Estrada para o Amanhã
Escritora: Tabata Scorpioni

“A grande meia verdade: a liberdade.”
(William Blake)
Acordou num sobressalto. Não deveria ter dormido. Não podia se presentear com tal luxo. Tempo era uma coisa que não podia gastar com amenidades. E a única coisa que não considerava como amenidade, naquele momento, era correr. E correr muito.
Levantou apressada da grama, encostou-se no tronco da árvore atrás de si e passou a analisar o local. Procurou por qualquer sinal de rastros de cavalos ou de homens. No entanto, nada encontrou. E como aquilo a deixava tranqüila.
A fujona sabia que não podia, não deveria parar, mas estava cansada. Há três dias corria dos feitores. Sem comida, sem água, sem descanso. Se não parasse por pelo menos alguns minutos, morreria.
Deslizou pelo tronco da árvore, até chegar ao chão. Pouco a importava que a madeira lhe machucasse as costas. Nenhuma dor física podia ser maior que a dor que sentia na alma. Palavra nenhuma poderia descrever o que estava sentindo. Talvez vergonha, raiva, desespero, felicidade. Nunca saberia definir.
Poderia nunca viver o bastante para definir.
Balançou a cabeça para tentar afastar aqueles pensamentos que a forçavam a ficar ali: sentada no chão, olhando para o nada e com mil e uma idéias mórbidas passando pela cabeça.
As nuvens de chuva foram se dissipando e o sol apresentou-se límpido e aquecedor. Ela olhou pra cima e viu os pássaros voarem apressados por entre as árvores. E os raios solares atingiram seus olhos e sua pele, injetando esperança em seus poros. Tinha de acreditar.
A mulher forçou as pernas a se firmarem no chão e deu o impulso para ficar em pé. Forçou-se a levantar. Não podia desistir agora. Seria a maior estupidez já vista, pois por frio, calor, fome, sede, exaustão, desespero e solidão havia passado. Só faltavam alguns quilômetros.
Seu pai viria matá-la se soubesse que pensava em desistir. Não podia.
Por seu pai. Pelo seu sacrifício, correu.
Correu até o Sol encontrar a Terra e a Lua encantar o céu de ébano com a sua luz e o seu mistério. E depois, continuou correndo.
Não parou um minuto. Sentia que algo a espreitava. Alguma coisa estava por perto. Sentia o cheiro de uma coisa que desconhecia, mas que sabia existir.
O cheiro impregnou em si, nos seus trapos surrados que chamava de roupa, em seus cabelos, em seu cérebro, em seu coração. Cada célula de seu corpo podia senti-lo. Aproximava-se, só não sabia do que.
As estrelas lhe mostraram o caminho pelo qual devia seguir e ela alcançou o que tanto procurou. A ponte que a separava de tudo que um dia sonhou. Não acreditava no que seus olhos lhe mostravam. Estava ali e estava viva. Chegara.
Correu de novo e pela última vez.
Viu, sentiu e reconheceu aquele cheiro.
Fechou os olhos, abriu os braços e se rendeu ao vento.
Liberdade.
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Dedico o conto à minha gloriosa professora de química, Sheila, que me inspirou tanto para escrever esse conto. E agradeço também aos outros 139 alunos que conversam como hienas e não a deixaram perceber que eu estava com fones de ouvido. A todos, muito obrigada.
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A Tabata disse que escreveu esse conto durante a aula
–
É bem normal isso hehehe…
Hmm, o assunto não me agrada e nem me interessa, mas o conto está legal
Bom se esse conto nao foi conto de fadas, em tres dias sem agua, a pessoa teria morrido.
Bem escrito e bem legal o conto. Faltou porém, detalhar os motivos da personagem.