórias citadas ou frases fazem mais sentido.
    Tentei fazer uma lista das referências feitas pelo Hugim, mas acabava sempre me perdendo. x_x Parece pra caramba com o Homem de Preto… Só que eu ainda acho ele bem mais sinistro (depois de ler “Mago e Vidro”, não tem como não achar). Enfim, gostei muito desse conto.
    Agora, só resta-me criar vergonha na cara e começar a ler suas outras histórias, Renan! XD Quero ver o que mais Hugim vai aprontar por aí.

  • Lucas Salustiano says:

    Nossa, impressionante. Hugim é o corvo de Odin na Mitologia Nórdica. Ele representa o pensamento. Somente pensando iremos encontrar A Grande Verdade. Uma maneira inteligente de se passar essa mensagem o seu texto. Muito bom 😉

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