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Nov
25
2009

Sal, Salitre e Enxofre

Escritor: Vitor Vitali

sal-salitre-e-enxofre

“All that I wanted were things I had before
All that I needed I never needed more
All of my questions are answers to my sins
All of my endings are waiting to begin” – Circle

O projetil metálico amassado entre os tijolos da parede endireitou-se e voltou junto com todo o sangue seco espalhado por todos os lados para o crânio daquele homem. A carne aberta em um buraco se fechou e o osso agrupou-se novamente.

O projetil retornou para a boca do homem junto com o calor, a explosão e o movimento. Entraram de volta pelo cano de metal e finalmente selaram-se na bala que repousava na agulha. As idéias retornaram para a mente e o ar para os pulmões juntamente com a tristeza irreparável no coração. A arma voltou para o coldre e o coldre voltou para a gaveta. A Vodca saiu de suas veias e correu pela traqueia até a boca, depois até a garrafa, que por fim voltou para cima da mesa.

O homem levantou-se e caminhou até la fora, caminhou para muitos lugares, por muitos lugares e para onde precisou ir. Voltou então para sua casa. Estava parado do lado de fora, ajoelhado, chorando. As lágrimas deixaram o chão seco e pingaram de volta para seus olhos. Os pedaços de sua casa retornaram para as chamas assim como toda a poeira, o impacto e a dor. As chamas então sumiram na explosão e a explosão sumiu para dentro de sua casa como se nada tivesse acontecido. Lá dentro, o salitre e o enxofre voltaram para dentro de seus recipientes assim como a falha mecânica. Sua esposa e sua filha, espalhadas por todos os lados, juntaram-se novamente. Caminharam brincando pela casa enquanto não o papai não voltava.

Então o homem caminhou para a praia, onde sua filha e sua esposa alguns meses mais novas corriam pela areia e deixavam seus pés serem banhados pela água salgada. Alguém falava com ele no celular, era um conhecido, “um amigo”, como ele mesmo dizia. E contava sobre como aconteceria e sobre a revolução que estaria por vir. Contava sobre o sistema falho e o país corrupto. Dizia que algo devia ser feito e que ele precisaria ajudar.

O homem caminhou por mais tempo. Estava ali, na mesma praia, sua esposa com uma barriga de seis meses e o sorriso mais inesquecível em seu rosto. Ela chamava seu nome e dizia para entrar na água e ele recusava. Não gostava de mar, só havia comprado aquela casa na praia porque ela gostava e isso era o suficiente para deixa-lo satisfeito.

“Vou ficar com você para sempre”, dizia para ela que sorria. “Sempre estarei com você, sempre. Eu te amo.”

Então andou para a faculdade muitos anos antes. Estudava história e estava no primeiro período. Encontrou alguns homens com quem viria a se relacionar anos a frente. Encontrou uma prova de vestibular e o apoio de seus pais. Então brincadeiras de adolescentes vieram. Encontrou abraços de mãe na hora de dormir. Encontrou jogos com seu pai. Ouviu contos de ninar, história para dormir; berço aconchegante; ar nos pulmões; espaço quente; escuridão; vazio.

O pente sobe na arma. A bala sobe para a agulha. O cão vai para trás e o dedo puxa o gatilho. Barulho, depois silêncio.


Categorias: Contos | Tags: , ,

13 Comments»

  • E.U Atmard says:

    Gostei Vitor, parece uma cena de um filme…só não me lembro qual, em que tudo está a voltar para trás. Gostei, deixou as personagens em suspense…

  • cat manhosa says:

    Achei fascinante!
    Adorei o conto essa coisa de pensar em toda sua vida, os personagens que não apareceram… Muito legal

  • Jones says:

    Muito bom, cara me lembrou no fim, antes de a bala seguir seu rumo certo do filme do Benjamin Button, tipo o envelhecer/rejuvenecer, tenho de olhar aquele filme de novo.

  • Thabata Scorpioni says:

    A história parece uma pausa na morte pra lembrar da vida. Muito bom, Vitor. =D
    Parece cena de filme realmente, que eu já vi mas também não me lembro qual.
    Parabéns.

  • Alex Tzimisce says:

    Além dos parabéns Vítor, muito merecido por sinal, quero dizer que sua descrição de cada parte está muito boa. CAda detalhe, além de ritmo, toda a narração tem um ritmo excelente. Não é chata, é exata. Gostei muito. Eu adoro quando acertam no ritmo.
    Parabéns de novo Vítor. O texto está claro e gostoso de ler.
    Sucesso.

  • Patrick says:

    Gostei bastante. Estava inspirado hm?

  • O filme é “Memento” (esse é o título original em inglês)ou “Amnésia” (título no Brasil). Para quem ainda se lembra, tinha a Carrie-Ann Moss… Uhuuu…
    O conto ficou muito bom, Vítor. Muito bom, mesmo!!!

  • Vitor Vitali says:

    Obrigado, pessoas 🙂

  • RenanMacSan says:

    Cara, gostei muito, estamos cansados de ver esse efeito em filmes, mas é a primeira vez que vejo na literatura e tu fez muito bem, parabens.

  • Samila says:

    Muito, muito bom!
    Como falaram anteriormente, esse efeito ficou ótimo no meio literário!
    Você soube manter muito bem o ritmo, e escolheu muito bem as palavras.
    realmente gostei

  • Atreus says:

    Ta aí, GOSTEI mesmo!Primeiro conto teu que me envolve mesmo. Realmente muito bom.

    Palmas!

  • Rainier says:

    Nossa, esse conto eu não tinha visto.
    Realmente espetacular! Estou sem palavras.

  • Andrey Ximenez says:

    Cara, normalmente não curto os teus contos. Mas nesse vc acertou em cheio.

    Sempre é necessário uma boa mistura de técnica, controle e inspiração pra se escrever em tempos de certa maneira, exóticos.

    Vc conseguiu isso, e ainda por cima manter um ritmo perfeito nas palavras. Parabéns Man
    o/

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