Contagens – parte 1
Escritor: André Luiz Silva

Rabiscou o papel com todo o carinho, sem pressa tentando deixá-lo o mais perfeito possível, afinal ele merecia, pois era seu super-herói. Desenhou a família toda no papel de caderno. Mamãe de rosa, pois era menina, papai de azul até o chato do Bruno desenhou. Levantou o papel como um troféu e correu pela casa para mostrar o resultado.
Ficou olhando da porta da cozinha ele falando no celular, parecia nervoso com algo, o que não era novidade já que sempre estava nervoso. Aproximou-se devagar e contando os passos. O puxou pelo paletó, ele nem deu atenção, puxou mais forte e continuo sem merecer a atenção dele. Desistiu desse método e esticou os braços com o desenho nas mãos, entregou para ele e saiu.
Quando voltou encontrou o desenho em cima da pia molhado pela água que pingava da torneira. Calada voltou para o quarto com o desenho molhado nas mãos e as lágrimas no rosto.
Com o celular no ouvido rasgou a rua correndo. Pessoas apressadas para chegar ao trabalho e outras sem pressa atrapalhando as apressadas. Ele atravessou a primeira rua ainda olhando para o sinal, na segunda olhou rápido e atravessou. Na quinta já não olhava para o sinal, atravessava por impulso. Gritando no celular, chamando a atenção das pessoas à sua volta não escutou o barulho da buzina do ônibus. Sentiu somente uma mão o puxando para a calçada antes que a morte o encontrasse.
Procurou por seu salvador, que sumiu, os transeuntes disseram que foi um mendigo que o salvou da morte. Esperou o sinal ficar fechado para pegar o celular, ou o que restou dele, e irritado jogou os restos do seu “companheiro” no lixo. Pegou outro celular do bolso da calça e começou a falar.
Num canto escuro o tal mendigo observava o rapaz. Pensou que algumas pessoas não aprendem nunca, mas nesse caso ele iria aprender por bem ou por mal.
Chegou ao escritório com cinco minutos de atraso, mal olhou para a secretária e subiu para a sua sala. Abriu a porta e deu de cara com o chefe.
- Cinco minutos de atraso, Henrique – disse o calvo chefe apontando para o relógio.
- Eu tive um contratempo, quase fui atropelado – respondeu ele olhando para o chão.
- Olha para mim – ordenou
Ele levantou a cabeça e se assustou ao ver um número em vermelho em cima da cabeça do chefe.
7500:20:15:01
Ficou calado e não disse nada para ele. Sentou-se à mesa e pediu um café para empregada. A moça ao entrar também tinha números vermelhos em cima da cabeça.
25:01:25:35
Os últimos números passavam rápido, como segundos.
- Meu Deus… Eu devo estar ficando maluco. – disse para si mesmo.
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O que é isso?! Olhos de Shinigami?!
–
=) Primeiro conto do André aqui no ONE. Em breve continuação!
Olá..shinigami foi boa rs…
Pensei a mesma coisa, Pistoleiro. Mas gostei do conto, só achei que podia ter mais, não precisava ter dividido.
É que estava em duas partes, e a segunda é bem grande hehehe, ai foi postado desta forma =)