O Nerd Escritor
Feed RSS do ONE

Feed RSS do ONE

Assine o feed e acompanhe o ONE.

Nerds Escritores

Nerds Escritores

Confira quem publica no ONE.

Quer publicar?

Quer publicar?

Você escreve e não sabe o que fazer? Publique aqui!

Fale com ONE

Fale com ONE

Quer falar algo? Dar dicas e tirar dúvidas, aqui é o lugar.

To Do - ONE

To Do - ONE

Espaço aberto para sugestão de melhorias no ONE.

Blog do Guns

Blog do Guns

Meus textos não totalmente literários, pra vocês. :)

Prompt de Escritor

Prompt de Escritor

Textos e idéias para sua criatividade.

Críticas e Resenhas

Críticas e Resenhas

Opinião sobre alguns livros.

Sem Assunto

Sem Assunto

Não sabemos muito bem o que fazer com estes artigos.

Fórum

Fórum

Ta bom, isso não é bem um fórum. :P

Projeto Conto em Conjunto

Projeto Conto em Conjunto

Contos em Conjunto em desenvolvimento!

Fan Page - O Nerd Escritor

Página do ONE no Facebook.

Confere e manda um Like!

@onerdescritor

@onerdescritor

Siga o Twitter do ONE!

Agenda

Agenda

Confira os contos e poemas à serem publicados.

Login

Login

Acesse a área de publicação através deste link.

(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

>> Confira outros textos de The Gunslinger

>> Contate o autor

* Se você é o autor deste texto, mas não é você quem aparece aqui...
>> Fale com ONE <<

Nov
03
2009

O Olhar do Anoitecer – Parte 3

Escritor: Alexandre Antolini

o-olhar-do-anoitecer

Me pus sentado na cama tão rápido quanto meu coração batia. Olhava para todos os cantos do meu quarto escuro só para ter certeza de que eu estava de volta. Tudo estava obscurecido pela noite, todos os detalhes do meu quarto eram agora sombrios, mas eu agradecia por estar de volta à minha casa. Aquilo havia sido um pesadelo, um terrível pesadelo. Não existia possibilidade alguma de aquilo fazer sentido, nada daquilo poderia ser verdade! O que é que estava acontecendo?!

Então eu vi as frestas da persiana vivamente iluminadas pela luz prateada da lua.

Senti um misto de receio, temor, pena, ódio, incredulidade… Senti que tinha que fazer algo.

Me levantei da cama lutando contra todos os tremores que sentia e dei lentas porém decididas passadas até a janela, até a persiana.

Separei uma das frestas com os dedos e, como eu já esperava, de alguma maneira, lá estava ela, de pé no meio do quintal vizinho, olhando para a minha janela com aquele olhar mais vivo do que a luz da lua, que despejava toda aquela luz prata sobre as nossas casas.

Meus tremores triplicaram. O olhar dela era simples e decidido, ela sabia que eu estava lá, na janela a observando. Não havia mais medo ou tristeza, não havia mais choro. Ela voltara a ser a garota da janela, a que era forte e que não cederia à fraqueza mesmo em meio ao tormento pelo qual passava. E ela estava ali por mim, eu sabia disso.

Não me importava mais, eu já havia visto o suficiente de seu olhar, agora eu queria ouvir, eu queria a sua voz, eu queria saber por que tudo aquilo acontecia comigo, o rapaz inútil e sem perspectivas na vida. Larguei a persiana, pus calças por cima dos calções que usava para dormir, vesti minha jaqueta, e então desci devagar e sem fazer barulhos. Por sorte a pessoa com a melhor audição da casa, meu pai, agora estava exausto e dormindo pesado. Abri a porta lateral da casa do modo mais silencioso possível, mesmo dando um pequeno pulo quando o trinco deu seu gemido metálico habitual. Então cheguei até a grama. Todos os pêlos do meu corpo se eriçaram de maneira assustadora quando vi, pelas finíssimas frestas da alta cerca que dividia nossas casas, que ela estava se aproximando pelo outro lado. Respirei fundo duas ou três vezes, esperei um pouco para que meus batimentos parassem pelo menos de ecoar tão alto nos meus ouvidos, depois segui em sua direção.

A cada passada eu ficava cada vez mais e mais nervoso e cada vez menos consciente do que eu realmente estava fazendo. Quando cheguei próximo a ela, quando podia observá-la pelos pouquíssimos centímetros de visão que a abertura na cerca me deixava, eu já estava completamente dormente. Parei ali, a apenas um metro da divisória, separado dela por pouco mais do que isso. Sua pele branca realçava de maneira acetinada contra a luz e eu podia ver o traço de seus cílios contornando seus lindos olhos negros, enquanto o pouco vento dessa noite fria balançava lentamente seus cabelos e sua folgada blusa branca.

A essa altura o silêncio já era cruel. Tinha certeza de que ela poderia ouvir o pulsar alucinante do meu coração se quisesse, eu tinha certeza disso, mas eu já não me preocupava mais com nervosismo quando ela finalmente falou.

“Eu sinto muito…” Sua voz era macia e neutra. Ouvi-la me despertou mais arrepios, porém trouxe também uma satisfação incrível. Eu lutava comigo mesmo para acreditar que aquilo era real.

“Não… Não sinta… Eu não sei pelo que você está sentindo…” Eu gaguejava e minha voz falhava, falando coisas quase desconexas. Por instantes pensei nos motivos que a fariam “sentir muito”. Seria por ter me chamado à atenção? Por me mostrar as atrocidades que aconteciam com ela? Por me deixar passar por maluco? Todas essas coisas eram ínfimas, quase medíocres, perto do que acontecia agora.
Ela deu uma pequena pausa após eu falar, depois prosseguiu.

“Eu preciso de sua ajuda. Eu preciso muito de sua ajuda…” Disse ela. Eu tinha certeza de que continuava a olhar para mim, mas eu não conseguia me manter olhando para ela durante muito tempo, eu ficava praticamente de cabeça baixa. Tinha total certeza de que, se o fizesse, se ficasse olhando diretamente para ela, eu não conseguiria responder às coisas que me dizia.

“Eu vou te ajudar… E-Eu juro. O que eu preciso fazer? Quer dizer, o que eu posso fazer por você?” Eu disse ainda lutando para passar por cima do nervoso e da gagueira.

“Preciso que você me conheça, que você saiba sobre mim, que você lave minha honra… Minha memória…” Ela havia feito de novo. Seu tom de voz demonstrou aquela profunda tristeza, sem demonstrar fraqueza. Não imaginava como ela fazia aquilo, mas agora era claro que ela dominava essa habilidade não só com o olhar, mas com o falar também. Eu estava completamente comovido.

“Só me diga o que eu preciso fazer e eu acabo com isso por você, não importa o que eu tenha que fazer!” Minha voz já falhava um pouco menos.

“Entre na casa.” Ela disse, e eu lancei meu olhar ao encontro do dela. Ela estava firme, com seus olhos voltados para mim, e provavelmente viu o efeito que causou ao me pedir para entrar naquele lugar. Eu claramente me encolhi. Não havia outra reação que eu pudesse ter, eu lembrava do que havia visto no pesadelo…

“Por favor… Só você pode me ajudar, eu não sei como nós estamos ligados… Mas de alguma maneira nós estamos…” Ela disse deixando seu olhar cair, o que fez despertar toda a raiva que tinha guardado dos dias em que a observava, que me perguntava como alguém podia atormentar uma garota tão linda e de aspecto tão sereno.

“Você tem certeza que eu consigo? Eu nunca passei por nada sequer parecido com isso…” Minha voz saiu mais vacilante do que eu havia previsto, mas era a verdade.

“Você não se conhece, eu já o vi antes, sei que é de você que eu preciso” O rosto dela trazia uma mistura de convicção e de súplica.

“Eu vou te ajudar, vou entrar nessa casa e fazer seja lá o que eu tenha que fazer, você pode contar comigo.” Era isso. Eu ia atender aos pedidos dessa garota, não importando o que custasse.

A expressão dela se tornou serena, calma. Não sobravam resquícios do sofrimento de agora a pouco.

“Eu te espero lá dentro.” Ela disse enquanto se virava e começava a traçar caminho de volta para a casa.

“Espere!” Eu disse, na forma gritada de um sussurro e ela se virou novamente para mim “Me diz o seu nome?”.

Ela sorriu, seu sorriso era inexplicavelmente belo, não havia comparação com nada que eu já houvesse visto, era angelical.

“Meu nome é Brenda.” Sorriu mais uma vez e depois voltou-se novamente para a casa.

No meu caminho para a parte da frente da casa algumas poucas coisas giravam na minha cabeça, nublando completamente a minha percepção quanto à rua escura e vazia, quanto ao frio que fazia esta noite. Isso era o certo a se fazer. Aquela coisa ruim que eu sentia, como uma espécie de peso que esmagava meu peito, havia desaparecido. Aquilo não podia ser errado. Aquilo não era errado, eu podia sentir!

Então eu parei na calçada entre as casas, dei uma última olhada para a minha casa, me certificando de que tudo estava bem e de que meus pais continuavam tão seguros quanto eu os havia deixado, no calor de sua cama. Apertei minha jaqueta contra o corpo, enfiei minhas mãos geladas ainda mais em meus bolsos e segui para meu destino.

Lá estava eu, no escuro, frente à porta de entrada da casa dos meus barulhentos vizinhos que não existiam.

5 Comments»

RSS feed for comments on this post.TrackBack URL


Leave a Reply

Powered by WordPress. © 2009-2014 J. G. Valério