O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Prompt de Escritor

Prompt de Escritor

Textos e idéias para sua criatividade.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Fórum

Fórum

Ta bom, isso não é bem um fórum. :P

Projeto Conto em Conjunto

Projeto Conto em Conjunto

Contos em Conjunto em desenvolvimento!

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

>> Confira outros textos de The Gunslinger

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
>> Fale com ONE <<

Nov
13
2009

Como plantar um passarinho

Escritor: Vitor Vitali

como-plantar-um-passarinho

Em algumas cidades de muitos países de muitos mundos, existe um bairro. Nesse bairro existe um bar. Nesse bar, existem bebidas e conforto para aqueles que não o tem em outro lugar. É um bar incrível, alguns diriam até mesmo uma Taberna. Mas aquele não era o caso. Era apenas um bar ordinário do subúrbio da cidade aonde a porta se abriu e um homem entrou, talvez porque não tivesse outro lugar para entrar, talvez porque precisasse entrar. Caminhou até o balcão, como se houvesse um mundo de peso em suas costas, sentou-se e pediu uma bebida. Uma garçonete de nome Ivone lhe trouxe uma cerveja e ele a bebeu sem sentir o gosto ou o cheiro que ela tinha. Ao seu lado, como era de se esperar em um bar, haviam muitas outras pessoas buscando conforto, ou apenas diversão. Mas alguém havia lhe chamado atenção. Ao seu lado, havia um sujeito e aos seus pés, apoiado no balcão, havia uma pá. Intrigado com aquilo, ele resolveu lhe dirigir a palavra.

–Escute, o que faz com essa pá?

O homem-da-pá que nada bebia virou-se e olhou para ele. Seus olhos eram de uma cor que ele não sabia identificar e seus cabelos eram tão bagunçados como cabelos podiam ser. Vestia um blazer e um jeans surrado.

–Escavo o chão – respondeu ele. – Mas diga, quem é você, bom homem?

Ele sorriu e bebeu um gole de sua cerveja, depois voltou-se para o homem lhe propondo um brinde.

–Sou só mais um fracassado desse mundo – respondeu. – Igual a todos esses outros perdedores. Igual a você.

–Tudo bem, prazer em conhece-lo fracassado-desse-mundo. Haveria alguma possibilidade de que você possuísse um apelido ou alcunha?

–Leslie – respondeu melancólico. – E você, homem-da-pá, tem nome?

–Todos temos um nome, mas prefiro que me chamem de Coveiro.

–Hum… coveiro… está aí uma profissão que nunca fica sem serviço? – riu ele sozinho.

–Desculpe o atrevimento, mas porque chegou tão melancólico? – perguntou o Coveiro.

–Por quê? Vou te contar o por quê. Eu passei os últimos três anos da minha vida trabalhando em um projeto que nunca poderia ter dado certo! E o resultado, claro, foi absolutamente nada, com alguns prejuízos.

–Nada pelo menos é um resultado.

–Claro que é… – comentou sarcástico. – Onde eu estava com a cabeça quando fui escrever um livro sobre a História dos Pássaros na Literatura? Aonde!? Deus, eu preciso de álcool. Sabe, essa foi a última recusa que eu recebi de uma editora! Quando eu chegar em casa, se minha mulher ainda não a tiver tirado de mim, a primeira coisa que farei será queimar esse livro estúpido!

–Bem, talvez não seja tão estúpido quanto pensa. Talvez apenas não tenha encontrado um bom terreno para crescer.

–Como se de fato houvesse “terreno” para um obra de tamanha mediocridade.

–Deixe me fazer uma pergunta. O que acontece se plantarmos um passarinho?

Leslie ficou em silêncio sem saber o que responder, ou se mesmo aquele homem estava falando sério.

–Bem.. não sei – respondeu por fim. – Mas porque essa pergunta?

–Acredito que às vezes vocês perdem o foco. Pegam uma boa idéia e acabam por conduzi-la pelo caminho errado.

–Não há caminho certo! Há apenas o mais curto, onde o sofrimento é menor. Sabe, eu tinha sonhos. Ser um grande escritor, ser reconhecido pelo meu trabalho. E o que eu consegui? Escrever críticas literárias para jornais locais, um divórcio e dois filhos que me odeiam e, além de claro, ataques de pânico ocasionais e uma forte dor na coluna.

–Você gosta de pássaros, não gosta?

–Qual foi sua primeira pista, gênio? – perguntou ofensivo.

–Venha, vamos comprar um – disse o Coveiro, pegou sua pá e saiu do bar.

Ele ficou sem saber o que fazer. Por fim, pagou sua cerveja, comprou mais uma e seguiu o estranho homem.

Na rua, sombras caminhavam de um lado para o outro e ele avistou a frente o homem Coveiro. Gritou por sua atenção, mas ele não virou para olha-lo apenas seguia em frente na multidão. Após tempos de aminhada, o Coveiro parou em frente à uma loja de animais e finalmente Leslie o alcançou.

–Olha aqui, seu… se você acha que vai…

Nesse momento o Coveiro o interrompe e aponta para uma gaiola aonde um pássaro amarelo repousava. Leslie parou para observa-lo pois era um belo pássaro.

–Serinus Canaria – disse ele ao Coveiro. – Um canarinho amarelo.

–Acredito que você deveria compra-lo – disse o homem-da-pá. – Pode lhe fazer bem.

Leslie trepidou por alguns segundos, mas algo naquele pássaro lhe atraia então ele acabou por comprá-lo, por fim, ambos saíram da loja.

–Bem, e agora? – indagou ao Coveiro. – Não tenho espaço para ele em minha casa.

–Não será necessário. Bem, escute fracassado-desse-mundo Leslie, acredito que deveríamos ir ao parque. Toby pode gostar.

–Quem é Toby?

–Seu canário – respondeu ele caminhando pela calçada em direção ao parque.

Sem questionar, Leslie o seguiu e acabaram chegando a porta do parque. Era sexta-feira, consequentemente o parque estava quase vazio. Ambos caminharam pelas ruelas de pedra entre as árvores e chegaram por fim a um local semelhante a um praça, uma clareira, aonde aparentemente adolescentes bebiam vinho.

–Venha – chamou o Coveiro e o conduziu até uma porção de terra. – Aqui está.

–Está o que?

–Um bom terreno. Tudo que cresce precisa de um bom terreno, Leslie. Seja animal, semente ou idéia.

Pegando sua pá, o Coveiro cavou um pequeno buraco na terra e pediu a Leslie que botasse o pássaro lá. Mas ele recusou-se, claro, havia afeiçoado-se ao pássaro.

–Não exite, Leslie. Não tenha medo, ou pelo menos não muito. Arrisque um pouco.

Minutos se passara e enfim Leslie pois o pássaro no buraco. Com apenas um pá de terra o Coveiro cobriu o buraco e ambos ficaram calados olhando para lá. Após minutos sem nada acontecer e nada ser dito, Leslie quebrou o silêncio.

–E agora?

–Agora o que?

–O que faremos?

–Bem, eu nada – respondeu o Coveiro. – Mas acredito que você acabou de matar um pássaro.

–O que?!

–Bem, é isso que costumo acontecer quando se planta um passarinho.

–Você me fez matar um pássaro?

–O terreno era bom – respondeu ele. – mas isso nem sempre é o suficiente. As vezes é preciso um algo mais. Talvez carinho, persistência, chuva ou um novo caminho.

–Meu Deus… – comenta Leslie ignorando o Coveiro. – Divorciado, fracassado, pobre, odiado e agora assassino de animais… que vida a minha… Talvez fosse mais fácil se eu fosse um passarinho.

–O que você quis escrever antes de seu livro, Leslie?

–É… bem… um romance.

–Porque não o escreveu? – Indagou o Coveiro.

–Não acreditei que fosse para frente. Nem toda idéia deve ir para o papel.

–Certamente. Boa parte delas, quase todas eu diria, me encarrego de enterrar. Mas há certas idéias que não merecem sem enterradas e é por isso que você precisa voltar a escrever.

–Sobre o que? Um homem que pode virar pássaro?

–Talvez. Digo-te que certa vez conheci uma menina que queria voar.

–E ela conseguiu?

–Não sei, o que você pode escrever sobre isso?

–Bem… muita coisa.

–E porque não o fazer? – indagou o Coveiro.

–Sabe… acredito que você está certo. É uma porra de um maluco, mas ainda sim está certo. Vou voltar a escrever. É melhor pelo menos do que ficar por aí vivendo de alpiste.

Nesse momento, a terra onde estava enterrado o pássaro se revolveu e segundo após um canário amarelo saiu voando lá de dentro em direção ao céu. Segundos depois, por todo o parque canários brotaram do chão e voaram em conjunto como um mar amarelo invadindo os céus, voando por entre as árvores e piando em coro por todos os lados. Leslie observou os pássaros em seu inigualável ballet e caiu de joelhos sobre a terra com os olhos voltados para o céu. Lágrimas rolaram de seu rosto e ele ficou ali observando tudo aquilo por tempo incalculável. Então, os pássaros todos juntaram-se em uma grande passarada e voaram para longe, e ele os observou no horizonte até sumirem.

–Obrigado – disse Leslie ao Coveiro, mas então reparou que ele não estava mais lá.

Olhou em volta e não viu ninguém além dos adolescente que bebiam na praça de pedras. Sentiu algo em seu bolso e com a mão buscou o que era. Havia apenas uma pena amarela.

13 Comments»

  • Muito bom o conto Vitor, tem uma lição de moral e tudo mais.

    Acredito que esta parte final, do passarinho sair voando ja era o suficiente, não precisava ter vários passarinhos, mas serviu para aumentar a fantasia.

    Na verdade, poderia ter deixado o passarinho morto mesmo, e permanecido a piadinha de mal gosto do coveiro.. hehehe que sacaneou o cara quando pediu para ele plantar o passaro.
    =)

  • Vitor Vitali says:

    Adorei a imagem <3

  • Jones says:

    O titulo do conto gera piadas tambem, muito bom como sempre Vitor!

  • Hehehe é verdade né.. o título pode gerar umas piadas mesmo! =D

  • Ah, o passarinho sair voando foi legal, só me espantei com os outros… As outras pessoas já tinham enterrados outros anteriormente?? Hehehe, gostei ^^

  • Guns, voce esta com o mesmo bug de antes nos avatares?

  • sola says:

    Mto bom !!!

  • E.U Atmard says:

    óptmio Vitor, o conto está realmente poderoso. Não consegui, por outro lado, atingir a lição de moral…e diga Vitor, o Coveiro é uma personagem recorrente dos seus contos?

  • Vitor Vitali says:

    Será.

  • Patrick says:

    Muito bem escrito. Narração e descrição impecável, os personagens estão multidimensionais, ótimo conto.
    E só para matar minha curiosidade: Você precisou matar um passarinho também para resolver escrever esse conto? rs

  • Vitor Vitali says:

    Hehe, melhor não comentar ^^

  • RenanMacSan says:

    Muito bom, a narrativa flui. Concordo que seria melhor se só o passarinho original saísse voando.

  • Lord Jessé says:

    Gostei bastante.

    E como o Guns disse: Apenas um passaro voar, ou continuar morto seria o suficiente, mas ficou muito bom.

    Parabéns Vitor.

RSS feed for comments on this post.TrackBack URL


Leave a Reply

Powered by WordPress. © 2009-2014 J. G. Valério