Colibri – Parte 1
Escritor: E.U Atmard

A noite estava calma. Sol tentava, ainda que por um momento dormitar, estava cansada, irritada. Fechou os olhos por um momento e apreciou o silêncio. Ah…como estava tudo em paz…
-Sol? Sol? Atende o telemóvel! – disse o telemóvel, amaldiçoado objecto, que tinha passado para o atendedor de chamadas.
-Diz Valério… – disse ensonada.
-Nem digas nada! Temos uma anomalia em na região de Braga. Sei que estás por esses lados, por isso vai para aí, se fazes favor. Vou-te enviar o endereço por mensagem. Uma hora no máximo.
-Eu acabei de fazer uma missão que demorou três dias! Por isso podes ir à… – a chamada caiu. Sol levantou-se, vestiu-se, pegou na sua Sako TRG, que tinha pedido emprestada a um soldado albanês, que pôs na mochila nas costas, e no par de pistolas automáticas que guardava numa gaveta, e pôs-se a andar.
Conduzir o carro com sono é crime, mas esse é apenas um dos privilégios de se ser das operações secretas. A verdade é que quando ouviram falar da D.E.I.S (Departamento Especial de Investigação do Sobrenatural), um grupo de freelancers decidiram começar a tratar do assunto pelas suas próprias mãos. Tudo correu bem até que o exército ouviu falar disso, e decidiu integrar o Departamento nas operações secretas. Ao contrário dos agentes do Brasil, os portugueses tinham demasiado medo de terem de enfrentar escândalos.
Sol era uma agente experiente. Estava farta de combater aberrações, e estava cansada demais para o fazer. Se não tivesse absolutamente de o fazer, não pensaria duas vezes. Entrou no bairro, disfarçada com um grande sobretudo, fumando um cigarro. Tinha de passar despercebida. Uma mão cheia de homens berravam numa tasca. Umas mulheres gritavam umas com as outras pelas janelas estreitas que quase se tocavam. Era uma barafunda em que não dava para ouvir os próprios pensamentos.
De repente tudo se calou. Um homem encapuçado, com o barrete enfiado até aos olhos avançou pela rua com um sobretudo. Todos fizeram silêncio, e deixaram-no passar, e só retomaram as suas ocupações quando ele já não estava por perto. Sol viu-o passar mesmo pela sua frente, e conseguiu perceber que se tratava de quem a tinha levado lá. Seguiu-o até um edifício velho, numa rua estreita e desabitada. A porta estava trancada. Ela rebentou com a fechadura.
O homem estava sentado numa poltrona, à volta de um mar de gente morta. Sorria por entre os olhos azuis, e batia com uma caneta na mesa. Olhou para Sol, que tinha arrancado o sobretudo na rua e agora parecia um tanque de guerra prestes a rebentar. Continuou com um sorriso patético, e levantou-se.
-Quem és, e o que és?
Sol não obteu nenhuma resposta.
-Responde! – e esta apontou uma das automáticas à cabeça do homem. Este não se mexeu, e sem sequer de virar transformou a pistola em líquido. Sol gritou de dor.
-Filho da puta, não sei o que fizeste com estas pessoas mas és a besta mais sádica que eu tenho visto nos últimos tempos.
Sol esvaziou os cartuchos da sua outra pistola, na cabeça, na barriga, nos pés, não houve um sítio que sobrasse. Quando deu pela falta de cartuchos, procurou montar a Sako, mas este não lhe deu tempo. Num golpe, uma espécie de espírito azul mudou para outro corpo, que se levantou e projectou a arma para fora da casa. Depois congelou o apartamento, e Sol sentiu que o mundo gelava à sua frente. Depois o ser ameaçou destruí-la da mesma forma que o fez à sua arma, mas Sol foi mais rápida. Atirou um foguete de sinalização, e enquanto a besta se recompunha fugiu para fora.
-Valério! Preciso de reforços, tenho um caso lixado nas minhas mãos. Manda alguém! Por favor manda alguém! – a voz outrora confiante tinha agora quebrado, e era uma agente suplicante quem pedia.
O ser avançou, sempre com um sorriso, e arrancou uma laje do chão, atirando-a contra Sol. Esta gemeu, preparando-se para encontrar o seu destino. Estava ferida, e não aguentava mais nada. O ser então falou:
-Eu não estou aqui para fazer mal. Não o farei, e tu não o farás. Não que pudesses claro. Nós somos muito mais do que tu alguma vez poderás ser. Aviso-te. Desiste desta investigação. Coisas maiores estão para acontecer, e em breve nada do que vocês possam fazer será suficiente.
-Qu-quem és tu?
De novo Sol ouviu silêncio. A criatura agarrou numa pedra, e ordenou que Sol se fosse embora. Esta cambaleou até à saída da viela, e o monstro carregou a pedra com electricidade, que ao entrar em contacto com a botija de gás dentro de casa rebentou com o prédio. Ninguém vivia ali. Não houve baixas.
-Diz Sol, o que se passa?
-Seu…grandes coisas segundo as minhas fontes inútil, grandes coisas!
xxx
Valério tinha adormecido, e por isso não atendeu logo Sol. Ele era um homem pacato, não tinha grandes aspirações, apenas era o comunicador do D.E.I.S. Não queria saber de lobisomens feitos em pedaços, ou de vampiros amaldiçoados a serem mortos por água benta e cruzes. Apenas queria o ordenado no fim do mês. Por isso quando Sol telefonou em desespero, não soube o que fazer.
Ela contou-lhe do monstro com poderes psicocinéticos, que era algo como nunca tinham enfrentado. Disse que era preciso enviar uma equipa para investigar o caso, mas Valério não deu grande importância. Sol era sempre um pouco entusiasta nesta história do sobrenatural.
-André? É o Valério, olha vai ter com a Sol que ela está uma pilha de nervos. Sim, tem a ver com uma investigação qualquer. Não, não tem nada a ver com o Samuel, não te preocupes. Claro que já falei com ela. Está bem, vai lá.
Valério continuou a trabalhar, preenchendo formulários e registos, requisições de material militar e religioso…
-Estou? – disse Valério para o outro lado da linha
-Senhor, eu acho que me vou matar…
-Desculpe, acho que se enganou no número, daqui é o serviço de entregas de pizza em Bena…
-CALE-SE E OUÇA! Eu acho que me vou matar, por favor envie alguém…
-Olhe desculpe, está muito enganado. Deve estar a brincar, e não suporto este tipo de brincadeiras. – e Valério continuou a trabalhar, o seu trabalho inútil, ignorando uma chamada de ajuda.
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Chego em casa daqui a pouco e comento Atmard!!
Boa historia do D.E.I.S.
agora fiquei curioso com o que vai acontecer, quem vai se matar…
Hmm, gostei e adoro teu jeito de escrever. Quero o resto
Apesar de eu achar o Valério um bundão… hehehe, devido ao seu nome espero que ele tenha um bom futuro no próximo conto.
–
E espero que usar o nome Valério não seja uma analogia a minha pessoa Atmard!! :O
–
=)
Claro que não G., só andava à procura de um nome engraçado e lembrei-me deste.
Ainda não sei bem como continuarei, tenho tudo na minha cabeça, mas começa a faltar tempo…
Gostei Atmard, acho bem interessante ler textos nesse portugues de vcs
-
Aguardo a continuação
o/
Tb acho legal os textos em português de Portugal! =)
–
@Atmard é cara.. tempo .. quando começa a faltar, é um problema. =/
O Saramago está me fazendo gostar cada vez mais do portuga de portugal. :3
Pior… acabei de ler Caim… =D
Bem legal
^.^
Humm duas indicações positiva de Caim. Vou ter de ler o livro. =)
Mais um que eu gostei muito, vc escreve muito bem mesmo.
Caras, desculpa a demora em comentar aqui, nem vi que era o D.E.I.S. Portuga na ativa. Quero a continuação!