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(15) Orcs [poesia]

Publicado por The Gunslinger

– que publicou 1572 textos no ONE.

Ocupação: Analista de Sistemas de Colaboração, Escritor, Blogueiro.

Grupo a que é filiado: O Nerd Escritor, Blog do Gunslinger.

Base de operações: Corupá, SC – Brasil.

Interesses: Literatura, Cervejeiro, Internet, Teoria Computacional da Mente, Tiro com Arco e Futebol Americano.

Autor(es) Influênte(s): Stephen King, Bernard Cornwell, J.R.R. Tolkien, Neil Gaiman, Patrick Rothfuss, Paulo Coelho.

Livros que recomendo: A Torre Negra (Stephen King), Crônicas Saxônicas (Bernad Cornwell), Crônica do Matador do Rei (Patrick Rothfuss), O Silmarillion (J.R.R. Tolkien), Lugar Nenhum (Neil Gaiman), O Diário de um Mago (Paulo Coelho).

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Dec
01
2009

Os Gêmeos de Ispáuli

Escritor: Fabio Ciccone

os-gemeos-de-ispauli

Esta história aconteceu há centenas de anos, onde hoje é a província de Ispáuli. Naquela época, antes da unificação e da Presidência, a província, bem como todas as outras, não respondia a ninguém, e era governada pelo já ancião Governador Jé IV, da dinastia Sér. Acontece, pobre do Governador, que sua esposa, a Governadora, havia dado à luz não um primogênito para ocupar o governo que logo seria deixado por sua excelência, mas sim dois, gêmeos! O governador, assim, possuía não um, mas dois herdeiros legítimos, uma vez que a lei dos homens e a lei de Deus claramente institui, desde aquele tempo, que o governo é passado ao primogênito, e que seria impossível distinguir qual dos dois havia nascido primeiro.

O Governador passou os últimos meses da sua vida tomado por esta questão. Ponderou longamente sobre suas possibilidades. Não poderia preferir um ao outro, que seria injusto, crime e certamente pecado; não poderia deixar que ninguém mais tomasse tal decisão, uma vez que, como já disse, naquela época não havia Presidência, portanto não havia instância superior à excelência do Governador. Decidiu, por fim, dividir Ispáuli em dois governos e dá-los cada um a um dos irmãos. Jé, homônimo ao pai, viria a governar as terras do oeste, que vão da Cidade de Prata até o Mar do Prigai, como Jé V. O outro, Luçã, governaria o leste, da Cidade de Prata até o Oceano, vindo a ser conhecido como Luçã II.

Eis que morreu o governador Jé IV e suas terras foram, então, dividas entre os dois irmãos. Os dois ascenderam a seus respectivos tronos e, nos primeiros anos de Ispáuli Ocidental e Ispáuli Oriental, as coisas iam até que bem. Jé, afeto que era a seu pai, procurava seguir o estilo de governar de seu antepassado, e os ispaulianos do Ocidente mal viram mudanças em suas vidas. Enquanto isso, Luçã buscava instituir um governos de vanguarda no Oriente, aplicando ideias que transformariam Ispáuli Oriental em uma utopia.

Porém, quis o destino e testemunhou o profeta Pamarcé, a utopia do governador Luçã II converteu-se, em apenas alguns anos, em um verdadeiro inferno. Seus súditos passavam cada vez mais fome, havia cada vez menos grãos em seus campos e faltavam vestimentas e ferramentas para se trabalhar, e Luçã viu-se obrigado a pedir a ajuda de seu irmão Jé. Este, porém, era ganancioso, e viu na ruína do governo do Oriente sua chance de usurpar o trono para si. Então, Jé recusou-se a vender comida a seu irmão.

A tenção, então, só fez aumentar. Grupos de soldados de Luçã invadiam o governo ocidental para roubar comida, e aproveitavam para causar todo tipo de terror nos habitantes do Oeste. Em represália, soldados leais a Jé queimavam as casas e assassinavam famílias inteiras de gente do Leste.

Passados cinco anos de atos terroristas, os irmãos, cheios de ódio um pelo outro, mas preocupados com a violência entre seus súditos, decretaram cessar-fogo e se sentaram para discutir a situação. Como nem um, nem o outro, se dispunha a ceder, chegaram à única decisão que viram como possível: mandaram construir uma muralha, imensa, se estendendo de norte a sul e passando bem no meio da Cidade de Prata, dividindo assim fisicamente Ispáuli Ocidental e Oriental.

Um muro de pedra dividiu um país. Um muro de pedra que separava mães de filhas, irmãos de irmãos, que era uma cicatriz imensa na face de um povo. Amargurado, Luçã logo proibiu qualquer contato de seus súditos no Oriente com qualquer pessoa no Ocidente. Viajar de um lado ao outro era virtualmente impossível. Muitos tentaram. Muitos morreram. Diante do coração duro do governador Luçã II, estas não eram as mortes de gente desesperada, com saudade da família. Eram sim a morte de traidores, e para sua Excelência, a morte de traidores era mais do que merecida.

Enquanto isso, Jé se preocupava. Ele se sentava em seu trono, olhava o brasão da Dinastia Sér na parede, o escudo verde, as oito estrelas brancas circulando o pássaro dourado, e se lembrava de seu pai, que sempre dizia a ele e seu irmão que aquele era o escudo com o qual deveriam proteger todo o povo de Ispáuli, e este pensamento atormentava as noites de Jé. Nas atuais circunstâncias, o Governador protegia apenas metade do seu povo. A outra padecia nas mãos cada vez mais insanas de seu gêmeo.

Passaram dez, vinte, trinta anos, e Luçã II estava cada vez mais taciturno, e Jé V cada vez mais preocupado. Eis que, já fazia quarenta anos que a Muralha havia sido erigida, os dois, já velhos e cansados, trocaram cartas. Luçã dizia ao irmão que havia sido um tolo, que em uma noite o profeta Pamarcé apareceu para ele e lhe disse que ele estava errado, que seu povo sofria em suas mãos como o próprio profeta uma vez sofreu nas mãos dos bsilenses, e que Luçã, diante da revelação do Santo Profeta, chorou e se arrependeu. Seu irmão Jé lhe respondeu, e lhe disse que também errara, e que orava dia após dia que esta loucura terminasse, e que os dois pudessem governar juntos, como irmãos, as terras que foram de seu pai e que jamais deveriam ter sido separadas.

“Derrubemos agora mesmo este horrível muro”, dizia o governador Jé V de Ispáuli Ocidental ao seu irmão, “e governemos de mãos dadas sobre nossas terras”. E Luçã, que lera às lágrimas a missiva de seu gêmeo, mandou responder que sim, e que em três dias o muro deveria começar a ser derrubado, e que ele próprio seria o primeiro a atravessar para o lado ocidental para dar a mão ao seu irmão.

Três dias depois, ouvia-se por toda a Cidade de Prata o estampido das marretas contra a muralha. Bateu-se, bateu-se, bateu-se com força e com fervor, e enfim a muralha cedeu, e por onde antes havia um muro que separava dois povos, que na verdade sempre foram um só, agora havia uma larga avenida, a artéria pela qual passaria novamente o sangue ispauliano. Cumprindo sua promessa, Luciã saiu de trás dos trabalhadores que haviam dado o suor para unificar seu país, e atravessou, sozinho, a nova a avenida.

– Jé? – chamou Luçã, atravessando a nuvem de pó.

– Aqui, irmão.

E quando Luçã olhou para a frente, um tiro zuniu e o atingiu bem no coração. Portando a pistola e trajando sua farda de guerra, Jé V olhou para o corpo inerte de seu gêmeo e, com olhos frios e carregados de desprezo, se despediu com as seguintes palavras:

– Governar juntos é o c******.

Seu exército então usou a brecha criada na muralha e invadiu violentamente as terras do Oriente, destruindo qualquer um que se colocasse em seu caminho. O governador Jé V entrou para a história, conhecido como Jé, o Impiedoso, e seu governo sangrento serve de inspiração aos governantes mais tiranos.

E até hoje cada Governador, Coronel ou Presidente reza todos os dias para que o destino não lhes dê filhos gêmeos.


Categorias: Contos | Tags: , ,

11 Comments»

  • Hehehe.. adorei a história, muito bem narrada. E o final é sensacional, violência e brutalidade que eu louvo. =)

    Esse Jé é um bom personagem =)

  • RenanMacSan says:

    Hahahahaha, gostei muito.
    Tirando algumas modificações no português é um bom conto.
    Quase um muro de Berlim medieval, com um final à la Cidade de Deus. Pra decidir esses casos geralmente o filho a nascer primeiro era considerado o herdeiro.

    Se não me engano na Pérsia o rei Ataxerxes tinha um gêmeo, e este quis usurpar o trono dele. Contratou 10.000 mercenários e invadiu o país… resultado: conseguiu vencer a guerra, mas morreu no final, ou seja, não adiantou de nada pois ele morreu, e o irmão continuou sendo rei, embora tivesse perdido a guerra.

  • Esta é a estreia do meu cenário mais favorito. Com certeza escreverei mais sobre ele 🙂

  • Mornaax says:

    Ah, como eu gosto de auto-ajuda re-visitada.

    Parabéns pelo belo conto!

  • Andrey Ximenez says:

    Aodrei.. é bem como o Renan comentou… um muro de berlim com um final na cidade de deus ( pensei a msm coisa lend)

    Mt bem escrito e narrado.
    Espero mais algo do genero =D

  • O que me deu a ideia pra este conto foi exatamente uma notícia sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim que ouvi no rádio 🙂

  • Vinicius Machado says:

    Poxa!! Muito bom mesmo!
    Esta na minha listinha de melhores contos aqui do ONE!

    é isso ai:
    — Governaremos juntos é o C*******! xD
    muito bom adorei!

  • Patrick says:

    Gostei. Bem legal.

  • Vitor Vitali says:

    Eu achei chato até que chegou até que chegou o final, hehe, adorei.

  • O final realmente fez a diferença no conto! =) Mas gostei dele como um todo.

  • o final deu o toque especial que o conto precisava. Ótimo conto.

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