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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Nov
10
2009

Um Outro Conto de Fadas – Capitulo 1

Escritor: Renan Barcellos

um-outro-conto-de-fadas

Era uma vez…

A madrugada avançava em Santa Felícia – A Boêmia da Califórnia – e, como todas as outras “uma hora e meia da manhã” de domingo, a cidade fervilhava de atividade. A maioria dos adultos estava nas ruas, em alguma festa, bar, ou qualquer uma das inúmeras atividades noturnas que as cercanias tinham para oferecer. Para isso, deixavam seus filhos em casa. Os pais de Faye não eram exceção, mas, diferente das outras crianças, ela não dormia.

A menina estava deitada em sua cama. O cobertor rosa que lhe aquecia nas noites de frio estava puxado até seu pescoço e o abajur no criado mudo estava aceso, jogando uma luz pálida e tímida em um pequeno canto do quarto. Qualquer um que adentrasse naquele recinto tão graciosamente decorado – o aposento de uma garota sonhadora – e olhasse para sua ocupante, poderia apostar a própria casa que ela estava dormindo, com a mente perdida em sonhos desconhecidos, contudo, a jovem não dormia. Mantendo seus olhos cerrados e controlando sua respiração, para que esta parecesse serena e regular, – coisa que havia aprendido logo cedo, na época em que seus pais mais brigavam – Faye apenas fingia que descansava, pois, na verdade estava mais do que desperta e aguçava seus sentidos e prestava atenção em tudo o que acontecia. Afinal, não queria perder por nada nesse mundo o momento em que a fada pisasse no seu quarto.

Faye Luzia era uma garota não muito diferente das outras de sua idade, tinha pele morena, o que denotava sua descendência mexicana, seus olhos era levemente puxados e castanhos escuros, combinando com o preto de seu cabelo liso que descia-lhe até o meio de suas costas delicadas, seu pequeno nariz era arrebitado, o que de certa forma acabava contrastando com sua timidez. Não era de muito tamanho e seu rosto era redondo, com maçãs altas na bochecha, o que lhe dava uma aparência mais nova do que os onze verões que havia vivido. Por incontáveis vezes já atribuíram uma idade mais tenra do que a original para a garota, coisa que ela odiava, afinal se achava esperta por demais para seus onze anos, quanto mais para dez ou oito, valor que costumavam lhe atribuir, Contudo, Faye nunca reclamava, se limitava a fazer uma careta de desaprovação.

A garota deixou o que seria o inicio de um longo suspiro escapar, mas este logo foi suprimido por ela, arruinando porém, por alguns poucos segundos, seu disfarce perfeito de alguem que dorme. pensou palavras duras sobre si mesma, chamando-se com as palavras mais ofensivas que a sua mente infantil e inocente conseguia conceber, mas, estava sendo dura demais consigo mesma, já estava deitada, imóvel por cinco longas horas e nem ao menos sabia quanto tempo mais iria ter que passar para que sua espera terminasse, sabia apenas que terminaria. Tinha certeza de uma coisa: a fada viria.

Faye era muito esperta para a idade, compreendia as coisas de um modo que alguns adolescentes não conseguiriam, mas, essa não era sua característica mais peculiar. O que a diferenciava das outras crianças era que – mesmo vivendo em um mundo dominado pelas ciências exatas, onde nem mesmo mais as infantes acreditavam em velhas histórias – pensava nas fabulas como algo real. Alguns estranhariam esse fato, tentariam entender o porque de uma garota tão inteligente quanto ela ainda crer em histórias da carochinha. A resposta era obvia, afinal, toda e qualquer singularidade que um menino ou menina venha a apresentar, os culpados são sempre os mesmos, os pais.

O pai e a mãe da garota que fingia dormir haviam sido feitos um para o outro. Ambos boêmios degenerados, amantes da vida noturna e de todos o prazeres que uma cidade como Santa Felícia pode fornecer. Após se conhecerem não demorou muito para decidirem viver juntos, aproveitando para fazer uma grande festa de casamento. Poucos anos depois Miriam ficara gravida da filha, porém, diferente do que muitos pensaram, o casal de festeiros não se aquietou com o passar dos anos e tampouco com a nova responsabilidade de cuidar de uma criança. Desta maneira, Faye vivera a maior parte de sua infância sem a companhia de seus pais.

Por causa de tal afastamento a garota passara boa parte de sua vida em companhia de sua babá, uma velha negra que adorava contos-de-fadas, e não cansava de os contar para a pequena Faye – “histórias de fadas para uma fada”, dizia a babá – especialmente sobre a fada dos dentes, lenda a qual a menina mais gostava de escutar. Somando isso à enorme carência emocional criada pela ausência dos pais, Faye se agarrava com todas as forças a crença de que fadas existem.

Agora que tinha mentalidade e sabedoria para desaprovar o meio com qual seus pais passaram a vida e a trataram desde que nasceu, a jovem detestava seus progenitores e, desde de que o casal de beberrões começara a ter constantes brigas violentas dentro de casa – motivadas tanto por traições, quanto por altos níveis de álcool no sangue – a filha tem alimentado planos secretos de que talvez pudesse fugir de sua residencia, abandonar aqueles dois que ela já não mais considerava como pais e viver com pessoas que realmente se importassem com ela. Não tinha porem nenhuma ideia sequer do que fazer, e continuaria assim por muito tempo. Porem, naquele dia de sábado, o ultimo dos dentes da garota havia caído.

Era tudo o que a menina precisava. Aguentara mais um dia na casa e então, quando a noite chegara e, assim como o sol, seus pais saíram, a jovem colocara seu delicado dente de leite embaixo do travesseiro. Não sabia quanto duraria a espera. Sabia apenas que a fada viria.

E a levaria daquele lugar.

Uma lagrima solitária, feita de pura felicidade e emoção rolou pelos olhos da garotinha quando pensou que a agonia logo terminaria, que ela sairia dali junto com sua amiga fada. Suspirou novamente, mas sem se dar conta.

Por um instante fugaz os ouvidos de Faye Luzia captaram um ruido, que quebrara de súbito o silencio que reinava no quarto. O coração da garota deu um pulo em seu peito, será que a espera havia finalmente acabado? Não. Percebeu que o que ouvira não passara de um espirro abafado, vindo de algum lugar. Fadas são seres mágicos, não ficam doentes – pensou a garota – portanto não precisam espirrar. A espera continuava.

A fada viria…

… Mas ela não era como Faye imaginava.

Um homem perscrutava através da janela do quarto da garota. Havia acabado de chegar no andar da escada de emergência que correspondia ao da casa da menina. O estranho parecia procurar alguma coisa, havia olhado por todas as janelas as quais passara, até chegar ao terceiro andar, onde se encontrava. Seus olhos se arregalaram ao esticar o pescoço um pouco mais para a direita e com isso tendo a visão da delicada cama da criança, segundos depois fez uma expressão que era um misto de alegria e satisfação. Tinha acabado de encontrar o que procurava.

Como tinha que se esticar e retorcer o pescoço para conseguir observar o seu alvo, o desconhecido mudou de posição, subindo um pouco os degraus e conseguindo uma linha de visão direta para onde a menina estava deitada. O intruso demorou-se observando a pequena dormir, primeiro para suas delicadas feições em especial as bochechas redondas e salientes, em seguida demorou-se nos lábios finos e rosados, que estavam entreabertos, – cerrou os olhos para poder enxergar melhor e fez cara de alguem que se esforça para pensar, era como se estivesse tentando identificar alguma coisa – por ultimo contemplou o movimento constante do lençol azul claro, que denotava a respiração da criança. Teve certeza que ela dormia.

Qualquer um que visse a cena e não estivesse por dentro da cabeça do homem, pensaria que ele era um maniaco, um pedófilo à observar sua próxima vítima. Mas não, estariam redondamente enganados.

– Pedófilo? – sussurrou o homem para o vento – …Cada coisa que inventam… – deu um risinho sarcástico, tipico de quem achou uma história absurda.

Uma brisa atingiu o homem e ele tremeu. Esfregou as mãos nos braços e nas coxas, tentando se aquecer – A noite estava fria – .Acabou por se arrepender de não ter saído agasalhado de seu esconderijo. A calça jeans que usava, mesmo rasgada em alguns pontos e desbotada em vários outros até que ajudava a manter o frio longe de suas pernas, também não tinha muitos problemas com os pés, já que os pesados coturnos que calçava impediam a passagem do frio. No entanto, a camiseta preta que vestia não contribuía em nada para proteção contra baixas temperaturas tampouco a camisa de botão, quadriculada, que usava aberta, como um casaco. Seus cabelos curtos e castanhos claros, que, com a ventania, insistiam em cair sobre os olhos a cada instante – balouçavam nós locais não protegidos pelo chapéu estilo western que usava e se eriçavam onde era mais curtos – , por culpa do vento gelado, a pele branca do rapaz, que tinha na faixa dos vinte e cinco anos, ficava arroxeada em alguns pontos pelo menos motivo. Seus olhos não podiam ser vistos, escondidos pelas sombras criadas pelo chapéu.

Seu rosto de garoto novo, liso como o de um nobre europeu se contorceu por alguns segundos conforme inclinou a cabeça para atras e o homem segurou seu chapéu, com uma das mãos, enquanto, com a outra, abafava um espirro indesejado, que poderia alertar alguem sobre sua presença. Quando tirou as mãos do rosto, percebeu que seu nariz -um nariz arrebitado, que lhe dava um ar petulante – havia ficado vermelho e um tanto quanto sujo de catarro. A primeira coisa lhe veio à mente foi em quanto essa situação embaraçosa havia atrapalhado em sua descrição na historia.

Limpou a secreção com as costas do braço, não ligando muito para o a opinião que as leitoras iriam ter sobre o ato e tirou do bolso, com todo o cuidado que poderia reunir – como se estivesse lidando com a coisa mais importante de sua vida – um pequeno objeto achatado e circular, muito parecido com uma bússola, porem com algumas diferenças que descartariam esse palpite. Não havia nenhuma marcação que indicasse os pontos cardeais, o que deveria ser agua se apresentava como um liquido viscoso e um pouco esverdeado – semelhante à azeite -, o ponteiro não existia, em seu lugar havia seis fios de pêlo, que lembravam bigodes de um gato e um dente que parecia ter pertencido à uma criança.

Olhou para seu estranho pertence por alguns instantes, como se esperasse algo. Impaciente, chacoalhou o objeto e então aconteceu o que deseja. Lentamente os fios que estavam dentro do liquido começaram a se enrolar no dente e então, alguns instantes depois, apontaram todos para uma mesma direção: Para a garota que dormia. Ele sorriu com o efeito de sua bússola pitoresca e então, sem demonstrar um pingo sequer de seu antigo apreço pelo instrumento, jogou-o com descaso para atras, como se fosse o papel de uma bala, quicando duas vezes no andar da escada antes de passar pela grade de proteção e cair em direção ao solo, quebrando e espalhando seu conteúdo pelo asfalto contudo o jovem não se importou.

Ao invés de atentar para o acontecido, falou em direção ao vento frio da noite:

– Vocês devem estar aí imaginando o que eu vou fazer agora, talvez pensando que vou fazer algum mal à garotinha, ou talvez até mesmo pensando se não sou eu a “fada-dos-dentes”. Bem… Spoiler para quem quiser: Não sou. – fez uma pausa – Estou aqui esperando pela tal fada. E quando ela vier…

O jovem puxou de um coldre – cuja tira passava pelo seu ombro e ao redor do pescoço, escondendo completamente o aparato -, que estava por dentro da camisa de botão, uma pistola prateada, grande e pesada, cujo um dos lados trazia os dizeres: “.44 Desert Eagle Pistol”. Agachado, apontou o cano da arma para cima – sem estender o braço, apenas usando o pulso – e olhou para uma câmera imaginaria que estaria em algum ângulo à cima dele.

-… “I’m gonna kill Bi…” Digo… A fada… Sim, vou matar a fada. *

Sorriu com o canto dos lábios e com a ponta de sua arma, levantou de leve a aba de seu chapéu, deixando seus olhos ficarem visíveis pela primeira vez e, mesmo banhados precária daquela escada, era claro: Era o olhar de um louco.

Assim como Faye, Owen Hughes, esperava pela fada.

9 Comments»

  • Olha, gostei muito do conto! Primeiro por que gosto de histórias infantis. Segundo porque gosto mais ainda quando sacaneiam as histórias infantis hehehe…

    Tudo começou legal.. uma criança esperando a fada dos dentes. Muito bem detalhado coisa e tal, tava bem maneiro.

    Ai você falou dos pais festeiros da garota… achei isso meio estranho.. caramba.. ta estragando a história infatil falando dos pais bebados…

    Ai entra o Fairy Killer hehehe.. lançando frases como I’m gonna kill Bill hehehe.. muito bom adorei. =)

    na espera da continuação.

  • Renan Barcellos says:

    È porque, na verdade, só o inicio que seria mais infantil, aos poucos eu vou pendendo um pouco mais pro lado do terror, sobre os pais da Faye, eu achei que deveria ter falado sobre eles, já que precisava de um motivo para ela ainda acrediar nas velhas histórias.

    Conforme a história for avançando os leitores devem reparar no lado meio dark (assim espero xDD)

    Ps: adorei a capa da conto
    PPs: já tem uns 4 capitulos prontos, mas preciso vencer a preguiça para mandar.

  • Hehehe.. eu nao achei dark cara.. achei engraçado..=)

  • Renan Barcellos says:

    Eu sei xDD
    é pq o owen é muito zuado xD
    as partes que eu planejei para serem mais terror são as da faye, mas ainda estão por vir. Owen é um anti-climax em pessoa, mas adorei o personagem.

  • Vitor Vitali says:

    Cara, isso é um puta de um conto foda. Adorei muito. Queria saber escrever assim, fica fácil de ler e ainda da vontade de ler mais. Parabéns, ‘tá bem legal.

  • Dean Barret says:

    Pô cara, gostei geral. A inocência da garota com sua infância infeliz e ao mesmo tempo esperançosa e inocente foi muito bem retratada. Acho que a parte em que se refere aos pais mesquinhos e egoístas foi boa ter sido trazida a tona porque trouxe o ar de drama para a história ficar um pouco mais equilibrada… e no fim com o doido e as piadas levemente irônicas como a do “Kill Bill” trouxe o humor negro necessário… Gostei mesmo. Espero ansioso pela continuação.

    Abraços.
    Dean.

  • nao gostei desse conto é muito bosal!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!po!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  • Renan barcellos says:

    Que legal, nunca disseram que algo meu é uma bosa *-*
    Bosa… palavra estranha, só pode ser um elogio :O

  • Asami says:

    Renan, muito bom. Sua narrativa flui tão bem, é tão leve e gostosa de ler e ainda deixa ao leitor um gostinho de quero mais. Sem falar que a estória em si é muito legal! Parabéns *-*

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